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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

BARBIE FUCK FOREVER (RS)

Uma experiência cênica e sensorial.
A performance coreográfica irá exorcizar antilugares , trazendo a desconstituição do belo. Por meio da materialização da Boneca Barbie, objetiva-se questionar sobre a beleza e suas regras, estereótipos assim como espaços bem sucedidos vendidos pela mídia.
Ó beleza! Onde está tua verdade?
Dias do espetáculo:
23/24/25/26/30/31 de outubro, 1 e 2 de novembro
No Vila Flores - 20h
Haverá uma lista de convidados, confirmem suas lindas presenças por aqui!
BARBIE FUCK FOREVER é uma parceria entre a artista Aline Jones e o projeto Exorcismos Urbanos do grupo Nômade (http://exorcismosurbanos.com/site/#/home/).

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

EU NÃO SOU MACACO!

Dia 25 de Setembro - 12h
Praça da Alfândega

Ação performática que denuncia diversas injustiças cometidas em relação aos cidadãos da etnia negra. Utilizando-se da linguagem teatral como forma de manifestação política, a atriz Dedy Ricardo retoma os nomes e assume as identidades e as histórias de Cláudia da Silva Ferreira - a mulher arrastada por uma viatura da polícia pelas ruas de favela do Rio de Janeiro, Amarildo Dias de Souza – desaparecido após interrogatório na Unidade de Polícia Pacificadora na Rocinha, Paulo Afonso Soares – militante gay assassinado em Porto Alegre - além de figuras históricas, como João Cândido e os lanceiros negros, como forma de manter acesa a capacidade de indignar-se com tais injustiças e relembrá-las, para que não tornem a acontecer novamente.

Atuação: Dedy Ricardo
Trilha sonora: Ricardo Pavão
Orientação Cênica: Júlia Rodrigues
Produção: Thiago Pirajira
Apoio: Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos - CUT-RS

segunda-feira, 21 de julho de 2014

IN - VISÍVEIS (RS)


 IN-VISÍVEIS
Venha traçar trajetórias in-visíveis,
cruzar encontros inusitados,
tecendo as teias da noite,
compartilhar o caldo quente da rua.
Abra os olhos, os poros e o seu universo!

Performance Vivencial Itinerante, primeiro movimento da pesquisa cênica iniciada pela Trupe Pé Dimarmibó. Realizada em conjunto com parceiros de diversas áreas, que trabalham com a população de rua. Concebida com base em vivências realizadas na rua, com colaboração e participação dos moradores de rua.
A performance inicia na praça do aeromóvel e desloca-se para o interior da Usina, conduzindo o público até o espaço Cuidado Que Mancha, sala 502. Fragmentos dos rituais comuns à vida na rua, instantes de vida, histórias que se cruzam, perpassam e transpassam, tecem a teia invisível que nos une.
O roteiro propõe uma estrutura mutante, onde os acontecimentos não seguem sempre a mesma sequência, e, o grupo de atuantes não terão sempre a mesma configuração. Teceremos juntos os caminhos invisíveis que nos conduzirão a cada noite da temporada!
Ficha Técnica
Concepção: Cristiane Bilhalva
Coordenação Geral: Carolina Pommer e Cristiane Bilhalva
Criação, Sonorização e Produção: os atuantes
Atuantes: Bruno Guilhermano, Carolina Pommer, Ciça Richter, Cristiane Bilhalva, Juliana Meirelles, Marina Rainho e convidados.

Serviço:
O Quê? IN-VISÍVEIS – Performance Vivencial Itinerante.
Quando? Sábados e Domingos – dias 26, 27 de Julho e 02, 03 de Agosto. Sempre às 19h.
Onde? Espaço Cuidado Que Mancha – Sala 502 da Usina do Gasômetro.
Quanto? Uma peça de agasalho + Valor espontâneo no chapéu.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O NARRADOR (RJ)


26 de Junho - 23hs
Casa de Teatro

O Teatro Inominável apresenta seu novo projeto, a autoperformance O NARRADOR, criada por Diogo Liberano a partir de "O Narrador - Considerações sobre a obra de Nicolai Leskov", de Walter Benjamin.

