sábado, 16 de outubro de 2010

MAIS ESTREIAS - TEATRO DO CLÃ



Seguindo as estreias deste outubro teatral, divulgo aqui o espetáculo "O Rei Cego" do Teatro do Clã de Montenegro, do meu amigo Cassiano Azeredo. A estreia da peça será internacional, no Uruguai e o Válvula de Escape deseja muita merda e vida longa a este grupo representante dos grupos de teatro do interior gaúcho, assim como nós. Quem disse que não existe teatro de qualidade fora de Porto Alegre? Anotem este nome, pois nós vamos ouvir muito ainda falar dele. Boa estreia lá no Uruguai e retornem logo para que possamos conhecer este trabalho. Abaixo o material de divulgação.
Teatro do Clã representa o Brasil no Uruguai

No próximo dia 17 de outubro o Teatro do Clã, embarca para o Uruguai para representar o Brasil na 5ª Muestra Internacional de Teatro em Ciudad de La Costa e Ciudad de Las Piedras. O grupo vai apresentar o espetáculo “O Rei Cego”, além de ministrar oficinas de teatro e realizar intervenções artísticas. Participam desta mostra, grupos de teatro de oito países da América do Sul e Europa e para representar o Brasil o Teatro do Clã foi um dos dois grupos selecionados. “Queremos formar parcerias, para quem sabe, trazer esses grupos para mostrar diferentes formas de fazer teatro e com isso enriquecer a cultura de nossa cidade” comenta a atriz Tuti Kerber.
O Teatro do Clã foi fundado pelos artistas professores Cassiano Azeredo e Marcos Cardoso, ambos graduados em teatro pela UERGS, e iniciou em agosto de 2009 sua jornada em busca de uma pesquisa teatral fundamentada no trabalho do ator, no encontro de sua tradição e em uma maneira particular de fazer teatro na qual a produção do espetáculo é parte de uma poética maior. “Teatro do Clã é o nome dado a junção de pessoas que acreditam na transformação através do teatro e na união de sonhos como ponto de partida para a criação”, comenta o diretor Cassiano Azeredo.
O espetáculo O Rei cego conta a história de um jovem príncipe que enfrenta inúmeros perigos para trazer a visão de seu pai de volta. A narrativa está repleta de elementos mágicos, seres fantásticos e tem como temas a confiança, a esperança e a justiça. Quatro atores cantam, dançam e representam para dar vida aos nove personagens desse conto popular de encantamento. A concepção do espetáculo tem um caráter rústico, no qual escadas, cubos, malas, tecidos e um boneco gigante interagem com a atuação dos artistas e a melodia de seus instrumentos. Além de Cassiano Azeredo, diretor da peça, compõem o elenco do espetáculo a atriz e professora Tuti Kerber, o ator e músico Julio César Schuster, o professor Marcos Cardoso e o ator Marcelo Staudt. Lúcia Motta assina os adereços e figurinos e Rosmeri Lorenzon faz a assessoria de direção. O espetáculo foi um dos selecionados pelo FUMDESC, mas embora tenha cumprido todo o regulamento ainda não recebeu a prometida verba. “É muito triste ver a forma como a nossa cidade trata os artistas daqui, pois todos comemoramos com a lançamento do FUMDESC e agora temos a convicção de que ele não passa de uma farsa”, finaliza Cassiano.

Maiores Informações pelos telefones (51) 93345359 ou 96218448

ESTREIAS TEATRAIS EM PORTO ALEGRE


Depois de um overdose de teatro em setembro no "Porto Alegre em Cena", Outubro chegou e sem nenhuma ressaca, pois neste mês acontece em Porto Alegre a estreia de vários espetáculos muito aguardados pelo público, e que com certeza movimentará a cena teatral gaúcha. Vamos a eles então:

A LIÇÃO

Estreiou hoje (15/10) no Teatro de Arena "A Lição" de Eugène Ionesco, com a Cia de Teatro ao Quadrado, com Direção de Margarida Leoni Peixoto e no elenco Marcelo Adams e Luísa Herter. Curioso para ver esta montagem deste texto considerado do Teatro do Absurdo. Li este texto na disciplina de Dramaturgia Contemporêna do ilustríssimo Carlos Modinger na Uergs e foi daqueles textos que realmente te pegam de uma maneira "absurda". Pelo modo com Ionesco rege a trama, ou pelo inusitado desfecho, realmente curioso para assistir a este trabalho, mais uma parceria do casal 20, que tem nos brindado com maravilhas teatrais. 


