domingo, 20 de março de 2011

O OLHO DO ATOR por Roberto Mallet




Palestra no Festival Universitário de Teatro de Blumenau no dia 7 de julho de 2000. Transcrição de Fernando Weffort.

O que é preciso ver para ser ator, para ser um artista? Essa é uma discussão que está ligada à arte contemporânea de um modo geral e não só ao trabalho do ator especificamente. Então, gostaria de começar lembrando a origem da palavra Teatro, que muitos de vocês aqui devem conhecer. Teatro quer dizer lugar onde se vai para ver - Theátron. Esse ver do teatro, pelo menos da palavra grega theaomai, provém da raiz thea, um verbo que se traduziria mais corretamente para o português por contemplação. A contemplação é uma visão intuitiva das coisas, uma visão intelectual, da inteligência. O teatro não seria, portanto, um lugar onde eu vou para encher os olhos - como muitas vezes acaba acontecendo no teatro e na arte contemporânea, uma arte que se dirige mais ao olhar sensível. A arte, pelo menos se a gente for pegar a história da arte, sempre foi pensada, exceto em algumas correntes nos últimos dois séculos, como se dirigindo fundamentalmente à nossa inteligência através dos sentidos.

Eu venho dizendo há alguns anos que a formação do artista é também a construção de um olhar, de uma maneira de olhar, um olhar que pretenda compreender. E a nossa questão aqui é: eu como ator preciso desenvolver que tipo de olhar? Me parece que isto é algo que não fica claro para nós atores. Conta-se de um pintor que estava pintando um quadro e procurava de uma determinada cor que estava próxima do lilás, e ele não encontrava esta cor. Era um pintor que costumava ir muito aos museus, observava muito as obras de arte como inspiração e treinamento do olhar. E esse pintor, ainda atrás desse lilás, chama um coche para ir a um museu exatamente para ver se ele encontrava a porra do lilás que procurava. Quando chega o coche - era um dia iluminado, com muito sol -, era um coche todo amarelo, e quando ele viu o coche (vocês devem saber que existem cores complementares que irradiam-se em torno dos objetos - se você tem um objeto muito amarelo em torno dele você tem uma aura roxa, lilás, que é complementar do amarelo.), quando ele viu o coche ele disse: “não preciso mais ir ao museu”; voltou e preencheu a zona em torno desse ponto onde ele queria a cor com amarelo, e criou essa cor complementar. Ou seja, um pintor é alguém que tem um olhar afiado para cores, manchas, volumes, linhas... É alguém que aprende a olhar. Quem não consegue ver bem, não consegue desenhar bem, não consegue pintar bem, é óbvio. Claro que ele já tem esse talento natural, mas é algo que precisa ser desenvolvido. Um músico é alguém que ouve bem, alguém que consegue ouvir coisas que nós não ouvimos. Não é? A gente conhece músicos e fica às vezes assustado: “como é que esse cara está ouvindo tanta coisa? Eu não estou ouvindo nada disso.” Mas as coisas estão lá, ele é capaz de ouvir, ou seja, ele tem um ouvido treinado.

E nós atores temos que ter um olho treinado para o quê? Qual é a nossa matéria de trabalho? O que é que corresponde às linhas, volumes, cores no trabalho do ator? E isso liga-se com a questão do teatro grego: eu vou ao teatro para ver o quê? Para compreender o quê?

Parece-me que na formação do ator se descuida muito esse aspecto - a gente precisa ver teatro para aprender a fazer teatro. Nós estamos começando o Festival aqui, nós vamos passar ainda por vários debates. E o que eu tenho visto na maioria dos debates em outros festivais por aí, neste aqui também, em outras edições, é que o olhar das pessoas sobre o espetáculo é muito vago, é muito pouco definido. As pessoas não sabem para onde devem olhar. Isto resulta numa avaliação vaga, numa avaliação indefinida, baseada muito mais no gosto do que em dados objetivos; “gostei”, “não gostei”, “não me agrada”, “você poderia ser mais incisivo”, quer dizer, coisas que não se baseiam na obra propriamente dita mas em reações subjetivas.

Eu venho nos últimos anos discutindo muito um tema que me parece um pouco fora do nosso imaginário, do nosso campo de discussão, que é a nossa dificuldade em ser objetivos, em ver. Claro, nós estamos vivendo um período em que, há pelo menos 300 anos, a nossa civilização entrou numa relativização de todos as coisas. Começa com Descartes, na verdade começa com Guilherme de Ockam em 1350, passa por Descartes e chega em seu ápice com Kant, que chega à conclusão de que eu só posso saber o que eu percebo do mundo, mas não posso saber nada sobre o mundo propriamente dito; que eu não posso afirmar nada sobre a realidade externa, sempre ela é subjetiva. Nós vivemos ainda sobre a égide desse pensamento. A Academia, a Universidade inteira - não esta ou aquela, mas toda Universidade - vive sob a égide desse pensamento. Uma relativização de todas as coisas. A filosofia contemporânea inteira, a sociologia, a lingüística, etc., etc. De maneira que muitas vezes a gente não consegue ter um olhar objetivo sobre as coisas, e vivemos em nossa imaginação. O nosso imaginário se torna o filtro através do qual a gente vê as coisas.

Eu dizia que nos debates, muitas vezes (quando a gente está de fora é mais fácil ver do que quando a gente está de dentro), os diretores e atores quando falam sobre o seu espetáculo, eles falam sobre um espetáculo que eles imaginaram e não sobre o espetáculo que está lá. Não sei se vocês já perceberam isso, é muito comum. Eu imaginei determinadas coisas, eu tenho determinadas idéias sobre o espetáculo e eu não consigo confrontar essas idéias, essas imagens, com o objeto que é o próprio espetáculo. Aí vem todo aquele discurso: “tudo é relativo”; “isso é subjetivo”... Então eu gostaria que vocês refletissem - a nossa oficina busca um pouco isto - sobre a distância que há muitas vezes entre o que eu penso sobre as coisas ou o que eu imagino sobre as coisas e a maneira como elas de fato se apresentam a mim.

