domingo, 6 de maio de 2012

A FARSA DO ADVOGADO PATHELIN (SP)



11/05 - 16h - Largo Glênio Peres

13/05 - 12h - Redenção
Grupo Rosa dos Ventos (SP) | Gênero: circo e teatro de rua | Classificação etária: livre | Duração: 65min | Entrada Franca


Um espetáculo de teatro de rua que propõe uma saborosa fusão entre circo e teatro. Um trabalho instigante, atual e curioso que utiliza o jogo do palhaço, acrobacia, malabarismo, pernas de pau e música ao vivo para contar a história do advogado Pathelin, engenhoso trapaceiro que, diante das penúrias causadas por sua ruína financeira, sobrevive de pequenos golpes em troca de alguns parcos benefícios. O espetáculo mexe com os poderes morais e políticos, levando à cena seres alucinados pela pobreza e pelos humores do baixo ventre, entorpecidos pela oportunidade de trapacear a todos e a si próprios.
Elenco: Fernando Ávila Gabriel Mungo, Robson Toma e Tiago Munhoz
Direção: Roberto Rosa
Trilha e Música original: Robson Toma
Figurinos e cenografia: Criação Coletiva

Este espetáculo integra a programação do FESTIVAL PALCO GIRATÓRIO

sábado, 5 de maio de 2012

GIRA LENDA (RS)

Teatro Bruno Kiefer da CCMQ
Dia 9 de Maio as 10h e 15h
Dia 10 de Maio as 15h

GIRA LENDA 

Musical com poemas e canções de Viviane Juguero, criadas a partir dos personagens folclóricos Saci, Cuca, Lobisomen, velho do saco, Bicho Papão e Iara. 
O trabalho foi concebido para o quadro LENDAS FOLCLÓRICAS do programa de rádio DING, 
LING, RATAPLÁ , do Bando de Brincantes, onde dialoga com as crianças desde agosto de 2011, com 
excelente receptividade. 

GIRA LENDA estreia em maio, no Mês do Brincar, tendo apresentações no Teatro Bruno Kiefer e na 
Sala Lili Inventa o Mundo da Casa de Cultura Mário Quintana.   
Em cena, três brincantes, transmutam-se nos diferentes personagens, tocam diversos instrumentos musicais e realizam movimentos acrobáticos solo e em grupo, criando uma atmosfera de folguedo popular. 

Com esse trabalho, o Bando de Brincantes dá continuidade à sua trajetória de valorizar a identidade das pessoas com a cultura de seu povo, assim como foi feito nos trabalhos “Canto de Cravo e Rosa” e “Romualdo, a Chácara e o Rosilho”.

Gira Lenda
Poemas e canções: Viviane Juguero; Direção e iluminação: Jessé Oliveira; Brincantes em cena:
Viviane Juguero, Éder Rosa e Wagner Madeira; Coordenação da construção de materiais -
Wagner Madeira; Treinamento acrobático - Éder Rosa; Preparação vocal - Viviane Juguero;
ilustrações: Anderson Rosa dos Santos
Ingressos: R$ 10,00

VILA TARSILA (SP)



09/05 - 15h - Teatro Renascença

Cia. Druw (SP) | Gênero: dança / infantil | Classificação etária: crianças e adolescentes (acima de 5 anos de idade) | Duração: 60min


Em um roteiro que valoriza o lúdico, “Vila Tarsila” joga luzes nas memórias de infância de Tarsila do Amaral. Miriam Druwe em parceria com Cristiane Paoli Quito transportam o espectador ao mundo antropofágico da artista, demonstrando que sua obra nasceu das experiências visuais das inúmerasviagens realizadas e das brincadeiras que recheavam as tardes na fazenda onde vivia em Capivari, interior de São Paulo, onde podia correr livremente entre pedras, árvores, cactus e brincar com bonecas feitas de mato, em contraponto com a educação francesa que recebeu de seus pais.
Direção Geral e Artística: Miriam Druwe

Concepção e criação: Miriam Druwe e Cristiane Paoli Quito
Roteiro e Direção Cênica: Cristiane Paoli Quito
Interpretes: Adriana Guidotte, Anderson Gouveia, Bruna Petito, Elizandro Carneiro,
Luciana Paes, Miriam Druwe, Tatiana Guimarães e Weidy Barbosa
Voz: Luciana Paes
Texto: Miriam Druwe
Cenário e figurino: Marco Lima
Desenho de luz: Marisa Bentivegna
Trilha sonora: Natália Mallo
Vídeo Cenário: Felipe Sztutman
Operador de Luz: Marcel Gilber