WONDERLAND E O QUE MICHAEL JACKSON ACHOU POR LÁ

Outra estreia, talvez uma das mais aguardadas é a do pessoal do Teatro Sarcáustico,  com seu "Wonderland". Confesso que sou fã deste grupo gaúcho, pois demostra através de seu histórico, fazer um teatro experimental (no sentido nobre da palavra), provocador, contemporâneo e diferente. Então as minhas expectativas são enormes, depois de acompanhar todo o processo através do blog, gosto muito e me identifico com as idéias do Daniel Colin, do Felipe e sua trupe de atores. A estreia é amanhã e promete. 
Quinze atores, oito meses de ensaios, um clima de Pop Art e a missão de cantar e dançar as músicas criadas por Arthur de Faria são algumas dos momentos deWonderland e o que M.Jackson encontrou por lá, que estreia neste sábado no mezanino da Usina do Gasômetro (João Goulart, 551). O diretor Daniel Colin, do grupo Teatro Sarcáustico, destaca que o musical conta a vida do cantor Michael Jackson, mas a temática central traz à discussão a questão da formação da identidade do artista. Ou seja, da liberdade conceitual de sua obra até a mercantilização da mesma para a grande massa consumidora.Wonderland é um mix de referências. Várias personagens dePeter PanAlice no país das maravilhas e Alice através do espelho surgem transformados em personagens do universo do cantor. A referência à peça Roda Viva, de Chico Buarque, vem da montagem mítica de Zé Celso Martinez Corrêa. O diretor explica que a encenação vai seguir o formato do Teatro Oficina. O palco-passarela, que também é chamado de teatro sanduíche, vai abrigar 70 pessoas por apresentação.
CLUBE DO FRACASSO
Outra aguardada estreia é "O Clube do Fracasso" da Cia Rústica de Teatro. A peça estreiou na quinta feira dia 14 . Depois de três premiadas montagens de Shakespeare, a Cia Rústica de Teatro apresenta  Clube do Fracasso (Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2009) um olhar festivo sobre o erro e a fragilidade humana. O espetáculo é o primeiro que compõe aTrilogia Festivaseguido por 21 Maneiras de Derrotar a Morte e Nômades, dando continuidade à investigação de uma linguagem e uma metodologia estruturadas sobre o que convencionamos chamar  a ética da festividade na criação cênicaClube do Fracasso propõe um olhar aos fracassos humanos em geral, questionando discursos de sucesso absoluto e superioridade. Na zona escura do erro e do engano reside a fragilidade humana e a abertura que nos permite o encontro com o outro e a criação de outros mundos. Beckett nos incita: “tente sempre, fracasse sempre. Tente outra vez, fracasse outra vez. Fracasse melhor”.   O Clube está aberto a todos que já erraram alguma vez na vida: acreditamos que a perfeição está supervalorizada. Oferecemos jogos, histórias, músicas, confissões, movimentos, imagens, poesias, fragmentos, experiências, em uma linguagem  fraturada como a vida mesma. Qualquer semelhança com fatos reais não será mera coincidência. O projeto articula ações além da apresentação de espetáculos, promovendo oficinas, ensaios-abertos, debates com diferentes públicos, intercâmbios de idéias e práticas de criação, no exercício constante de convivência, contágio e circulação de desejos que a experiência artística possibilita.

HOTEL FUCK
Outra, estreia aguardade é este "Hotel Fuck" da minha profª Jezebel de Carli e sua Santa Estação Cia de Teatro, que acontecerá no dia 22 na Usina do Gasometro. Curioso para ver este novo trabalho desta que é sem dúvidas uma das melhores cias. do Estado. "Existe uma piada entre a escória que diz que se Lucifer tivesse que transferir o inferno para uma nova sede, ele certamente escolheria oHotel Fuck." Garotas com cinta liga e armas em punho, perseguições implacáveis, trocas de identidades, Esquartejamentos, revelações místicas trazidas por Leatherface, garotões que amam suas Magnum 44, corações partidos, sexo e sangue... muito sangue. Onde? No Hotel Fuck, baby. Como podemos ver, muitas atrações neste Hotel.