Mas voltando ao trabalho do ator, que matéria é essa que meu olho deve ser treinado para ver? Obviamente são as ações. A matéria do teatro, a matéria do ator são as ações. Fundamentalmente o ator é aquele que age - por definição. A melhor maneira que eu tenho encontrado nos últimos anos de explicar o que é uma ação, é baseada na teoria das quatro causas do Aristóteles.

Para Aristóteles, todo objeto, todo ente, tudo aquilo que existe no universo tem quatro causas. A causa eficiente, a causa formal, a causa material e a causa

final. Se a gente pensar isso num objeto qualquer, um objeto artificial - uma cadeira por exemplo - fica bastante claro para nós. Para que uma cadeira exista o que é preciso? Bom, primeiro precisa alguém que a faça; uma cadeira não aparece do nada. É o que Aristóteles chamava de causa eficiente. Segundo, ela precisa ter uma forma. O que é forma? É a estrutura interna dela, é a idéia dela (idéia no sentido Aristotélico - eidos). Terceiro, ela precisa de uma matéria da qual ela seja feita; eu não posso fazer uma cadeira de nada. Então eu vou ter sempre uma matéria, que é a causa material. E quarto, ela tem uma finalidade; aquilo é construído por alguma razão.

Aristóteles aplica isso ao universo inteiro, tanto ao universo artificial, quanto ao universo natural. Nós não vamos entrar aqui na questão do universo natural porque tem muita discussão nisso e nós vamos perder o rumo da nossa conversa. Então nós vamos nos limitar aos objetos artificiais. Nos objetos artificiais isso aí é de uma obviedade indiscutível. Numa obra de arte, por exemplo (numa cadeira), você sempre vai ter esses quatro elementos. No nosso comportamento isso aí é indiscutível também; a gente não faz nada, absolutamente nada, sem razão alguma. A gente pode até pensar que está fazendo sem razão, aí entra toda a teoria freudiana, da psicanálise e de todas psicologias que buscam encontrar as motivações ocultas em atos aparentemente sem sentido... e isso está por trás dessa teoria, ela parte desse princípio: não existe nada que aconteça por acaso. Então se você sonhou com alguma coisa deve ter alguma razão para isso, e ela vai atrás dessas razões.

Agora, se a gente se voltar para o ator - Stanislavski falava disso exaustivamente, não tenho nada de novo para dizer para vocês, talvez eu só esteja tentando pegar isso numa linguagem, a partir de alguns elementos mais acessíveis a nós - toda ação tem o que ele chamava de objetivo, e que o Aristóteles chamava de causa final, e é ela que move a ação. Dizia o Aristóteles que a causa final é que move, mas ela não move da mesma maneira que a causa eficiente - que é aquele que vai lá e faz, se movimenta e age para fazer a cadeira - ela move, de uma certa forma, como atração. Eu quero chegar naquele objetivo e portanto eu faço alguma coisa. É esse o sentido de movimento para a causa final, o objetivo.

Agora, no trabalho do ator a gente percebe que existe duas ações pelo menos, talvez três. Vamos pegar um espetáculo realista em que é mais fácil da gente pensar isso, mas isso se aplica, guardadas as transposições necessárias, para o teatro não-realista, para a dança, enfim, para qualquer uma das artes que chamamos hoje de performáticas. No teatro realista, você tem a ação da personagem - quando Stanislavski falava em objetivo ele estava se referindo a essa ação, ao objetivo da personagem. Digamos, quando Hamlet convence os atores a fazer aquele espetáculo com o texto que ele escreveu, qual era a finalidade dele? A finalidade dele era testar uma teoria... testar o que o fantasma falou para ele; ver se realmente o rei matou o pai dele ou não. Ele tem uma finalidade objetiva ali. Isso não pode ser esquecido pelo ator.

Bom, mas não é só essa ação que a gente tem no ator. Aliás essa ação não está no ator, está no imaginário do ator, às vezes muito mais no imaginário do público do que no imaginário do ator. Há uma confusão freqüente sobre isso entre os nossos atores: achar que há uma identificação de objetivo, ou mesmo de ser,

entre o ator e a personagem. Isso é uma grande bobagem; você não pode ser a personagem, por definição - você é você. Segundo, você não pode sentir as coisas que a personagem sente. Muitos atores se perdem nisso, tentando sentir o que a personagem sente, achando que memória afetiva em Stanislavski era isso - não era! É bem verdade que nos livros que a gente tem traduzidos do Stanislavsky, a linguagem é um pouco confusa e pode nos levar a pensar isto. Mas em outros momentos isso é objetivamente dito por ele: o ator não deve se preocupar em sentir, o ator tem que se preocupar em agir. O sentimento é decorrência da ação. E mais, o ator não sente as coisas que a personagem sente. Imagine se o ator que faz Otelo sentisse o que Otelo sente. Seria a produção mais cara do mundo; precisaria de uma atriz por dia, mais o enterro, etc., etc., ia sair muito cara essa produção. O que o ator sente é outra coisa - e não importa muito o que ele sente, importa o que ele faz.

Essa segunda ação do ator é uma ação que ele realiza sobre o seu próprio organismo psico-físico e sobre o espaço que o rodeia, sobre os outros atores, sobre o público... enfim, é a ação do criador propriamente dita. Aqui a gente colocaria que o ator é causa eficiente; a matéria é o seu próprio organismo psico-físico; a forma, a ação da personagem; e a finalidade é a própria obra.