Com duração aproximada de 60 minutos, em O NARRADOR, o performer compartilha com o público presente vivências de sua própria vida, marcadas pela morte de pessoas próximas. De acordo com Walter Benjamin, "a morte é a sanção de tudo o que o narrador pode contar. É da morte que ele deriva sua autoridade." Assim, eis uma performance que parte da morte para lançar um olhar renovado sobre a vida.

O NARRADOR foi criado especialmente para a abertura do evento Janela de Dramaturgia, em Belo Horizonte/MG, e agora começa a se apresentar em outras cidades. Após Belo Horizonte e Porto Alegre, a performance segue de volta ao Rio de Janeiro.

O Teatro Inominável surgiu em 2008 no Rio de Janeiro e é composto pelos artistas-pesquisadores Adassa Martins, Caroline Helena, Diogo Liberano, Flávia Naves e Natássia Vello. No repertório da companhia, os seguintes espetáculos: NÃO DOIS; VAZIO É O QUE NÃO FALTA, MIRANDA; COMO CAVALGAR UM DRAGÃO; SINFONIA SONHO e CONCRETO ARMADO.

A companhia se apresentou em Porto Alegre, pela primeira vez, em 2013, no Festival Palco Giratório, com a tragédia contemporânea SINFONIA SONHO, com direção e dramaturgia de Diogo Liberano. Também no Palco Giratório, Liberano apresentou outra peça de sua autoria, MARAVILHOSO, com direção de Inez Viana. Em janeiro de 2014, Liberano foi autor de MEDIDA PROVISÓRIA - Sete dramas sobre a falta de espaço, espetáculo de formação da Casa de Teatro de Porto Alegre, com direção de João Pedro Madureira.

Confiram o olhar de Henrique Vertchenko sobre a primeira apresentação de O NARRADOR, em belo Horizonte:

"A força da narração, como experiência que evoca não só objetos e lugares de memória mas também a artesania da palavra, faz com que assuntos privados se tornem interesse público e experiência compartilhada. Nesse esforço de humanização, se instaurou um espaço e um tempo de afetividade, não pelas recepções, estas subjetivas e imprevisíveis, mas pelo autor se permitir ser afetado pela própria narrativa. A palavra se torna o único gesto possível e contar histórias se torna a forma de se lidar com os fatos".

Versão completa em:
http://janeladedramaturgia.wordpress.com/2014/05/11/lugares-para-a-incerteza-por-henrique-vertchenko/

Site do Inominável:
http://teatroinominavel.com.br/

domingo, 25 de maio de 2014

"Dezenas de homens e mulheres, em trajes sociais, cobertos de argila e de olhos vendados, caminham lentamente, interferindo poeticamente no fluxo cotidiano da cidade. CEGOS é uma obra aberta a diferentes leituras: a redução da nossa existência à função produtiva e ao consumo, o excesso de trabalho, o aprisionamento e a petrificação da vida, a automatização do cotidiano, a degeneração ética que se alastra no atual estágio da sociedade.
A interação do coro performativo com os espaços que simbolizam o eixo financeiro e político provoca estranhamento crítico na paisagem urbana. O choque visual do efeito de petrificação dos corpos, o comportamento alienado e a extrema lentidão dos movimentos, instigam a reflexão sobre as diversas formas de cegueira, assim como o empobrecimento da experiência humana decorrente do crescente processo de mercantilização das cidades das artes e dos corpos."

Performance Urbana CEGOS
Realizada pelo Desvio Coletivo, Laboratório de Praticas Performativas da Universidade de São Paulo (USP) e Palco Giratório (SESC), performance lança provocação sobre o aprisionamento da vida moderna.

Há dois anos o grupo de Teatro, Performance e Intervenção Urbana Desvio Coletivo atravessa o ritmo de várias cidades no mundo com a performance urbana CEGOS, concebida por Marcos Bulhões e Marcelo Denny. A primeira edição ocorreu em 17 de outubro de 2012 na avenida Paulista, São Paulo. Em 2014, o grupo está presente na programação do circuito Palco Giratório, da Rede Sesc, em circulação por 23 Estados brasileiros.