DIA DESMANCHADO


Espetáculo do "Teatro Torto", trata-se de um solo do ator Marcelo Bulgarelli, com direção de Tatiana Cardoso, que estreia dia 22 no Teatro de Câmara. 

Um homem estaria só em seu apartamento.
Ele esperaria. Ele ensaiaria um encontro.
Ela chegaria?
Num dia aparentemente comum,
um instante pode provocar uma ruptura.
Num jogo onde vários tempos coexistem, presente, passado e futuro se atravessam numa dança desmedida.
O dia se desmancha e o cotidiano é transformado
em uma dimensão de possíveis.


Como podemos ver, Outubro é o mês da FARTURA teatral em Porto Alegre, só nos resta ir aos teatros e aproveitar. Pois não é sempre que temos um cardápio tão completo com nomes como: Jezebel de Carli, Tatiana Cardoso, Marcelo Adams, Marcelo Burgarelli, Margaarida Leoni Peixoto, Daniel Colin, Felipe Vieira de Galisteo, Patricia Fagundes, Heinz Limaverde, Diones Camargo, ou seja, pessoas que eu e toda a classe teatral respeita e admira.
Abraços!

Postado por Diego Ferreira - Diretor do Grupo Válvula de Escape - www.escapeteatro.blogspot.com





sexta-feira, 15 de outubro de 2010

OS SALTIMBANCOS - Cia Teatro Novo em Montenegro





Fundarte traz espetáculo “Os Saltimbancos”
No dia 19 de outubro, às 20 horas, no Teatro Roberto Atayde Cardona, a FUNDARTE promoverá o espetáculo de teatro infantil “Os Saltimbancos”, da Cia Teatro Novo de Porto Alegre. O espetáculo é direcionado ao público dos 02 aos 11 anos de idade e tem a duração de 55 minutos.

No elenco os artistas de Montenegro Marcos Guarani - Jumento; Susana Schoellkopf - Galinha e Marcio Barreto - Cachorro. Fa
zem parte também do elenco Karen Radde- gata; Aline Jones e Reissoli Moreira-barões.

“Os Saltimbancos” é uma adaptação da obra “Os Músicos de Brehmem” dos Irmãos Grimm feita por Sergio Bardotti e Luis Enrique.
Com  tradução e músicas de Chico Buarque de Hollanda, a peça conta a história de quatro animais que partem numa aventura em busca de seus sonhos.

Chico Buarque e Sérgio Bardotti utilizam cada uma das características domésticas destes quatro bichinhos - o jumento, a galinha, o cachorro e a gata - para traduzir os sentimentos da sociedade. Na aventura dos quatro amigos, o principal aprendizado é que “todos juntos somos fortes”.

Os ingressos estão à venda na FUNDARTE pelos valores de R$ 10,00- geral; R$ 8,00- assinantes do Jornal Ibiá e estudantes em geral; R$ 7,00- alunos da FUNDARTE e sócios da Associação Amigos da FUNDARTE; R$ 5,00- pessoas acima de 60 anos e doadores de sangue com carteira.

