sexta-feira, 1 de abril de 2011

ASSOVIO NO VENTO ESCURO 2ª temporada em ABRIL



2º Temporada do nosso espetáculo de estreia "ASSOVIO NO VENTO ESCURO", dias 8,9,15,16 de abril as 20h, com capacidade de 20 espectadores por sessão. CURTA TEMPORADA.

Veja abaixo o que já foi dito sobre o espetáculo "Assovio no Vento Escuro".

...Eu saí boquiaberto do espetáculo Assovio no Vento Escuro, do Grupo Válvula de Escape. Pasmo. Confesso que foi tudo acima do esperado. O ambiente – os porões da Estação da Cultura, em Montenegro – o jogo de luzes e sons, o desempenho dos atores, a sinergia da peça. (...) Pouco entendo de teatro, mas conheço a obra de Clarice Lispector, fundamentalmente o livro em que se baseia a peça, A Hora da Estrela. Uma obra complexa, difícil de ser adaptada fora da literatura, mas rica em conceitos e conteúdos. Pois a trupe de Diego Ferreira conseguiu tudo isto. E ir além. Não perdeu o foco, a essência, a mensagem, e talvez tenha dito até mais. Algo quase metafísico. O elenco arrasa, sem exceção. (...)  Enfim, fico sem argumentos pelo medo de ser piegas, (...) Mas a direção de Diego Ferreira é genial no detalhe, no charme da divulgação, na genialidade das cenas, no roteiro que resume sem perder um ponto fundamental sequer. A interatividade com o público, somada a essa coisa de que Clarice Lispector mostra, desnuda, nossos porões. Assovio no Vento Escuro é pura alma. É espetáculo de primeira grandeza, ao pé da letra. Como, ao pé da letra, é totalmente Clarice Lispector. Que os ventos nos tragam seus novos assovios, pois Válvula de Escape definitivamente é, sem dúvida, a melhor referência para uma parada e reflexão. 
Oscar Bessi Filho é escritor e Capitão da Brigada Militar

...Impossível iniciar qualquer assovio sem reverenciar as válvulas criadoras destes sons.(...) Me chama a atenção a sensibilidade deste espetáculo. Assovio no Vento Escuro para além de nos contar a história de Macabéa, fala diretamente aos nossos sentidos. E isto se dá por vários fatores. Talvez o principal deles seja o local que é co-autor desta obra. Não consigo imaginar este espetáculo acontecendo em um lugar que não seja o porão da Estação da Cultura, teria que se reinventar completamente. As paredes de pedra, o chão e as janelas pequenas auxiliam na criação de sentido e transportam a nossa imaginação para além deste próprio espaço. (...) Diego faz isso muito bem e ao mesmo tempo não me joga em uma ilusão capaz de me privar da racionalidade, me mostra que estou vendo teatro. Uma cena em especial merece destaque para ilustrar este aspecto: o momento em que duas atrizes representam a personagem Macabéa criando uma multiplicidade de focos típicos do teatro contemporâneo. Destaco ainda o conjunto de atores. Sinto que eles estão recheados deste contexto que os segura e os sustenta e isso reverbera de forma positiva no espetáculo. (...) 
Cássio Azeredo - Ator, Professor e Diretor do Teatro do Clã.

(...) Diferente de muitas releituras dramáticas de obras literárias, o espetáculo não necessita do livro como um manual para compreensão da peça. Também não foge às características do universo da Clarice. Isso se deve a uma feliz adaptação da obra narrativa para o texto dramático concebida pelo diretor Diego Ferreira com pinceladas filosóficas de André Susin. (...) O diretor é muito feliz também na concepção do espetáculo, pois surpreende ao assumir a teatralidade que busca na encenação. (...) O elenco é muito equilibrado. (...) A narradora nos guia pela mão nessa trajetória de vida da Macabéa e os atores representam muito bem sua sina. As metáforas da peça e a sensibilidade na atuação fazem com que o espetáculo seja muito rico. A direção do Diego Ferreira é muito feliz em suas escolhas. (...) 
Marcos Cardoso - Ator e Professor - Teatro do Clã.

(...) O Grupo Válvula de Escape estréia a peça “Assovio no Vento escuro” trazendo o texto de Clarice Lispector à expressão melhor da dramaturgia. O texto escolhido “À hora da estrela” é resistente a encenação pela riqueza de frases, de textura própria da autora. Porém, o grupo veste esta roupagem e faz disto o fio próprio de seu tecer.(...) O texto é denso e leve, falado e lido naquilo que a leitura de fato oferece: a invenção. As palavras da escritora são transcritas, reinventadas no jogo de luz, sons, interpretação e tempo.De fato, a angústia da criação deixa a mostra a nudez de todos que ali estão. Não há como não inventar palavras enquanto estamos na cena.E estamos todos na cena com Macabea, Clarice,Olimpico,escrita,Glória,músico,menina,morte,cartomante,futuro,solidão.Não saímos impunes.O grupo nos oferece esta condição. (...) Saímos estarrecidos desta estréia! Parabenizo a todos da cena, principalmente os artistas que representaram esta expressão de um si mesmo. (...) 
Adriana Bandeira é Psicanalista, Escritora e Colunista do Jornal O Progresso.


(...) me surpreendi! A maneira como utilizaram o espaço, desde a rua até o porão. (...) O grupo todo estava numa energia que me levava junto com a história, (...) Eu sabia que veria trabalho, dedicação, pesquisa. E vi. O Diego é um diretor muito dedicado, posso dizer isso por experiência própria. E a maneira como orientou o grupo, adaptação do texto, tudo tinha um olhar preocupado e cuidadoso, com a “cara” de Diego Ferreira.(...) 
Tuti Kerber - Atriz - Teatro do Clã.



