domingo, 1 de agosto de 2010

FUTEBOL (EXÓTICO) PIQUENIQUE – URBAN PERFORMANCE


A art performance ou performance artistística é uma modalidade de manifestação artística interdisciplinar que - assim como o happening - pode combinar teatro, música, poesia ou vídeo. É característica da segunda metade do século XX, mas suas origens estão ligadas aos movimentos de vanguarda (dadaísmo, futurismo, Bauhaus, etc.) do início do século passado.
Difere do happening por ser mais cuidadosamente elaborada e não envolver necessariamente a participação dos espectadores. Em geral, segue um "roteiro" previamente definido, podendo ser reproduzida em outros momentos ou locais. É realizada para uma platéia quase sempre restrita ou mesmo ausente e, assim, depende de registros - através de fotografias, vídeos e/ou memoriais descritivos - para se tornar conhecida do público.
A performance foi introduzida durante a decada de 1960, pelo grupo Fluxus e, muito especialmente, através das obras de Joseph Beuys. Numa de suas performances, Beuys passou horas sozinho na Galeria Schmela, em Düsseldorf, com o rosto coberto de mel e folhas de ouro, carregando nos braços uma lebre morta, a quem comentava detalhes sobre as obras expostas. Em alguns momentos, as performances de outros artistas tiveram ligação direta com as obras de body art, especialmente através dos Ativistas de Viena, no final da década de 1960.


Utilizo esta pequena introdução sobre o conceito de Performance para discorrer sobre uma ação artística de deslocamento, na qual eu pude presenciar no inicio do mês de julho em Montenegro. Tomei a liberdade de dar um subtítulo para esta ação: EXÓTICO. Pois Exótico é o que vem de outras terras. Por extensão, é o estranho, o diferente, o que quebra parâmetros a que estamos acostumados.


                                                                                   Deslocar-se. Cartografar. Olhar e ser olhado.


Ação Artistica de deslocamento no Parque Centenário em Montenegro durante a 3ª Expomonte. Participantes da Ação: Ana Denise Ulrich, Fabrízio Rodrigues, Pamela Irion e Patrick Aozani Moraes Fotos Daniel Finger, Vídeo Daniel Barcellos Figurinos, maquiagem e cabelos Fabrízio Rodrigues, Pesquisa Poética Fabrízio Rodrigues.










No inicio de julho, dentro da programação da Expomonte, pude conferir de perto a ação artística de deslocamento do multi-artista Fabrízio Rodrigues e sua trupe formada por Ana Denise Ülrich (Atriz do Válvula de Escape), Pamela Irion (Aluna da Oficina do Válvula de Escape) e Patrick Aozoni. Eles propiciaram aos transeuntes uma proposta diferente das propostas comumente apresentadas nesta cidade, e das propostas apresentadas em uma feira como esta.
Na verdade, a proposta tratava-se de uma performance, na qual o público era instigado a acompanhar e através de um deslocamento pensar (captar!) imagens sobre a ação e talvez reagir sobre o fato ocorrido. Através de uma simples ação, o público acompanha aqueles corpos exóticos, figuras alegóricas, produzidas e deslocadas do ambiente comum, digo deslocadas pelo fato de estarem vestidas de modo diferente, maquiadas teatralmente, estilizadas, deslocadas do cotidiano, parecendo seres de outro mundo. Mas que mundo é este, pergunto? Qual a proposta e objetivo de uma ação como esta? Qual seria a INTENÇÃO da criação deste novo mundo ficcional, mas ao mesmo tempo real, real por se tratar de uma ação cotidiana, por exemplo, fazer um piquenique, mas posso classificar como ficcional partindo de questões como: quem são aquelas pessoas que estão participando do piquenique e porque estão participando? Porque se comportam daquele jeito, de maneira quase ritualística, onde cada gesto, cada movimento é calculado, parecendo que estão sempre querendo buscar o melhor ângulo para o registro de uma foto. Seria puro exibicionismo? Não sei, creio que não, sabendo a priori que ações como esta, são embasadas em teorias e referenciais, servindo como experimento para futuros trabalhos em andamento. A arte contemporânea é instigante justamente por não entregar ao público um resultado fácil, degustável, limpo, pelo contrário, cada obra ou ação vem acompanhada de um infinito numero de signos e cada um destes signos carregados de significados. Um exemplo disso está nas Bienais de arte, onde uma maçã podre pode e é uma obra de arte contemporânea, mas onde estaria a arte em uma maça? Creio que está na rede de significados criados pelo artista, a partir dos seus referenciais, de como ele olha aquele objeto e o transforma em um objeto artístico. Nesta ação de deslocamento poderíamos enxergar através desta ótica, onde um agrupamento de artistas-performers agem e reagem entre si, mas sem uma explicação lógica, de uma leitura, de uma história. Por isso que eu mesmo ouvi reações como: o que eles querem com isso? Quem são esses malucos? Nossa, eles estão muito bonitos! Será que posso sentar junto? Algumas expressões dos transeuntes, que foram pegos de surpresa e acharam no mínimo esquisito a ação, mas por que esquisito? Talvez pelo fato de a performance não contar uma história como a das novelas, não sei, enfim! Estamos acostumados a receber demasiadas informações, a todo o momento, de todos os lados e de todo tipo, mas dificilmente partilhamos esta informação com o emissor. E é essa presença que torna toda essa loucura em um grande ato louvável, o momento da comunicação.
O engraçado desta intervenção foi perceber como o simples ato de observar pessoas se deslocando e se preparando para o seu piquenique pudesse desassossegar tanto ao público. Reparo nisso, não apenas pelo fato de muitas pessoas não sentirem-se tocadas pelas propostas de arte contemporânea, ou de boa parte dos espectadores ainda deslocarem-se de seus espaços para acompanharem aquela ação buscando paralelos com uma apresentação teatral, televisiva ou coisa parecida. Mas foi possível perceber como uma simples ação pode promover tantas reações no público.

Neste sentido, a experiência me levou a refletir sobre este gesto no mundo atual. Porém, a discussão aqui não é tão simplista, uma vez que, num mundo contemporâneo, cada vez mais individualista e virtual, as pessoas estão desacostumadas a partilhar de comunicação ao vivo e a cores. E é este tipo de comunicação que nos faz avançar e repensar várias coisas em nossas vidas, possibilitando uma impressão nova, passível de reflexão sobre acontecimentos do cotidiano. Portanto, finalizo este comentário ressaltando a necessidade de outras propostas artísticas nesta cidade que dialoguem com outras formas de expressão, reverberando na intertextualidade derivada da intersecção das mais diversas linguagens artísticas. Além disso, congratulo Fabrízio pela iniciativa por nos propiciar a experiência de refletir sobre o fato de que, ao comer e beber em um piquenique público, comemos e bebemos também os nossos padrões de conceitos e abrem-se as janelas para reflexões sobre a comunicação em uma sociedade contemporânea cheia de recursos tecnológicos, mas que se não utilizados com inteligência, não comunicam nada, comunicação esta no sentido de afetos e sentimentos.