Está dando para acompanhar? Porque aqui é que está o buraco, me parece. A finalidade é a própria obra. É o que Stanislavski chamava de superobjetivo. E é a própria obra enquanto sentido também - a obra tem um sentido - e não a própria obra em geral - “fazer teatro”. Me parece que este é um dos nossos equívocos fundamentais. Claro que na oficina a gente vai ter a oportunidade de fazer pequenos experimentos práticos que vão esclarecer isso um pouco melhor do que essa breve conversa que a gente está tendo. Mas eu vou tentar falar um pouco sobre isto, porque me parece que se a gente conseguir ver isso com mais clareza, nosso trabalho ganharia muito.

Uma vez que a ação da personagem é a causa formal do trabalho do ator, ela tem que estar muito presente nesse trabalho. O Stanislavski dizia uma coisa genial em relação a isto: o ator não pode pensar nunca em generalidades. E é a coisa que a gente mais faz.

Todos vocês devem ter tido essa experiência: você entra em cena, começa a desenvolver alguma coisa, o diretor pára e diz: mas você está fazendo isso por quê? Você está querendo o quê? “- Não, é que... é...” - a gente não sabe, é sempre muito geral. “- Não, é que... ela está querendo ser feliz.” Mas o que é isso, “querer ser feliz”? “Ela quer se vingar...” Mas o que é isso, “querer se vingar”? Isso é muito geral. É o que eu dizia antes, a gente vive num mundo muito abstrato. Porque o mundo da imaginação é um mundo abstrato, é um mundo esquemático. Quando você lembra de alguém, por exemplo - mesmo pessoas que você conhece intimamente, mesmo sua mãe - a imagem que você tem de sua mãe é um esquema, onde está faltando um monte de coisa, é abstrata. Como é que eu faço para concretizar isso, como ator? Como é que eu transformo isso em ação? Esta é a pergunta.

A imaginação do ator tem que ser uma imaginação que se encarna. Ou seja, é uma imaginação que não é puramente mental. A gente muitas vezes acha que a imaginação é uma espécie de filme que está lá na nossa cabeça. A gente reduz a imaginação à memória visual. Ok, nós temos mesmo um preponderância

do olhar na nossa percepção, mas quando eu transformo isso em ação, isso tem que se encarnar em meu corpo, ou seja, você tem que trabalhar com os seus cinco sentidos.

Jacques Copeau tem uma definição muito legal sobre o trabalho do ator, onde ele diz que o ator não mente, não é uma mentira o trabalho do ator, mas é uma espécie de ação (eu prefiro a palavra ação, ele fala em sentir o imaginário), uma ação diziam assim: não existe o teatro, existem teatros! Como se o plural resolvesse o problema. Mas quando você fala teatro você está falando do quê? E se é plural, é plural do quê? Isso é uma negação, de novo, tipicamente do mundo contemporâneo, uma negação das essências. Uma idéia de que as essências não existem. De uma certa forma, de fato elas não existem, porque elas só existem na coisa, não existe uma essência separada, uma essência pura, isso não existe mesmo. Mas a definição de teatro (talvez a mais apropriada, ou a que eu mais uso) é: alguém que age num plano ficcional diante de alguém que vê. Se você tiver isso você já tem teatro.

Nesse caso, por exemplo, que eu citava, um exercício onde a pessoa não sabe exatamente o que ela está fazendo, ela não tem claro um objetivo interno à cena. O que é que está acontecendo de fato? Eu concluí ao longo desses meus anos de trabalho que é a causa final que está errada. Não é que ela não tenha um objetivo, é que ela está com um objetivo equivocado. O objetivo dela é, por exemplo, resolver a cena. Ela entra para isso. Dá para entender onde é que está esse buraco?! Isso é fundamental! Digamos que você tem essa cena de que a gente falava, do Hamlet. Ele quer convencer os atores a fazerem um determinado espetáculo porque ele está interessado em revelar ou, pelo menos, em testar o rei. Esse objetivo é muitas vezes esquecido pelo ator e ele entra na cena para fazer teatro - é isso que está na cabeça dele, a gente vê isso nos espetáculos com muita freqüência, isso aí é o ponto a partir do qual o espetáculo começa a se degradar, começa a esvaziar. As pessoas já não repetem, já não refazem os espetáculos com os objetivos reais do espetáculo, mas com o objetivo de fazer de novo, de repetir; elas mudam o objetivo insensivelmente, e não percebem que estão mudando o objetivo. Agora mesmo com o espetáculo que eu estava dirigindo lá em São Paulo aconteceu isso no meio da temporada. Eles fizeram um espetáculo péssimo. E você vai ver por que é que isso acontece - é porque não há mais o impulso inicial que movia o ator; ele esqueceu daquele impulso e começa a gerar uma outra preocupação que é repetir e fazer o espetáculo bem feito. Isso quando havia uma ação originalmente.

Muitos atores têm como objetivo fundamental ser admirados. A pessoa está em cena não é para fazer teatro, não é para te dizer alguma coisa, mas é para que você diga alguma coisa para ela. Isso é maravilhoso. Nós precisamos identificar isso, porque isso está na cena.

Notem: a causa final está na cena. É ela que move o agente. Dito de outra maneira: a causa final determina a obra. E se ela determina a obra, eu posso identificá-la na obra. Há pouco tempo eu assisti um espetáculo, em uma mostra, que era uma série de histórias... Era um espetáculo composto de narrativas... E esse espetáculo era costurado por pequenas canções. Eram dois atores, um que tocava violão e cantava e o outro que fazia mais a narrativa e que também cantava. E acontecia uma coisa muito ruim no espetáculo: a narrativa era

maravilhosa, as músicas de ligação eram muito fracas. Quando entravam essas músicas o espetáculo caia lá em baixo. Aí, quando retomava a narrativa, o espetáculo vinha subindo e voltava para o ponto. Vendo o espetáculo imediatamente compreendi: esse ator, o violonista, é o compositor das músicas. Só pode ser isso. É a única razão para que essas músicas estejam costurando o espetáculo. E tiro e queda! Ele era o compositor das músicas. Dá para perceber? Quer dizer, o cara simplesmente ficou cego, ele deixou de ver a obra que estava construindo em função do desejo pessoal de mostrar suas músicas. E ele simplesmente fica cego mesmo. Porque se ele soubesse disso, tudo bem, estão me entendendo? O que nós estamos discutindo aqui é isso: o problema é que você cega, deixa de ver. O objetivo é tão forte que cobre, te cega. Porque se o cara lá entrasse em cena sabendo que ele quer ser admirado, ok, porque ele conseguiria transpor isso e poderia até vir a conseguir o seu intento, mas o problema é que ele não sabe disso e a direção não percebe isso também. Se o objetivo dele é “fazer teatro”, é “mudar o mundo”, isso é uma coisa muito vaga, muito ampla. Os objetivos precisam ser concretos.

