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domingo, 17 de abril de 2011

ASSOVIO NO VENTO ESCURO encerra temporada!

Grupo Válvula: Lucimaura, Ana, Tuane, Martina, Léo, André, Elton e Diego.


Ontem encerramos a 2ª temporada do nosso primeiro trabalho "Assovio no vento escuro" baseado na obra de Clarice Lispector. Foi uma noite sensacional, mágica e de finalização de mais uma etapa da qual nos propomos. No final de semana passado devido a chuva tivemos um público fraco, mas neste último final de semana tivemos casa lotada e apresentações repletas de emoções tanto para o grupo quanto para a platéia. Gostaríamos de agradecer a Estação da Cultura pelo apoio e cedencia do espaço e a todos que prestigiaram e que de algum modo apoiaram este projeto. Ao elenco que demonstrou garra e profissionalismo. Abaixo um comentário de uma espectadora que assistiu ao espetáculo no último dia. 
Assisti ontem à noite pela segunda vez, e pude experimentar mais profundamente a angústia da escritora ao criar Macabea, como também o alento com sua personagem, tão frágil, tão ingênua a ponto de parecer boba... e tão linda, na simplicidade de seu viver. Em Assovio no Vento Escuro, somos convidados/as a dedicar um olhar atento à um não-viver, um simples existir no mundo, e descobrir desejos, sentimentos e lembranças dentro de uma vida, talvez considerada insignificante, como a de Macabea. Parabéns ao Válvula e seus componentes, por terem instaurado um momento que será inesquecível para mim.
Patriciane Born - Via Facebook - (Mestranda em Educação-UFRGS e nossa vídeo-maker)  

Um grande abraço a todos e até uma próxima, agora estamos mergulhados na obra "O pequeno príncipe" que será apoiado pelo FUMDESC da Prefeitura Municipal de Montenegro com estreia prevista para abril de 2012.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Vídeo ASSOVIO NO VENTO ESCURO



Hoje e amanhã, estaremos fazendo as duas últimas apresentações do espetáculo "Assovio no vento escuro", depois o espetáculo provavelmente não retornará a cartaz, pois estaremos envolvidos no próximo trabalho do grupo, a peça "O Pequeno príncipe" que foi contemplado com o Fumdesc - Fundo de apoio da Prefeitura de Montenegro, além de outros projetos. Então corra e aproveite as últimas apresentações de "Assovio no vento escuro". Dias 15 e 16 as 20h na Estação da Cultura.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Grupo Válvula de Escape encerra temporada de espetáculo e inicia nova turma de teatro.



O grupo Válvula de Escape estará encerrando neste final de semana, dias 15 e 16, as apresentações do espetáculo “Assovio no vento escuro”, realizando a última temporada, portanto quem ainda não viu corra para não perder um espetáculo diferente realizado nas dependências da Estação da Cultura, baseado na obra de Clarice Lispector. E aproveita para convidar a todos os interessados a partir dos 14 anos para participar da Oficina de Montagem Teatral, voltada para aqueles que têm o desejo de fazer teatro. A oficina tem a duração de oito meses dividido em dois módulos, e no encerramento será montado um espetáculo teatral. A oficina iniciou nesta 2ª feira dia 11, mas ainda restam três vagas. As aulas serão ministradas na Estação da Cultura sempre as 2ª feiras das 19h às 21h com mensalidades no valor de R$ 40,00. As inscrições e informações podem ser obtidas através do telefone (51) 8177.4446 ou do e-mail escapeteatro@bol.com.br.

SINOSPE DO ESPETÁCULO
            “Assovio no vento escuro” é uma releitura de “A hora da estrela” de Clarice Lispector. O espetáculo é a nossa visão acerca da vida de Macabéa, uma retirante nordestina semi-analfabeta, que era incompetente para a vida. Trata-se de uma história de inocência, de anonimato e de preconceitos. Fica apenas a constatação de que cada ser é um fragmento ou parte de algo.
            A peça montada pelo grupo Válvula de Escape procura dar forma e vida ao texto, tornando presente ao público essa personagem singular que ecoa o nada, em que brilha a mais pura ausência. Deixaremos que a peça permita que o espectador entre nessa história e possa também se descentrar de seu lugar seguro, percorrer junto com Macabéa os espaços sombrios e escuros de seu interior esvaziado.
            “Assovio no vento escuro” é o primeiro trabalho do Grupo Válvula de Escape, criado através da união de artistas oriundos da Uergs/Fundarte. Além de marcar a estréia do grupo, marcou também a estréia de um novo espaço de encenação em Montenegro, o porão da Estação da Cultura. Trata-se da ocupação de um espaço público, que serviu para a gestação de um processo criativo em teatro. O espetáculo cumpriu em dezembro de 2010 uma exitosa temporada no mesmo espaço, recebendo um bom retorno de público e crítica.     
O QUÊ: Peça “ASSOVIO NO VENTO ESCURO”
ONDE: Estação da Cultura – Osvaldo Aranha,2215 – Montenegro.
QUANDO: Dias 15 e 16 de Abril/2011 – 20h
QUANTO: R$ 5,00 (Reservas em escapeteatro@bol.com.br ou na hora)