3º FESTIVAL DE TEATRO DE RUA DE PORTO ALEGRE

O Festival inicia hoje e vai até o dia 12 nas ruas de Porto Alegre.
"Será que o teatro de rua estaria apartado da contemporaneidade?" É à luz dessa pergunta que estabelecemos as bases da 3º Edição do Festival. Assim consolidamos pontes entre o tradicional e o contemporâneo, no entanto do ponto de vista da criação cultural, ambas podem estar entre a experimentação inovadora e critica e a repetição conservadora. Ambicionamos ultrapassar a questão e transitar nos contextos do saber dentro das mutações contemporâneas. objetivamos ampliar as fronteiras da teoria para diagnosticar sistemas de saber no Teatro de Rua nos processos contemporâneos e na fisionomia da cena de rua em Porto Alegre. 
Alexandre Vargas, Coordenador Geral.


ESPETÁCULOS

CIA. CARROÇA DE MAMULENGOS / Juazeiro do Norte, CE
08 abril - 17h30 - Esquina Democrática
09 abril - 17h - Parque dos Maias/Praça Jorge dos Santos Rosa
10 abril - 17h30 - Brique da Redenção
CIA DOS PÉS / São José do Rio Preto, SP
08 abril - 18h30 - Rua da Praia/Borges de Medeiros
09 abril - 18h - Bairro Cristo Redentor/Praça Arco Verde
10 abril - 18h30 - Brique da Redenção/Monumento Expedicionário
ERRO GRUPO / Florianópolis, SC
08 abril - 17h40 - Rua da Praia/Ladeira
09 abril - 15h - Restinga/Praça da Esplanada
10 abril - 16h40 - Brique da Redenção
NÓIS DE TEATRO / Fortaleza, CE
08 abril - 17h20 - Rua da Praia/Praça da Alfândega
09 abril - 17h40 - Bairro Bom Jesus
10 abril - 19h - Brique da Redenção
DE PERNAS PRO AR / Canoas, RS
08 abril - 17h40 - Rua da Praia/Em frente ao Shopping Rua da Praia
09 abril - 16h - Parque Germânia
10 abril - 14h40 - Brique da Redenção
CIA. STRAVAGANZA / Porto Alegre, RS
08 abril - 17h30 - Rua da Praia/Esquina com a Uruguai
09 abril - 16h30 - Lomba do Pinheiro/Vila Panorama
10 abril - 12h - Brique da Redenção
TEATRO VAGAMUNDO / Santa Maria, RS
08 abril - 17h30 - Rua da Praia/Em frente ao Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo
09 abril - 15h30 - Vila Maria da Conceição
10 abril - 15h30 - Brique da Redenção
CAIXA-PRETA / Porto Alegre, RS
08 abril - 16h50 - Rua da Praia/Praça da Alfândega
09 abril - 16h - Parque Moinhos de Vento/Parcão
10 abril - 13h - Brique da Redenção
A CAMBADA DE TEATRO em ação direta levanta favela / Porto Alegre, RS
08 abril - 17h20 - Rua da Praia/Esquina com Marechal Floriano
09 abril - 15h - Morro Santana/Praça da Tijuca
10 abril - 10h - Brique da Redenção
GRUPO MANJERICÃO / Porto Alegre, RS
08 abril - 17h50 - Rua da Praia/Esquina com Marechal Floriano
09 abril - 15h30 - Bairro Navegantes/Vila Mário Quintana
10 abril - 11h - Brique da Redenção
 WORKSHOP
“Material Criativo do Trabalho de Ator e a Dramaturgia do Espaço Urbano” 

Duração: de 01 a 07 de abril (4h por dia, das 18h às 22h) encerramento com apresentação no dia 8 de abril as 18h 30, na Rua da Praia.
As inscrições podem ser feitas, mediante a entrega de Currículo e Carta de Intenção, na Coordenação de Artes Cênicas até 30 de março (Centro Municipal de Cultura, Av. Erico Veríssimo, 307 - Cep: 90160-181 - Telefones 3289 8064 / 3289 80 61.
 SEMINÁRIO
Teatro de Rua “Processos Contemporâneos III”
Será solicitado 1kg de alimento não perecível para assistir ao seminário, esses serão doados ao Programa Fome Zero.

O Teatro de Rua nos processos contemporâneos e a fisionomia da cena de rua em Porto Alegre: Como se dá as marcas de tais relações? Os “Contextos do Saber” e as “Mutações Contemporâneas” e como os grupos teatrais se inserem nessas transformações.

Mediação de Renato Mendonça, jornalista e crítico teatral.
As inscrições podem ser feitas na Coordenação de Artes Cênicas (Centro Municipal de Cultura, Av. Erico Veríssimo, 307 - Cep: 90160-181 - Telefones 3289 8064 / 3289 80 61.
1º dia – quinta-feira, 7 de abril
Das 18h às 20h
Teatro RENASCENÇA 
(Av. Érico Veríssimo, 307)
Conferência
“Mutações Contemporâneas”
"Talvez as mídias táticas sejam um bom exemplo dessa mutação na lógica da resistência no seio da multidão, indo além das figuras clássicas da recusa e da negatividade. Mas como elas funcionam no contexto das novas segmentações, sobretudo num país como o Brasil, com sua herança histórica, em que regimes diversos de exclusão e segmentação se sobrepõem? É à luz dessa pergunta que eu terminarei a minha exposição, com a intuição de que diante dela vocês esboçaram respostas concretas e das mais instigantes, forjando ou detectando novas modalidades de resistência, de conexão, de comunidade, de agenciamento, de dissenso, de embaralhamento, de apropriação e de escape. . ."
Peter Pál Pelbart é filósofo e ensaísta. Nasceu em Budapest, estudou em Paris e atualmente vive em São Paulo, onde é professor titular de filosofia contemporânea na Pontifícia Universidade Católica. Publicou os seguintes livros: Da Clausura do Fora ao Fora da Clausura: Loucura e Desrazão (Brasiliense, 1989); A Nau do Tempo-rei: 7 ensaios sobre o tempo da Loucura (Imago, 1993); O Tempo não-reconciliado (Perspectiva, 1998); A vertigem por um fio: Políticas da subjetividade contemporânea (Iluminuras, 2000) e Vida Capital: ensaios de biopolítica (Iluminuras, 2003). Traduziu para o portugês, de Gilles Deleuze, Conversações, Crítica e Clínica e parte de Mil Platôs V (todos pela Ed. 34). Há doze anos coordena um projeto de teatro com pacientes ditos psicóticos. Esta experiência resultou na constituição da Cia Teatral Ueinzz, com um histórico de mais de duzentas apresentações no circuito cultural brasileiro e internacional.