WONDERLAND - NOVO ESPETÁCULO DO TEATRO SARCÁUSTICO

domingo, 10 de outubro de 2010

HERLÓI O HERÓI

No sábado assisti a peça infantil "Herlói, o herói" do Grupo Cuidado que Mancha de Porto Alegre. A direção do espetáculo é de Raquel Grabauska com direção musical de Gustavo Finkler. No elenco estão um trio afinado de atores, Simone de Dordi, sempre demostrando a maravilhosa atriz que é, utilizando o tempo certo, sem ser caricata. Simone possui algo que me encanta quando a vejo em cena, é um magnetismo, uma presença e simpatia que embarco sempre em suas personagens, foi assim na "A Canção de Assis", nas "As Bufa" e agora nesta peça. Também contamos com a presença de Aline Marques que juntamente com Simone formam uma dupla impagável, que conseguem um jogo muito bacana em cena. Aline consegue criar uma figura engraçado do seu maestro, que com um rosto expressivo nos faz rir. Aline me ganha através do seu olho, que faz com que eu embarque na história, a cena em que ela utiliza o rádio, e utiliza um CD pirata é hilária. E fechando o trio de atores contamos com Vinicius Petry, que ao meu ver constrói um Herlói sob medida, ou seja, sem os grandes exageros comuns quando tratamos de peças infantis, ou de atores interpretando personagens criança. Com uma empatia e gestos repetitivos, como o pulsar do coração, por exemplo, cativa não só aos pequenos, mas a ala mais velha da platéia que estava fixada neste herói de calção verde por cima da calça.  
A história conta a saga de Herlói, um sujeito comum que se vê obrigado a enfrentar uma perigosa aventura. Sua namorada Mariana foi enfeitiçada pelo traiçoeiro Maestro. O vilão, após ser rejeitado pela moça, descobre na Internet uma antiga canção egípcia que provoca o sono eterno. Resta a Herlói viajar em busca de uma música antídoto que a faça acordar. Baseado neste mote, o espetáculo cria uma estrutura baseada na simplicidade, com figurinos, cenários e adereços muito simples, mas eficientes, que auxiliam a contar esta história. Não temos aqui efeitos de luz, de sonoplastia e grandes trocas de cenários ou figurinos pomposos, e creio que não se faz necessário isso, quando temos uma boa história contado por ótimos atores, e é o que acontece neste "Herlói". Achei divertido e diferente dos demais espetáculos do Cuidado que mancha, onde a utilização da música feita através de instrumentos inusitados auxiliavam na contação de pequenas histórias. Aqui temos uma peça, um enredo, uma trama que não é chata, nem tão pouco didática, onde se tem a obrigação de passar uma mensagem, ou uma lição. Adorei e tenho certeza que o público montenegrino também adorou compartilhar desta experiência. Parabéns a direção que soube criar um espetáculo ágil e bonito, utilizando materiais simples como o E.V.A, velcro e uma boa dose de imaginação, sempre presente nos espetáculos deste grupo.  

Semana cultural movimenta Montenegro


Esta semana foi bastante movimentada na "Cidade das Artes", Montenegro. Muitas opções para todos os públicos e programas de muita qualidade. A semana começou movimentada com a realização do 22º Seminário Nacional de Arte-Educação promovido pela Fundarte-Uergs, que durante quatro dias movimentou a cidade com palestras, painéis, ofinas e uma rica programação cultural, que incluia espetáculos como "DAR CARNE A MEMÓRIA" de Eva Schul e a ópera cômica "LA SERVA PADRONA" com direção cênica de Jezebel de Carli. Ainda na 2ª feira tivemos a presença do "QUINTETO LATINO-AMERICANO DE SOPROS DA PARAÍBA" dentro do Projeto Sonora Brasil promovido pelo SESC-Rs. Na 3ª feira pude conferir mais uma edição do "ENCONTROS COM O PROFESSOR" comandado pelo ilustrissímo RUY CARLOS OSTERMANN que neste dia recebeu JORGE FURTADO em plena praça pública, dentro da programação da feira do livro. Já na 5ª feira tivemos a estreia do STAND UP no Cordel Rock Café com a participação da atriz Ana Denise Ulrich (Válvula de Escape) e Liz Machado. Na sexta feira o prohrama foi o cinema, que apresentou o filme infantil "Meu malvado favorito" e meu pequeno estava lá presente. No sábado tivemos uma palestra e sessão de autógrafos com o escritor PEDRO BANDEIRA e a apresentação do espetáculo "HERLÓI O HERÓI" do Grupo Cuidado que Mancha de Porto Alegre, que em minha opinião foi mais um dos pontos altos da semana de Montengro, que com muita simplicidade realiza um espetáculo sensível, engraçado e criativo, com um trio de atores afinadíssimo, destaque para Simone de Dordi. Ainda tivemos uma apresentação do espetáculo de dança "Harry Potter" com o Studio Balancé. E para encerrar a semana bem, no domingo teremos a presença de "Simone Braz" tocando no Café da Estação.
Pedro Bandeira