FICHA TÉCNICA
Direção e Dramaturgia: Diego Ferreira
Elenco: Ana Denise Ulrich, André Susin, Leonardo Nunes, Lucimaura Rodrigues, Martina Nichel, Tuane Tain Bessi e Elton Ambrozí.
Trilha Sonora executada ao vivo: Elton Ambrozí (baixo) e André Susin (violino)
Projeto Gráfico: Daiane Göessling Ferreira
Produção e Divulgação: Diego Ferreira e Válvula de Escape
CONTATOS:  WWW.escapeteatro.blogspot.com - (51) 8177.4446

Sinopse da OFICINA DE MONTAGEM TEATRAL
            Esta oficina é direcionada tanto para aquelas pessoas que pretendem iniciar-se na arte teatral, quanto para aquelas que buscam no teatro uma ferramenta de desibinição, sociabilização e diversão. Permite ao aluno um aprofundamento do fazer teatral destinada a quem não possui experiência anterior e/ou pouca experiência. A partir de jogos específicos de teatro que desenvolvam sua presença cênica, o aluno é instigado a criar personagens e cenas com total liberdade de expressão, exercitando assim sua autonomia e confiança. Montagem de conclusão no final da oficina.
OFICINA DE MONTAGEM TEATRAL –
Criação Teatral em Espaço não-convencional
Turma - 2ª feiras das 19h às 21h
Local - Estação da Cultura – Montenegro.
INVESTIMENTO:
1º Módulo – 4 parcelas de R$ 40,00 (1ª matrícula + 3 parcelas) ou R$ 150,00 a vista.
De 4 de abril até 11 de julho de 2011. 15 encontros- 30 h
2º Módulo – 4 parcelas de R$ 40,00 (1ª matrícula + 3 parcelas) ou R$ 150,00 a vista.
De 1º de agosto até 28 de novembro de 2011. 18 encontros – 36 h

PÚBLICO-ALVO:
Pessoas a partir de 14 anos que tenham interesse em fazer teatro para conhecer e explorar o universo das artes cênicas por motivos profissionais – relacionados ao desejo de atuar profissionalmente em algum dos âmbitos desta área; ou pessoais – desejo de desinibição, socialização, vivências coletivas, etc. 
PROFESSOR:
Diego Ferreira – Ator, Professor e Diretor do Grupo válvula de Escape graduado em Teatro pela Uergs.
COMO SE INSCREVER:
Telefone: (51) 8177.4446 ou escapeteatro@bol.com.br solicitando ficha de inscrição.
Maiores informações no blog:  http://escapeteatro.blogspot.com/


sexta-feira, 8 de abril de 2011

"ASSOVIO NO VENTO ESCURO" retorna a cartaz hoje

Hoje retorna para cumprir curtíssima temporada o espetáculo "Assovio no Vento Escuro" as 20h na Estação da Cultura. Apareça por lá e compartilhe esta experiência conosco!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

ASSOVIO NO VENTO ESCURO 2ª temporada em ABRIL



2º Temporada do nosso espetáculo de estreia "ASSOVIO NO VENTO ESCURO", dias 8,9,15,16 de abril as 20h, com capacidade de 20 espectadores por sessão. CURTA TEMPORADA.

Veja abaixo o que já foi dito sobre o espetáculo "Assovio no Vento Escuro".