2º dia – segunda-feira, 11 de abril
Das 15h às 18h
Teatro RENASCENÇA
 (Av. Érico Veríssimo, 307)
Webconferência Espanha/Brasil
“Arte Como Experiência Estética e Investigação Como Forma de Produzir Saberes”
“A relação entre artes e ciência, ou entre estética e conhecimento teórico percorre toda a cultura contemporânea como um conflito sintomático que se manifesta de distintas maneiras. Na conferência se analisam as implicações deste conflito reformulado em termos de práticas (artísitcas), pensadas para produzir algum tipo de efeito social, frente a investigação (teórica) que com frequencia é acusada de estar a margem da sociedade. Deste modo, em termos teóricos, passamos do nascimento da subjetividade moderna, à experiência como base do fato artístico e o desenvolvimento das Humanidades como disciplina acadêmica - conforme Foucault – à outro enfoque que parte da ideia de praxis ligada aos campos da natureza, do trabalho e da política, seguindo as abordagens de Hannah Arendt,  Giorgio Agamben e Paolo Virno, para chegar a ideia de arte ou ciência como formas também de ação, deixando de ver a dimensão fundamentalmente  social destas práticas.”
Óscar Cornago é investigador do Centro de Humanidades e Ciências Sociais do Conselho Superior de Investigações Cientificas de Madrid. Seu trabalho tem se especializado na história do teatro contemporâneo e teoria das mídias. Entre seus últimos livros se encontram La vanguardia teatral en España (1965-1975): del ritual al juego, Pensar la teatralidad y Resistir en la era de los medios: estrategias performativas en literatura, teatro, cine y televisión. Tem estudado e documentado a obra de artistas da cena contemporânea da Espanha e Latino-americana em livros como Políticas de la palabra, Éticas del cuerpo y Acercamientos a lo real.
Das 19h às 21h
Conferência
“Os Contextos do Saber: Representações, Comunidade e Cultura”
“Há um tema que interessa muito: nossas concepções dominantes sobre os saberes são sustentadas por um ideal que os separa de suas origens humanas. Somente poderemos alcançar o saber se nos libertamos das ilusões de nossa percepção, dos mal-entendidos e vieses de nossa cultura, dos interesses da política e das paixões que determinam nossa vida emocional. Libertar-se de sua substância humana parece ser a condição necessária para a emergência do conhecimento enquanto verdade: para isto ele deve renunciar à pessoa, à sociedade e à cultura. . .”
Sandra Jovchelovitch é internacionalmente reconhecida pelo seu trabalho no campo das representações sociais e é considerada uma das mais influentes psicólogas sociais trabalhando na Europa hoje. É professora e diretora do Instituto de Psicologia da London School of Economics and Political Science e dirige o Programa de Mestrado em Psicologia Social e Cultural. No Brasil, Jovchelovitch também dirige, com Pedrinho Guareschi, a coleção Psicologia Social Contemporânea, da Editora Vozes. Já publicou Representações Sociais e Espaço Público: A Construção Simbólica dos Espaços Públicos no Brasil (2000) e Textos em Representações Sociais (1994).Seu ultimo livro, Os Contextos do Saber: Representações, comunidade e cultura, foi traduzido pela Vozes e lançado no Brasil em 2008.
3º dia – terça-feira, 12 de abril
Às 18h
Teatro RENASCENÇA 
(Av. Érico Veríssimo, 307).
Lançamento do Livro “Teatro de Rua no Brasil – a primeira década do terceiro milênio”
Sinopse: A publicação visa dar visibilidade à produção brasileira de teatro de rua nos primeiros dez anos do século XXI, de modo a possibilitar um panorama atual sobre o seu desenvolvimento e organização.
Autores:
Licko Turle, professor e diretor teatral, é carioca. Iniciou suas atividades profissionais com Augusto Boal, em 1986, com quem funda, em 1989, o CTO - Centro de Teatro do Oprimido e participa do projeto Teatro-legislativo. Em 1995, se transfere para o grupo Tá Na Rua, dirigido por Amir Haddad. Em 1999, abre o Instituto Tá Na Rua para as Artes, Educação e Cidadania. Licenciado em Letras, pela Uerj, mestre e doutorando em teatro pela Unirio, é associado efetivo da Abrace - Associação Brasileira de Pesquisadores da Pós-Graduação em Artes Cênicas.
Jussara Trindade, natural de Londrina, PR. Mestre e doutoranda em teatro pela Unirio. Como pesquisadora teatral realizou os seguintes trabalhos: A Liturgia Carnavalizada de Amir Haddad e do Grupo Tá Na Rua (8º Programa de Bolsas Rioarte/2003); A Pedagogia Teatral do Grupo Tá Na Rua (Capes, 2007). Coorganizadora do livro e DVD Tá Na Rua: teatro sem arquitetura, dramaturgia sem literatura, ator sem papel (2008), resultantes do Projeto Memória Tá Na Rua (Programa Petrobras Cultural/2005). É membro da Abrace - Associação Brasileira de Pesquisadores da Pós-Graduação em Artes Cênicas.
O Livro estará a venda no Renascença no dia do lançamento, valor R$ 30,00
Editora: E-papers - Posteriormente estará a venda no site www.e-papers.com.br

