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domingo, 2 de fevereiro de 2014

MEMÓRIA DA CENA GAÚCHA - 5 anos blog Válvula de Escape

Em 2014, o blog Válvula de Escape completa 5 anos. E para comemorar vamos propôs uma série de atividades e ações aqui neste espaço. Ao longo destes anos o blog dedicou-se a principalmente divulgar espetáculos de teatro e dança, promover o Prêmio Válvula de Escape, que neste ano já vai para sua 5ª edição, além de trazer uma série de entrevistas com profissionais da cena gaúcha intitulada "Diálogos para escapar", que neste ano trará novas entrevistas. E a primeira ação deste ano é justamente fazer um levante junto a quem faz teatro em Porto Alegre (atores, diretores, dramaturgos, técnicos, críticos, e espectadores) para saber:

"Quais espetáculos  gaúchos ficaram na sua memória?"  
E contamos com sua ajuda para tentar através disso traçar um mapa com aqueles espetáculos que não devem ser esquecidos... Através desta pesquisa será proposto vários desdobramentos que serão elencados em postagens regulares no blog. 
Portanto faça parte da história do teatro gaúcho e colabore com este projeto, basta enviar uma lista de até 10 espetáculos que na sua opinião ficaram na memória e merecem figurar nesta lista. Serão aceitas sugestões de espetáculos de teatro não importando suas categorizações (palco, rua, espaços não convencionais, infantil, etc...). Se possível enviar o nome do espetáculo/grupo ou direção. Aceitaremos envio até o dia 28 de fevereiro através do e-mail: diegoferreira1@bol.com.br com o assunto: MEMÓRIA DA CENA GAÚCHA ou através de mensagem na página do Facebook até o dia 28 de Fevereiro. 
Colabore e ajude a construir a Memória da Cena Gaúcha. 
Grato!
Diego Ferreira - Blog Válvula de Escape. 

sexta-feira, 23 de março de 2012

MEMÓRIA DA CENA - Parte 19

Fazia algum tempo que não postava nada dentro do especial MEMÓRIA DA CENA, mas vou retomar agora. 

ESPETÁCULO LOCAL
ALL THAT FALL Grupo Sótão
Este espetáculo impactava pela pesquisa de linguagem que o grupo Sótão se dedicava. Pesquisa iniciada pelo Grupo Sótão na Trilogia Sam, formada por "O Sótão ou A Catástrofe", "All That Fall" e "M" , inspirados em Samuel Beckett, na busca de uma teatralidade, de uma linguagem própria e contemporânea de construção cênica.E as três propostas tiveram grande exito e colaboraram e muito para a cena teatral gaúcha com qualidade irretocável. "All the fall" partia de uma peça radiofônica de Beckett, onde o diretor Biño potencializou todo um universo absurdo através da concepção do espaço, dos figurinos e da trilha e iluminação, não esquecendo é claro do magnifico elenco que co seus corpos tensionados e deformados traziam uma espécie de angustia e lirismo a cena. Deixa muita saudade o Grupo Sótão! 

ESPETÁCULO NACIONAL
SAVANA GLACIAL

Grupo Físico de Teatro constrói espetáculo que questiona os limites entre realidade e ilusão. Com texto do badalado Jô Bilac, este é um daqueles espetáculos que val muito a pena assistir, pelo ótimo texto e qualidade da proposta. 

Savana Glacial se fragmenta como a mente da personagem Meg, que sofre de perda de memória recente, isolada em seu apartamento com o marido, o escritor Michel. A vizinha Agatha invade a privacidade do casal, criando um jogo de verdades e mentiras, ficção e realidade. A trama envolve ainda um quarto personagem, o motoqueiro  Nuno, uma espécie de elo com a realidade, escancarando uma obra aberta com referências à edição cinematográfica, promovendo fusões que desafiam as certezas e as incertezas do que se vê ou se vive.
O espetáculo propõe um jogo entre realidade(s) e ficção. Digo realidade(s), pois no momento em que a realidade se fragmenta, e não temos uma verdade absoluta, qualquer um dos personagens pode estar vivendo uma realidade, uma ilusão ou uma projeção da sua mente. A personagem Meg é quem tem uma mente fragmentada, mas existe uma linha muito tênue entre o que é real e o que é ficção em sua vida, e na vida dos personagens que a circundam, oscilando sempre o foco da trama. Quem está contando a verdade (se é que existem verdades)? Quem está propondo o jogo? O marido realmente mente, ou tudo faz parte de um jogo da vizinha? O que é verdade? O que é ficção? E qual é a fronteira dentro deste jogo?
Mais acesse o  link

ESPETÁCULO INTERNACIONAL
NI SOMBRA DO QUE LO FUIMOS (ESPANHA)