E o que é essa ação dramática, então? Essa é a minha discussão há anos, quem me conhece sabe que esse é o tema corrente, obsessivo da minha discussão. Porque eu acho que a maioria dos nossos atores não compreende mais o que é a ação dramática.

Por exemplo, hoje em dia temos muitos espetáculos onde o objetivo é mostrar as habilidades adquiridas pelo elenco. Algumas pessoas que vêem na linha do teatro antropológico caem nisso. Não estou nem dizendo que o teatro antropológico cai nisso. Mas o cara adquiriu uma habilidade, passou meses, anos trabalhando para adquirir a porra daquela habilidade e ele não se contenta que aquilo seja apenas um elemento estrutural no seu trabalho, ele precisa mostrar para as pessoas a habilidade que ele tem. E aí você perdeu a dimensão da ação, e portanto a dimensão do sentido, e foi para a demonstração de habilidade, que é um fato circense e não teatral. Eu vou ao circo para ver habilidades desenvolvidas. Uma vez eu vi no programa do Jô Soares um treinador de orangotangos. Depois de demonstrar várias habilidades do orangotango, havia um número em que o orangotango comia, numa mesinha. O Jô perguntou-lhe: “Quanto tempo para fazer o orangotango comer no prato?” E o treinador respondeu: “Um ano só para fazê-lo pegar na colher.” E e é isto, você vai ao circo e aplaude porque o cara perdeu um ano da vida dele para fazer um orangotango pegar numa colher. É esse o sentido do circo. O Barba tem uma definição legal sobre isso - eu tenho as minhas diferenças com o Barba (e ele tá cagando pra isso, né?), mas o trabalho teórico dele tem um valor imenso... Eu costumo dizer que o Barba faz teatro comparado e não antropologia teatral - ele comparou várias formas de teatro e tirou os princípios que subjazem a todas elas, e é um trabalho brilhante, nenhum de vocês pode desconhecer a obra desse cara, especialmente o livro A Canoa de Papel, que para mim é o livro mais generoso do Eugênio Barba, e também o de maior utilidade para os atores. Mas, voltando, ele diz uma coisa que é muito legal nesse sentido. Ele diz: eu vou ao circo para ver algo que é incrível. Minha relação com o circo é essa, eu vejo o cara fazendo e percebo que eu não conseguiria fazer aquilo. Ele está demonstrando uma habilidade que eu não tenho. E eu vou ao teatro para ver algo que é crível. É o contrário. No teatro eu acredito

(ficcionalmente, é claro) no que está acontecendo. Então, toda demonstração de habilidade no teatro me distancia, no sentido de eu observar aquilo como circo, ou seja, como algo que não tem sentido senão a demonstração da habilidade.

Portanto toda ação, se tem uma causa final, tem um sentido. Teve um tempo que eu costumava dizer que num espetáculo ou num determinado momento não tem ação. Mas é preciso ir mais a fundo nisso. Na verdade é impossível que não tenham ações lá. De acordo com Aristóteles, tudo está agindo o tempo todo. O que ocorre é que a ação não é dramática, ou seja, a ação não é teatral. O objetivo do que o cara está fazendo não corresponde, não se integra no contexto do teatro. Por exemplo, uma ação cujo objetivo seja mostrar as habilidades do sujeito saiu do âmbito teatral. O cara que está te mostrando os belos pensamentos que ele teve, as coisas muito interessantes que ele tem a dizer, saiu do âmbito teatral.

Voltando à questão do olhar do ator - do olho do ator: para onde o nosso olhar tem que se dirigir no dia a dia? O que é que nós temos que observar? As ações e, portanto, os sentidos das coisas. Não de um ponto de vista crítico - não tenho que observar os homens como se eu fosse um técnico de laboratório, um crítico... aliás, você vai se tornar um chato se você for por esse caminho, que está sempre analisando, detectando o que é as pessoas estão querendo. Mas com amor. Ou seja, eu tenho que me colocar no lugar das pessoas e tentar perceber o que elas querem, por que é isso que está determinando a ação delas. Não é isso? Eu sei quem alguém é não pelo seu caráter, mas pelas suas ações. É o que o velho Aristóteles dizia. no teatro o caráter não é o mais importante, o caráter da personagem, mas a trama dos fatos, as ações. Eu sei quem alguém é pelas coisas que ele faz. Não adianta a pessoa me dizer: olha, eu sou muito generoso... A gente não acredita. A gente espera até ver essa pessoa numa situação tal que nos revele se realmente ela é generosa ou não. O que a gente fala sobre nós mesmos (e sobre os outros) tem pouca importância se comparado ao que a gente faz.

Bom, eu queria concluir a minha fala dizendo que nos últimos anos eu comecei a colocar como critério de avalição de um espetáculo - como jurado já tive meus problemas por causa disto - se o espetáculo é generoso. Porque uma obra de arte é feita para o público e um espetáculo que é feito para ser admirado, louvado, é um espetáculo que está fechado em si mesmo. Eu gosto de dizer que o ator é um presente que se dá. Então esse ato de generosidade, de doação, ele está por trás dessa ação do ator. Se você conseguisse ter isso mais claro você já eliminaria metade das ações equivocadas que você pode realizar em cena. Metade. A outra metade você tem que alcançar por outro caminho.