Das 19h às 21h
“A Fisionomia da Cena de Rua em Porto Alegre e as Marcas de tais Relações”
O lugar e o significado da experiência do teatro de rua em Porto Alegre na produção contemporânea Brasileira, por Kil Abreu e Rosyane Trotta.
Kil Abreu é jornalista, crítico e pesquisador do teatro, brasileiro. Pós-graduado em Artes pela Escola de Comunicação e Artes da USP, desenvolve pesquisa sobre dramaturgias contemporâneas no Brasil. Foi crítico do jornal Folha de São Paulo, curador do Festival de Curitiba e dirigiu o Departamento de Teatro da Prefeitura de São Paulo. É curador do Festival Recife do Teatro nacional. Atualmente é colaborador da revista Bravo!, faz parte do júri do Prêmio Shell de teatro e coordena o Núcleo de Estudos do Teatro Contemporâneo da Escola Livre de Teatro de Santo André.
Rosyane Trotta Diretora, autora, ensaísta, pesquisadora e professora. Discípula dileta do crítico Yan Michalski, especializa-se no tema de teatro de grupo, pesquisando seus princípios, conceitos, metodologias e mudanças no decorrer das décadas. Possui mestrado em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (1995) e doutorado em Teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (2008). Atualmente é professora da UNI-RIO. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Direção Teatral, atuando principalmente nos seguintes temas: encenação, dramaturgia e processo criativo. Tradutora, juntamente com o crítico Yan Michalski, A Arte do Ator, de Jean-Jacques Roubine, pela Zahar, 1988. Publicou, em co-autoria com Michalski, Teatro e Estado - As Companhias Oficiais de Teatro no Brasil, pela Ed.Hucitec, 1992.
MOSTRA FOTOGRÁFICA TEATRO DE RUA
É o resultado do trabalho conjunto das turmas do curso superior de Tecnologia em Fotografia da ULBRA Canoas. As fotos foram produzidas no primeiro semestre de 2010, durante o 2º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, com o objetivo de refinar o olhar na busca de um clique certeiro com as características fundamentais do teatro de rua.
Coordenação é do professor Fernando Pires. 
A exposição é gratuita e fica aberta ao público de 01 a 12 de abril, no Deck do Estúdio Vitrine da Oi FM, Rua Padre Chagas, 347, de segunda a sexta – das 9h às 18h. Informações na Coordenação de Artes Cênicas de Porto Algre (51) 3289 8064 / 3289 80 61.

quinta-feira, 31 de março de 2011

OFICINA DE MONTAGEM TEATRAL - Criação em espaço não-convencional


Grupo Válvula de Escape
promove:
OFICINA DE MONTAGEM TEATRAL
Criação Teatral em Espaço não-convencional
Esta oficina é direcionada tanto para aquelas pessoas que pretendem iniciar-se na arte teatral, quanto para aquelas que buscam no teatro uma ferramenta de desibinição, sociabilização e diversão. Permite ao aluno um aprofundamento do fazer teatral destinada a quem não possui experiência anterior e/ou pouca experiência. A partir de jogos específicos de teatro que desenvolvam sua presença cênica, o aluno é instigado a criar personagens e cenas com total liberdade de expressão, exercitando assim sua autonomia e confiança. Montagem de conclusão no final da oficina.
1º Módulo - Proporcionará o primeiro contato com o teatro, trabalhando sintonia de grupo, expressão corporal e vocal, realizando jogos dramáticos assim como improvisações. Este módulo se encerra no final do primeiro semestre com uma mostra de processo aberta ao público. Experimentação da criação teatral em espaço não-convencional.
2º Módulo - Proporcionará a vivência teatral através da montagem de um espetáculo em espaço não-convencional. Produção de cenários, figurinos, iluminação e divulgação do trabalho de conclusão, envolvendo todos os participantes desta oficina com temporada marcada para dezembro deste ano.

OFICINA DE MONTAGEM TEATRAL –
Criação Teatral em Espaço não-convencional
Turma - 2ª feiras das 19h às 21h
Local - Estação da Cultura – Montenegro.
INVESTIMENTO:
1º Módulo – 4 parcelas de R$ 40,00 (1ª matrícula + 3 parcelas) ou R$ 150,00 a vista.
De 4 de abril até 11 de julho de 2011. 15 encontros- 30 h
2º Módulo – 4 parcelas de R$ 40,00 (1ª matrícula + 3 parcelas) ou R$ 150,00 a vista.
De 1º de agosto até 28 de novembro de 2011. 18 encontros – 36 h
Pagamento a vista do curso completo (10% desconto) = R$ 270,00
Total de 33 encontros- 66 h.
Apresentação ao público nos dias 1,2 e 3 de Dezembro as 20 h na Estação da Cultura.

PÚBLICO-ALVO:
Pessoas a partir de 14 anos que tenham interesse em fazer teatro para conhecer e explorar o universo das artes cênicas por motivos profissionais – relacionados ao desejo de atuar profissionalmente em algum dos âmbitos desta área; ou pessoais – desejo de desinibição, socialização, vivências coletivas, etc. 
METODOLOGIA:
O curso é composto de 08 (oito) meses de aulas práticas, seminários teóricos, e uma Mostra Teatral aberta a público (CERTIFICADO DE CONCLUSÃO), e a participação nos Eventos e Mostras do Grupo Válvula de Escape.   
Abordagem de textos teatrais e suas possibilidades cênicas; exercícios corporais de alongamento, aquecimento e ritmo cênico; leitura dramática; jogos de concentração, desinibição, socialização e dramatização; treinamento físico e vocal, seminários teóricos sobre História do Teatro Ocidental e história do Teatro Brasileiro. Criação de personagem, ensaios; apresentação do espetáculo teatral para o público.
PROFESSOR:
Diego Ferreira – Ator, Professor e Diretor do Grupo válvula de Escape graduado em Teatro pela Uergs.
COMO SE INSCREVER:
Telefone: (51) 8177.4446 ou escapeteatro@bol.com.br solicitando ficha de inscrição.
Maiores informações no blog:  http://escapeteatro.blogspot.com/
AVALIAÇÃO:
Será feita de acordo com a participação do aluno em aula e apresentação de trabalho cênico a ser criado e ensaiado na etapa final do curso. Serão consideradas a pontualidade e a freqüência mínima de 75%.