Para conhecer o trabalho de Fabrízio Rodrigues acesse o Blog: http://fabriziorodriguesartes.blogspot.com/

sexta-feira, 30 de julho de 2010

LIA DE ITAMARACÁ em Montenegro

É neste domingo as 15:30 hs na Estação da Cultura, a CIRANDA DE RITMOS com Lia de Itamaracá, diretamente de Pernambuco. Lia é patrimônio vivo de seu estado devido a importância de sua arte, repleta de brasilidade e ritmos. Neste show ela vem acompanhada de seis percusionistas de maracatu e de mais duas cantoras. Depois de receber ontem o maravilhoso show de CHICO CÉSAR, agora já me preparo para acompanhar mais esta promoção do ARTE SESC que tem nos brindado com arte de qualidade.
Então até domingo!

sábado, 17 de julho de 2010

Hans Thies Lehmann em Porto Alegre


TEATRO CONTEMPORÂNEO: PARA ALÉM DO DRAMA

Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas - IA - UFRGS

Goethe Institut Porto Alegre
Coordenação de Artes Cênicas - SMC - Prefeitura de Porto Alegre

Pessoal fiquei sabendo e vou registrar por aqui também que Hans Thies Lehmann estará em Porto Alegre no próximo mês dentro da programação do TEATRO CONTEMPORÂNEO: PARA ALÉM DO DRAMA. Para quem não o conhece, ele é um dos estudiosos que se debruça sobre questões do TEATRO PÓS-DRAMÁTICO e suas implicações. Já li alguns de seus textos e realmente é uma excelente opção tê-lo por aqui. Aproveitem! Abaixo segue a programação:  
12/08

10h - Conferência de abertura "Para além do drama" com H-T.Lehmann
Local:Instituto Goethe de Porto Alegre

19h - Roda de debates - H-T. Lehmann e classe teatral
Local: Teatro Renascença - Centro Municipal de Cultura

13/08

18h - Palestra: Recepção contemporânea do teatro grego antigo - E. Varopoulou
19h30 - Palestra: "O político - e sua interrupção - no Teatro Pós-dramático " com H-T. Lehmann
Local: Instituto Goethe de Porto Alegre

A presença de Hans Thies Lehmann e Eleni Varopoulou na UFRGS integra a Hans Thies Lehmann

Brasil Tour 2010 idealizada e organizada por Wolfgang Pannek

sexta-feira, 16 de julho de 2010

CHICO CÉSAR em MONTENEGRO


É com grande alegria e ansiedade que anuncio o show de Chico César em Montenegro. Lógico que somente o Arte Sesc poderia proporcionar a vinda deste grande artista para a nossa cidade. Galera, corra para comprar os ingressos, pois este artista é sinônimo de inquietação, criatividade e inventividade dentro da música popular brasileira. Sua obra tem grandes perólas, e mesmo assim ele é desconhecido da grande parte do público brasileiro. A única referencia é o seu maior sucesso Mama África, mas existe um Chico César genial por trás deste sucesso. Então nos encontramos lá no dia  29 de Julho as 20 hs com o espetáculo "Francisco FOrro y Frevo". no Teatro Roberto Atayde Cardona.

Informação sobre ingressos no SESC MONTENEGRO: 51-36493403 ou Rua Capitão Porfírio, 2205.

domingo, 11 de julho de 2010

CORTE 1 - PROCESSO DO GRUPO VÁLVULA DE ESCAPE - Texto.


Gostaria de compartilhar neste post um pouco do nosso processo de criação do espetáculo "MACABÉA - Una Furtiva Lacrima", baseado na obra de clarice Lispector. Nossa caminhada iniciou no final de fevereiro, quando iniciou os nossos encontros. Nosso grupo é formado por artistas com formações diferenciadas e é isso que faz do Válvula uma equipe que tem demostrado um gás e uma vontade de aprender com esta expêriencia. Eu, Diego Ferreira, Ana Denise e Lucimaura Rodrigues temos em comum a formação em Teatro na Graduação da UERGS, Martina e Adriana tem suas formações no Curso de Teatro da Fundarte, onde puderam estudar com professores como Carlos Mödinger, Tatiana Cardoso e Jezebel de Carli, e Leonardo e Gabriela que experimentaram o Teatro nas oficinas do colégio Sinodal com professores como Marcelo Bulgareli e Janaina Kraemer. Enfim, com formações diferentes estes artistas estão experimentando, criando e aprendendo muito neste processo, que tem sido bastante revelador para nós, pois como estamos partindo de um texto não-teatral, "A hora da estrela", temos que lidar de maneira coerente quanto a isso. Iniciamos o trabalho com a leitura integral do livro e de muitos artigos que se relacionavam com a obra referida. Nossas conversas eram baseadas na obra de Clarice e de como fariamos para levar a cena uma obra tão complexa como esta. Eu fiquei responsável pela adaptação inicial, tentando transformar o texto literário em texto dramático, criando diálogos e cenas baseados nos escritos de Lispector. Este trabalho levou em torno de dois meses, até que chegou em nossas mãos o 1º esboço do roteiro, esboço que até agora tem sofrido muitas alterações, cortes, inserções de outros trechos de outras obras de Clarice, assim como de outros autores como um fragmento de "Bonequinha de Pano" de Ziraldo e textos biográficos de Clarice. A medida que os ensaios avançam, novos cortes e alterações tem sido realizadas. Não montaríamos mais uma versão fiel de A HORA DA ESTRELA de Clarice Lispector, mas a nossa própria obra baseada em Clarice, utilizando os seus escritos como base, importanto agora dizer de nós e de nosso mundo para o público contemporâneo, celebrar a vida através de um ser vazio que ambicionava somente viver, sem perspectiva nenhuma. Mais do que montar um texto clássico da literatura, queriamos descobrir a poesia em nós e o que temos para falar, hoje. Sem isso, não vejo muita razão para fazer teatro ou qualquer outra coisa. E a busca dessa poesia, mais do que de poemas e textos requeridos pelo espetáculo, foi a razão maior do trabalho empreendido. 
Nesta primeira etapa do trabalho, o que foi mais árduo, foi realizar os cortes, de modo a reduzir a peça em mais de metade do original, mantendo a tensão dramática e cosntruir a vertigem que eu pretendia enquanto cena. No primeiro esboço estava praticamente toda a obra lá, mas com o inicio do trabalho prático fui percebendo que não poderia colocar tudo em cena, que deveria privilegiar as situações dramáticas que pudessem contar a história de Macabéa. Outra alteração importante é a transformação do narrador Rodrigo S.M na própria Clarice Lispector, ou seja, nossa história é narrada pela própria Clarice, que nos guia e nos coloca nas situações vivenciadas pelos nossos personagens.

A partir disso, comecei a cortar cenas inteiras, preservando, sobretudo, os momentos principais, em que se produzem os conflitos e a evolução da trama. "A hora da Estrela" permitiu tais cortes, pois muitas vezes algumas cenas/trechos do romance conformam uma unidade fechada e esgotam-se em si mesmas. Valem mais por sua profunda dimensão lírica ou cômica, mas não são essenciais para a evolução do enredo. Mas mesmo tendo isso em mente, todo cuidado é pouco para efetuar tais cortes.Se o critério acima tinha em vista o todo do espetáculo e a evolução pretendida por mim, outros critérios deveriam ser eleitos para definir os cortes a serem feitos em cada cena e em cada fala do original de Clarice. A maior dor surgia nesses momentos. Cada frase, cada verso, cada metáfora de Clarice é uma pérola da literatura que teimamos em querer guardar. A leitura de referenciais foram fundamentais para estabeler os critérios para tais cortes. Procurei aqui explanar um pouco sobre o processo de cosntrução do nosso trabalho, aqui neste primeiro momento sobre a construção de dramaturgia para o nosso espetáculo. 