O Jacques Copeau tem uma frase definitiva sobre essa questão: “para o ator doar-se é tudo; mas para doar-se é preciso antes possuir-se”. Então esse olhar que pretende conhecer o outro, deve também ser um olhar objetivo e - aí sim muito cruel - em relação a nós mesmos. A gente também tem que observar nas nossas ações - o que de fato nos move. Porque nós somos muitas vezes grandes mentirosos em relação a nós mesmos. A gente doura a pílula. A gente está querendo uma coisa, mas pra não confessá-lo dizemos que estamos querendo outra. E isto para nós mesmos! Nós conseguimos enganar a nós mesmos, e isso é um verdadeiro prodígio.

Esse questionamento das ações no mundo, inclusive das minhas, ou talvez principalmente das minhas, é que pode me dar um conhecimento mais profundo da matéria (ou da forma, depende do ponto de vista) do ator, que é a ação.

Roberto Mallet é diretor, ator e professor. Em 1992 fundou o Grupo Tempo onde dirigiu os espetáculos Judite (1993), Abismo de Rosas (1994), Teresinha (1998), Canto de Outono (1999) e Drakul - paixão e morte (2002). Em 2001 voltou a trabalhar como ator, no monólogo Lições de Abismo, direção de Mario Santana. Cursou Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde conheceu Maria Helena Lopes (Grupo Tear), com quem estudou de 1980 a 1986, tendo trabalhado como escriba no espetáculo Os Reis Vagabundos (1982) e como ator em Crônica da Cidade Pequena (1984). Desde 1987 vem se dedicando também ao ensino, particularmente nas áreas de interpretação e teoria teatral. Foi professor na Universidade Regional de Blumenau (SC), de 1989 a 1992, e no Curso Livre de Formação de Atores do TUCA, de 1992 a 1994. Ministra freqüentemente workshops e oficinas. Atualmente é professor de interpretação no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Campinas – UNICAMP.

domingo, 13 de março de 2011

TEATRO PARA ESCAPAR - 1ª Edição

Diego Ferreira em "Travessia"


TEATRO PARA ESCAPAR – 1ª Edição
A mostra “Teatro para Escapar” é uma promoção do Grupo Válvula de Escape em comemoração ao 1º ano do grupo e ao Dia Internacional do Teatro comemorado no dia 27. Trata-se de uma mostra de 4 dias onde será compartilhado com o público filmes, espetáculos, debates, shows e um sarau. Todas as atividades terão entrada franca e acontecerá na Estação da Cultura, parceira do Grupo Válvula de Escape. Então convidamos todos para “Escapar” conosco.
Produção Grupo Válvula de Escape
Fone: (51) 8177.4446


Programação
24 de março – 5ª feira  - Porão da Estação
20h - “Jogo de Cena” – Filme de Eduardo Coitinho, seguido de debate.  
25 de março – 6ª feira – Porão da Estação
20h – “Travessia” – Exercício Teatral – Grupo Válvula de Escape.
20:30 h – Debate: Teatro Fora do Eixo: Existe vida teatral no interior? Possibilidades e Realidades nas Artes Cênicas do interior gaúcho.
26 de março – sábado - Porão da Estação
20h - “Assovio no vento escuro” seguido de debate.
27 de março – domingo -
16 h – Sarau Dramático mediado por Ana Denise Ulrich – Porão da Estação
17h – Show Simone Brás – Plataforma da Estação
18h – “Jaira – A Prostituta Nordestina” Stand-Up com Lis Machado. Plataforma.

 REALESE e SINOPSE das atividades

“JOGO DE CENA” - Atendendo a um anúncio de jornal, oitenta e três mulheres contaram suas histórias de vida num estúdio. Em junho de 2006, vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano, atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas. O que está em discussão é o caráter da representação. Neste filme, o jogo a ser jogado inclui pelo menos três camadas de representação: primeiro, personagens reais falam de sua própria vida; segundo, estas personagens se tornam modelos a desafiar atrizes; e, por fim, algumas atrizes jogam o jogo de falar de sua vida real.
Documentário, Brasil, 2007, 105 minutos, Direção de Eduardo Coutinho. Elenco: Andréia Beltrão, Marilia Pêra, Mary Sheila, Fernanda Torres entre outras.

 “TRAVESSIA” – Exercício Teatral resultado da pesquisa "Corpo e palavra: Criando sentido na cena a partir do texto teatral", apresentado como Trabalho de Conclusão do curso de teatro da Uergs em 2009, que se utilizava de textos do dramaturgo francês Bernard Marié Koltès para criação cênica, que originou a cena "Travessia", em que a cena foi transposta num porão de um navio, para falar de temas como a negritude, a violência, o encarceramento, dentre outros.
Orientação de Celina Alcântara. Direção e Atuação: Diego Ferreira. Produção do Grupo Válvula de Escape. Duração 15 minutos.  
"Assovio..." 
 “ASSOVIO NO VENTO ESCURO” - Teatro adulto - Releitura da obra clássica da literatura brasileira. A hora da estrela, de Clarice Lispector. O espetáculo é a visão do grupo acerca da vida de Macabéa, uma retirante nordestina semi-analfabeta, que era incompetente para a vida.
Direção e dramaturgia: Diego Ferreira.  Elenco: Ana Denise Ulrich, André Susin,
Leonardo Nunes, Lucimaura Rodrigues, Martina Nichel, Tuane Tain Bessi e Elton Ambrozi. Classificação: 14 anos. Duração 75 minutos.