Seminário: Música da Cena

segunda-feira, 28 de março de 2011

DIA DESMANCHADO - Comentário Crítico


Na quarta-feira, dia 23 de março, a peça “O Dia Desmanchado” do Grupo Torto de Porto Alegre apresentou-se em Montenegro, com a bela atuação de Marcelo Bulgarelli. A proposta da dramaturgia era a de trabalhar a interpenetração das diversas temporalidades no instante, da intersecção do presente, do passado e do futuro no momento fugidio do aqui e do agora. Não se resolvia apenas na finitude que caracteriza fundamentalmente nossa condição humana, mas nas diversas camadas de tempo que se cruzam em nossas ações. A espera, a projeção de um encontro amoroso futuro, modifica nosso comportamento no presente, destila potencialidades de sentido ocultos em nossos gestos, sobredetermina a relação que mantemos com os objetos que nos rodeiam. Do mesmo modo, a rememoração das potencialidades não realizadas do passado altera nossa visão do presente que busca realizá-las no futuro. É isso que W.Benjamin tem em mente quando fala das potencialidades de emancipação que as revoluções passadas frustradas guardavam no seu interior e que devem ser atualizadas no futuro. Não se trata de que o presente guarda o passado e projeta o futuro, mas de que o presente só existe na medida em que ele se lança para frente de maneira a tomar consistência; do mesmo modo, o passado só adquire sua necessidade retrospectivamente, ele é postulado a partir de uma posição vazia e contingente. Após o surgimento do evento amoroso, todos os acontecimentos passados adquirem um novo contorno como se tivessem existido apenas para dar origem a este evento. Um outro exemplo pode ser apanhado do lado da função do olho humano: ele não apenas capta a forma de um objeto exterior, mas inscreve aquilo que ele realmente vê em uma trama de recordações e antecipações que ampliam a gama de sentidos dessa realidade vista. A realidade nunca é percebida puramente, pois, ao contrário da opinião padrão, ela não é fechada, imóvel, autoconsistente. Ela é permeada de inconsistências, falhas e lacunas que são preenchidas pela fantasia, isto é, a realidade, anterior à percepção consciente, é um fluido incessante de potencialidades que são coaguladas, que a fantasia reduz uma realidade positivamente constituída.  No entanto, gostaria de ressaltar, não tanto as técnicas e princípios da biomecânica que orientaram o processo da peça – cujo conteúdo desconheço, e que são muito bem dominados por Marcelo – mas de dois aspectos correlatos a estes princípios. Como Marcelo enfatizou, a composição da sua atuação tomou a partitura musical como modelo, sendo que suas ações são ritmadas, construídas segundo um compasso temporal que se repete e varia nas diversas cenas. Contudo, o primeiro aspecto que gostaria de destacar diz respeito à desestruturação do corpo, ao “desmanche” do organismo em órgãos autônomos. A mão e a perna que se destacam do corpo, que ganham uma certa independência com relação à vontade subjetiva do personagem, não podem ser encaradas como expressões da personalidade solitária e sonhadora que viveria em uma temporalidade mecânica e vazia. A mão e as demais partes do seu corpo que o carregam a despeito de sua intencionalidade racional indicam a separação dos órgãos de sua organicidade imaginária (eu sou aquele que controla os seus movimentos) de modo que eles flutuam ao seu redor, manifestando uma intensidade mecânica que se move para além do sentido, que não podem ser relacionadas com alguma identidade psicológica do personagem. Uma intensidade flutuante, o fato dos órgãos desse corpo funcionarem de uma maneira desprovida de intencionalidade consciente, é algo desprovido de significado e que só ganha alguma consistência em virtude de sua repetição (aí sim pode-se identificar algum sentido ou perceber alguma tonalidade afetiva neles). Pois qual seria o significado social, o contexto narrativo, que desvendaria o sentido dessa repetição de gestos, desses órgãos separados e autônomos? Seria a representação da alienação do sujeito imerso em mundo que foge do seu controle, o simples desespero silencioso da mecanicidade da cotidianidade das vidas? Muitas das cenas da peça lembram a comédia de palhaços em que o órgão que se desprende do corpo representa um excesso, algo que se apresenta em sua plena autonomização: a mão que continua a abanar mesmo após ter cessado a intenção do agente, que se agarra aos objetos e não os solta, que se volta contra a própria pessoa procurando matá-la, etc. E isso acaba introduzindo o segundo aspecto que gostaria de ressaltar rapidamente: a desintegração da fantasia, da ilusão que sustenta a realidade, que dá as coordenadas que nos permitem movimentar entre os objetos, reconhecê-los. É bom ressaltar que a fantasia está sempre do lado da realidade, é aquilo que dá à realidade a sua consistência e sua ilusão de plenitude; ao mesmo tempo é aquilo que nos diz como desejar, quais são os objetos do nosso desejo. Bom, o que resta depois que a fantasia é desmanchada, em que o encontro amoroso e os preparativos fracassam? Nada, um espaço vazio em que as coisas circulam e continuam a assombrar o sujeito. Ou talvez a aparição da mosca gigantesca em seu sonho seja a indicação do encontro traumático com um Real que permanece o núcleo não diluído, não desmanchado desse dia que, na sua repetição, sempre introduz algo novo, descobre camadas temporais insuspeitas no presente.