Trajetória Cegos 2014
Em 2014 a performance passou por Campinas/SP, Natal/RN, Fortaleza/CE, Ilha da Madeira – Portugal, Barcelona – Espanha, Maceió/AL, Cuiabá/MT, Manaus/AM, Recife/PE e agora chega a Porto Alegre/RS. A próxima cidade a receber a performance será Amsterdã - Holanda. Até agora, em 2014, mais de duzentas pessoas participaram da ação como performers. Não é necessário possuir experiência artística para participar, basta frequentar a Oficina de Intervenção Urbana promovida em cada cidade por onde a performance CEGOS passa. 



DETALHES DA OFICINA:

Será ministrada por Marcelo Denny, Marcos Bulhões e Priscilla Toscano, diretores do Desvio Coletivo e professores/artistas pesquisadores do Laboratório de Práticas Performativas da USP. 

Ao primeiro dia ocorre a oficina teórica, com análise e debate sobre material fotográfico e videográfico de algumas das principais referências da intervenção urbana artística e suas relações com o teatro, a dança, a performance e as artes visuais, enfocando trabalhos em espaços originalmente não dedicados à fruição artística (site specific performance), incluindo experiências no fluxo das ruas. 
Ao segundo dia, na oficina prática, os participantes vivenciam propostas e ações performativas centradas no conceito de coralidade, tendo diferentes espaços como ponto de partida de criação.
A oficina visa preparar os participantes para atuarem na Performance Urbana "Cegos" que será realizada no dia 23/05. 


IMPORTANTE: Cada inscrito deverá trazer o seu figurino para participar da oficina/performance. Instruções sobre o figurino:

Traje social que pode ser comprado numa loja de roupa de 2º mão, pode ser velho, pois será todo coberto de argila. Preferencialmente optar pela cor bege, branca ou castanho claro, pois fica mais fácil a cobertura com argila sem deixar defeitos.

IMPORTANTE: todos devem estar com traje de banho (sunga, biquíni ou maiô por baixo do figurino), pois para desmontagem tiramos o figurino em local público.

- Homens: fato (terno), camisa, gravata, calça social, sapato social, pasta ou maleta de trabalho.

- Mulheres: saia ou calça social, casaco, blazer ou tayer, camisa ou blusa por baixo do casaco, blazer ou tayer, sapato de salto e bolsa. Uma dica: não é obrigatório, mas, sugerimos que as mulheres (principalmente as que têm cabelos longos) usem peruca para não danificarem os cabelos e ficar mais fácil no momento da remoção.

NÃO SERÃO ACEITOS ATUADORES QUE NÃO ESTIVEREM COM O TRAJE INDICADO.

Carga horária: 8 horas de oficina + 8 participação na intervenção Cegos (4 horas de montagem + 3 horas de performance + 1 hora de desmontagem)

Limite de Inscrições: Oficina para 50 pessoas.
Vagas serão destinadas por ordem de inscrição.



Ficha Técnica
Concepção: Marcos Bulhões, Marcelo Denny
Direção: Marcos Bulhões, Marcelo Denny e Priscilla Toscano
Realização: Desvio Coletivo, em parceria com o Laboratório de Práticas Performativas da USP (Universidade de São Paulo)
Coordenação da Oficina de Intervenção Urbana: Marcos Bulhões, Marcelo Denny e Priscilla Toscano
Atuação: Biagio Pecorelli, Chai Rodrigues, Marcelo Prudente, Marcos Bulhões, Priscilla Toscano, Rodrigo Severo, Tiago Salis, Thomas Fessel e Vanessa Hoschett
Produção: Priscilla Toscano e Chai Rodrigues
Técnica e Assistência de Produção: Thomas Fessel e Tiago Salis.

sábado, 8 de março de 2014

PERFORMANCE "ONDE? AÇÃO Nº2"

Foto: Pedro Isaías Lucas


A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz apresenta no próximo domingo, dia 9 de março, às 15h no Parque da Redenção a Performance “Onde? Ação nº2”. Esta apresentação faz parte do ciclo de apresentações que a Tribo realizará este ano com o tema “Lembrar é resistir – Teatro e Memória nos 50 anos do Golpe Militar”. Para que nunca se esqueça, para que não se repita!