Um espetáculo da Cia. La Zaranda, da qual lembro que tinha um carrossel em cena, uma imagem poética  inesquecível!
Ainda girando no carrossel. Embora a música como só tem o ranger de ferrugem, como uma voz cansada que fala de solidão e abandono. E voltando-se para ele neste vórtice triste memória, estes destinos: Quixotes anónimos que conhecem a escuridão por engano em um mundo em extinção. Duvidando se deseja prosseguir ou retornar, se você deixar ou esperar. Porque você tem que tomar uma direção nesse cata-vento louco em que nos voltamos sempre, esperanças e carrossel fracassos, procurando entre as sombras fugazes que passam um rosto familiar, alguém que já esqueceu o seu nome.
Teatro que transcende de sua singularidade, o Zaranda apresenta um show com um ar de cerimônia e de uma força chocante: um carrossel antigo no centro de uma metáfora palco para a vida eo destino, o teatro em preto e branco, o expressionismo visual.
 Difícil de esquecer.




quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 18

Hoje sigo (mesmo atrasado) com uma série de 30 postagens sobre os espetáculos que ficaram na minha memória, e aqui nem estou considerando melhores ou piores espetáculos, mas aqueles que deixaram imagens, sons, textos, cheiros na memória. Hoje posto mais três trabalhos.
ESPETÁCULO LOCAL
"NOS MESES DA CORTICEIRA FLORIR"
Assisti este trabalho da Usina do Trabalho do Ator em 2001. Um espetáculo simples e ousado ao mesmo tempo. Com um requintado ambiente, que colocava o espectador dentro da cena, trazia elementos da cultura gaúcha teatralizados. Uma direção requintada de Ciça Reckzieguel, com um espaço pra lá de interessante, simples e funcional de Chico Machado e um elenco caprichado que contava com Marcio Muller, Leonor Mello, Dedy Ricardo e Celina Alcântara, que por este trabalho recebeu o merecido Troféu Açorianos de Melhor Atriz. O espetáculo articulava três elementos: a trova gaúcha, o conto Anaí e a exploração de um espaço alternativo, de proximidade com o espectador. A trova serviu como mote de um olhar multifocal sobre a história que três personagens femininas contam ao público. Anita, a fiadeira; Ana, a chinoca; e Anai, a vendedora de cachaça que tem seu nome dado em homenagem à Anaí uma índia que reuniu um exército de índias e conseguiu confundir tropas brasileiras e argentinas a ponto de frustrar uma batalha. O espaço é íntimo: a casa de Anita, a fiadeira. Os espectadores erão convidados a entrar na sala da anfitriã e ali conviverem como numa casa. Oferecia-se cachaça e contava-se o causa de Anaí. Nesse jogo, as personagens transitavam em seus sonhos e desejos e o público era convidado, de forma sutil, a imaginar os desfechos da história. 


ESPETÁCULO NACIONAL
"A HORA DA ESTRELA"
Alexandre Casali que interpretava Macabéa
Este espetáculo ficou retido na memória. Achei maravilhoso! Foi através deste espetáculo que surgiu a motivação para a criação de um espetáculo que também partiu do mesmo texto da Clarice, que estreiamos no ano passado intitulado "Assovio no vento escuro". A cia. Os Bobos da corte da Bahia adaptaram para o teatro a obra "A hora da estrela" de Clarice Lispector. O mais bacana é que a linguagem escolhida foi de técnicas teatrais baseadas nos contadores de histórias e nos repentistas. (Pena que não consegui encontrar uma foto do espetáculo, então a foto aí ao lado é do ator que fazia a Macabéa.) No espetáculo A Hora da Estrela, a poética de Clarice Lispector ganhava uma nova roupagem ao ser contada por uma trupe de atores cordelistas numa feira popular. Para ganhar uns trocados, eles encenam a história de uma escritora que resolve escrever um livro. A montagem era poética, engraçada, repleta de teatralidade, três atores davam conta de todos os personagens, e como esquecer da personagem Macabéa interpretada magistralmente pelo ator Alexandre Luís Casali. Lembro também do cenário e adereços que eram pequenos móveis como casa de bonecas. Um espetáculo encantador. Além de Caíca Alves, ator e responsável pela adaptação dos textos, a companhia Os Bobos da Corte é formada pelos atores Tati Canário e Alexandre Luís Casali (ótimo ator e palhaço que pude revê-lo no espetáculo "O sapato do meu tio". A diretora é Meran Vargens, atriz, coreógrafa e professora da Escola de Teatro da UFBA. A viagem teatral pela literatura nacional conta ainda com a produção executiva de Zélia Uchôa e a iluminação de Fernanda Paquelet.

ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"CUERPOS A-BANDERADOS"
A fartura de efeitos exibidos em cena fez de Cuerpos A-banderados um dos espetáculos mais provocadores argentinos que já assiti. Transgressora e experimentalista, Beatriz Catani, diretora e autora da peça, não se constrangeu de pôr em cena uma atriz urinando ou um ator imóvel e nu que permanecia na cena o tempo todo. O naturalismo ao extremo perseguido por Catani buscava uma nova linguagem, fugindo do convencional. Ao meio ao discurso fragmentado das três mulheres do palco, são utilizados ratos de verdade em cena e um ator representava um cadáver. Um espetáculo impactante que provocou os porto-alegrenses naquele ano de 2001.
Escrito e dirigido / Dramaturgia e direção: Beatriz Catani / Intérprete / Elenco: Susan Tale, Victoria Gonzalez Albertalli, Rosario Berman, Blas Arrese Igor



domingo, 27 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 17

Hoje trago a 17ª parte deste memorial retrô. E hoje destaco três trabalhos que tem propostas similares, onde a ousadia e política permeiam suas dramaturgias. Confira!