REFERENCIAIS BIBLIOGRÁFICOS
MELO, Amanda de Souza. A Teatralidade em “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector. UFMG.
LIMA, Mariana; DIAZ, Henrique; ARAPI, Fauzi. Parceiros Apaixonados. Sala Preta. USP.
CAROLINA PISMEL, Carolina; IZE, Nara e VERÍSSIMO, Rafael. Pisando em Ovos: O Jogo narrativo do Ator. UniverCidade. RJ.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

OFICINA DE CRIAÇÃO TEATRAL com MARCO FRONCHETTI

E
TEATRO NO CLUBE DE CULTURA

Objetivo

Reativar a formação e criação teatral no Clube de Cultura de Porto Alegre, através de:

1. Oficina de Criação Teatral

– a ser oferecida em dois módulos no período de agosto de 2010 a junho de 2011, com o objetivo de preparar profissionais para a montagem de um espetáculo específico para o espaço do Clube de Cultura.

Ministrante: Marco Fronchetti

Ministrantes convidados: Sérgio Lulkin e Valéria Lima

Horário: terças e quintas-feiras, das 19 às 22 horas

Período: Módulo I – agosto a novembro de 2010

Módulo II – março a junho de 2011

Conteúdo: Treinamento físico do ator

Preparação para o jogo e improvisação

Criação sobre temas pré-determinados

Público-alvo: atores e interessados em participar de um processo de criação teatral (máximo: 25 participantes – mínimo: 10)

Investimento: R$ 80,00 (oitenta reais) por mês de oficina.

Ao final de cada um dos módulos, serão feitas apresentações abertas de cenas resultantes do processo de criação desenvolvido na oficina.

2. Montagem de Espetáculo

Previsão de estréia do espetáculo: setembro de 2011.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Teatro em espaço não convencional

Espaço Cênico?
Theater Titanic

Todo espaço é um espaço cênico. Em alguns, isto é notório, como nos estádios, igrejas, parlamentos, praças e, claro, nos teatros. Os lugares são pensados para abrigarem um tipo de ação, de evento, de acontecimentos pré-determinados.
Cabe ao artista manipular o ambiente físico, buscando a interação entre o observador e a imagem ambiental. Ambientes diferentes dificultam ou facilitam o processo de criação.
“Todo ambiente arquitetural é suscetível de expor, limitada estilisticamente pelo querer do arquiteto, uma cota ponderável dos acontecimentos possíveis entre os humanos; e neste aspecto se tem uma teatralidade real, o vão que a perfilhou, a equiparar-se com a rampa dos divertimentos, os espaços de toda a arquitetura a competirem com o tablado das encenações, isto é, com um setor da própria arquitetura.” (COUTINHO, 1998, p.179)
Quando advém o antagonismo na função a qual se destina o local, pode acontecer a recusa ao novo acontecimento. O desarranjo pode acarretar em uma experiência incômoda. E esse pode ser o intuito do espetáculo, ou seja, o lugar já pode impor o caráter da trama a ser apresentada, com intensidade maior ou menor segundo o gênero de espaço e o tipo de espetáculo proposto, ou a revelia de ambos.
O espaço escolhido pode oferecer significados, experiências e imagens diversificadas e até contraditórias, e pode levar o espectador em uma tarefa de se desdobrar por impressões recebidas ou já pré-estabelecidas. “Cada cidadão tem vastas associações com alguma parte de sua cidade, e a imagem de cada um está impregnada de lembranças e significados.” (LYNCH, 1997, p.01)
“O vazio do lugar está no olho de quem vê e nas pernas ou rodas de quem anda. Vazios são os lugares em que não se entra e onde se sentiria perdido e vulnerável, surpreendido e um tanto atemorizado pela presença de humanos”. (BAUMAN, 2001, p. 122)
No mundo contemporâneo, o papel do teatro ainda está em transição, já que outras formas de espetáculo se apresentam. Num mundo fluido, onde tudo caminha para a dissolução o lugar do teatro parece indefinido. Também parece confuso atuar para este público contemporâneo: pessoas cheias de vaidades, “atores sem papel”, que precisam de circunstâncias momentâneas de encenação para que não corram o risco de uma possível união afetiva. Não criam nada mais que a excitação de um desempenho momentâneo ou aquele que se prolonguem mais do que a finitude do cheiro de coisas novas, dos produtos consumidos, relacionando-se de forma inconsistente com a própria vida. Mas não podemos deixar de lembrar que a história do teatro, como toda história, está em contínua elaboração e mudança de tradição, em que cada obra se refere ao passado e indica o futuro. E que o teatro faz parte um fluxo natural de tradições dentro do processo de criação cultural que vincula a arte de nossos dias a da antiguidade.
O que não se pode perder é a autenticidade cênica que independe de lugar. “No trabalho de apropriação do espaço – e levando em consideração a sua arquitetura, a sua atmosfera e as pessoas que o circundam – conseguimos projetar novas possibilidades para as personagens. Interferências do campo tátil, olfativo e da própria geografia do espaço colaboram para a ampliação do discurso.” (REBOUÇAS, 2009, p.58).

sábado, 3 de julho de 2010

Cara Estranho

Mais uma letra de música que está dialogando com a nossa proposta de construção cênica.

Cara Estranho


Composição: Marcelo Camello

Olha só, que cara estranho que chegou
Parece não achar lugar
No corpo em que Deus lhe encarnou
Tropeça a cada quarteirão
Não mede a força que já tem
Exibe à frente o coração
Que não divide com ninguém

Tem tudo sempre às suas mãos
Mas leva a cruz um pouco além
Talhando feito um artesão
A imagem de um rapaz de bem

Olha ali, quem tá pedindo aprovação
Não sabe nem pra onde ir
Se alguém não aponta a direção
Periga nunca se encontrar
Será que ele vai perceber?
Que foge sempre do lugar
Deixando o ódio se esconder

Talvez se nunca mais tentar
Viver o cara da TV
Que vence a briga sem suar
E ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo
Dizer ao mundo todo
Que só conhece o seu quinhão ruim
É simples desse jeito
Quando se encolhe o peito
E finge não haver competição
É a solução de quem não quer
Perder aquilo que já tem
E fecha a mão pro que há de vir.

De onde vem a calma!

Abaixo a letra da canção de Marcelo Camelo que tem nos inspirado em nosso processo. Esta música é o retrato fiel da nossa personagem, pois além de ser poética ao extremo, ela parece descrever exatamente a Macabéa de Clarice Lispector. Linda música, linda letra, pura poesia.

De Onde Vem A Calma

Composição: Marcelo Camelo

De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não saber ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil

De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão



Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Meyerhold 70 anos: Herança para o ator de hoje


PROGRAMAÇÃO:

Dias 4 e 5 de agosto: PALESTRAS



dia 4: a teatralidade e o grotesco na encenação de Meyerhold Com Cláudio Mássimo Paternò (Itália)- Ator e coordenador do Centro Internacional de Estudos em Biomecânica Teatral de Meyerhold às 19h no Centro Cultural Cia de Arte – Rua dos Andradas, 1780, Porto Alegre – RS – Brasil



dia 5: A biomecânica teatral de Meyerhold Com Cláudio Mássimo Paternò (Itália)- Ator e coordenador do Centro Internacional de Estudos em Biomecânica Teatral de Meyerhold às 19h no Centro Cultural Cia de Arte – Rua dos Andradas, 1780, Porto Alegre – RS – Brasil



Dia 6 de agosto: AULA- ESPETÁCULO Danças dramáticas brasileiras: fundamentos para a criação de um corpo cênico Com Alício Amaral e Juliana Pardo (SP) Cia Mundu Rodá – SP – Brasil Às 20 horas, na Sala Alziro Azevedo, Rua Salgado Filho, 340 – Centro Porto Alegre – RS – Brasil



De 2 a 6 de agosto de 2010 – das 9h às 13h OFICINA: A AÇÃO TEATRAL – os princípios básicos da biomecânica teatral para a construção da ação Local: DAD (General Vitorino, 255 – Centro) 20 vagas 5 ouvintes Ministrante: Claudio Massimo Paternò (Italia) e Marcelo Bulgarelli (Porto Alegre) Público Alvo: Para atores, bailarinos, diretores e estudantes de teatro. 20 vagas.