O grupo: 

A companhia foi criada em 1996, com sede na cidade de São Paulo pela bailarina e coreógrafa Miriam Druwe, desenvolvendo um trabalho cujo principal objetivo é experimentar novas possibilidades de pesquisa e criação dentro de uma linguagem própria. Seus temas percorrem caminhos variados, com um estilo coreográfico que passeia de forma bem humorada e reflexiva por temas do cotidiano e questões internas e externas da natureza humana. A Cia.
Druw tem como proposta de linguagem, o estudo e desenvolvimento da técnica contemporânea que vem sendo pesquisada e estruturada por Miriam Druwe.
O estudo contínuo desta técnica junto a bailarinos vem trazendo resultados positivos na qualidade de movimentos, execução, interpretação e pesquisa, ampliando formas e contextos na dança. Cia. Druw desenvolve atividades de formação artística que vai desde o estudo técnico aplicado aos seus integrantes e estudantes interessados em aprimoramento, bem como a criação de espetáculos que possam contribuir para a formação de público em geral, com temas atuais e de interesse geral, levando seus trabalhos em teatros e escolas públicas.
Visite o site da Cia. DRUW
ESTE ESPETÁCULO INTEGRA A PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL PALCO GIRATÓRIO


CAVALO MARINHO (PE)



08/05 - 18h - Largo Glênio Peres
Grupo Grial de Dança (PE) | Gênero: teatro / dança / rua | Classificação etária: livre | Duração: 90min | Entrada Franca

O Cavalo Marinho é um dos folguedos mais ricos da Zona da Mata Pernambucana.
Uma brincadeira de tradição onde uma miríade de personagens desfila ao som de instrumentos tocados ao vivo com muita poesia cantada, teatralizada, dançada e uma forte (e estranha) beleza de gestos e cores de uma ópera milenar popular e festiva. Hoje em dia, restam poucos representantes dessa brincadeira, mas os que ainda seguram este estandarte brincam com tamanha força poética e destreza que são capazes de transformar ideias. O Grial foi tocado por essa gente e, há 15 anos, essa tradição popular vem burilando o seu universo estético contemporâneo. Alguns dos grupos de tradição que realizam essa brincadeira estão aqui representados: O Cavalo Marinho “Estrela de Ouro”, o “Estrela Brilhante”, o “Estrela do Oriente” e o “Boi Brasileiro”. Juntam-se, hoje, para nos fazer conhecer partes dessa brincadeira, conquistar públicos e alargar campos.

Direção Geral: Maria Paula Costa Rêgo e Mestre Biu
Intérpretes: Aldene Nascimento, Dayse Marques, Emerson Dias, Fabio Soares e Maria Paula Costa Rêgo
Cavalo Marinho Estrela de Ouro: Mestre Biu Alexandre, Sebastião Martelo, Aguinaldo da Silva, Risoaldo da Silva, Vinha da Silva e Bmilo da Silva
Cavalo Marinho Estrela Brilhante: Nice Teles
Cavalo Marinho Estrela do Oriente: Mestre Inácio Jacinto
Cavalo Marinho Boi Brasileiro: Luís Paixão
Cenotécnica e Sonoplastia: Almir Negreiros
Iluminação: Luciana Raposo
Produção Executiva: Carla Carvalho

O grupo:
Em 1997, o grupo é criado por Ariano Suassuna (poeta, escritor, membro da Academia Brasileira de Letras) e Maria Paula Costa Rêgo (formada em Dança pela Universidade da Sorbonne - Paris, ex-bailarina do Balé Popular de Recife e da Cia. de Dança Les Passagers - Paris). Ariano, mentor do Movimento Armorial, buscava retomar a pesquisa sobre a linguagem da dança e encontrou em Maria Paula o fio condutor necessário para transformar a ideia em movimento. São 15 anos de amadurecimento que transformaram e deram densidade à proposta estética do Grupo Grial de Dança. Os brincantes que serviam de objeto de pesquisa hoje são o corpo de dança do Grial. A cultura popular, que entrou no grupo como inspiração, tornou-se o cerne das suas criações coreográficas nos últimos 6 anos, muitas delas criadas a partir de prêmios e editais nacionais. Cada resultado da pesquisa feita pelo Grial resulta num brasão histórico em forma de coreografia que provoca os sentimentos do público e emociona ao representar as manifestações populares com a nobreza a que, frequentemente, só a arte erudita tem se dedicado.
Este espetáculo integra a programação do FESTIVAL PALCO GIRATÓRIO:

MÚSICA PARA CORTAR OS PULSOS (RJ)



10/05 - 15h e 20h 
11/05 - 15H E 20h 
Teatro SESC Centro
Empório de Teatro Sortido (RJ) | Gênero: teatro adulto / juvenil | Classificação etária: 12 anos | Duração: 60min
Em dez cenas curtas, as histórias amorosas de três jovens se desenrolam com a intensidade (e ao som) das músicas para cortar os pulsos: Isabela sofre porque foi abandonada, Felipe quer se apaixonar e Ricardo, seu amigo, está apaixonado por ele.
Espetáculo estreado em outubro de 2010 na cidade de São Paulo, mirando a comunicação com um público jovem que em geral encontra-se negligenciado pelas produções teatrais. Cumpriu duas bem sucedidas temporadas, com ingressos esgotados, reações entusiasmadas dos espectadores e reconhecimento crítico, figurando entre as “10 Melhores Peças em Cartaz” no ranking da revista Veja SP, e vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) 2010 na categoria “Melhor Peça Jovem” , além do Troféu Ítalo Rossi 2011 de Melhor Espetáculo e Melhor Direção.

Autoria de texto e direção: Rafael Gomes
Elenco: Fábio Lucindo, Mayara Constantino e Victor Mendes
Cenografia: André Cortez
Iluminação: Marisa Bentivegna
Figurino: Anne Cerutti
Operador de luz: Renato Franco
Direção de produção: Isabel Sachs

O grupo: 
A jovem companhia Empório de Teatro Sortido foi criada em 2010 por Rafael Gomes e Vinicius Calderoni com o projeto de abarcar diversas dimensões da cena contemporânea. Ambos formados cineastas, mas também se desdobrando pela dramaturgia em cinema, TV e teatro - além de um destacado trabalho musical como compositor e intérprete, no caso de Vinicius - estabeleceram um coletivo que tem por meta a encenação sólida de textos clássicos e contemporâneos, permitindo-se o intercâmbio com outras artes, manifestações e tecnologias. Da mesma forma, as produções da Empório também arriscam-se na dramaturgia própria, tentando dar conta, por vias diversas, das inquietações do mundo contemporâneo, seja no aspecto emocional, tecnológico ou artístico.
Acesse o blog do espetáculo MÚSICA PARA CORTAR OS PULSOS

Este espetáculo integra a programação do FESTIVAL PALCO GIRATÓRIO

sexta-feira, 4 de maio de 2012

CABARET DE MADAME CECY (RS)


VESTIDO COMO PARECE (RS)


[...] ROTEIRO ESCRITO COM A PENA DE GALHOFA E A TINTA DO INCONFORMISMO (PR)



08/05 - 20h - Sala Carlos Carvalho
Pausa Cia. (PR) | Gênero: teatro adulto | Classificação etária: livre | Duração: 60min

Um cachorro manipulado arfa e sentencia: “A vida é boa!” No instante seguinte cai morto e, com ele, os atores Rodrigo Ferrarini, Renata Hardy, Pablito Kucarz e Andrea Obrecht igualmente desfalecem. Tal qual Brás Cubas, é pelo fim que começa […]Roteiro Escrito com a Pena da Galhofa e a Tinta do Inconformismo, peça feita a partir de contos e outros escritos de Machado de Assis. O roteiro final, assinado por Fernando Kinas, costura intervenções dos atores a contos como “Pai contra Mãe”, no qual um pai decide capturar uma escrava fugitiva grávida para sustentar o filho com a recompensa; e “Ideias de um Canário”, sobre uma ave que define o mundo a partir do pouco que vê.
Textos: Machado de Assis e Fernando Kinas
Roteiro: Fernando Kinas
Criação e Elenco: Pablito Kucarz, Renata Hardy, Rodrigo Ferrarini e Andrea Obrecht
Iluminação: Nadja Naira
Operação de Luz: Nina Rosa
Direção Musical: Marcelo Torrone
Operação de Sonoplatia e Montagem: Anderson Quinsler
Cenário: Fernando Marés
Figurinos: Paulo Vinícius
Cenotécnico: Sérgio Richter
Voz Off: Luthero Almeida
Trilha sonora: Marcelo Torrone