ESPETÁCULO LOCAL
"A DECISÃO" Grupo Trilho de Teatro Popular
Este trabalho me tocou bastante. Não porque sou amigo do pessoal do Trilho, mas porque vi neste trabalho um passo a frente na pesquisa deste coletivo que tem se destacado em suas produções. Uma montagem recheada de teatralidade, calcada em uma poética brechtiana e o mais banaca é que reconhecemos vários signos propostos por Brecht, postos lá na cena, de frma orgânica e não de forma engessada ou teórica. O elenco é afinado e o grande responsável por criar este verdadeiro jogo teatral. Um trabalho digno e honesto que  soube utilizar muito bem a carpintaria teatral. Gostaria muito de vê-lo novamente nos palcos gaúchos e projetado nacionalmente. Porque não! Merece figurar nesta lista pela qualidade e compromisso de apresentar uma arte politica sem ser panfletária unida a uma  estética contemporânea. 
A decisão narra a história do retorno de quatro Agitadores a Moscou, vindos da missão bem sucedida de colaborar com a revolução comunista na China. Ao chegarem, comunicam ao Coro do Partido a perda de um Jovem Camarda, que foi morto por eles devido a suas atitudes impulsivas que haviam posto em risco o processo revolucionário. Os fatos são narrados e interpretados pelos Agitadores, que exigem do Coro do Partido uma sentença. O elenco contava com Ana Campo, Caroline Falero, Daniel Gustavo, Drica Lopes, Fábio Castilhos, Gil Do Santos, Giovanna Zottis e José Carlos Junior e Iluminação de Bruna Immich com trilha Sonora de José Carlos Junior.
Vale a pena conhecer o SITE do Grupo Trilho.

ESPETÁCULO NACIONAL
"STELLA DO PATROCÍNIO - Relatos de uma alma aprisionada"
Texto de Jirau e foto de José Diaz
Quando assisti a atriz Clarisse Baptista no monólogo Stella do Patrocínio, fiquei extasiado primeiro pela linda interpretação desta atriz acreana (nunca tinha assistido nada do Acre) e segundo pela linda história de Stella do Patrocínio que é emocionante. A peça é um testemunho de Stella, que por 30 anos estava trancada na Colonia Juliano Moreira, uma instituição psiquiátrica do Rio de Janeiro. Fiquei maravilhado, boquiaberto,  e surpreendido com a qualidade deste trabalho.

A história de Stella do Patrocínio, o texto, o visual do cenário baseado nos trabalhos de Arthur Bispo do Rosário, interno da Colônia Juliano Moreira onde também viveu a personagem, a iluminação, culminando com a fantástica entrega de Clarisse Baptista. Arrebatador!!!





ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"O AUTO DA CRIAÇÃO DO MUNDO" Portugal


“O Auto da Criação do Mundo”, é um espetáculo de títeres dos Bonecos de Santo Aleixo de Portugal, numa fusão produtiva entre a cultura popular e a escrita erudita. Um espetáculo divertido e cativante. Uma obra teatral popular que nos remete para uma tradição que se terá difundido de forma oral.
Os Bonecos de Santo Aleixo são títeres de varão manipulados por cima, à semelhança das grandes marionetas do sul de Itália e do norte da Europa, mas de pequeno tamanho, entre 20 e 40 centímetros. Neste espetáculo na vila medieval de Monsaraz vão ser manipulados pelos atores do grupo. As marionetas são feitas de madeira e cortiça, vestidas com um guarda-roupa que permite, como no teatro naturalista, identificar as personagens da fábula contada. O essencial dos meios utilizados é composto por um lugar de representação chamado "retábulo", construído em madeira e tecido florido, reproduzindo um palco tradicional em miniatura, com pano de boca, cenários pintados e iluminado com candeias de azeite. Possui uma rede dupla de cordéis, colocada verticalmente entre os bonecos e o público. Os manipuladores estão ocultos por panos de chita. A música, guitarra portuguesa e cantigas, é interpretada ao vivo e os textos, transmitidos oralmente, resultam de uma fusão entre a cultura popular e uma escrita erudita. O repertório consiste em peças de tradição secular, de teor basicamente religioso, para além de outras, cujos textos pertencem, em geral, à chamada literatura de cordel. A representação inicia-se sempre com o Baile dos Anjinhos ou Contradança. As figuras carismáticas são o Padre Chanca e o Mestre-Salas, que, por tradição, tem uma moça, com a qual castiga ou abraça o Padre, enquanto este prega.



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 16

Dando sequencia ao post especial sigo hoje com mais três destaques da cena, dos espetáculos que fizeram a minha memória.
ESPETÁCULO LOCAL
"ASSASSINO"
"Assassino" espetáculo performático de Alexandra Dias com direção do Irion Nolasco. Provocativo. Performático  Questionador. Ousado. O espetáculo colocava na cena um paciente num manicômio  que se autodenominava assassino. Foi um espetáculo marcante principalmente pela entrega e performance de Alexandra Dias no palco, sua figura era ao mesmo tempo assombrosa e de uma beleza incrível, com cabelos raspados e um figurino lindo. Lembro que havia projeções e algumas vozes em off que potencializavam este estado de delírio do personagem. Um mergulho teatral que muito a minha memória teatral. Ah, vale destacar a iluminação também, num tom azul que era muito marcante. 