ENTRADA FRANCA Para a oficina, inscrições gratuitas – enviar currículo e carta de intenção para o email teatrotorto@gmail.com, até o dia 20 de julho de 2010. Informações: 51 96761843

terça-feira, 22 de junho de 2010

ESPETÁCULOS GAÚCHOS no 17º PORTO ALEGRE EM CENA


Foram divulgados os espetáculos que concorrerão ao 5º Prêmio Braskem Em Cena. Eles vão compor a grade de atrações gaúchas do 17º Festival Porto Alegre Em Cena, de 8 a 26 de setembro. O prêmio será entregue ao final do evento.
Confira os selecionados:

- Dentrofora (teatro), de Carlos Ramiro Fensterseifer (na foto acima, a atriz Liane Venturella)

- Dar Carne à Memória (dança), de Mônica Dantas e Eva Schul

- Elefantilt (teatro), de Humberto Vieira

- Milkshakespeare (teatro), de Camilo de Lélis

- My House (dança), de Marco Rodrigues

- O Avarento (teatro), de Gilberto Fonseca

- Homem que Não Vive da Glória do Passado (teatro), de João de Ricardo

- O Gordo e o Magro Vão para o Céu (teatro), de Nelson Diniz e Liane Venturella

- Play-Beckett (dança e teatro), de Alexandre Dill e Igor Pretto

- Solos Trágicos (teatro), de Roberto Oliveira

FESTIVAL DE TEATRO POPULAR - JOGOS DE APRENDIZAGEM


De 5 a 11 de julho acontecerá em Porto Alegre o Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem com espetáculos, mostra de processos de criação, demonstrações de trabalho, oficinas e debates. O Festival tem dois eixos principais: focar a atividade teatral que vem sendo desenvolvida nos bairros populares da cidade e contribuir para a discussão sobre a formação do ator nos seus princípios estéticos e éticos. O Festival será realizado em diversos espaços da cidade – Teatro de Câmara Tulio Piva, Teatro Renascença, Usina do Gasômetro, Terreira da Tribo, Centro Cultural Esportivo Ferroviário/Ferrinho no bairro Humaitá, Associação de Moradores Núcleo Esperança I no bairro Restinga e Largo Glênio Peres. Toda programação é gratuita e aberta ao público em geral. O Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem é uma realização da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e Secretaria Municipal da Cultura com o patrocínio da Caixa Econômica Federal.

O Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem é fruto do trabalho que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve em diferentes bairros de Porto Alegre. Desde 2004 acontece a Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem resultado do processo pedagógico colocado em prática pela Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo. O batismo Jogos de Aprendizagem do Festival provém de um conceito da teoria da Peça Didática de Brecht. Ao traduzir o termo Lehrstück para o inglês, Brecht usou a denominação learning play, ou seja, jogo de aprendizagem. O acento na atitude ativa do aprendiz é acentuado, em detrimento do ensinamento catequético, ou da lição a ser aprendida. Podemos aproximar a teoria da Peça Didática aos preceitos pedagógicos mais radicais como aqueles de Paulo Freire e Vygotski.

Para coroar a transformação da Mostra em Festival de Teatro Popular estarão em Porto Alegre dois grupos que são referencias latino-americanas na formação do ator – o Yuyachkani, o coletivo teatral mais importante do Peru, e o Lume de Campinas com o seu trabalho de Antropologia Teatral. Estão na programação do Festival os espetáculos "Adios Ayacucho" e "Rosa Cuchillo”, apresentando a proposta de teatro popular do Yuyachkani, "Shi-Zen - 7 Cuias" do Lume, "O Amargo Santo da Purificação" do Ói Nóis Aqui Traveiz, "Agora e na Hora de nossa Hora", "Eldorado" e "Uma Estória Abensonhada" de Eduardo Okamoto de Campinas, "Memorial de Silêncios e Margaridas" do Coletivo Teatro da Margem e atuação de Narciso Telles de Uberlândia, "A Decisão" do grupo Trilho do bairro Humaitá e "Inflexiveis Ligações" do grupo Bacantes do bairro Parque dos Maias. Durante todos os dias do Festival serão mostrados os processos de criação das Oficinas da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo e do Grupo Experimental de Teatro da Secretaria Municipal da Cultura. Também serão realizadas as demonstrações de trabalho "A Rebelião dos Objetos" com a atriz Ana Correa do Yuyachkani e "Processos de Criação" com o ator Eduardo Okamoto, que também ministrarão oficinas durante a semana do Festival. Ainda acontecerá o Painel “Teatro Como Jogo de Aprendizagem” reunindo diretores, atores e pesquisadores participantes do Festival, contando com a presença do crítico Jorge Arias do Jornal La República de Montevidéu. A Programação prevê ainda o lançamento da edição número oito da “Cavalo Louco” Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e do livro "Hora de Nossa Hora" de Eduardo Okamoto.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

"A CARAVANA DA ILUSÃO" em MONTENEGRO

Será apresentado neste domingo dia 13 de junho na Estação da Cultura em Montenegro, as 15 hs o espetáculo de rua, A CARAVANA DA ILUSÃO, do Grupo POVO DE RUA - TEATRO DE GRUPO de Porto Alegre. O espetáculo é uma releitura do texto de Alcione Araújo. Com direção cênica de Fernando Kike Barbosa, a peça narra a saga de uma trupe mambembe que viaja até um lugar desconhecido, onde os caminhos se bifurcam. A ausência do líder, recentemente falecido, instala a dúvida e o medo ante a possibilidade da mudança e gera ansiedade pela renovação. Os artistas passam a se tornar responsáveis pelas suas escolhas e suas consequências em meio à estranha força que os impulsiona a seguir os seus próprios caminhos. O texto reflete sobre o papel da arte e do artista na sociedade. O grupo Povo de Rua aborda essas questões de forma sensorial no espaço urbano, através da linguagem circense e do teatro popular. A trilha sonora, de Rogério Lauda, contribui para o ambiente poético. Participam do elenco Alessandra Carvalho, Dominique Martins Andujar, Marcos Castilhos, Rogério Lauda e Urso da Silva. A direção de produção é de Inês Hübner.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FICHA TÉCNICA
Elenco: Alessandra Carvalho; Dominique Martins Andujar; Marcos Castilhos; Rogério Lauda e Urso da Silva.

Direção Cênica: Fernando Kike Barbosa.

Direção de Produção: Inês Hübner.

Trilha sonora: Rogério Lauda.

Figurino: Antonio Rabadan.

Cenário: Zau Figueiredo.

Máscaras: Elton Manganelli.

Maquiagem: Heinz Limaverde.

Arte gráfica, fotografia e figurino: Daniel Ferreira.

Vale ressaltar a presença do coela e amigo Urso da Silva no elenco!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Morre Kazuo Ohno

O mundo da dança está de luto: faleceu hoje aos 103 anos de idade o grande mestre fundador do Butoh Kazuo Ohno. Compreendendo a vida e o movimento de maneira ímpar Ohno, ao lado de Tatsumi Hijikata criou o que considero ser a dança mais revolucionária forjada nas ultimas décadas. Trouxe ao palco a intensidade de um ex-piloto de guerra e ingenuidade do feto no útero materno. Influenciou toda um geração oriental e ocidental da dança moderna, e apresentou ao mundo esta arte, tipicamente japonesa.