A performance “Onde? Ação nº2” de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a
investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis. 

Participam da performance: Tânia Farias, Marta Haas, Paula Carvalho, Sandra Steil, Mayura de Matos, Leticia Virtuoso, Paola Mallmann, Luana Rocha, Ketter Velho, Paulo Flores, Eugênio Barbosa, Pascal Berten, Roberto Corbo, Alex Pantera, Geison Burgedurf, Clélio Cardoso e Jorge Gil.

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Com propósitos irreverentes a Tribo estreou o seu primeiro espetáculo em 31 de março de 1978, data em que os militares comemoravam o golpe de 1964. Nestes 35 anos o Ói Nóis Aqui Traveiz vem instigando o público porto-alegrense com o seu teatro marcado pela ousadia e liberdade criativa. Os atuadores têm uma técnica própria, desenvolvida desde seu início e que passa por diferentes fases, fundamentada no uso da improvisação e da cena como processo, da criação coletiva e da corporalidade no trabalho do ator. As suas três principais vertentes são: o teatro de rua, nascido das manifestações políticas - de linguagem popular e intervenção direta no cotidiano da cidade - o teatro de Vivência, no sentido de experiência partilhada, em que o espectador torna-se participante da cena – e o trabalho artístico pedagógico, desenvolvido junto a comunidade local. Abriu um novo espaço para a pesquisa cênica – a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (rua Santos Dumont 1186), que funciona como Escola de Teatro Popular, oferecendo diversas oficinas abertas e gratuitas para a população. A organização da Tribo é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais, como na manutenção do espaço. O Ói Nóis Aqui Traveiz segue uma evolução contínua e constitui um processo aberto a novos participantes.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

GEOCOREOGRAFIA: CIDADE NÃO VISTA (Porto_Alegre/RS)


Sinopse: As escadarias são espaços de visibilidade privilegiada pela sua estrutura arquitetônica e muitas vezes tornam-se esquecidas pela comunidade, consideradas “lugares invisíveis”. Ao “invadir” esse espaço e torná-lo visivelmente produtivo, o olhar do artista e do espectador é direcionado para a possibilidade do fazer artístico dentro do seu cotidiano, aproximando a arte, a região e a comunidade, ampliando o que pode ser “espaço cênico” dando outro significado ao palco.

Parceria do Teatro Geográfico com o coreógrafo Diego Mac, incluindo grupos teatrais convidados, agrega mais de quarenta atores para realizar o espetáculo GEOCOREOGRAFIA: Cidade não vista.

Gênero: Performance

12 abril – 18h30 – Viaduto da Borges de Medeiros

FICHA TÉCNICA

Direção: Diego Mac e Tatiana Vinhais
Elenco: Teatro Geográfico – Carolina Kern, Danuta Zaghetto, Diego Bittencourt, Fabrizio Gorziza, Francine Kliemann, Frederico Vasques, Lucas Sampaio, Pablo Damian e Yuri Niederauer. Grupos Convidados – Barraquatro, Depósito de Teatro,  GRUPOJOGO, Teatro Sarcáustico, Santa Estação, Teatro Porcos com Asas, Vai! e outros
Participações Especiais: Jezebel De Carli e Roberto Oliveira
Produção: Luísa Barros
Assistente de Produção: Diego Bittencourt
Duração: 60 minutos
Faixa etária recomendada: Livre