ESPETÁCULO NACIONAL
"O PARAÍSO PERDIDO" - Teatro da Vertigem
"O paraíso perdido" foi a 1ª peça da Trilogia Bíblica do Teatro da Vetigem. Com dramaturgia de Sérgio Carvalho e direção de Antônio Araújo, “O Paraíso Perdido” é uma das peças mais líricas, poéticas e imagéticas que já assisti. O espetáculo pode ser dividido em três movimentos: a dor da queda, a revolta e a aceitação da perda do Paraíso após o pecado original. O espetáculo foi montado na Catedral Metropolitana de Porto Alegre que deu um charme a montagem. Lembro que chorei muito durante este espetáculo, que me impactou demais. 








ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"JUBILEO" - Uruguai
Alberto Riveiro - Diretor de JUBILEO
"Jubileo" é dirigida por Alberto Riveiro, mesmo diretor e autor do excelente "Canibales" que já citei aqui na coluna.  Jubileo é uma dura critica ao neonazismo e uma vigorosa denúncia ao holocasuto, realizada com uma leveza que era estranha devido ao tema. O truque reunia um grupo de mortos judeus em um cemitério as margens do rio e registrar seus medos derivados das visitas periódicas de vândalos neonazistas que violavam suas tumbas. Tabori explora o surrealismo de suas vidas cotidianas, retratando a insólita situação existencial que se encontram. E como estou resgatando memórias, uma imagem que me fica é do cenário desta peça, que era uma caixa repleta de tijolos quebrados, que dava a impressão de restos, sobras, obras em construção, fazendo uma analogia a realidade daqueles personagens. 

domingo, 20 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 15

Relembrando os espetáculos que fazem parte da minha memória, destaco hoje mais três trabalhos:
ESPETÁCULO LOCAL
"LARVÁRIAS"
Foto: Cláudio Etges

Um espetáculo memorável de Daniela Carmona e Adriano Basegio e sua Cia. do Giro. Lindo, tocante, imagético. Irretocável em sua técnica rigorosa e estética originadas de forte pesquisa das máscaras. Um dos espetáculos mais belos que já assisti.
Larvárias retrata os aspectos delicados e graciosos do cotidiano, seu humor e poesia. De um imenso mundo branco, surgem máscaras-larvas em diferentes estados e formas: figuras intermediárias que contêm o homem e o bicho, que não estão resolvidas em características humanas, mas que também não são animais. O espetáculo fala dos encontros e desencontros destes seres - seus atritos, confusões, equívocos e aproximações, ampliando o mundo fenomenal que envolve o contato entre eles. A ambientação da cena - através dos recursos da música, luz, cenário e figurino, aponta em direção aos eternos, sábios e perenes movimentos do universo, revelando que junto ao gesto diário está o movimento das marés, das estrelas, dos planetas: realidades paralelas e tangentes que, numa explosão de sensibilidade mútua, podem se inter-relacionar.
Conheça mais o trabalho da Cia. do Giro clicando AQUI.
ESPETÁCULO NACIONAL
"A POLTRONA ESCURA" 
"A poltrona escura" reúne três textos contos de Pirandello dirigidos por Roberto Bacci e interpretados magistralmente por Cacá Carvalho. 
Cacá Carvalho é capaz de uma identificação tão visceral com os personagens, que o leva além do naturalismo. Dotado de uma gestualidade em contínuo movimento que sublinha o transcorrer da voz, do tom baixo até o grito, que parece mesmo exprimir o barulhinho de uma vida diferente. Ele interpreta com os olhos, com a boca, com todo o corpo”. O ator executa o espetáculo de modo vigoroso e triunfal. Sentado em uma poltrona cria um infinito universo de imagens que nos transportam a outros mundos. Um dos melhores atores do Brasil, e porque não dizer do mundo, já que ele reside também na Itália. Merece com certeza figurar nesta lista.
ESPETÁCULO INTERNACIONAL 
"ROMAN PHOTO" Chile
Assisti este espetáculo do Grupo La Gran Reyneta do Chile lá na Redenção e gostei muito da proposta. Um set de filmagens que nos revelava todos os truques que estão por detrás das câmeras. Acrobacias, grandes ventiladores, folhas ao vento, números de risco, plataformas que se movimentavam, explosões, carros partidos ao meio, saltos, pirofagia, vidros que se quebravam enfim, grandes truques e efeitos revelados ao vivo para o público num ritmo alucinante. Uma grande brincadeira que esteve no Porto Alegre em Cena. Um espetáculo inventivo que se utilizava de variados efeitos para mostrar os efeitos dos filmes de efeitos. Uma grande festa teatral! Esse show é realmente filmar uma novela realizada em uma pequena praça pública, onde o script é ridículo e é cheio de histórias de amor meloso que terminam em um banho de sangue. Ainda assim, a turma leva seu trabalho muito a sério e rivais conseguiram obter os melhores efeitos especiais que pode ser concebida aos olhos do público, com material retirado em qualquer lugar. Nessas condições, depois de uma moldura de alumínio que representa o quadro de uma imagem instala os comediantes e tomar posições, como se ele será um clichê cuja composição é orquestrado pela voz do diretor. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA Parte 14