"De maneira nenhuma, pode-se dizer que não haja nada num palco vazio, num palco onde se pise de improviso. Pelo contrário, existe alí, um mundo transbordante de coisas, ou melhor, é como se do nada surgisse uma infinidade de coisas e de acontecimentos, sem que se saiba como e quando."

Kazuo Ohno (27 de Outubro de 1906 - 1 de Junho de 2010)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Este poema foi criado pela atriz do "Válvula de Escape" Ana Denise Ulrich, resultado de suas observações dentro dos nossos ensaios e descobertas, particularmente do processo intenso de nossa colega Gabi.


Ecos

por Ana Denise Ulrich

As lágrimas que ecoam do coração
Batem forte aos olhos de quem vê.
São simples e justas,
Dignas de compaixão.
É impossível não ouvir
Quando um coração chora
A alegria da descoberta contida,
Sem se emocionar e sorrir.
A insensibilidade humana
É mais sensível
Ao eco verdadeiro
Que uma lágrima emana.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

OFICINAS DO GRUPO VÁLVULA DE ESCAPE - INSCRIÇÕES ABERTAS


VÁLVULA de ESCAPE
Teatro de Grupo


O Válvula de Escape - Teatro de Grupo, está oferecendo, dentro de seu projeto de compartilhamento, duas oficinas teatrais para INICIANTES. As oficinas iniciam no sábado dia 19 de Junho na Estação da Cultura em Montenegro. Detalhes abaixo.

OFICINA DE TEATRO – 1º MÓDULO- Iniciação

OFICINA DE TEATRO PARA JOVENS E ADULTOS



Têm como objetivo iniciar o aluno na prática teatral, onde o aluno trabalha os instrumentos fundamentais para o ofício do ator e elementos que constituem a linguagem cênica, tais como: atenção e prontidão, observação, concentração, ritmo, leitura, exercícios corporais e vocais. O curso oferece ao aluno o primeiro contato com os elementos fundamentais para o trabalho de sensibilização e criação. A partir de exercícios de expressão corporal, concentração, percepção do outro e do espaço, composição, improvisação e leituras, o aluno terá a possibilidade de estimular e desenvolver sua presença cênica.
Este módulo desenvolve jogos e exercícios que estimulam as habilidades necessárias para a prática teatral, como atenção e prontidão, observação, concentração, ritmo, leitura, exercícios corporais e vocais. Essa prática proporciona ao aluno uma maior consciência das possibilidades expressivas de seu corpo e de sua voz, melhorando seu desempenho na verbalização, organização de idéias e na capacidade de lidar com imprevistos. As turmas são divididas por faixa etária e o conteúdo de cada módulo é desenvolvido segundo a experiência e maturidade de cada grupo. A partir de uma metodologia baseada no trabalho em equipe, o aluno exercita o diálogo, o respeito mútuo, a reflexão sobre como agir com os colegas e o senso de responsabilidade. Apostando que o exercício teatral pode desenvolver a sensibilidade e a vivência de grupo sendo facilitadora das relações humanas, esta oficina se propõe a descobrir as potencialidades criativas dos participantes, utilizando como base para o trabalho o jogo cênico e a improvisação.

PÚBLICO-ALVO:

Todos os interessados a partir dos 16 anos (iniciantes)

QUANDO: de 19 de Junho a 30 de Outubro de 2010.

Sábados das 15:00 hs as 18:00 hs

CARGA- HORÁRIA: 20 encontros. 60 horas/aulas.

MINISTRANTE:

Diego Ferreira. Diretor do Grupo VÁLVULA de ESCAPE.

(Ator e Diretor, Licenciado em Teatro pela UERGS/FUNDARTE, que em 2009 dirigiu o espetáculo WILMA e ELZA.)

INVESTIMENTO:

R$ 150,00 à vista.

1 + 4 x de R$ 35,00

(R$ 35,00 de matrícula + 4 parcelas de R$ 35,00).




CURSO DE TEATRO PARA PRÉ-ADOLESCENTES

Os Cursos de Teatro do Grupo Válvula de Escape tem como objetivo iniciar o aluno no exercício teatral e buscam desenvolver os mesmos princípios que norteiam o trabalho do Grupo: a vivência em grupo, a experimentação, o jogo e o estímulo ao ator como criador.

A proposta das atividades é orientar o indivíduo criador para o trabalho coletivo.

Além disso, a realização semestral da MOSTRA DOS CURSOS - uma atividade ao final de cada módulo no formato de uma aula aberta, compartilhada entre familiares, amigos, professores e colegas - e sua participação em oficinas, palestras e espetáculos aumentam a base teórica e desenvolvem o senso crítico do aluno-ator.

O curso pretende desenvolver pequenos exercícios para a cena, a partir de jogos de observação, improvisação, leituras, criação e memorização de imagens. A partir de uma dinâmica baseada no trabalho em equipe, o aluno tem a possibilidade de se reconhecer dentro do grupo e exercitar o diálogo, o respeito mútuo e o senso de responsabilidade.

Pretende também ampliar a capacidade individual de experimentação e de envolvimento com o fazer teatral, através de improvisações e composições que possibilitam a noção de espaço, personagem e ação dramática. Serão utilizados exercícios para estimular a agilidade corporal e verbal e aprimorar a percepção – ouvir e ver o outro, contracenar.

PÚBLICO-ALVO:

Todos interessados entre 11 e 15 anos

QUANDO: de 19 de Junho a 30 de Outubro de 2010.

Sábados das 13:30 hs as 15:00 hs

CARGA- HORÁRIA: 20 encontros. 50 horas/aulas.

METODOLOGIA:

O curso é composto de quatro meses e meio de aulas práticas, e uma Mostra Teatral aberta ao público (CERTIFICADO DE CONCLUSÃO).

CONTEÚDOS:

Aulas de expressão corporal, expressão vocal, improvisação, jogos e interpretação teatral direcionados para esta faixa etária.

MINISTRANTE:

Diego Ferreira. Diretor do Grupo VÁLVULA de ESCAPE.

(Ator e Diretor, Licenciado em Teatro pela UERGS/FUNDARTE, que em 2009 dirigiu o espetáculo WILMA e ELZA.)



INVESTIMENTO:

R$ 150,00 à vista.

1 + 4 x de R$ 35,00

(R$ 35,00 de matrícula + 4 parcelas de R$ 35,00).



COMO SE INSCREVER:

Inscrições e informações através do e-mail:

escapeteatro@bol.com.br ou diegoferreira1@bol.com.br

Fone (51) 8177.4446. Ou através do blog: http://escapeteatro.blogspot.com







segunda-feira, 24 de maio de 2010

Grupo Galpão em Porto Alegre!