O grupo: 
Grupo fundado e formado por um núcleo de cinco atores. Em 2004, a companhia produziu seu primeiro espetáculo, Gravidade Zero, monólogo de Mário Bortolotto, dirigido por Emília Hardy e interpretado pelo ator Gabriel Gorosito.
Em agosto de 2005, produziu Aperitivos, seis textos curtos de Mark Harvey Levine, inéditos no Brasil. A peça, dirigida por Marcio Mattana, percorreu diversas cidades país afora através do projeto do SESC Palco Giratório. 
O grupo também trouxe ao Brasil a estreia nacional de Martin Crimp, um dos maiores nomes da dramaturgia britânica contemporânea. A triologia Menos Emergências estreou em 2007 no Festival de Teatro de Curitiba. Febre - um Sintoma Cênico, em parceria com Fernando Kinas e O Mez da Grippe – dirigido por Moacir Chaves, foram trabalhos desenvolvidos ao longo de 2008 a partir da obra do escritor curitibano Valêncio Xavier. Em 2009, a Pausa Companhia se debruçou sobre a obra de Machado de Assis, através do projeto Um Diálogo Com Machado. [...]
Roteiro Escrito com a Pena da Galhofa e a Tinta do Inconformismo é fruto desta pesquisa e estreou em 2010 no Espaço 2, em Curitiba.
Acesse : PAUSA COMPANHIA

Este espetáculo integra a programação do FESTIVAL PALCO GIRATÓRIO


DEBATES VIVO ENCENA: O TRÁGICO NA CONTEMPORANEIDADE


A tragédia contemporânea

Aproveitando a exibição de Hécuba na Capital, acontece no Theatro São Pedro o debate O trágico na contemporaneidade, que integra o ciclo Debates Vivo EnCena, projeto com curadoria de Expedito Araújo. Neste domingo, o diretor da tragédia de Eurípedes, Gabriel Villela, se reúne com outros palestrantes para debater sobre o trágico na contemporaneidade.
Será no domingo dia 6 no Theatro São Pedro.

DIÁLOGOS PARA ESCAPAR por FÁBIO CASTILHOS


A Decisão: Grupo Trilho. Foto: Ana Mendes

De todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida”.  B.B

O Blog Válvula de Escape, segue com a série de entrevistas com diversos profissionais das Artes Cênicas do estado e do Brasil, dentro do projeto "DIÁLOGOS PARA ESCAPAR". Projeto que pretende utilizar este espaço para deixar escapar a voz dos arquitetos da cena atual. E nesta edição, postamos a entrevista de Fábio Castilhos, realizada via e-mail por Diego Ferreira. Fábio Castilhos é ator/diretor/dramaturgo e integrante do Grupo Trilho de Teatro Popular de Porto Alegre juntamente com outros artistas. Graduado em Teatro pela Uergs e pelo TEPA, foi contemplado com o Troféu Tibicuera de Teatro 2011 em duas categorias: Dramaturgia e Direção. Dentre seus últimos trabalhos estão "O Baú - Brincanças e Lembranças", "A Decisão" de B. Brecht e "Ela - A Vespa Libertada".  

1.      Quando e como iniciou a sua trajetória teatral?

Meu primeiro contato foi na escola em 1997. Na sétima e oitava série do Ensino Fundamental a disciplina de artes visuais era substituída pela de teatro. Eu curtia muito aquelas aulas, com a professora Sônia Pellegrino, que infelizmente faleceu. Depois, em 2002, tendo encerrado o Ensino Médio, não passei no vestibular (para Ciências Sociais) e fiquei meio perdido. Quase sem querer me inscrevi num curso de teatro para iniciantes com o Zé Adão Barbosa. Daí em diante não parei mais.