Ostermann e Jorge Furtado

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

DAR CARNE A MEMÓRIA Celebração a obra de Eva Schul



Na última segunda feira (04 de Outubro) fui assistir ao espetáculo "Dar Carne à Memória" uma celebração da obra coreográfica de Eva Schul, dentro da programação cultural do Seminário de Arte Educação que acontece até 5ª feira na Fundarte em Montenegro. Embora eu não esteja participando do Seminário, fui ao teatro com a curiosidade de assistir de perto a este espetáculo que tem arrancado diversos elogios da crítica , além de prêmios, como o Brasken para o Eduardo Severino. O teatro estava completamente lotado para assistir a peça que que faz uma revisão de mais de trinta anos de carreira de Eva Schul dedicados a coreografia, sem dúvida é um ponto alto da temporada do Estado. 



Dar carne à memória é materializar, recordar a memória do corpo. Como diria Stalislavski "não podemos memorizar os sentimentos e emoções, somente podemos memorizar as ações físicas". E sinto isso neste maravilhoso trabalho, lógico que em suas devidas proporções, tratando-se de um espetáculo de dança.  Mais que isso, é um jogo de alusões, porque a dança vive do corpo e, portanto, “dar carne à memória” é, trazer ao presente memórias vivas, físicas, marcas. Marcas que se traduzem em coreografias, mas que também atravessaram a vida dos interpretes, e um belo exemplo destas marcas podemos vislumbrar no solo em que a magnífica Cibele Sastre executa. Antes de dançar , Cibele entra com uma sacola, de onde tira vários objetos como papéis, uma fita k7 entre outros, e dialoga com o público de modo tão natural, que parece que não faz parte daquele espetáculo sabe, tão natural é o modo em que ela expõe aquelas marcas, histórias e lembranças de outros tempos da sua trajetória e da trajetória de Eva Schul que emociona só de escutar, imagina então vivenciar. Logo em seguida, Cibele mostra a sua obra, seu solo que foi inspirado em uma música que tem uma história muito bacana e que você precisa assistir ao espetáculo para ver o que eu estou falando. Leveza, domínio de movimentos e espaço, força e poesia, fazem parte do solo de Cibele. E eu que passei cinco anos dentro da universidade, passando diariamente pela Cibele, mas infelizmente ainda não tinha a oportunidade de assisti-la, fiquei emocionado e honrado pela Uergs ter uma professora com tamanho potencial, lógico que já tinha escutado e muito falar dela, mas pessoalmente ela arrasa! 
Como pode se ver Eva Schul era visionária. Sim, pois suas coreografias são ousadas, tanto para a 30 anos atrás, quanto ao presente, pois ela consegue explorar diferentes possibilidades corporais com simplicidade, risco e desafios. 
O programa desta noite foi entrecruzado de vários solos e finalizado com uma coreografia coletiva. Inicia com um vídeo em que Tatiana da Rosa dança lindamente grávida o solo "Do Branco", em seguida temos Monica Dantas executando "Caixa de Ilusões", seguido por Eduardo Severino em "Ser Animal", demonstrando que Severino é sem sombra de dúvidas um dos melhores bailarinos do Brasil. Depois assistimos o solo de Cibele Sastre, "O Fio Partido" com a música de Bessie Smith na voz de  Dinah Washigton e encerrando a noite em grande estilo com o coletivo "Hall of Mirrors", em que se utiliza de um jogo de espelhos, criando metáforas sobre o reconhecimento social. Aliás esta última, é arrebatadora, pois mostra a brilhantismo de Eva Schul, quanto utiliza o espelho para provocar sobre a relação entre "eu e outros", "eu e eu" e "como o meu eu se relaciona dentro desta aldeia humanóide", ou seja, o individuo preso dentro desta cadeia social, onde o que eu faço provoca o outra, reflete e respinga em outros . O efeito das silhuetas de pvc é extraordinário, lógico que a presença dos bailarinos é magnífica. Puxa, será que não vou cansar de parar de elogiar este espetáculo? Não, não vou, pois não sou crítico nem de teatro, nem de dança, mas quando você assiste a algo que te comove e te provoca, a melhor coisa que se tem a fazer é escrever, escrever e escrever. Esta maravilhosa obra só vem a confirmar a grandeza do trabalho desta coreógrafa frente a Ânima Cia de Dança, que não só reafirma todo o seu potencial, como reacende a chama e o gostinho de quero mais, Eva faz mais um espetáculo, só para a gente se emocionar e se deliciar novamente. Valeu muito apena! Parabéns a toda equipe técnica e especialmente ao meu amigo João Nunes que com sua dança ajuda a criar este espetáculo provocador.