"Hoje podemos afirmar que o Galpão já tem uma linguagem própria, onde se misturam Brecht e Stanislavski, as técnicas circenses com o teatro balinês, a música folclórica com os experimentos musicais mais contemporâneos, a dramaturgia clássica com o melodrama, Eugenio Barba com Gabriel Villela, Eduardo Garrido com Shakespeare, marujadas com Molière, teatro épico com drama psicológico, o provinciano com o universal, a tradição com a transgressão. Tudo se mistura nesse caldeirão que os alquimistas do Galpão transformam, com visão crítica e generosidade, em teatro da mais pura cepa, arte maior, celebração da vida." Paulo José - Ator e Diretor 

Depois de tantos anos eu e os atores do Grupo Válvula de Escape, pudemos assitir o novo espetáculo do Grupo Galpão de Minas Gerais. Anteriormente, já tinha assistido “Um trem chamado desejo” e “Partido”. Pode-se dizer que o Grupo Galpão, sediado em Belo Horizonte, é um dos mais importantes do Brasil, além de ser um dos meus grupos preferidos . Formado há quase 30 anos por um coletivo de atores, o grupo normalmente convida diretores para seus espetáculos. Foi assim com o memorável Romeu e Julieta, dirigido por Gabriel Villela, que estreou em 1992 e rodou o mundo. Apenas uma, ou outra vez, algum ator do próprio grupo decide dirigir um espetáculo. E foi este o caso de Till, a saga de um herói torto, conduzido por Julio Maciel.
A peça conta a história de Till, um anti-herói que vem ao mundo por causa de uma aposta entre Deus e o Demônio, numa Alemanha medieval repleta de velhacos e aproveitadores. Para dar conta desses personagens, o elenco fez inclusive um trabalho de preparação baseado no arquétipo do bufão.
O Galpão é, sem dúvida, a mais alta expressão no que se refere ao teatro de grupo no Brasil. Diferente do que acontece com a maioria das outras companhias conhecidas, que são lideradas pela figura do encenador, como a Armazém Cia de Teatro, o Centro de Pesquisa Teatral (CPT), de Antunes Filho, o Teatro Oficina, de José Celso Martinez Corrêa, a Companhia de Ópera Seca, de Gerald Thomas, ou o Teatro da Vertigem, dirigido por Antonio Araújo, o Grupo Galpão é um grupo de teatro formado essencialmente por atores, que geralmente convida diretores renomados para a criação de seus espetáculos.
A lista de contribuições significativas ao teatro brasileiro acompanha os 27 anos de existência do grupo, que já trabalhou sob a direção de Paulo José, Cacá de Carvalho, Paulo de Moraes e Gabriel Vilela; com o último realizou, em 1992, o espetáculo Romeu e Julieta, de Shakespeare, que foi aclamado em 2000, no Globe Theatre, em Londres, por público e crítica. Os próprios críticos ingleses escreveram, na época, que a peça teria resgatado a essência do teatro de Shakespeare, que é popular.

Nesse Till, o grupo Galpão resgata suas origens de Teatro de Rua; mas não um espetáculo de rua simples, feito para poucos espectadores, de forma improvisada. É uma peça com uma produção impecável, feita para o grande público, onde os atores tocam instrumentos e cantam na cena, que possui efeitos sofisticados, apesar da aparente simplicidade. A estória se passa na Idade Média, quando Deus e o Diabo apostam sobre a perdição dos homens: Se de uma alma forem retiradas algumas qualidades, inclusive a maioria da inteligência, ela conseguirá ou não manter a sua consciência?
Assim, ao nascer após mais de cinco anos de gestação, inclusive sendo retirado da barriga da mãe com a ajuda de um anão mergulhador, Till logo aprende que para sobreviver precisa usar de toda a astúcia e malandragem, enganando e subvertendo a tudo e a todos, como forma de escapar da miséria. O personagem perde sua consciência para o Diabo, e depois o desafia para recuperá-la, em um duelo hilário. Existe outra linha narrativa, dentro da trama, que conta a história de três cegos em peregrinação para Jerusalém, que criam um batalhão que combate à noite, em noites sem lua, ficando em igualdade de condições com os infiéis, e com ouvidos melhores.
Um dos pontos altos do espetáculo é o encontro dos cegos com Till, onde eles são enganados de forma primorosa pelo herói torto. Existem também alguns momentos de interação com a plateia, criados com sensibilidade, nada que espante um espectador com receio (muitas vezes com razão) de peças interativas.
O caráter popular do espetáculo, que se passa na Alemanha medieval mas poderia acontecer em outro tempo e lugar, com característica universal, é sempre reconfigurado no domínio dos atores ao envolver o público nos acontecimentos: a cena onde a mãe de Till será queimada na fogueira é um exemplo disso, quando as exclamações de “Fogueira! Fogueira!” viram uma espécie de grito de torcida de futebol.
O texto e a interpretação têm, muitas vezes um certo distanciamento, inclusive com os atores se referindo a si mesmos em terceira pessoa. Till Elenspiegel, o heroi mitológico criado pelo dramaturgo Luis Alberto de Abreu, lembra o travesso Macunaíma, de Mário de Andrade. A direção de Júlio Maciel, membro do Galpão, dá vivacidade ao texto, conseguindo realizar momentos hilários, grotescos e sublimes, se aproveitando do domínio dos atores na sua relação com o público. O cenário, de Márcio Medina, também contribui de maneira significativa, uma vez que proporciona, com alçapões e traquitanas, uma certa agilidade na movimentação da cena.
Um teatro de primeira, que está sempre questionando de forma construtiva a linguagem do próprio teatro, bem como a sua relação com a vida e as transformações: “a utopia não é um lugar no mundo, mas está na mente dos homens”. Till nos mostra a grandiosidade e a vulgaridade do homem, que junta corpo, alma e consciência na ação de inventar o sonho. Sonho este proporcionado pelo SESC que está mais uma, duas, três...vinte vezes de parabéns pela iniciativa e pela primorosa e qualificada grade de programação do 5º Festival Palco Giratório.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

BLOG DO PORTO ALEGRE EM CENA


Está no ar o BLOG do 17º Porto Alegre em Cena que acontecerá de 08 a 26 de Setembro na capital dos gaúchos. Um dos grandes festivais de Artes Cenicas do país, o POA em Cena estreia mais um canal para deixar o seu público e comunidade artista mais informado quanto as produções já confirmadas e sobre algumas novidades do festival. Quem quiser dar uma espiada acesse:  http://poaemcena.blogspot.com/
e confira.BLOG.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Socorro!

SOCORRO!

Teatro, vem em meu socorro!
Durmo. Acorda-me
Estou perdido na escuridão, guia-me, ao menos para uma vela
Sou preguiçosa, deixa-me envergonhada
Estou fatigada, levanta-me
Estou indiferente, sacode-me
Continuo indiferente, parte-me a cara
Tenho medo, dá-me coragem
Sou ignorante, educa-me
Sou monstruosa, humaniza-me
Sou pretencioso, faz-me morrer de riso
Sou cínica, desmonta o meu jogo
Sou estúpida, transforma-me
Sou má, pune-me
Sou dominadora e cruel, combate-me
Sou pedante, faz troça de mim
Sou ordinária, eleva-me
Sou muda, desfaz-me este nó
Já não sonho, chama-me cobarde ou imbecil
Esqueci-me, lança sobre mim a Memória
Sinto-me velha e seca, faz saltar a Infância
Sou pesado, dá-me a Música
Estou triste, vai buscar a Alegria
Sou surda, com fragor faz gritar o Sofrimento
Estou agitado, faz crescer a Sabedoria
Sou fraca, acende a Amizade
Sou cega, convoca todas as Luzes
Estou refém da Fealdade, faz irromper a Beleza vencedora
Fui recrutado pelo Ódio, dá todas as forças ao Amor.