Postado por André Susin - Mestre em Filosofia UFRGS. Ator e músico do Grupo Válvula de Escape

domingo, 27 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DO TEATRO


Hoje, 27 de março, é uma data especial para nós que fazemos ou assistimos teatro. É comemorado o dia internacional do teatro. Nós do Grupo Válvula preparamos uma mostra de quatro dias para comemorar este dia e hoje é o último dia de uma intensa programação. Agradecemos a presença de todos e esperamos para o encerramento hoje. Abaixo um texto sobre este dia.
O dia mundial do teatro foi criado em 1961, pelo Instituto Internacional do Teatro (ITI), data da inauguração do Teatro das Nações, em Paris.
O marco principal do surgimento do teatro foi a reunião de um grupo de pessoas em uma pedreira, que se reuniram nas proximidades de uma fogueira para se aquecer do frio.
A fogueira fazia refletir a imagem das pessoas na parede, o que levou um rapaz a se levantar e fazer gestos engraçados que se refletiam em sombras. Um texto improvisado acompanhava as imagens, trazendo a ideia de personagens fracos, fortes, oprimidos, opressores e até de Deus e do diabo, segundo conta Margarida Saraiva, da Escola Superior de Teatro e Cinema, de Portugal.
A representação existe desde os tempos primitivos, quando os homens imitavam os animais, para contar aos outros como eles eram e o que faziam, se eram bravos, se atacavam, ou seja, era a necessidade de comunicação entre os homens.
As homenagens aos deuses também favoreceram o aparecimento do teatro. Na época das colheitas da uva, as pessoas faziam encenações em agradecimento ao deus Dionísio (deus do vinho), pela boa safra de uvas colhidas, assim, sacrificavam um bode, trazendo para a comemoração os primeiros indícios da tragédia.
Os povos da Grécia antiga transformaram essas encenações em arte, criando os primeiros espaços próprios, para que fossem divulgadas suas ideias, as mitologias, agradecimentos aos vários deuses, dentre outros assuntos.
O gênero trágico foi o primeiro a aparecer, retratava o sofrimento do homem, sua luta contra a fatalidade, as causas da nobreza, numa linguagem bem rica e diversificada. Os maiores escritores da tragédia foram Sófocles e Eurípedes.
Nessa época, somente os homens podiam representar, assim, diante da necessidade de simular os papéis femininos, as primeiras máscaras foram criadas e mais tarde transformadas nas faces que representam a tragédia e a comédia; máscaras que simbolizam o teatro.
O gênero cômico surgiu para satirizar os excessos, as falsidades, as mesquinharias. Um dos principais autores de comédia foi Aristófanes, que escreveu mais de quarenta peças teatrais.
Nas primeiras representações, a comédia não foi bem vista, pois os homens da época valorizavam muito mais a tragédia, considerando-a mais rica e bonita. Somente com o surgimento da democracia, no século V a.C, a comédia passou a ser mais aceita, como forma de ridicularizar os principais fatos políticos da época.
Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola

sábado, 26 de março de 2011

Hoje tem "ASSOVIO NO VENTO ESCURO"!

Hoje dentro da Mostra: Teatro para Escapar teremos o nosso espetáculo "Assovio no vento Escuro" as 20 hs com ENTRADA FRANCA, senhas a partir das 19:30hs na Estação da Cultura.


sexta-feira, 25 de março de 2011

"TRAVESSIA" hoje na Mostra: Teatro para escapar


Seguindo a programação da Mostra: Teatro para Escapar, hoje será apresentado "TRAVESSIA - Exercício Cênico" do Grupo Válvula de Escape com atuação de Diego Ferreira. Será as 20h na Estação da Cultura em Montenegro.  Esperamos todos para escapar conosco!

quinta-feira, 24 de março de 2011

OLHAR (es) DA CENA por CÁSSIO AZEREDO

Elton Ambrozí - Nosso músico-ator-performer em cena de "Assovio..."