domingo, 1 de agosto de 2010

FUTEBOL (EXÓTICO) PIQUENIQUE – URBAN PERFORMANCE


A art performance ou performance artistística é uma modalidade de manifestação artística interdisciplinar que - assim como o happening - pode combinar teatro, música, poesia ou vídeo. É característica da segunda metade do século XX, mas suas origens estão ligadas aos movimentos de vanguarda (dadaísmo, futurismo, Bauhaus, etc.) do início do século passado.
Difere do happening por ser mais cuidadosamente elaborada e não envolver necessariamente a participação dos espectadores. Em geral, segue um "roteiro" previamente definido, podendo ser reproduzida em outros momentos ou locais. É realizada para uma platéia quase sempre restrita ou mesmo ausente e, assim, depende de registros - através de fotografias, vídeos e/ou memoriais descritivos - para se tornar conhecida do público.
A performance foi introduzida durante a decada de 1960, pelo grupo Fluxus e, muito especialmente, através das obras de Joseph Beuys. Numa de suas performances, Beuys passou horas sozinho na Galeria Schmela, em Düsseldorf, com o rosto coberto de mel e folhas de ouro, carregando nos braços uma lebre morta, a quem comentava detalhes sobre as obras expostas. Em alguns momentos, as performances de outros artistas tiveram ligação direta com as obras de body art, especialmente através dos Ativistas de Viena, no final da década de 1960.


Utilizo esta pequena introdução sobre o conceito de Performance para discorrer sobre uma ação artística de deslocamento, na qual eu pude presenciar no inicio do mês de julho em Montenegro. Tomei a liberdade de dar um subtítulo para esta ação: EXÓTICO. Pois Exótico é o que vem de outras terras. Por extensão, é o estranho, o diferente, o que quebra parâmetros a que estamos acostumados.


                                                                                   Deslocar-se. Cartografar. Olhar e ser olhado.


Ação Artistica de deslocamento no Parque Centenário em Montenegro durante a 3ª Expomonte. Participantes da Ação: Ana Denise Ulrich, Fabrízio Rodrigues, Pamela Irion e Patrick Aozani Moraes Fotos Daniel Finger, Vídeo Daniel Barcellos Figurinos, maquiagem e cabelos Fabrízio Rodrigues, Pesquisa Poética Fabrízio Rodrigues.










No inicio de julho, dentro da programação da Expomonte, pude conferir de perto a ação artística de deslocamento do multi-artista Fabrízio Rodrigues e sua trupe formada por Ana Denise Ülrich (Atriz do Válvula de Escape), Pamela Irion (Aluna da Oficina do Válvula de Escape) e Patrick Aozoni. Eles propiciaram aos transeuntes uma proposta diferente das propostas comumente apresentadas nesta cidade, e das propostas apresentadas em uma feira como esta.
Na verdade, a proposta tratava-se de uma performance, na qual o público era instigado a acompanhar e através de um deslocamento pensar (captar!) imagens sobre a ação e talvez reagir sobre o fato ocorrido. Através de uma simples ação, o público acompanha aqueles corpos exóticos, figuras alegóricas, produzidas e deslocadas do ambiente comum, digo deslocadas pelo fato de estarem vestidas de modo diferente, maquiadas teatralmente, estilizadas, deslocadas do cotidiano, parecendo seres de outro mundo. Mas que mundo é este, pergunto? Qual a proposta e objetivo de uma ação como esta? Qual seria a INTENÇÃO da criação deste novo mundo ficcional, mas ao mesmo tempo real, real por se tratar de uma ação cotidiana, por exemplo, fazer um piquenique, mas posso classificar como ficcional partindo de questões como: quem são aquelas pessoas que estão participando do piquenique e porque estão participando? Porque se comportam daquele jeito, de maneira quase ritualística, onde cada gesto, cada movimento é calculado, parecendo que estão sempre querendo buscar o melhor ângulo para o registro de uma foto. Seria puro exibicionismo? Não sei, creio que não, sabendo a priori que ações como esta, são embasadas em teorias e referenciais, servindo como experimento para futuros trabalhos em andamento. A arte contemporânea é instigante justamente por não entregar ao público um resultado fácil, degustável, limpo, pelo contrário, cada obra ou ação vem acompanhada de um infinito numero de signos e cada um destes signos carregados de significados. Um exemplo disso está nas Bienais de arte, onde uma maçã podre pode e é uma obra de arte contemporânea, mas onde estaria a arte em uma maça? Creio que está na rede de significados criados pelo artista, a partir dos seus referenciais, de como ele olha aquele objeto e o transforma em um objeto artístico. Nesta ação de deslocamento poderíamos enxergar através desta ótica, onde um agrupamento de artistas-performers agem e reagem entre si, mas sem uma explicação lógica, de uma leitura, de uma história. Por isso que eu mesmo ouvi reações como: o que eles querem com isso? Quem são esses malucos? Nossa, eles estão muito bonitos! Será que posso sentar junto? Algumas expressões dos transeuntes, que foram pegos de surpresa e acharam no mínimo esquisito a ação, mas por que esquisito? Talvez pelo fato de a performance não contar uma história como a das novelas, não sei, enfim! Estamos acostumados a receber demasiadas informações, a todo o momento, de todos os lados e de todo tipo, mas dificilmente partilhamos esta informação com o emissor. E é essa presença que torna toda essa loucura em um grande ato louvável, o momento da comunicação.
O engraçado desta intervenção foi perceber como o simples ato de observar pessoas se deslocando e se preparando para o seu piquenique pudesse desassossegar tanto ao público. Reparo nisso, não apenas pelo fato de muitas pessoas não sentirem-se tocadas pelas propostas de arte contemporânea, ou de boa parte dos espectadores ainda deslocarem-se de seus espaços para acompanharem aquela ação buscando paralelos com uma apresentação teatral, televisiva ou coisa parecida. Mas foi possível perceber como uma simples ação pode promover tantas reações no público.