Autor da Mensagem: Ariane Mnouchkine
Tradução de Eugénia Vasques

Postado por Ana Denise Ulrich

MICHEL MELAMED

http://www.youtube.com/watch?v=K4C3ppDYME4
Postado por Ana Denise Ulrich

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Seminário sobre Vida e Obra de Nelson Rodrigues


Programação flor de obsessão
de 24 a 27 de maio– Palestras e Espetáculos
Teatro Renascença (PoA)
Av. Erico Veríssimo nº307 Entrada Franca
Informações:
Coordenação de Artes Cênicas
Telefones 3289 8062 / 3289.8064
twitter.com/maisteatro

Dia 24/05 – Abertura: Nelson em Processo

20h - Espetáculos:
■Uma menina foi para o Céo – Grupo dos Cinco - Com Sandra Alencar – Direção: Beto Russo
■Experimento Nelson 3: Boca – corte 1 – com Aline Jones, Paulo Salvetti e Rossendo Rodrigues – Direção: Grupo Teatro Boca
■Nelson Mítico – Grupo Experimental de Teatro da SMC - Com Amália Ceola, Amanda Novinski, Andreia Irber Vargas, Danielle Salmória, Denis Moreira de Souza, Dinorah Araújo, Gustavo Cardoso e Janaina Lima - Coordenação: Mauricio Guzinski

Dia 25/05 - Nelson Rodrigues e o Teatro

19h – Palestra:
■Aimar Labaki – “Nelson Rodrigues e São Paulo: amor e bairrismo”
■Luís Artur Nunes – “O melodrama e o naturalismo no teatro de Nelson Rodrigues”
■Ramiro Silveira - “Nelson Rodrigues no palco – Experimentos de direção”
Mediação: Caco Coelho

21h30 - Espetáculo:

■A Serpente – Grupo Satori – Elenco: Alexandre Antunes, Carolina Pohlmann, Camila Rosa, Daniel Fraga, Franciele Aguiar, Ingrid Bonini, Kayane Rodrigues, Marcelo Pinheiro, Márcia Donadel, Priscila Correa, Sofia Vilasboas - Direção: Irion Nolasco

Dia 26/05 - Nelson Rodrigues em Adaptações cinematográficas

19h – Palestras:

■Darlene Glória – “Nelson Rodrigues e eu”
■Flávio Mainieri – “A Falecida de Nelson Rodrigues a Leon Hirszman”
■Roger Lerina - “Do palco para tela: Nelson Rodrigues no cinema”Mediação: Marcus Mello

21h30 – Espetáculo:

■O Beijo no Asfalto – Grupo Neelic - Elenco: Vanda Bressiani, Pablo Corroche, Mayara Bortolotto, Mariapia Ribeiro, Kátia Berger, Adriano Valduga, Patricia Vieira, Carlos Araújo, Diego Acauan – Direção: Desirré Pessoa

Dia 27/05 - Nelson Rodrigues e a Literatura

19h – Palestras:

■Caco Coelho – “O legado de Nelson”
■Luís Augusto Fischer – “Nelson Rodrigues: Cronista ou ensaísta”
■Regina Zilberman – “A Tragédia em A Senhora dos Afogados”

Mediação: Pedro Gonzaga

21h30 – Espetáculo:

■A Serpente – Grupo Teatrofídico - Elenco: Renato Del Campão, Rejane Meneghetti, Ágata Baú e Maiquel Klein - Direção de Eduardo Kraemer

quinta-feira, 13 de maio de 2010

"INVEJA DOS ANJOS" da Armazem Cia de Teatro - Comentário



No dia 11 deste mês o grupo ESCAPE TEATRO se deslocou até Porto Alegre para assistir "Inveja dos anjos", que é um espetáculo de alta categoria, com um emocionante texto que conta com episódios sucessivos oferecendo ao público uma viagem pela vida e pelos sentimentos de personagens que são capturados em momentos sucessivos, forma mais freqüente no cinema do que no teatro.
Uma viagem pela vida e seus acontecimentos mais íntimos.Esta é a tônica do espetáculo "Inveja dos anjos". Um emocionante texto daqueles que ficam guardados em nossa memória durante um longo tempo e faz o público transitar pelos sentimentos dos personagens e se envolver gradativamente ao longo dos fatos e acontecimentos que se sucedem.
Maurício Arruda mendonça e Paulo de Moraes elaboraram a dramaturgia juntamente com a cenografia do mesmo Paulo e Carla Berri, onde envolve todo o contexto da história.
O texto fala de um grupo de personagens que vive em uma pequena localidade do interior, e viaja por toda uma gama de relacionamentos e sentimentos, de perdas permanentes ou provisórias, de chegadas e partidas, e das memórias que os une. O lindo cenário, a estrada pela qual passam tanto o trem quanto as vidas dos que moram junto dela, é parte da trama, é personagem, é sujeito da ação, mas sem querer suprimir os atores. Os figurinos de Rita Murtinho são de uma semsibilidade ímpar e compõem o ambiente da trama e a luz de Maneco Quinderé é visceral, funcional e orgânica.
 A direção de Paulo de Moraes prima pelo detalhe, no tom exata  conduz a encenação narrando de forma sensível e audaz a vida das personagens.O elenco de forma harmonica se comunica como que por osmose de quem se conhece e trabalha juntos a um longo tempo (Viva o trabalho de grupo continuado).
Mas é impossível não destacar o trabalho preciso de Patrícia Selonk, que constrói sua personagem com uma sutileza que só os grandes atores conseguem, não conseguia desgrudar os meus olhos dela, vendo a sua respiração e a pulsação que se externava através de um sutil movimento dos pés. Reconhecendo também é claro o excelente trabalho de Simone Mazzer, Thales Coutinho, Marcelo Guerra, Simone Vianna, Ricardo Martins e Verônica Rocha. "Inveja dos anjos" é mais um excelente trabalho da Armazém Companhia de Teatro.
O nome nos faz viajar no que poderia ser a temática do espetáculo, mas nenhum devaneio poderia adiantar o que o Armazém Cia. de Teatro traria à cena com “Inveja dos Anjos”, na direção de Paulo de Moraes.
A escolha do título da obra é um dos acertos na concepção do espetáculo como um todo, além de profundo, é bastante significativo dentro do contexto da ação dramática desenvolvida. A dramaturgia de Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes é consistente e bem elaborada tornando-se uma ligação instantânea com o público, este que embarca em uma viagem introspectiva dos seus sentimentos mais pessoais e que a todo o momento são trazidos à tona, seja em uma palavra ou frase inteira. O texto seduz, envolve, emociona e revigora, é um ponto de destaque no trabalho, entretanto, além do texto em si, há também de se considerar o modo como ele é encenado, um exemplo é a identificação imediata das situações vividas pelos personagens, muito enraizadas nas lembranças que cada um de nós tem e que em algum ponto se entrelaçam e despertam sentimentos submersos.
O cenário insere em destaque os trilhos de uma ferrovia que se estende na verticalidade, dando uma maior dimensão ao espaço cênico, a iluminação bem pontuada se harmoniza com as transições do maquinário que entram e saem pelas laterais de forma bem colocada. Isso mostra um grande caráter funcional que existe no espetáculo, onde o que está posto corresponde ao está sendo encenado. A sonoplastia vem de encontro ao reforço das lembranças que permeia os personagens, contempla a beleza e harmonia das cenas nos presenteando com emoções fortes. Tudo isso se deve à fluência que existe no grupo, a generosidade em cena é visível, denota que o maior desejo é somar as potencialidades de cada um para resultar em um excelente trabalho, como foi "Inveja dos Anjos", tornando-o um espetáculo para ser contemplar muitas vezes. E com isso esta companhia já é uma dos grandes destaques do teatro nacional, que a cada trabalho se renova, apostando no real trabalho de grupo. Depois de ter apreciado os outros espetáculos da Armazém como "Pessoas Invisiveis", "Toda Nudez será castigada" e "Inveja dos anjos", posso dizer que sou fã incondicional destas pessoas maravilhosas, sem falar no magnetismo de Patricia Senlock.  