Assovio em grupo ou sensibilidade em cena.
Impossível iniciar qualquer assovio sem reverenciar as válvulas criadoras destes sons. Digo isto porque falar deste espetáculo é antes de mais nada falar da própria formação deste grupo. Percebo que o interesse maior, anterior a montagem do espetáculo, é a construção de um grupo conciso que possa permanecer junto, crescer e se descobrir enquanto grupo. Isso me interessa tanto quanto o espetáculo. E digo isto porque acredito fielmente que teatro se faz em grupo. Não se trata apenas da montagem de um espetáculo, mas todo o entorno da criação. Concordo com Paulo José quando diz que
 “fazer teatro é uma coisa, montar peça é outra. (...) Fazer teatro é um processo contínuo no qual a peça em cartaz é apenas um aspecto de um trabalho que vai resultar em outro espetáculo, em outro em outro, desenvolvendo uma linguagem, uma temática, uma forma particular de fazer teatro. Montar uma peça é diferente é um fato isolado com elenco de várias procedências difícil de harmonizar. Quando a temporada acaba aquele elenco se desfaz cada um vai para um lado não sobra nada, talvez umas fotos uns recortes de jornal e só. Por isso eu costumo dizer que o teatro vivo só se realiza nos teatros de Grupo.”
E essa tentativa de fazer teatro de grupo se percebe no Escape. Até porque depois de finalizado o espetáculo me parece que o resultado mais importante são as vivências, as descobertas que o grupo experenciou. Ele que é a alma, a essência, a vertente criadora, agora está re-criado partindo em busca de novas experiências.
Errar ou acertar em um espetáculo tem menor peso quando se está em grupo. Até porque compreendo o espetáculo teatral como sendo imensamente tentativa, muitas vezes erro, e algumas vezes acerto... A questão central perpassa esses valores, pois são as tentativas que nos trazem os erros que por, sua vez, nos conduzem a mudar a direção e esbarrar em possíveis acertos e eles nos inspiram em novas tentativas. Este processo dinâmico me parece ser o mais interessante do fazer teatral, e isto se evidencia em teatros de grupo como no Válvula de Escape.
Agora sim, depois de uma breve reflexão acerca da poética deste grupo, me sinto mais a vontade para falar da cena, tarefa que me foi solicitada já há algum tempo.
Me chama a atenção a sensibilidade deste espetáculo. Assovio no Vento Escuro para além de nos contar a história de Macabéa, a retirante nordestina que tenta ganhar a vida no Rio de Janeiro, fala diretamente aos nossos sentidos. E isto se dá por vários fatores. Talvez o principal deles seja o local que é co-autor desta obra. Não consigo imaginar este espetáculo acontecendo em um lugar que não seja o porão da Estação da Cultura, teria que se reinventar completamente. As paredes de pedra, o chão e as janelas pequenas auxiliam na criação de sentido e transportam a nossa imaginação para além deste próprio espaço. Outro fator que auxilia na comunicação do espetáculo com os meus sentidos é a proximidade cênica. Estou geograficamente dentro do espaço-tempo proposto pelo espetáculo. Nesta condição eu sinto a respiração do ator, quase posso tocá-lo o que de alguma maneira me faz sentir parte da encenação. Quanto mais próximo o teatro estiver das pessoas evidenciando sua característica primordial que é ser uma arte da presença, melhor é. Diego faz isso muito bem e ao mesmo tempo não me joga em uma ilusão capaz de me privar da racionalidade, me mostra que estou vendo teatro. Uma cena em especial merece destaque para ilustrar este aspecto: o momento em que duas atrizes representam a personagem Macabéa criando uma multiplicidade de focos típicos do teatro contemporâneo. Destaco ainda o conjunto de atores. Sinto que eles estão recheados deste contexto que os segura e os sustenta e isso reverbera de forma positiva no espetáculo. Destaco também a atuação de Tuane Bessi (quando eu a conheci era apenas a Gabi!) que consegue me surpreender com um tom irônico, inocente e ao mesmo tempo denso. Obviamente é preciso mencionar os demais atores, como a Lucimaura que nos conduz firmemente nesta viajem e dita o ritmo desta melodia, o menino Leonardo Nunes, que tem uma cumplicidade muito forte no olhar, a Ana Denise Ulrich, que nos intimida com a sua cartomante, ou ainda a Martina Nichel que consegue me fazer sentir a Macabéa principalmente nas vírgulas, nas entrelinhas, nos tempos de silêncio. Poder-se-ia dizer que a trilha sonora apenas cumpriria sua função não fosse o acerto do diretor em expor o músico como parte integrante do todo.
Proponho ainda pensar um pouco sobre a questão da iluminação. Gosto dos abajures, mas algumas vezes eles deixam de cumprir a função primordial da iluminação que é tornar os atores visíveis ao público. Não se trata de ter uma luz cênica convencional, mas apenas direcioná-las com maior intensidade para a cena. Em alguns momentos sinto falta de dialogar com o espaço através da luz de forma que ela possa também auxiliar na criação de sentidos. Alguns focos de luz que surgissem das janelas (da rua para dentro), bem como valorizar através da luz alguns locais das paredes de pedra poderiam contribuir muito nesta construção. Destaco de forma positiva a “sensação barroca” que a iluminação cria, pois ela sempre direciona o meu olhar para onde é mais necessário. Se tivéssemos tempo sugeriria explorar este caminho como uma possível proposta de iluminação.   
Espero sinceramente que o espetáculo não encontre o seu fim prematuro nesta temporada. Algumas questões amadurecem somente com o tempo e com a prática e acredito que o espetáculo ainda tem muito a crescer. Recordo-me de uma frase de Pierre Soulages que diz “o que eu faço me esclarece o que eu procuro”, e neste aspecto o fazer ainda traria novas inquietações. Todavia, espero que a experiência deste assovio, reverbere no trabalho do grupo e que os sustente em novas escapadas!

Cássio Azeredo é ator, professor e diretor de teatro. Graduado em Teatro pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e pós graduando em Metodologia do Ensino da Arte pela FACINTER. É fundador do Teatro do Clã e atualmente dirige o espetáculo O Rei Cego.

PIAZZOLLA COREOGRAFADO - Troupe Xipô

Mostra: TEATRO PARA ESCAPAR inicia hoje!

Pessoal, nossa Mostra: Teatro para escapar inicia hoje as 20 h no Porão da Estação da Cultura com a exibição do documentário "Jogo de Cena" de Eduardo Coutinho. Apoio do SESC - Montenegro. Abaixo comentário que eu fiz sobre o filme aqui no blog no dia 28 de setembro de 2010.
Acesse o link: http://escapeteatro.blogspot.com/2010/09/jogo-de-cena-cinema-para-ouvir.html

“JOGO DE CENA” - CINEMA PARA OUVIR




Sempre pensei que documentário é aquele tipo de filme em que nos dispomos a acreditar, pois o que veriamos seria a mais pura realidade, porém editada. Confesso que esse estilo de filmes não me chamavam muito a atenção, pois era só eu ler a descrição “documentário” já torcia o nariz, por puro pré-conceito mesmo ou talvez pelo fato das experiências anteriores com este gênero não serem muito agradáveis, pois associava a documentário, uma gama de imagens sobre determinado assunto real com uma voz em “off” ou a presença de um narrador imparcial expondo sobre determinado assunto. Enfim, eis que acabo de assistir a “Jogo de Cena” de Eduardo Coutinho, o que muda radicalmente este meu pensamento, e que de certa forma me levará a procurar mais sobre documentários. JOGO DE CENA é um dos melhores filmes que já assisti na minha vida, é simplesmente simples e maravilhoso. Quem não viu vale a pena ver, para conhecer as diversas histórias da vida real dessas mulheres guerreiras e fantásticas. Para quem gosta do gênero, esse filme é de apaixonar. Eu me apaixonei!