Postado por Diego Ferreira - Diretor do Grupo Válvula de Escape - Graduado em Teatro na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. escapeteatro@bol.com.br

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

STAND UP NO CORDEL

Estou divulgando a iniciativa do Cordel agora com Stand up nas 5ª feiras, amanhã teremos a presença da atriz Ana Denise Ulrich do Grupo Válvula de Escape, confira!!!

sábado, 2 de outubro de 2010

ALICE por Sissi Venturin





Vou dividir aqui no blog o espetáculo da Sissi Venturin, minha colega de faculdade que está levando adiante o seu "Alice" resultado de sua pesquisa como trabalho de conclusão do curso de teatro da Uergs. Assisti ao trabalho ainda dentro da faculdade e foi uma experiência maravilhosa, viva e intensa, pois em plena era de Alice's cinematográficas 3D, Sissi consegue poesia, lirismo e um hibridismo sensacional nesta imersão dentro da estética da pop art, utilizando as mídias tecnológicas, mas sem se deixar levar por elas, pelo contrário, demostra um trabalho profundo de pesquisa no trabalho de ator. quando retornar a Porto Alegre é obrigatório assisti-lo, pois depois de quase um ano de apresentações com certeza a peça deve estar amadurecida e muito melhor, por esse trabalho a atriz merece ganhar todos os prêmios e méritos do teatro gaúcho, juntamente com sua atuação no espetáculo "Bodas de Sangue" de Luciano Alabarse e Luis Paulo Vasconcelos.

Espetáculo da Cia. Espaço em BRANCO,  de Porto Alegre, é livremente inspirado nos livros de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas e Alice através do Espelho. Convidados de um banquete de Desaniversário, a Hora do Chá, o público é parte do jogo de cartas, do jogo da peça.  Aborda o universo nonsense das obras originais através da performance art, propondo o diálogo entre tecnologias, a autonomia do performer e a liquefação das barreiras entre arte e vida, bem como entre palco e platéia. ALICE é um convite a vivenciar o País das Coincidências, o encontro entre obra e público quer celebrar-se, depende de todos construir a jornada.





FICHA TÉCNICA

Cia. Espaço em BRANCO
Direção e Atuação: Sissi Venturin
Operação de video e áudio: Leonardo Remor
Iluminação: Gigante César
Direção e Arte dos vídeos: Sissi Venturin e Leonardo Remor
Fotografia e Montagem dos vídeos: Tiago Coelho
Finalização de vídeo e áudio: Marcos Lopes
Ilustração e Design Gráfico: Talita Hoffmann
Colaboração criativa, afetiva e intuitiva:
Tatiana CardosoJoão de RicardoFernando Bakos,
Carlos MödingerMarina Mendo e Leonardo Machado
Apoio: Grupo Falus & Stercus





Classificação: Livre
Duração: 75 minutos





AGENDA 
OUTUBRO 2010
 São Paulo/SP
6132027 de outubro (quartas) às 21h
Teat(r)o Oficina
(Rua Jaceguay, 520, Bixiga. 11-31062818)





Ingresso: R$ 20,00
50% de desconto para estudantes, artistas, idosos e crianças.


foto: Rafael Avancini)

VT de ALICE no youtube:
Publicação sobre a peça no blog da Lewis Carroll Society of Brazil:
http://alicenations.blogspot.com/2010/08/alice-pela-cia-espaco-em-branco.html

DIEGO NO PAÍS DAS MARAVILHAS ou Diego no país de Bob Wilson!