...Eu saí boquiaberto do espetáculo Assovio no Vento Escuro, do Grupo Válvula de Escape. Pasmo. Confesso que foi tudo acima do esperado. O ambiente – os porões da Estação da Cultura, em Montenegro – o jogo de luzes e sons, o desempenho dos atores, a sinergia da peça. (...) Pouco entendo de teatro, mas conheço a obra de Clarice Lispector, fundamentalmente o livro em que se baseia a peça, A Hora da Estrela. Uma obra complexa, difícil de ser adaptada fora da literatura, mas rica em conceitos e conteúdos. Pois a trupe de Diego Ferreira conseguiu tudo isto. E ir além. Não perdeu o foco, a essência, a mensagem, e talvez tenha dito até mais. Algo quase metafísico. O elenco arrasa, sem exceção. (...)  Enfim, fico sem argumentos pelo medo de ser piegas, (...) Mas a direção de Diego Ferreira é genial no detalhe, no charme da divulgação, na genialidade das cenas, no roteiro que resume sem perder um ponto fundamental sequer. A interatividade com o público, somada a essa coisa de que Clarice Lispector mostra, desnuda, nossos porões. Assovio no Vento Escuro é pura alma. É espetáculo de primeira grandeza, ao pé da letra. Como, ao pé da letra, é totalmente Clarice Lispector. Que os ventos nos tragam seus novos assovios, pois Válvula de Escape definitivamente é, sem dúvida, a melhor referência para uma parada e reflexão. 
Oscar Bessi Filho é escritor e Capitão da Brigada Militar

...Impossível iniciar qualquer assovio sem reverenciar as válvulas criadoras destes sons.(...) Me chama a atenção a sensibilidade deste espetáculo. Assovio no Vento Escuro para além de nos contar a história de Macabéa, fala diretamente aos nossos sentidos. E isto se dá por vários fatores. Talvez o principal deles seja o local que é co-autor desta obra. Não consigo imaginar este espetáculo acontecendo em um lugar que não seja o porão da Estação da Cultura, teria que se reinventar completamente. As paredes de pedra, o chão e as janelas pequenas auxiliam na criação de sentido e transportam a nossa imaginação para além deste próprio espaço. (...) Diego faz isso muito bem e ao mesmo tempo não me joga em uma ilusão capaz de me privar da racionalidade, me mostra que estou vendo teatro. Uma cena em especial merece destaque para ilustrar este aspecto: o momento em que duas atrizes representam a personagem Macabéa criando uma multiplicidade de focos típicos do teatro contemporâneo. Destaco ainda o conjunto de atores. Sinto que eles estão recheados deste contexto que os segura e os sustenta e isso reverbera de forma positiva no espetáculo. (...) 
Cássio Azeredo - Ator, Professor e Diretor do Teatro do Clã.

(...) Diferente de muitas releituras dramáticas de obras literárias, o espetáculo não necessita do livro como um manual para compreensão da peça. Também não foge às características do universo da Clarice. Isso se deve a uma feliz adaptação da obra narrativa para o texto dramático concebida pelo diretor Diego Ferreira com pinceladas filosóficas de André Susin. (...) O diretor é muito feliz também na concepção do espetáculo, pois surpreende ao assumir a teatralidade que busca na encenação. (...) O elenco é muito equilibrado. (...) A narradora nos guia pela mão nessa trajetória de vida da Macabéa e os atores representam muito bem sua sina. As metáforas da peça e a sensibilidade na atuação fazem com que o espetáculo seja muito rico. A direção do Diego Ferreira é muito feliz em suas escolhas. (...) 
Marcos Cardoso - Ator e Professor - Teatro do Clã.

(...) O Grupo Válvula de Escape estréia a peça “Assovio no Vento escuro” trazendo o texto de Clarice Lispector à expressão melhor da dramaturgia. O texto escolhido “À hora da estrela” é resistente a encenação pela riqueza de frases, de textura própria da autora. Porém, o grupo veste esta roupagem e faz disto o fio próprio de seu tecer.(...) O texto é denso e leve, falado e lido naquilo que a leitura de fato oferece: a invenção. As palavras da escritora são transcritas, reinventadas no jogo de luz, sons, interpretação e tempo.De fato, a angústia da criação deixa a mostra a nudez de todos que ali estão. Não há como não inventar palavras enquanto estamos na cena.E estamos todos na cena com Macabea, Clarice,Olimpico,escrita,Glória,músico,menina,morte,cartomante,futuro,solidão.Não saímos impunes.O grupo nos oferece esta condição. (...) Saímos estarrecidos desta estréia! Parabenizo a todos da cena, principalmente os artistas que representaram esta expressão de um si mesmo. (...) 
Adriana Bandeira é Psicanalista, Escritora e Colunista do Jornal O Progresso.