Hoje apresento mais três trabalhos desta postagem especial:
ESPETÁCULO LOCAL
"IN SURTO"
Foto: ousarte.blogspot.com
Aqui no estado, ou melhor, no Brasil, somente dois coletivos me provocam intensamente quando vou assistir as suas produções: Ói nóis aqui traveiz e o Falus & Stercus. E quando falo em provocação, me refiro ao que estes coletivos colocam em todas as suas montagens e não em trabalhos isolados, provocações estilísticas, politicas e estéticas que radicalizam a cena contemporânea rompendo barreiras do espaço e tempo. E foi assim com "In Surto", espetáculo que assisti duas vezes, a primeira lá no Hospital São Pedro e a outra com nova versão para o teatro. Minha reação frente a esta obra foi impactante. Esta era a 1ª vez que assistia a uma montagem no dentro do hospício e o tema abordado na peça tinha tudo a ver. Um espetáculo que trabalhava a verticalidade, a loucura, o uso de espaços alternativos e se utilizava de várias técnicas como o rappel, a instalação com uma cenografia de Félix Bressan que impactava pela utilização daquele espaço. Um daqueles trabalhos que é para ser louvado e digno de orgulho para nós que temos um grupo como o Falus & Stercus que tem uma proposta que foge dos padrões e de rótulos, um dos grupos mais instigantes do teatro contemporâneo. "In Surto" foi destaque na Revista Cult, considerado um dos melhores trabalhos da década, segundo o jornalista Fábio Priladnicki. 

ESPETÁCULO NACIONAL
"AMORES SURDOS"
"Amores Surdos" é uma daquelas obras primas do teatro brasileiro. Um espetáculo de renovação, realizado pelo Grupo Espanca! de Minas Gerais. A princípio temos uma história simples de uma família simples, mas que logo no começo esta mesma família começa a demostrar que não é tão simples assim. Espetáculo que tem um fabuloso jogo de atores, e que atores, uma direção incrível e o texto da Grace Passô é fantástico, onde ela aborda o humano que não sabe se comunicar. A lama que escorre no palco é decorrente das relações familiares e tudo está tão imbricado, tão bem executado, uma revelação de grupo que deixa todos boquiabertos diante deste maravilhoso trabalho. Inesquecível mesmo! Muitas cenas deste trabalho povoam minha memória como a do ator que fazia o menino, o número de sapateado que unia a família e a revelação que o menino cuidava de um animal no quarto da casa e toda aquela lama adentrando no espaço, são belos momentos do nosso teatro. Viva a renovação! Viva Grace Passô, viva o Grupo Espanca!

ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"ÍCARO" 
Espetáculo encantador do Teatro Sunil da Suíça com direção e atuação de Daniele Finzi Pasca. O espetáculo foi magnifico e eu lembro muito de uma cena em que o ator chama um espectador e na noite em que eu fui, a escolhida foi a minha amiga Giovana Zottis.  Situado em um quarto em um asilo suíço mental, ele fala sobre seu sonho de voar como Ícaro para contornar esta realidade dolorosa. Finzi Pasca é um palhaço nato e seus sapatos e roupas deixavam o espetáculo visualmente atraente. A música era vibrante, enquanto a atmosfera criada através de sua narração emotiva era mágica. Um espetáculo que prova que, libertando a imaginação de alguém que lhes permitem desafiar a tragédia e dor você mesmo se liberta. Você teria que ser morto por dentro para não ser tocado por esta magnífica obra e só posso colocá-lo entre minhas melhores experiencias teatrais. 

MEMÓRIA DA CENA - Parte 13

Seguimos hoje com mais três destaques da cena, nesta retrospectiva dos espetáculos que marcaram minha memória, em comemoração aos meus 30 anos comemorados neste mês.

ESPETÁCULO LOCAL
"CARA QUEIMADA"

“Cara Queimada” foi o 1º espetáculo adulto feito exclusivamente para sala do Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais. Foi um espetáculo impactante! Com direção de Arlete Cunha e com um elenco muito bom encabeçado pelo jovem Ricardo Vivian que na minha opinião surpreendeu e muito no papel de um incendiário. Também estavam no elenco Nádia Mancuso, Vera Parenza, Giancarlo Carlomagno e Hamilton Leite. Lembro da maravilhoso trilha feita pelo Ultramen que dava um clima bacana para a peça, feita no Teatro de Arena. "Cara Queimada" é um texto inédito em português do dramaturgo alemão contemporâneo Marius von Mayenburg. A trama aborda o universo familiar onde a violência se apresenta sob uma constante humana.
Duas gerações em conflito, os pais continuam juntos por puro comodismo e apesar de terem uma boa intenção estão longe de conseguir algum tipo de comunicação sadia.