Liz Machado em "Jaira"
 “JAIRA – A PROSTITUTA NORDESTINA” Stand-Up - Vinda do interior do Nordeste, Jaira próspera prostituta nordestina desenvolve um método de atendimento diferenciado aos clientes que a coloca a frente de qualquer outra colega de profissão. O show utiliza recursos de improvisação e stand-up, envolvendo os participantes e lhes propondo uma perspectiva bem humorada de estar dentro da cena ao invés de simplesmente contemplá-la. A personagem faz parte do show "Corpus Críthicus", do grupo de Humor "Carne de Segunda".
Elenco: Lis Machado - Duração: Aproximadamente 40 minutos.


SHOW COM SIMONE BRÁS Repertório de qualidade, mesclando MPB e internacional, nesta promissora cantora-performer.
DEBATE: TEATRO FORA DO EIXO: Existe vida teatral no interior? Possibilidades e Realidades nas Artes Cênicas do interior gaúcho.
Debate onde serão levantados e discutidos os problemas e soluções encontrados na produção de teatro e dança no interior do estado. Duração de 90 minutos.
SARAU DRAMÁTICO – Proposta onde serão oferecidos livros e textos de dramaturgia mundial, onde cada participante pode participar de forma espontânea, lendo e buscando através do fluxo das leituras criar uma dramaturgia efêmera. Mediação: Ana Ulrich. Duração 30 minutos.

 Mais informações através do e-mail escapeteatro@bol.com.br

NOVA TEMPORADA de "ASSOVIO NO VENTO ESCURO"


Amigos, o espetáculo "Assovio no Vento Escuro" do Grupo Válvula de Escape retornará a cartaz para 5 apresentações nos seguintes dias:
Dia 26 de março as 20 h dentro do "Teatro para Escapar"- Entrada Franca.
E nos dias 8,9, 15 e 16 de abril, sextas e sábados as 20 h na Estação da Cultura com ingressos a R$ 5,00. 
Para a temporada de abril temos o apoio do Sesc-Rs e estamos com a divulgação do espetáculo no pocket do SESC, quem quiser conferir acesse este LINK DO SESC e confira. 

sábado, 12 de março de 2011

SESSÃO DA CLASSE

Sessão da Classe vai dar o que falar...A Forra do Teatro por Renato Mendonça

Dias 14 e 15 de março20h, artistas no palco e na plateia doTeatro Renascença. Não haverá roteiro nem gênero definidos, mas é certo que haverá drama, comédia e algum pastelão. São dias de Sessão da Classe, quando a dança e o teatro gaúchos vão parar para discutir suas principais questões.

Enredo é o que não falta. O sucesso se mede pelos números da  bilheteria ou pelos avanços estéticos? Devemos nos conformar em sermos bancados pelo Poder Público e reunirmos na plateia apenas amigos e agregados? Estamos preparados para atrair os novos espectadores que surgirão nas asas do Vale-Cultura? Só se consegue público fazendo comédia?

Vou estar no palco como mediador e espectador privilegiado. Em 15 anos de jornalismo cultural, é algo que muito raramente presenciei: artistas despidos de personagens, tomando o rumo da história nas próprias mãos. Vamos ter final feliz? Na segunda noite é certo, porque o Breno promete espumante na confraternização do final da Sessão da Classe.

Espero que os dois debates sejam um ensaio geral para uma mobilização espetacular. Se no próximo dia 27 de março já está confirmada a Farra do Teatro, que nos dias 14 e 15 se faça a Forra do Teatro, lavação de figurino sujo, pino de luz nos problemas, tirar a maquiagem e dar a cara limpa a bater, começar logo a função que a TV a cabo, o passeio no shopping e o cinema com ar condicionado perfeito estão a devorar o público.

E não tem desculpa para não meter um caco nessa discussão. De dois em dois dias, até a Sessão da Classe, o blog Mais Teatro vai publicar provocações dos convidados, e cada um e todos os internautas podem e devem comentar os posts, garantindo o aquecimento do debate. 

Faltou dizer quem serão os debatedores – e vamos concordar que, com um elenco desses, o sucesso é garantido. Palmas (e perguntas, e críticas, e contra-argumentos) para:

No dia 14, Airton de Oliveira, Daniel Colin, Eva Schul, Patricia Fagundes e Zé Victor Castiel

No dia 15, Alexandre Vargas, Camilo de Lélis, Hamilton Leite, Marcelo Adams e Roberto Oliveira

"DIA DESMANCHADO" do Teatro Torto em Montenegro.

Espetáculo teatral solo do Teatro Torto com direção de Tatiana Cardoso e atuação de Marcelo Bulgarelli, livremente inspirado na obra “O ensaio” do dramaturgo norte americano Benjamin Bradford e baseado nos princípios que constituem a ação cênica dentro do sistema da biomecânica teatral, desenvolvida pelo encenador russo Meyerhold.



O espetáculo "Dia Desmanchado" é dirigido pela professora Tatiana Cardona (UERGS) e com Marcelo Bulgarelli (ator formado na Uergs). A peça foi vencedora de dois prêmios Açorianos 2010 oferecido pela Prefeitura de Porto Alegre nas categorias de Melhor Ator para Bulgarelli e melhor Trilha Sonora. 

Um homem estaria só em seu apartamento.
Ele esperaria. Ele ensaiaria um encontro.
Ela chegaria?
Num dia aparentemente comum,
um instante pode provocar uma ruptura.
Num jogo onde vários tempos coexistem, presente, passado e futuro se atravessam numa dança desmedida.
O dia se desmancha e o cotidiano é transformado
em uma dimensão de possíveis.

Dia 23 de Março as 20 hs
Teatro Therezinha Petry Cardona - Montenegro
Promoção: Rio Grande no Palco - Sesc-Rs.

Mais informações click no BLOG do espetáculo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

GRUPO GALPÃO ESTREIA NOVO ESPETÁCULO!