(...) me surpreendi! A maneira como utilizaram o espaço, desde a rua até o porão. (...) O grupo todo estava numa energia que me levava junto com a história, (...) Eu sabia que veria trabalho, dedicação, pesquisa. E vi. O Diego é um diretor muito dedicado, posso dizer isso por experiência própria. E a maneira como orientou o grupo, adaptação do texto, tudo tinha um olhar preocupado e cuidadoso, com a “cara” de Diego Ferreira.(...) 
Tuti Kerber - Atriz - Teatro do Clã.



sábado, 26 de março de 2011

Hoje tem "ASSOVIO NO VENTO ESCURO"!

Hoje dentro da Mostra: Teatro para Escapar teremos o nosso espetáculo "Assovio no vento Escuro" as 20 hs com ENTRADA FRANCA, senhas a partir das 19:30hs na Estação da Cultura.


domingo, 13 de março de 2011

NOVA TEMPORADA de "ASSOVIO NO VENTO ESCURO"


Amigos, o espetáculo "Assovio no Vento Escuro" do Grupo Válvula de Escape retornará a cartaz para 5 apresentações nos seguintes dias:
Dia 26 de março as 20 h dentro do "Teatro para Escapar"- Entrada Franca.
E nos dias 8,9, 15 e 16 de abril, sextas e sábados as 20 h na Estação da Cultura com ingressos a R$ 5,00. 
Para a temporada de abril temos o apoio do Sesc-Rs e estamos com a divulgação do espetáculo no pocket do SESC, quem quiser conferir acesse este LINK DO SESC e confira. 

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

ENTREVISTA TV CULTURA com o VÁLVULA DE ESCAPE


Entrevista gravada durante a temporada de "Assovio..." em Dezembro de 2010, são duas entrevistas, a 2ª tem imagens do espetáculo. Assistam e comentem.
Abraços

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

OLHAR (es) DA CENA por OSCAR BESSI FILHO

Um Espetáculo ao Pé da Letra
Assovio no Vento Escuro - Foto de Cássia Cruz

Eu saí boquiaberto do espetáculo Assovio no Vento Escuro, do Grupo Válvula de Escape. Pasmo. Confesso que foi tudo acima do esperado. O ambiente – os porões da Estação da Cultura, em Montenegro – o jogo de luzes e sons, o desempenho dos atores, a sinergia da peça. Pouco entendo de teatro, só sei o suficiente para ser um espectador atento e, numa ousadia maior, até crítico. Como todo brasileiro que é crítico de futebol. Falando por falar. Mas conheço a obra de Clarice Lispector, fundamentalmente o livro em que se baseia a peça, A Hora da Estrela. Uma obra complexa, difícil de ser adaptada fora da literatura, mas rica em conceitos e conteúdos. Pois a trupe de Diego Ferreira conseguiu tudo isto. E ir além. Não perdeu o foco, a essência, a mensagem, e talvez tenha dito até mais. Algo quase metafísico. O elenco arrasa, sem exceção. Ana Denise Ulrich cativa, faz rir e seduz. É ótima, impecável, convincente. Gabriela Tuane Tain Bessi – sou suspeito para falar, é minha filha, e eu chorei ao vê-la em cena - e Martina Nichel – que eu já sabia escrever muito bem desde novinha, nem desconfiava deste seu calibre como atriz – são a Macabéia do livro. Sem tirar nem por. Impressionante. Em gestos, falas e olhares, transmitem a inocência perdida de si mesma, o sonho ingênuo, o deslumbramento, a fantasia despudorada da personagem. Emocionam a cada cena. Enternecem e fazem rir. Leonardo Nunes é fantástico, o namorado ideal a ser visualizado na leitura. Seria melhor conhecê-lo e, só depois, ler o livro. Lucimaura Rodrigues dispensa comentários. É atriz maiúscula, é autora, personagem e Glória ao natural. Muitas Lucimauras em cena. A trilha sonora ao vivo de Elton Ambrozí dá o tom essencial ao que se mostra. Seu baixo é coração que bate, é tensão, é mistério e tempero. André Susin é a batuta filosófica e muito mais. Enfim, fico sem argumentos pelo medo de ser piegas, justamente, talvez, por ser mero espectador. Mas a direção de Diego Ferreira é genial no detalhe, na oficina que selecionou atores, no charme da divulgação, na genialidade das cenas, no roteiro que resume sem perder um ponto fundamental sequer, na sacada dos jogos de sons e luzes e dos lugares. A interatividade com o público, somada a essa coisa de que Clarice Lispector mostra, desnuda, nossos porões. Assovio no Vento Escuro é pura alma. É espetáculo de primeira grandeza, ao pé da letra. Como, ao pé da letra, é totalmente Clarice Lispector. Que os ventos nos tragam seus novos assovios, pois Válvula de Escape definitivamente é, sem dúvida, a melhor referência para uma parada e reflexão.