A patética mentira de suas vidas só faz aumentar a distancia entre eles e a realidade obscura da vida de seus filhos. 
Os filhos, um casal - Kurt e Olga - que em plena adolescência se fecham cada vez mais na sua relação doentia e incestuosa, fazem um mundo somente deles e com suas próprias regras, onde a vida e a morte perdem o valor e o sentido. Kurt tem uma obsessão pelo fogo e passa a incendiar tudo o que consegue, quando sua irmã descobre é tomada pelo mesmo sentimento. Os pais, vivendo no seu outro mundo de mentiras se dão conta tarde demais e ameaçando entregar Kurt à polícia, são assassinados, pelos próprios filhos. Olga acaba se arrependendo, coloca a culpa de tudo no irmão, e foge com ex-namorado Paul. Kurt sem mais alternativas coloca gasolina em toda casa e risca o fósforo.
A temática é abordada sob a sua pior faceta onde a única saída realmente seja fugir ou queimar. Realmente um espetáculo digno de boas lembranças, assim como todo o repertório do Oilgalê no qual conheço todas as peças! 

ESPETÁCULO NACIONAL
"BENGUELÊ" Grupo Corpo
Minha paixão pela dança começa de cara com o Grupo Corpo, quando assisti ao espetáculo "Benguelê". Rigor, belo e extremamente empolgante. Um grupo que coloca em foco a dança brasileira, sem ser bairrista. Uma ode a brasilidade. Com coreografias de Rodrigo Pedeineras e música de João Bosco (que eu adoro) o espetáculo foi uma das coisas mais sublimes que eu já assisti. Benguelê é uma exaltação ao passado africano e profundas raízes da cultura brasileira. Ritmos africanos, dança clássica desconstruída e resignificada dão a tônica deste maravilhoso trabalho do Grupo Corpo. 

ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"SOLO" Itália
"Solo" foi um espetáculo de marionetes inesquecível! Da Cia. Walter Broggini da Itália me marcou pela inteligencia e humor. Solo é um espetáculo de humor negro dirigido ao público adulto. Vários quadros que refletiam sobre a morte. A manipulação dos bonecos eram todas feitas por Broggini e em pequenas esquetes narravam as aventuras de personagens que enfrentavam o inevitável destino humano. Macabro e irônico, o espetáculo é apresentado sem a comunicação verbal, apenas através do gestual dos bonecos que tinham uma estética linda, brancos e articulados. Um espetáculo memorável!!!! Abaixo o vídeo do espetáculo!







quarta-feira, 16 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 12

Hoje seguimos com este post especial com mais três destaques teatrais:
ESPETÁCULO LOCAL
"GORDOS ou SOMEWHERE BEYOND THE SEA"
A primeira vez que assisti a este trabalho foi dentro da mostra do Dad, quando alguns do seus integrantes estavam finalizando suas graduações em teatro. E ali este espetáculo já me provocou muito, pela estética e ruptura que provocava na platéia. Sempre acompanhava a mostra dos trabalhos e este me chamou muito a atenção, e ali estava sendo plantada uma semente que se transformou hoje no badalado Grupo Teatro Sarcáustico do Daniel Colin e cia., ou seja, lá no inicio o grupo já demostrava a que viera e veio para ficar! A história da peça era sobre um desastre aéreo em que os personagens estão perdidos há muito tempo. As imagens que ficam era do espaço branco, alguns objetos todos da mesma cor (verde!) e projeções em vídeo. Situações bizarras e dramaticamente interessantes recheadas de humor negro faziam parte do contexto. Um trabalho impactante que merece ser relembrado!!! 
ESPETÁCULO NACIONAL 
"REBÚ"
Este foi o trabalho no qual conheci a tão badalada dramaturgia de Jô Bilac. As vezes o público vai ao teatro por causa do grupo, ator, diretor e tão raramente por causa do dramaturgo. E o que me levou a este espetáculo foi Jô Bilac, que bom que pude conhecer o seu trabalho, mas que bom que o Jô me levou a conhecer o trabalho da Cia. Teatro Independente que tem todos os méritos da produção. O espetáculo foi um acontecimento! Imagina uma montagem em que os atores eram ótimos, com um texto e trama excelente, um diretor atento? O resultado foi era delicia que é "Rebú". O Bode interpretado pelo gaúcho Diego Becker e a não utilização de nenhum objeto em cena foi um dos destaques. Escrevi um comentário aqui no blog tempos atrás sobre este trabalho, quem puder confira clicando AQUI!





ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"EMBAIXO DA CAMA" Rússia
Um espetáculo difícil, em russo com legendas, mas não intransponível. Vi uma rigidez, mas ao mesmo tempo uma beleza ímpar! Repetições, efeitos, humor faziam parte deste espetáculo. Uma adaptação do texto de Dostoievisky adaptado para o teatro por Mijail Levitin, a peça abordava o comportamento de um homem apaixonado. Situações inusitadas, beirando o clownesco beiravam a cena, uma das marcas registradas do Grupo Teatro Ermitage. Uma recriação carnavalesca da obra de Dostoievsky, que ao final fica acessível a todos!