Galpão faz estreia nacional no Festival de Teatro de Curitiba


Sob direção de Yara de Novaes, grupo mineiro experimenta o teatro psicológico de Anton Tchekov, com Tio Vânia
O grupo mineiro Galpão está de volta ao Festival de Teatro de Curitiba para fazer a estreia nacional de Tio Vânia, um clássico da obra de Anton Tchekhov. Desta vez, a convidada para ‘experimentar’ a direção da companhia é a também mineira Yara de Novaes. Neste trabalho o grupo se volta ao chamado teatro psicológico. 
“Trabalhar com Tchekov é muito mais que conseguir realizar um texto, é realizar o que está sob este texto e acho que isso diz muito do momento pelo qual o Galpão passa”, observa Yara. “Tratar das relações psíquicas e dos fluxos emocionais que evocam no comportamento das pessoas exige maturidade e conhecimento humano, além claro, de amor pela arte e de gostar de abrir novos acessos”, completa. E é bem isso que ela observa no grupo. “São atores muito bem dotados que quando vão para o teatro psicológico fazem um mergulho vertical na personagem. Escolheram um ambiente em que as conexões do intérprete e do personagem estão a todo momento presentes, como se uma vida penetrasse na outra”, avalia. “Ao experimentar um outro teatro também estão criando novos ‘problemas’ para eles mesmos. Estão se lançando em uma viagem e isso sempre faz com que a gente avance”, completa.
Para o diretor que ‘experimenta’ um grupo assim, o efeito também é muito bacana. “Para dirigir um grupo coeso e com tanta história, antes de tudo, não se pode desconhecer essa história”, pondera e emenda. “É tão bonito observar aquele grupo, todos já envelhecidos e ainda tão libidinosos”, conta. “E eles entram naquela primeira cena todo dia para falar das questões que afligem o homem chegando aos 50, com aquela cara que expressa toda história deles, as dificuldades e as alegrias que passaram. E, pra mim, ali está o princípio da conexão com Ttchekov, porque estão falando deles mesmos. Lidar com um grupo assim é muito estimulante”, diz.  O Grupo Galpão, com quase 30 anos de estrada, trabalhou pela primeira vez com a dramaturgia tchecoviana (As Três Irmãs) em 2008 quando, junto com os diretores Eduardo Coutinho e Enrique Diaz, lançou-se em experimentos cênicos, que desaguaram no instigante filme Moscou, documentário dirigido por Coutinho.  Tio Vânia, peça escrita entre 1896 e 1897, tem como um de seus pilares temáticos a perda das ilusões e a conseqüente obrigação do homem de enfrentar o porvir. O espetáculo faz parte do projeto Viagem à Tchekhov, que além dessa peça também fará uma montagem com base nos contos do escritor e terá direção do russo Jurij Alschitz. Peça escrita entre 1896 e 1897 por Anton Tchekhov, Tio Vânia tem como um de seus temas centrais a perda inevitável das ilusões e a conseqüente obrigação do homem de enfrentar o futuro. 

Serviço
DRAMA | BELO HORIZONTE-MG| Teatro Bom Jesus. Dias 8 e 10/04 às 21h | Ingressos: R$25 e R$50. Locais de venda: www.festivaldecuritiba.com

sábado, 5 de março de 2011

'Wilma e Elza" selecionado para o 1º CinPoa do SATED


Gostaria de compartilhar que o espetáculo "Wilma e Elza" que eu dirigi em 2009 com o Grupo NEC - Núcleo de Experimentos Cenicos foi selecionado para participar do 1º CinPoa - Cena do interior em Porto Alegre, promovido pelo Sated-Rs. As apresentações vão acontecer nos dias 25,26 e 27 de março as 21h no Teatro Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mário Quintana. Espero todos lá para nos prestigiar.

Selecionados para o 1º CINPOA

Com 22 projetos inscritos de 14 cidades do estado, a comissão avaliadora composta por: Vinícius Cáurio - Presidente do SATED/RS, Fábio Cunha - Secretário Geral SATED/RS, Stella Bento - IEACEN, Guilherme Comelli - Sociedade Civil (Comunidade Artística) e Patrícia Sacchet - Sociedade Civil (Comunidade Artística) agradece a participação de todos e parabeniza os selecionados abaixo:
ADULTO
  • 1ª Temporada - 18, 19 e 20 de março (sexta, sábdo e domingo):
    ESCONDERIJO DO TEMPO - CRUZ ALTA
  • 2ª Temporada - 25, 26 e 27 de março (sexta, sábado e domingo):
    WILMA E ELZA - MONTENEGRO
  • 3ª Temporada - 29, 30 e 31 de março (terça, quarta e quinta):
    RETRATO - DOIS IRMÃOS
INFANTIL
  • 1ª Temporada - 18, 19 e 20 de março (sexta, sábado e domingo):
    O VALE DOS SONHOS - CAXIAS DO SUL
  • 2ª Temporada - 25, 26 e 27 de março (sexta, sábado e domingo):
    ARI AREIA - PASSO FUNDO
  • Suplente:
    AS AVENTURAS NO TREM DA LEITURA - CAXIAS DO SUL
CONVIDADOS
  • 1º - O AR QUE RESPIRAMOS JUNTOS - SÃO LEOPOLDO
  • 2º - O PALHAÇO BOLAXA - RIO GRANDE 
RealizaçãoSindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do RS - SATED/RS
ApoioServiço Social do Comércio - SESC/RS
Instituto Estadual de Artes Cênicas - IEACEN
Casa de Cultura Mário Quintana - CCMQ
Federação das Associações de Municípios do RS - FAMURS
Conselho dos Dirigentes Municipais de Cultura do RS - CODIC/FAMURS 
Parceiros
Studio bunker
RBSTV
Otto desenhos animados
Wz4b Studio digital
Fonte: SATED-RS