"Medida por Medida" de Gilberto Gawrosky - Comentário Crítico

MEDIDA POR MEDIDA



Esteve em cartaz dentro da programação do V Palco Giratório e esteve no palco do TRAC em Montenegro a comédia de Shakespeare "Medida por medida". A tradução de Barbara Heliodora é moderna e ágil, mas não poderia ser diferente, sendo ela uma estudiosa dos textos do grande mestre do teatro inglês. É bem verdade que eu e outros colegas tivemos uma dificuldade inicial de entrar na história, e entendê-la. Mas, sem sombra de duvidas, Shakespeare consegue pegar a atenção da platéia por sua ironia, seu sarcasmo, em um texto que até hoje é atual (como a maioria das suas peças), falando sobre corrupção, chantagem, mandos e desmandos de subalternos. Ou seja, discutindo a ética. E foi por aí que a direção pegou o fio da meada da historia. Fez de Shakespeare uma válvula de escape para discutir ética. E nada mais oportuno que discutir sobre esse assunto colocando a narrativa da peça ambientada em uma espécia de boate gay.  Colocou a ética numa ótica chocante. A essa direção, Gilberto Gawronsky poderia e deveria ter ousado muito mais, no sentido de que se tem TUDO para se ter um bom espetáculo e não temos, pelo fato de que as músicas (que contava com Cindy Lauper e Madona) apenas serviram para os atores executarem passinhos de dança bagaceiros, o espaço (o que era o espaço) maravilhoso e super mal aproveitado e os atores perdidos, sem energia, falando quase numa linguagem televisiva. O figurino é a melhor coisa do espetáculo. É impressonante a capacidade da dupla Antônio Medeiros e Cao Aluquerque de transformar a roupa utilizada no sécio XVI (1564) , de desconstruir uma época ao mesmo tempo em que apresenta claras referências à época. Além de ser um figurino engraçadíssimo, porém sempre voltado para o mundo do sexo hardcore para os homens, com utilização de couro, plástico, fivelas, e tiras, muitas tiras de tecidos. Gosto também dos adereços de cabeça e da maquiagem, mas, reparem, tudo é muito drag queen pra o medieval. O Cenário de Maria Sarmento e Beanka Mariz nao ambienta os lugares, mas consegue ser neutro o suficiente para que o diretor possa brincar com os espaços, e com a historia. A unica coisa desnecessária é a abertura da peça, com aquele pano branco escondendo o cenário e a projeção de uma suposição de Shakespeare escrevendo a peça que iríamos ver. Nao vejo necessidade dos numeros de tecido. So atrapalha os atores em cena, além de serem mal executados.
Aos atores, todos homens, os que representam as mulheres (Sergio Maciel e Rafael Leal, e participação de Rodolfo Botino) se saem bem melhor do que os que representam os homens. Embora todos se comportando como Drag Queens. Luis Salém é Luis Salém, nem duque, nem frei.
Confesso que gosto deste abuso, de tirar os cânones do pedestal e virá-los do avesso, desde que com algum propósito em vista. Não sou adepto de se chocar só por chocar, mas quando as coisas tornam-se uma unanimidade, é preciso coragem para levantar sua voz no meio da multidão e dizer uma não-obviedade.
De minha parte, digo logo que Gawronski se saiu muito bem! Mas não é à toa que o que mais se desarmoniza com sua proposta de encenação seja a tradução, que em sua rigidez canônica não dialoga com os outros elementos, tão inusitadamente lúdicos. O problema é que ela nos obriga a fazer um esforço a mais para entender o que é dito, e parece obrigar os atores também, pesando algo que deveria ser leve: um jogo de disputas que, à luz dessa encenação, parecem até infantis, como um espelho que mostra o ridículo a quem se sinta seduzido demais pelo poder (o que não é pouca gente hoje em dia). E talvez justamente por essa inadequação de estilos entre a palavra e a imagem, o elenco esteja pouco coeso, dando margem a interpretações de estilos bem diferentes. Nota-se isso, por exemplo, na linguagem de cada um dos atores que faz os papéis femininos (ah sim, esqueci de dizer que o elenco só tem homens): alguns mais realistas e outros mais caricatos, sem nenhum juízo de valores quanto a uma coisa ou outra, e apenas atestando tal discrepância. E também na sensação de que as boas atuações da peça dependem mais do brilho pessoal de alguns atores que de uma direção que trouxesse todos a um mesmo jogo.
O saldo que tirei da peça foi o de que um diretor reconhecido consegue alavancar verba para fazer uma produção grandiosa, mas absolutamente vazia, somente com a pretensão de entreter o público. É uma pena, pois tinha de tudo para ser maravilhosa, e não foi!


terça-feira, 4 de maio de 2010

Eugênio Barba em Porto Alegre: Desdobramentos

Sábado, no dia 1º de maio, deu-se a largada ao Festival 5º Palco Giratório do SESC/Rs. Um festival que está em seu quinto ano e está se firmando como um dos principais festivais do estado, ao lado do Porto Alegre em Cena. Porto Alegre está cada vez mais se tornando uma cidade de grandes festivais de Artes Cênicas. Em Janeiro e Fevereiro temos o já tradicional Porto Verão Alegre, em abril temos o Festival de Teatro de Rua, em Maio temos o Palco Giratório e em setembro temos o Porto Alegre em Cena. Fora estes grandes eventos temos outros como o recente Festival de dança, o Mesa Verde, o Festival de teatro de Bonecos, e este ano ainda tivemos o FITO, o Festival Internacional de Teatro de Objetos. Retornamos a bola da vez, o Palco Giratório. A principal atração deste ano ocorreu no último sábado, onde o Teatro do SESC em Porto Alegre recebeu uma concorridíssima conferência do teórico e diretor italiano Eugenio Barba. Barba é criador de uma abordagem que une teatro e antropologia em um trabalho focado no corpo. Falou de sua trajetória com a Odin Teatret, da Dinamarca, companhia em atividade desde 1964. Em português com pitadas de espanhol, lembrou que teve a idéia de fundar a companhia, ainda na Noruega, depois de ter sido recusado em testes para grupos profissionais. Acabou criando, junto com seus atores, métodos de treinamento inovadores focados no corpo, desenvolvendo uma identidade cênica própria. Ao lado dele estava à atriz Julia Varley, que fez, no domingo, uma demonstração de trechos de peças da companhia.

Algumas citações brilhantes da conferência, lógico que escutar diretamente do Barba é completamente diferente do descrito abaixo:
- O teatro é uma missão ética.
- O Teatro é a nossa necessidade, e não a dos outros.
- O Teatro é a minoria, e quem faz tem que tirar do seu bolso.
- O Teatro não deve ser politíco, o teatro deve ter ums politíca.  
- A sua tarefa no Odin era preparar os jovens não somente por um ou dois anos, para para uma vida toda.
- O ator as vezes só consegue descobrir novos territórios através do cansaço e da fadiga.
- O processo ficou mais importante que o espetáculo, pois permite que o individuo encontra-se a si mesmo.
- O Teatro pode ser entretenimento ou transcedencia.

Durante o seu discurso Eugênio Barba citou os nomes de grandes mestres e personalidades do teatro como: Brecht, Decroux, Stanislawski, Iben, Grotowisky, Peter Brook, ...

Noite realmente maravilhosa, onde os integrantes do Escape Teatro que lá se encontravam, aprenderam e muito. Temos que agradecer ao SESC mais uma vez.