MEMÓRIA DA CENA - Parte 11

Hoje, dia 15 de novembro é o dia do meu aniversário, estou completando 30 anos e por esse motivo é que estou publicando aqui os 30 melhores espetáculos locais/nacional/internacional que assisti durante estes meus 30 anos de vida.  Dando sequencia a este post especial sobre os espetáculos que fizeram a minha memória trago hoje a 11ª parte, onde destaco mais três espetáculos:


ESPETÁCULO LOCAL
"TRANSEGUN"
Este espetáculo foi muito importante para mim, pelo fato de eu poder me ver representado ali no palco. Um espetáculo lindo, que trazia a negritude para o centro do palco e lançava esse resgate da obra dramaturgia de autores afro-descendentes. Jessé Oliveira e seu grupo a partir deste trabalho se tornaram referencia no teatro a partir deste trabalho, mas não somente pelo fato de reunir um bando de atores negros no palco, mas sim pela qualidade estética e politica que este bando de atores negros tinham e estavam ali com o propósito de compartilhar conosco os seus anseios. Transegun era belo, poético, forte e libertador. Assisti duas vezes este trabalho surpreendente. O ator Anderson Silva estava radiante em seu trabalho, assim como os demais. tinha uma cena que eu achava linda, aquela em que os atores sopravam garrafas na ponta da coxia, era de um efeito encantador, sem contar da forma como o espetáculo foi construído. Merece figurar aqui nesta retrô pela qualidade da peça e do projeto do Caixa-Preta que merece retornar com belos trabalhos. 

ESPETÁCULO NACIONAL
"A BOLSA AMARELA"
A Bolsa Amarela (Zero Cia de Bonecos – MG) 
A Zero Cia de Bonecos produziu A Bolsa Amarela é uma livre adaptação para teatros de bonecos da obra homônima da escritora Lygia Bojunga. A Bolsa Amarela conta a história de Raquel, uma garota de nove anos que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades que ela esconde numa bolsa amarela: a vontade de crescer, a de ser garoto e a de tornar-se escritora. O espetáculo era lindo, encantador, vibrante e super criativo. Como esquecer a este lindo espetáculo que me marcou muito, assim como outro trabalho deste grupo que foi emocionante que foi "Sevé", lindo, lindo, lindo!!!!!











ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"LOLA LA LOCA" Suíça
Um sonho real!!!Assisti a este espetáculo no 10º Porto Alegre em Cena. Foi a abertura do festival e na minha opinião foi em grande estilo. Um espetáculo sonhador, parecia um set de filmagens, mágico, um mundo assustador, cheio de imagens memoráveis. Dança, cinema, teatro, performance e projeções faziam deste espetáculo algo hipnotizante. Dirigido pelo criativo Cisco Aznar este espetáculo era esteticamente memorável!!! Como o próprio título diz: Louco! Um álbum de imagens memoráveis! 




terça-feira, 15 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 10

Hoje, dia 15 de novembro é o dia do meu aniversário, estou completando 30 anos e por esse motivo é que estou publicando aqui os 30 melhores espetáculos locais/nacional/internacional que assisti durante estes meus 30 anos de vida.  Dando sequencia a este post especial sobre os espetáculos que fizeram a minha memória trago hoje a 10ª parte, onde destaco mais três espetáculos:

ESPETÁCULO LOCAL
"BORBOLETAS DE SOL DE ASAS MAGOADAS"
Esta é uma das minhas unanimidades tratando-se de teatro gaúcho, e olha que eu fui assistir a este espetáculo pelo menos umas cinco vezes, sempre dando a desculpa de que ia levar um amigo. Mas ia mesmo para visitar a casa da Bety, personagem da excelente Evelyn Licocki e dirigido pela Celina Alcantara. A primeira vez que assisti foi lá no Dad ainda como trabalho de conclusão e depois assisti durante a temporada profissional. A performance da atriz era tão verdadeira que você embarcava na peça de uma forma, existia uma entrega da atriz e da platéia. Lembro que o público ia a extremos, do riso a melancolia desta personagem. O espetáculo era simplesmente maravilhoso, o que rendeu a atriz o troféu Açorianos de Revelação em 2002.

ESPETÁCULO NACIONAL
"AQUELES DOIS"
Assisti neste ano este grande espetáculo da Cia Luna Lunera de Minas Gerais. É uma adaptação de um conto do gaúcho Caio Fernando Abreu e que me fisgou pela proposta teatralizada e hipnótica que os mineiros nos mostraram. Escrevi um comentário no blog, clique AQUI e leia na íntegra. Abaixo alguns trechos do que escrevi: 
 Esvaziando as gavetas do preconceito
Minas Gerais tem se destacado em suas produções na área das artes cênicas. Prova disso é o Festival do Teatro Brasileiro - Cena Mineira que encerra suas apresentações neste final de semana. Da terra mineira já assisti a trabalhos do Grupo Galpão, referencia nacional de criatividade, ao Grupo Espanca!, e sua dramaturga Grace Passô, o qual pude assistir o maravilhoso “Amores Surdos”, as Cias de dança, Grupo Corpo, Quasar Cia de dança, e 1º ato, destacando também o Grupo Giramundo.
Desta vez tive o enorme prazer de conhecer o trabalho da Cia Luna Lunera, com seu espetáculo “Aqueles Dois” baseado no conto homônimo do gaúcho Caio Fernando Abreu. O espetáculo esteve em Porto Alegre no ano passado, mas não consegui assistir. A repercussão foi ótima e eis que agora através do SESC-rs o referido espetáculo foi apresentado em Montenegro.