Ontem dia 1º de Outubro fui visitar a Exposição de Bob Wilson, Robert Wilson - Vídeo Portraits, no Santander Cultural em Porto Alegre, que faz parte da programação do 17º Porto Alegre em Cena, mas que fica em cartaz até o dia 5 de Dezembro. 
Primeiro gostaria de dividir as minhas impressões sobre a exposição. Cabe registrar que fui a Porto Alegre fazer o meu registro profissional de ator e diretor (DRT), e no intervalo de almoço, resolvi fazer uma visita a mostra, que para surpresa estava vazia. Era somente eu e os guardas do Santander, eu e o imponente espaço, eu e as magníficas obras de Bob Wilson. E isso foi muito marcante para mim, pois enquanto o centro de Porto Alegre era um verdadeiro caos, do lado de dentro do Santander reinava a paz, e esta paz fez muito bem para mim, que pude desfrutar da mostra de modo tranqüilo e calmo, coisa rara hoje em dia, pois geralmente estamos sempre correndo contra o relógio. E justamente sobre isso que eu queria registrar, sobre o tempo nas obras de Wilson, pois na construção destas obras, vemos uma imagem que pode ser pensada como um retrato. E a priori é isso, um retrato, uma foto estática e estética. Mas se olharmos com cuidado, essa imagem é uma vida real, com movimentos sutis e respiração, e respiração é vida. De certa forma, se pensarmos sobre isso e olharmos com o tempo suficiente, as imagens estáticas dão lugar a imagens cinéticas, ou seja, temos a sensação ou a percepção do movimento, mesmo sutil e minimalista. Então, retorno ao Tempo. Sim, pois essa é uma mostra diferenciada da que estamos acostumados a apreciar, lembro do meu tempo de estudante da Uergs, em que eu entrava na galeria de arte para apreciar uma exposição e em menos de cinco ou no máximo dez minutos e pronto, estava encerrada a minha visitação. Mas aqui é diferente, pois frente a cada obra era necessário um tempo, para que você possa assimilar e se apropriar da experiência estética proposta pelo Wilson. Proposta ao mesmo tempo simples e complexa, abrangendo um rico universo híbrido, que alia literatura, música e iluminação cênica à poética que a tecnologia possibilita. Então a sensação que eu tive quando visualizei o primeiro quadro (se é que posso chamá-lo assim!), é que eu deveria esquecer do tempo e espaço e me entregar por inteiro para assim poder embarcar nessa viagem. Para percorrer as 17 obras que fazem parte da mostra, levei em média 1:30 hs, pois a cada parada, uma nova experiência e a descoberta de novas identidades frente a personalidades que ora criavam e ora destruíam esse referencial de personalidade em pose de registro, de fotografia. Depois deste passeio retorno as ruas de Porto Alegre, com a sensação de que algo diferente me acometeu do lado de dentro, durante a minha viagem solitária, (mas não solitário) no país das maravilhas de Bob Wilson. Confesso que não assisti ao seu espetáculo presente no Em Cena, o "Happy Days", mas conforme as críticas a que tive acesso, posso confessar que a vinda desta exposição purga todas as expectativas frustradas do espetáculo, e nos encanta com esta mostra, desta vez deixamos de lado o encenador inventivo e provocador e louvamos o artista plástico brilhante que sem sobra de dúvida é Bob Wilson.
A aclamada exposição Voom Portraits, do multiartista Robert Wilson, conhecido por suas técnicas de iluminação e cenários no teatro americano, é composta por vídeo-retratos em alta resolução de celebridades como Isabella Rosselini e Johnny Depp, que posaram quase imóveis para as câmeras da Voom HD Network. Trata-se de um encontro entre fotografia, filme, literatura e som, uma linguagem de movimentos mínimos, gestos coreografados e coordenação precisa.
Sucesso absoluto em Nova York e nas cidades por onde está passando nesta turnê internacional, Voom Portraits chega a Porto Alegre graças à iniciativa de Luciano Alabarse, curador do festival internacional de artes cênicas Porto Alegre em Cena.