2.      Como se deu a sua formação?

Depois desse primeiro curso com o Zé Adão, entrei no curso de Formação de Atores do Tepa (Teatro Escola de Porto Alegre) no ano de 2003. Neste curso tive aulas com o próprio Zé Adão, o Luiz Paulo Vasconcellos e a Jezebel De Carli. Através da Jezebel conheci a UERGS, prestei o vestibular e passei. Isso em 2004. Formei-me no curso de Graduação em Teatro: Licenciatura (o curso inicialmente se chamava Pedagogia da Arte) em 2007.

3.      Atuar ou dirigir?

Os dois! As duas coisas me dão prazer, me divertem. Talvez, daqui alguns anos eu dirija mais do que atue, sempre acho que isso possa acontecer, mas por enquanto isso não me preocupa.

4.      Qual o papel da universidade na formação de um artista?

Na minha formação foi essencial. Lá eu tive oportunidade de conhecer diversas práticas e teorias. Existe uma metodologia, um caminho. Aí, tu podes escolher qual vai seguir. Porém não é o único caminho. Acho que fora da academia a busca por teoria é mais difícil, a universidade facilita esse acesso. Acho que é isso, a universidade funciona como uma facilitadora, ela te oferece caminhos, possibilidades, mas não basta, tu tens que ir além, ela não te transforma num artista.

Cleo e Clea.  Direção Heitor Schmidt. 
5.      Grupo de Teatro ou Teatro de Grupo? Fale sobre o Grupo Trilho?

Eu acredito muito no Teatro de Grupo. Na verdade, pouco importa a nomenclatura, o que importa mesmo é como se dá o processo de trabalho, como funciona e são estabelecidas as relações. Eu não consigo pensar o teatro em uma função só. Se estiver atuando quero interferir na luz, no figurino, na dramaturgia, enfim a criação deve ser coletiva. Mesmo que haja funções (diretor, cenógrafo, etc.) elas devem dialogar, sem hierarquia, é o que costumam chamar de criação colaborativa.
            Outra questão que acho importante em um coletivo é que as pessoas acabam criando objetivos muito próximos, laços artísticos. Numa companhia, onde as pessoas são contratadas, os objetivos são muito diferentes, o diretor quer fazer a sua peça, o ator quer “brilhar”, tem muito mais “ego” envolvido. No grupo essa questão do ego fica mais diluída, pois o objetivo é do coletivo e não somente do indivíduo.
            O Trilho é um grupo que migra entre criações coletivas e colaborativas, dependendo do objetivo que temos. Cada integrante tem algumas funções que desempenha, mas nada é absolutamente fechado, do tipo fulano só faz isso, sicrano só faz aquilo. Vamos criando e nos organizando da forma que melhor possamos cumprir os objetivos que traçamos.

6.      Em 2011 o Grupo Trilho experimentou pela primeira vez direcionar o seu trabalho ao público infantil. Como foi esta experiência, qual foi à premissa?

Partimos de uma necessidade. De uma não, de várias. A primeira era que quando fazíamos espetáculos no nosso espaço, o Grêmio Esportivo e Cultural Ferrinho, quem ia assistir eram as crianças, elas que insistiam e os pais acabavam acompanhando. Só que as peças eram adultas e até pesadas para elas. Daí pensamos: precisamos fazer algo para essas crianças. Outra necessidade foi que todos nós do grupo também somos educadores e trabalhamos com crianças, enfim vários outros pormenores nos levaram a pensar num trabalho para o público infantil.
E a experiência começou justamente aí. Sabíamos que eu iria dirigir e trabalhar na construção da dramaturgia e que a Caroline Falero e a Giovanna Zottis iriam atuar, e só. Não tínhamos ideia de texto, nem de um tema. Começamos improvisando muitas coisas e aos poucos a peça foi aparecendo. O processo todo durou oito meses. Foi uma experiência incrível, as atrizes se divertiram muito durante o processo, a ideia era essa. Mas eu não. Quer dizer, é claro que eu me diverti, mas teve momentos muito difíceis que eu não tinha a menor ideia de onde aquilo ia parar. Mas foi muito gratificante, por que foi um processo de criação muito livre, que eu tinha muita vontade de experimentar.

7.      O que o teatro político, Brecht e a periferia do Humaitá contribuíram para a construção da dramaturgia de “O Baú”?