Oscar Bessi Filho é Escritor e Cap. da Brigada Militar. 

Oscar Bessi Filho - 
Cap QOEM - Cmt 1ªCia  - 27 BPM/CRPO-VC
BM de São Sebastião do Caí, Bom Princípio, São José do Hortênsio, Tupandi e Harmonia
(51) 9768-8807 / (51) 3635-1220 - Página oficial do escritor em - 
www.oscarbessi.com.br 
Quintas, JORNAL IBIÁ - Sábados, TV CULTURA - Domingos, CORREIO DO POVO

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ASSOVIO NO VENTO ESCURO segue em temporada

Amanhã, segue a temporada do nosso espetáculo "ASSOVIO NO VENTO ESCURO" as 20h na Estação da Cultura. Realizamos três apresentações, na sexta, sábado e domingo e a cada dia, percebemos que o público tem gostado muito do nosso trabalho, principalmente através das manifestações após espetáculo, no debate final. O espetáculo está tocando muito o público seja através da interpretação dos atores, do espaço e do maravilhoso texto de Lispector. Amanhã seguimos a temporada que segue nos dias 14,15,16 e 18 sempre as 20h na Estação. Os ingressos já estão esgotados para todas as sessões, mas estamos conseguindo disponibilizar sempre 5 ingressos extras por noite. Na apresentação de domingo aplaudo o elenco pela garra, que mesmo com chuva decidiram por realizar o espetáculo na área externa, para que o público pudesse assistir ao espetáculo na integra. Espero que nas próximas a chuva não atrapalhe o nosso trabalho. Mas domingo foi uma benção.
Não percam, "ASSOVIO NO VENTO ESCURO" em sua última semana.