ESPETÁCULO INTERNACIONAL

"HAPPY DAYS" de Peter Brook
Peter Brook + Becket o que podería resultar? A priori eu não sabia, mas tinha a curiosidade de saber. Então mesmo sem ter ingressos, fui para a frente do Theatro São Pedro, eu + minha esposa grávida para assistir ao celebre Peter Brook. Chegando lá ganhamos os ingressos do meu querido amigo Marco Fronchetti e lá fomos nós. Gostei bastante da montagem, da atriz, mas principalmente da dramaturgia do Beckett, um texto muito dificil de ser encenado, um monólogo que na verdade não é um monólogo, pois tem a presença de Willie. Um belo espetáculo que não chegou ame arrebatar, mas com certeza merece ser relembrado aqui. 

domingo, 13 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Especial 30 ANOS Parte 9

Dando sequencia a este post especial sobre os espetáculos que fizeram a minha memória trago hoje a 9ª parte, onde destaco mais três espetáculos:


ESPETÁCULO LOCAL
"A CANÇÃO DE ASSIS"
Este é um daqueles espetáculos que merecem um lugar muito especial em nossos corações, pela beleza e encantamento que proporciona a sua platéia. Uma história de amizade entre um menino e um burrinho que em meio a muitas confusões de dois vilões conseguem se reencontrar. Como esquecer a interpretação de Simone de Dordi como Pitoco que merecidamente levou o Prêmio Tibicuera por este trabalho. Sem falar também da inteligente direção de Gilberto Fonseca que também já tinha dirigido outro belo espetáculo infantil que foi "A Roupa nova do rei", a 1ª versão que também era maravilhosa. As músicas deste espetáculo também eram maravilhosas executadas ao vivo e que tinham a direção de Fernanda Beppler e Lucas Krug. A confeccção e manipulação do Burrinho também era um destaque.  A história trazia uma troupe de atores mambembe que invadiam o espaço cênico para contar de forma musical uma história de amizade entre um menino e um burrinho na Itália do século XVIII. 
ESPETÁCULO NACIONAL
"OTELO"
"Otelo" um dos meus textos preferidos de Shakespeare aqui encenado pelo criativo  e competente grupo paulista "Folias d'arte". Este espetáculo me surpreendeu de tal forma que saí do teatro tomado de emoção. A platéia participava ativamente de todo espetáculo através de suas arquibancadas móveis, que conforme o andamento da peça ia se modificando. A platéia assistia de forma frontal, de forma passarela, no formato de arena que conferiu um diferencial na cena final, na morte de Desdemona onde tinha um jogo incrível de espelhos sendo no final, a própria plateia fica cara a cara com os atores, numa cena de espelhos que desdobra pelo infinito as imagens dos protagonistas e desloca de novo o ponto de vista do espectador, desta vez da plateia para o palco. A densidade de símbolos que acompanham as falas, os vários níveis de leitura, a linguagem corrente que aproxima a ação, o coro teatral que a comenta, tudo isso fez de Otelo um acontecimento mais do que contemporâneo. O elenco do Folias era outro destaque, principalmente o ator que faz o Iago. 
ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"QUE-CIR-QUE" França
Este espetáculo francês foi o 1º espetáculo que assisti no Porto Alegre em Cena, no ano de 1998 e de lá pra cá não deixei mais de acompanhar ao festival que cresce a cada ano. Era a 5ª edição do Em Cena e eu que tinha apenas 16 anos fiquei bastante impactado com a qualidade desta montagem. O espetáculo era realizado numa arena circular que foi montada no Parque Marinha do Brasil. 

Eram três artistas que nos encantavam com suas técnicas e números circenses que aliavam técnica, beleza e risco. Lembro de um número em que um deles colocava uma torneira num mastro que tinha ao centro e como mágica, abria-se a torneira e dali saia muita cerveja, para o delírio da platéia. 
Eram três figuras: Emmanuelle Jacqueline, bonita, forte e fez-se como uma egípcia, Hyacinthe Reisch, a figura de Cristo, e Jean-Paul Lefeuvre, com a cabeça raspada para Rufus, todos os três são da Escola Nacional de Artes Circus, em Châlons- en-Champagne e participou na aventura do Cirque O até o final de 1993. No palco, um palco requintado, sensual e surpreendente, um balé de corpos e objetos desviados - roda vassoura poste, caixa de cera de vela, sapatilhas de balé - formam imagens incomuns e poético, e Melis- melodramas em quadrinhos. Teatro ou dança acrobática do circo? Seja qual for!Um deles tem o prazer dos sentidos.

E aguardem a 10ª postagem deste especial MEMÓRIA DA CENA.