A obra poderosa de Wilson conta com fotografias exóticas de Steve Buscemi, Brad Pitt, Jeane Moureau, Robert Downey Jr, Dita Von Teese, Willem Dafoe, Isabella Rossellini, Johnny Depp, Salma Hayek, Winona Ryder (numa adaptação muito elogiada do famoso "Dias Felizes”, de Samuel Beckett), entre outros. Os retratos foram encomendados e produzidos em um trabalho de colaboração entre Robert Wilson - um artista de vanguarda no teatro e nas artes visuais - e a empresa de televisão VOOM HD Networks, onde Wilson tem sido artista residente desde 2004.




A natureza morta é vida real – por Robert Wilson

Os vídeo-retratos podem ser vistos nas três formas tradicionais em que artistas constroem o espaço. Se eu colocar minha mão na frente de meu rosto, posso dizer que é um retrato. Se vejo minha mão a distancia, posso dizer que é parte da natureza morta e se a vejo do outro lado da rua, posso dizer que é parte do cenário. Na construção destes espaços, vemos uma imagem que pode ser pensada como um retrato. Se olharmos com cuidado, esta natureza morta é uma vida real. De certa forma, se pensarmos sobre isso e olharmos por tempo suficiente, os espaços mentais se transformam em cenários mentais.
Estes retratos se originam de um trabalho que eu fiz nos anos 70, chamado “VIDEO 50”. Fiz vários retratos, incluindo o escritor surrealista Louis Aragon, a socialite Helene Rochas, um pato, um padre que eu conheci num bar, o diretor de museu Pontus Hulten, o CEO da Sony, Akito Morita, e o Ministro da Cultura da França Michel Guy. Estes retratos podem ser vistos na TV, em galerias, museus, estações de metrô, hotéis, aeroportos ou mesmo no quadrante de um relógio de pulso. Eu imagino os VOOM PORTR AITS sendo vistos em espaços públicos, bem como nos lares. Em casa, eles são como uma janela na sala ou o fogo na lareira.
Freqüentemente as pessoas me perguntam “Quais são as idéias por trás das imagens?”. Eu não interpreto meu trabalho. A interpretação é para os outros. Fixar um significado a um trabalho como este limita sua poesia e a possibilidade de outras idéias. Eles são pessoais, expressões poéticas de personalidades diferentes. Um homem da rua, um animal, uma criança, super stars, deuses de nosso tempo.



Obras de Robert Wilson

As obras de Wilson integram uma ampla variedade de mídias artísticas, combinando o movimento, a dança, a iluminação, o design de móveis, a escultura, a música e o texto em um todo unificado. As imagens do artista são esteticamente cativantes e carregadas de emoção e suas produções foram aclamadas pelo público e pela crítica no mundo inteiro. Junto com o compositor Philip Glass, Wilson criou a monumental obra Einstein on the Beach, que mudou as noções convencionais da forma operística tradicional. Entre seus inúmeros colaboradores estão vários escritores e músicos como Susan Sontag, Lou Reed, Heiner Müeller, Jessye Norman, David Byrne, e Tom Waits. Prolífico no repertório operístico tradicional, Wilson imprimiu sua marca em obras de mestre como La flûte enchantée (A flauta mágica), Pelléas et Mélisande, Der Ring des Nibelungen e Madame Butterfly.

A prática de Wilson está firmemente enraizada nas artes plásticas e gráficas e extensas retrospectivas de seu trabalho foram apresentadas no Centre Georges Pompidou, em Paris, e no Boston Museum of Fine Arts. Montou instalações no Stedelijk Museum em Amsterdã, no Villa Stuck em Munique, no Clink Street Vaults de Londres e no Guggenheim Museums em Nova York e Bilbao.







VOOM PORTRAITS ROBERT WILSON




Concepção e curadoria Adelina Von Fürstenberg




Produção VOOM HD




Produtores Matthew Shattuck e Noah Khoshbin




Organização e coordenação Michela Negrini







A mostra é uma realização do Porto Alegre em Cena




Secretaria Municipal da Cultura/Prefeitura de Porto Alegre


Patrocínio: Santander