domingo, 12 de dezembro de 2010

OLHAR (es) DA CENA por ADRIANA BANDEIRA


Sobre a estréia de “O Assovio No Vento Escuro”-Grupo Válvula de Escape

                                                                                                               Adriana Bandeira

O Grupo Válvula de Escape estréia a peça “Assovio no Vento escuro” trazendo o texto de Clarice Lispector à expressão melhor da dramaturgia. O texto escolhido “À hora da estrela” é resistente a encenação pela riqueza de frases, de textura própria da autora. Porém, o grupo veste esta roupagem e faz disto o fio próprio de seu tecer. Parto desta constatação ao vislumbrar nos artistas, direção, figurino, técnica, trilha sonora, enfim nas cenas que nos fizeram transgredir em espaços subjetivos íntimos e próprios, a falta de objeto a ser dado como já construído. O texto, cenas e interpretação são um convite para que cada um construa suas palavras, deixando vir a tona a alma, como Clarice o fez. Quando algo corrompe a natureza da acomodação e sacode nossa falha razão, estamos diante da Arte.
É desta forma que apresento três aspectos desta vivência: a temporalidade, a palavra e a sexualidade. Prometo dizer-me de forma contextualizada; prometo dizer-me de forma rápida; prometo dizer-me...um dia, quando este assovio passar!Pois é...acredito que é esta a questão.O que hoje situo como temporalidade ,no contexto desta vivência, poderá ser refeito sempre,numa construção contínua de inscrição.Para além disto existem momentos interessantes que apresentam este tempo também como espaço.São os momentos do assovio silencioso e eles estão em cena sempre.
Clarice é interrompida pelo personagem que a toma. Ora!Ela mesma diz: não fui eu que a inventei... Ela veio a mim!Sim!São as palavras, no seu tempo, que invadem Clarice num ritmo incessante de respiração. Ela, na exterioridade do vento, das nuvens e das crianças acaba por ser encurralada num tempo diferente: o da escrita. É a primeira parte, ainda no pátio da Estação da Cultura, onde somos convidados a adentrar ao subterrâneo da construção, ao úmido beco da indignação, de onde não retornaremos iguais. Nesta visita, a temporalidade da arquitetura, na descoberta da frase pura que retrata o que sustenta a antiga espera dos trens. A estação, o tempo... é da palavra.
É com a menina que fala a menina dela mesma, com quem dialoga sobre o futuro. Em todos os momentos de ternura, curiosidade, vida, enfim, é a menina Maca que ali está.Este duplo do eu que transforma-se em outros tantos, nos mostra a verdade acerca destas questões que nos habitam.Ali,a menina de quem não consegue se desvencilhar,aquela que já sabia,pelo que lhe antecedeu na sua história, que haveria de vingar a vida crua, nos aponta a verdade sobre o tempo.E como se vinga a vida crua?
As cartas não mentem jamais. Hão de guardar em forma e cor o destino inscrito num rosto sem encanto algum. Uma falha de momentos trocados em que o cômico invade a cena no doce infortúnio da cartomante que recebe a todos, desde o início.O futuro recebe a todos, sempre.
É neste caminhar entre as cenas que se descobre ainda o convite incessante para que se vá mais fundo numa temporalidade que acaba, somente, quando a morte vem. Mas o assovio...continua.É o tempo da respiração, desde o início, a querer mais e mais...palavra.Talvez porque para Clarice respirar e escrever fosse a mesma coisa.
O texto é denso e leve, falado e lido naquilo que a leitura de fato oferece: a invenção. As palavras da escritora são transcritas, reinventadas no jogo de luz, sons, interpretação e tempo.
De fato, a angústia da criação deixa a mostra a nudez de todos que ali estão. Não há como não inventar palavras enquanto estamos na cena. E estamos todos na cena com Macabea,Clarice,Olimpico,escrita,Glória,músico,menina,morte,cartomante,futuro,solidão.Não saímos impunes.O grupo nos oferece esta condição.
A sexualidade e a morte, na mesma moeda: cara ou coroa. A menina da boneca, a mulher da feiúra, a sensualidade da outra, a solidão da prostituta.
Clarice escreve como se fosse um homem, no texto. Talvez porque para ela, somente um homem pudesse dosar sua textura fálica a ponto de limitar numa frase ou palavra, num dito ou expressão, todo o gozo de morte que há na não existência. Talvez porque somente o masculino possa apresentar o que é do feminino; talvez somente ele possa dizer quem é ela.
Na transcrição do grupo a sexualidade faz seguir “O tempo”, voz em assovio que pega pela mão a mulher Clarice e a conduz na sua nudez. É a cena que se veste de toda a feminilidade possível, guardada pelo masculino que faz casa no prazer da expressão da palavra. Ali é ela quem diz sobre um ele. O grupo libera Clarice para que fale, na voz da atriz.
Saímos estarrecidos desta estréia!As cenas apontam em cada um o gozo de por tantas vezes não estarmos em reconhecimento como sendo um ele ou ela; como não existir, não ocupar espaço, não ter peso e nem rosto. Estas formas em que nos escondemos, que por vezes fazem com que sejamos Macabéa, num dia a dia em que não enunciamos nada que diga respeito a nós mesmos.É quando, desde o início até o final,Clarice pergunta: porque morrer?
Duplo estarrecimento, para mim, já no início. É Clarice que aponta a diferença antes de descer a escada. Quer saber como escrever sem ser “lacrimejante”... Que por ser mulher, quem sabe, tudo o que diz seja desta ordem. Fala-nos, secretamente, deste choro universal a que todos somos submetidos, vez ou outra. Pois bem... é isto.É comum acolhermos um autor ou uma autora de forma diferente, num entendimento de que as mulheres que escrevem soam melosas e os homens que escrevem, dizem coisas importantes. A voz... somos. O masculino e o feminino encantados em todo o corpo e fala que deseja viver. Porque morrer? Pelo instante...pelo instante se quer morrer.
Parabenizo a todos da cena, principalmente os artistas que representaram esta expressão de um si mesmo. Parabenizo Rosani, coordenadora do espaço da Estação da Cultura, pelo acolhimento ao grupo, cedendo o “subterrâneo” que fez composição com a palavra, o tempo e o afeto. Enfim, parabenizo a mim mesma por ter estado na estréia, por ter estado no meio de tudo, numa emoção estranha de, pelo instante, imaginar dividir palavras com Clarice.
Aguardo mais desta vivência e prossigo no que ainda não sei responder: porque escrever?
Aguardo muito mais deste grupo que estréia para fazer valer.

Sobre a estréia do grupo ESCAPE: “Assovio no vento escuro”
Adriana Bandeira em 11-12-2010


ADRIANA BANDEIRA é Psicóloga, escritora e colunista do Jornal O Progresso.



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