A proposta é muito simples: Atendendo a um anúncio de jornal, oitenta e três mulheres contaram suas histórias de vida num estúdio. Em junho de 2006, vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano, atrizes interpretaram a seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas. Mas aí é que reside o trunfo deste projeto, pois estamos simplesmente assistindo mulheres contando suas histórias de vida, histórias tristes, dramáticas, poéticas, absurdas e alegres, histórias REAIS. O que teria demais nisso: nada! O maravilhoso é justamente quando Coutinho coloca atrizes para contar essas histórias, e ao mesmo tempo em que assistimos a versão da pessoa que narra e vivenciou a história, assistimos também atrizes contando a mesma história. É ousado, poético, simples e lindo. Mas Coutinho não para por aí não. Ele consegue enganar o espectador quando coloca atrizes desconhecidas do grande público para contar histórias de outras mulheres. Às vezes eu pensava que estava ouvindo a história de sua autora, digamos, mas não, era uma atriz! Que esfacelamento do olhar, que sacada triunfal. Poxa, isso é Brecht, puro distanciamento! O diretor acaba trabalhando justamente sobre detalhes, como o que as pessoas dizem e o que as pessoas são. Ele consegue nos mostrar uma nova construção do olhar, pois quando vejo a Andréia Beltrão (ma-ra-vi-lho-sa como sempre), quando vejo a Marília Pêra, a Fernanda Torres, sei que elas estão contando uma história, sei que são atrizes exercendo suas profissões, e, portanto sei que é ilusão, é cinema, é teatro, é Brecht, mesmo sem uma construção de ficção, elas criam ficção, é metalinguagem, constroem outros que não são elas. Mas por exemplo, a primeira cena é feita pela atriz Mary Sheyla, contando uma estória que ela mesma vivenciou, e ali eu não sei o que é? É ficção, é cinema, é teatro ou é real? Inclusive esta mesma atriz, representa um trecho da tragédia “Gota D’água” de Chico Buarque e me faz “babar”, sério, pois com o mínimo ela consegue o máximo, consegue tudo (temos que pensar sobre isso no teatro), é de chorar a cena e sua história de vida. Mas durante o desenrolar do filme fico pensando, será que ela estava realmente contando a sua história ou estava interpretando a história de outras? É justamente essa a lógica, ou melhor, essa não-lógica do filme, que eu admiro e aplaudo em pé (Soube que quando exibido no Festival de Gramado em 2007, o público realmente aplaudiu em pé, ovacionando o filme). Minha crença foi posta a prova até o limite, “crer ou não crer eis a questão”, se era real ou ficção, mas o que importa é romper com esse limite e embarcar no fluxo das histórias, rir, chorar, ter compaixão das artimanhas da vida, ou da representação, já nem sei mais se eu sou eu, ou se sou um personagem de mim mesmo.  
Nesse jogo, jogamos todos nós. Jogam as mulheres, atrizes ou não com um misto de teatro e cinema, (cinema-teatralizado!), que exige de cada uma a melhor performance. Joga Coutinho que também é um fingidor quando entrevista as atrizes, tentando encontrar o mesmo tom quando entrevistou as mulheres. E jogamos nós, espectadores com a dúvida, a surpresa e o jogo exposto á nossa percepção.
O documentarista Coutinho acaba criando um longa que trata de inúmeros assuntos que vão desde as atrizes comentando o método de memória emotiva de Stanislavski (o mais famoso teórico sobre direção de atores) até a exclusão social, preconceito, e gravidez na adolescência e, principalmente, discussões sobre relações familiares. Muitos depoimentos se confundem, até mesmo as atrizes famosas contam suas histórias e as menos famosas se perdem por entre as anônimas, de forma que nunca temos certeza de quem eram as atrizes e quem eram as entrevistadas. Estas acabam mexendo com as atrizes de maneira que elas nunca conseguem ser indiferentes ao texto.
 Quanto as atrizes, tem as mais conhecidas temos as veteranas Marília Pêra, Andréa Beltrão e Fernanda Torres, que, aliás, tem um dos melhores momentos do longa, insatisfeita com sua interpretação e inconformada em não conseguir alcançar o tom certo da "personagem". Beltrão (que eu admiro e muito, o filme “Verônica” é muito bom), também tem momentos ótimos durante seu depoimento/interpretação, quando começa a chorar no meio da entrevista e, ao final desta, revela que não tinha o choro programado. A busca em seus entrevistados por intimidades, rendem lições, derrotas, amores e vitórias. Ninguém penetra melhor na alma de um entrevistado de forma que a imagem sirva apenas como um elo entre o espectador e os depoentes. O diretor está interessado em seus discursos, que nos atingem com tamanha emoção, incomum ao gênero documentário. Eduardo Coutinho nos proporciona um prazer único: ouvir o cinema.
Jogo de Cena é o décimo longa-metragem de Eduardo Coutinho, um dos maiores documentaristas brasileiros em atividade. Depois de um início de carreira dividido entre a ficção e o documentário, Coutinho optou pelo segundo.  Mais recentemente, iniciou uma fase muito produtiva com a realização seguida de cinco filmes em seis anos: Santo Forte (1999), Babilônia 2000 (2000), Edifício Master (2002), Peões (2004) e O Fim e o Princípio (2005). A solidez do método de Coutinho e sua sensibilidade para ouvir pessoas comuns são fruto de laboriosa reflexão sobre o seu ofício ao longo de inúmeros documentários em vídeo realizados nas décadas de 80 e 90, entre os quais se destacam Santa Marta: Duas Semanas no Morro(1987) e Boca de Lixo (1992).

terça-feira, 22 de março de 2011

DIA DESMANCHADO amanhã em Montenegro

Amanhã as 20 hs o ator Marcelo Bulgareli subirá ao palco do Teatro Therezinha Petry Cardona as 20 h para apresentar o seu "Dia Desmanchado" com direção de Tatiana Cardoso, vencedor de Dois prêmios Açorianos de Teatro 2010. Estaremos presentes lá para assistir este espetáculo que promete! 

TEATRO PARA ESCAPAR - De 24 a 27 de março