FESTA DO 1º ANO DO VÁLVULA DE ESCAPE


quinta-feira, 3 de março de 2011

CONGRESSO NACIONAL DE TEATRO


Nos dias 26 e 27 de março de 2011, a cidade de Osasco, através de sua Secretaria de Cultura, sediará o Congresso Brasileiro de Teatro. Proposto pela Cooperativa Paulista de Teatro, o evento conta com a adesão de mais de 100 coletivos teatrais de todo o país, entre os quais movimentos, redes, cooperativas, associações, sindicatos, fóruns, grupos e companhias.
O objetivo é estabelecer as plataformas de luta da categoria para os próximos anos. Para isso, propõe debater a implantação de um programa nacional de fomento ao teatro, discutir o Plano Setorial de Teatro que faz parte do Plano Nacional de Cultura e, ainda, pautar a luta contra a privatização de espaços culturais públicos.
O Congresso Brasileiro de Teatro ocupará os espaços da Secretaria Municipal de Cultura e a Escola de Artes de Osasco, onde são esperados mais 150 participantes.
Informações para imprensa: (11) 72836199 c/ Ney Piacentini.

terça-feira, 1 de março de 2011

1º ANO DO GRUPO VÁLVULA DE ESCAPE

Grande Válvula: André, Martina, Tuane, Lucimaura, Leonardo, Elton, Diego e Ana. Faltou a Adri na foto!

Hoje celebramos a passagem do 1º aniversário do Grupo Válvula de Escape. Estamos radiantes de alegria, pois alguns devem pensar, puxa, mas é apenas um ano, não, é motivo de comemorar sim, pois quem trabalha com arte, arte coletiva sabe o quanto é difícil gerar e fazer a manutenção constante de um coletivo, formado por pessoas diferentes, com suas individualidades, mas movidos pelo mesmo objetivo que é o de fazer teatro de modo sério, pautado na pesquisa e estudo acerca das artes cênicas contemporâneas. Diante das dificuldades é preciso comemorar e muito, pois em apenas um ano podemos enquanto grupo criar uma série de projetos que tem como por objetivo compartilhar conhecimentos sobre teatro. No ano passado além da construção do grupo   trabalhamos em vários projetos como:

  1. Manutenção do Blog "Válvula de Escape" - espaço dedicado a divulgação e estudos acerca do teatro e do mundo das artes e que já alcançou mais de 11.000 acessos.
  2. Workshop de teatro - oferecendo curso intensivo para 25 alunos.
  3. Oficina de Iniciação Teatral - Oficina realizada durante um semestre de 2010 para aqueles que gostariam de experimentar o teatro pela 1ª vez.
  4. Projeto Cena em Construção - Espaço para a realização de ensaios abertos e debates com o público.
  5. Projeto OLHAR(es) DA CENA - Espaço para troca de comentários críticos sobre o trabalho do grupo.
  6. Montagem e apresentação do espetáculo "ASSOVIO NO VENTO ESCURO" que realizou 1ª temporada com grande retorno do público e retorna em abril.
  7. "Teatro para Escapar" - Mostra comemorativa ao Dia Internacional do Teatro e ao 1º aniversário do grupo. 
  8. E este ano ganhamos através de edital público um subsídio para criação do nosso próximo trabalho "O Pequeno Príncipe".
Então, temos sim muitas coisas para comemorar, pois tivemos um ano intenso e cheio de coisas boas para nós e esperamos que neste ano seja um ano de bastante trabalho e oportunidades.
Agradecemos a todos que de alguma forma contribui para que este projeto se fortaleça e cria cada vez mais raízes e a todos os leitores do blog.
Grande Abraço do pessoal do Válvula: Adri da Cruz, na Denise Ulrich, André Susin, Diego Ferreira, Elton Ambrosi, Gabriela Tain Bessi, Leonardo Nunes, Lucimaura Rodrigues e Martina Nichel.
E esperamos todos amanhã na UERGS onde estaremos participando de um relato de experiência sobre o que movimenta as propostas do grupo.
E tem também de 24 a 27 de março o TEATRO PARA ESCAPAR na Estação da Cultura.

ESPECIALIZAÇÃO EM TEATRO NA UCS



A UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL

INFORMA QUE ESTÁ COM

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO


ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DO TEATRO


INÍCIO PREVISTO PARA ABRIL DE 2011


O Curso tem como objetivos oferecer subsídios teóricos, metodológicos e práticos para o desenvolvimento e aplicação de atividades dramáticas em escolas e outros espaços culturais; atender uma demanda cada vez maior de profissionais que, não tendo passado pela aprendizagem acadêmica do teatro, trabalham com esta disciplina na escola e que se interessam em ampliar os seus conhecimentos na área; proporcionar o entendimento dos processos de aquisição da linguagem do teatro, à luz dos conhecimentos desenvolvidos no campo da pedagogia do teatro e estimular a reflexão sobre a sua função cultural e social.
Estruturado em módulos, o curso contempla as seguintes disciplinas: História do Teatro; História do Teatro no Brasil; Da Poética à Recepção Teatral; Dramaturgia; Jogo e Teatro; Improvisação Teatral; Teatro de Formas Animadas; Cenografia e Indumentária; Corpo e Movimento; Voz e Canto; Interpretação Teatral; Metodologia do Ensino de Teatro; Metodologia de Pesquisa; Psicologia do Desenvolvimento; Apreciação de Espetáculos e Aulas de Teatro; O Teatro e a Cidade; Teatro e Musica Popular Brasileira; Teatro, Performance e Tecnologia; Artes Corporais no Processo de Ensino e Criação; Discussão de Aspectos Significativos das Artes Cênicas Contemporâneas.

Público-alvo: professores do Ensino Fundamental e Médio, licenciados e graduados em geral, que se interessem pela pedagogia do teatro.

Carga horária: 404 horas

Período de Realização: de abril de 2011 a setembro de 2012.

Informações e Inscrições:
Secretaria-Geral de Pós-Graduação
Cidade Universitária – Bloco 46, Sala 202 – Rua Francisco Getúlio Vargas, 1130
E-mail: posgrad@ucs.br Fone: (54) 3218 2800

Coordenação do Curso:
Ms. Magali Quadros
(54) 9975 9291
Maiores informações em UCS