Neste sentido, a experiência me levou a refletir sobre este gesto no mundo atual. Porém, a discussão aqui não é tão simplista, uma vez que, num mundo contemporâneo, cada vez mais individualista e virtual, as pessoas estão desacostumadas a partilhar de comunicação ao vivo e a cores. E é este tipo de comunicação que nos faz avançar e repensar várias coisas em nossas vidas, possibilitando uma impressão nova, passível de reflexão sobre acontecimentos do cotidiano. Portanto, finalizo este comentário ressaltando a necessidade de outras propostas artísticas nesta cidade que dialoguem com outras formas de expressão, reverberando na intertextualidade derivada da intersecção das mais diversas linguagens artísticas. Além disso, congratulo Fabrízio pela iniciativa por nos propiciar a experiência de refletir sobre o fato de que, ao comer e beber em um piquenique público, comemos e bebemos também os nossos padrões de conceitos e abrem-se as janelas para reflexões sobre a comunicação em uma sociedade contemporânea cheia de recursos tecnológicos, mas que se não utilizados com inteligência, não comunicam nada, comunicação esta no sentido de afetos e sentimentos.


Para conhecer o trabalho de Fabrízio Rodrigues acesse o Blog: http://fabriziorodriguesartes.blogspot.com/

terça-feira, 1 de junho de 2010

Morre Kazuo Ohno

O mundo da dança está de luto: faleceu hoje aos 103 anos de idade o grande mestre fundador do Butoh Kazuo Ohno. Compreendendo a vida e o movimento de maneira ímpar Ohno, ao lado de Tatsumi Hijikata criou o que considero ser a dança mais revolucionária forjada nas ultimas décadas. Trouxe ao palco a intensidade de um ex-piloto de guerra e ingenuidade do feto no útero materno. Influenciou toda um geração oriental e ocidental da dança moderna, e apresentou ao mundo esta arte, tipicamente japonesa.


"De maneira nenhuma, pode-se dizer que não haja nada num palco vazio, num palco onde se pise de improviso. Pelo contrário, existe alí, um mundo transbordante de coisas, ou melhor, é como se do nada surgisse uma infinidade de coisas e de acontecimentos, sem que se saiba como e quando."

Kazuo Ohno (27 de Outubro de 1906 - 1 de Junho de 2010)