Contribuíram por que esses elementos estão na nossa gênese, na nossa pele, na nossa alma. Eles são geradores da nossa estética, da nossa ética. Não conseguiríamos fazer uma peça para as crianças que fosse apenas “bonitinha” e “engraçadinha”. De alguma forma nós temos de cutucar o espectador, seja ele adulto ou criança. E eu creio que conseguimos fazer isso. Tanto crianças como adultos saem de “O Baú – Lembranças & Brincanças” com dúvidas, com anseios. O espectador se diverte, mas pensa também. E isso é um grande barato. 


8.      A trajetória do Trilho e a tua são marcadas pela presença do teatro político sendo influenciado pelo teatro e teorias de Brecht. Quando descobriu Brecht e qual a real importância dele no seu trabalho e na sua identidade?

Descobri de fato o Brecht durante o segundo semestre na Uergs. Eu fui morar em Montenegro e vivia para o curso. Virei rato de biblioteca. Li todas as suas peças. Li inicialmente como um curioso, mas desde o inicio eu me interessei muito pela sua obra. Ele tocava em assuntos que me interessavam, e que até então eu não tinha visto muito no teatro. Aos poucos fui me aprofundando mais sobre o seu trabalho, suas teorias. Não sou um especialista em Brecht, tenho muito ainda que conhecer sobre o seu trabalho, mas ele realmente me instiga e me interessa.

9.      O grupo Trilho carrega em seu nome “Teatro Popular”, ou seja, Grupo Trilho de Teatro Popular. Como você enxerga e pratica este “teatro popular” dentro do grupo e como define este termo em seu trabalho. Quais questões políticas, estéticas ou sociais permanecem na cena atual?

Bom, teatro popular é um termo bem complexo e até perigoso, pois ele pode significar muitas coisas. Dentro do Trilho, é até bem claro o porquê dele no nome. É “popular” primeiro por que trabalhamos na periferia de Porto Alegre. Em segundo lugar por que pensamos em ações que tenham um cunho sócio-político, que a arte tem como função colocar em dúvida esse sistema desigual em que vivemos, criticá-lo nos mais diversos âmbitos da sociedade. Acho que tem uma frase do Brecht que resume muito bem essa questão: “A arte deve optar, pode se transformar no instrumento de alguns que diante da maioria assumem um papel de deuses e do destino ou pode aliar-se a grande maioria transformando-se em arma a serviço do povo”. A nossa estética, poética e ética está totalmente interligada com esse pensamento.
           
Ela - A Vespa Libertada, Grupo Trilho  
10.  Como se dá o processo de trabalho do Grupo Trilho? Quais são suas principais influências?

Como eu disse anteriormente o processo de trabalho do grupo é meio mutante, se modifica na medida em que achamos necessário, mas sempre democrático, sem estabelecer hierarquias, baseado no coletivo. É claro que algumas coisas vão se estabelecendo naturalmente. Um exemplo é justamente as influências do Trilho. A sua principal influência é o Bertolt Brecht, mas cada integrante carrega consigo as suas influências, que acabam afetando os outros integrantes, numa reação em cadeia. E nessa amálgama toda vou citar alguns nomes que me influenciam e que de alguma forma influenciam o Trilho também: Grotowski, Peter Brook, Augusto Boal, Oduvaldo Vianna Filho, Oi Nóis Aqui Traveiz, Cia. do Latão.

11.  Quais profissionais gaúchos e nacionais tu destacaria, que contribuem para um teatro mais forte e engajado? (Ator/atriz, diretores, teóricos, etc...)

Bom, pensando em engajamento, que, aliás, é uma palavra que eu não gosto, prefiro crítico, na cena gaúcha não poderia deixar de citar o “Oi Nóis Aqui Traveiz”. Outros grupos muito bacanas são a “Cia. do Latão”, “Brava Companhia”, “Teatro Máquina”. O Sérgio de Carvalho, que é diretor da Cia. do Latão, pode ser citado como um grande teórico também. Assim como a Iná Camargo Costa, a Stella Fisher (que é atriz também), a Ingrid Koudela.

12.  Falando em política... Como você vê as políticas públicas voltadas para o incentivo da cultura em âmbito municipal, estadual e federal? 

É ruim, já foi pior, ainda tem muito que melhorar. Falta investimento, falta um critério de avaliação melhor formulado, falta diversificar as áreas de atuação, os repasses não podem atrasar, a “burrocracia” deve ser diminuída, os incentivos fiscais devem ser repensados, enfim, num país onde pessoas morrem de fome, morrem em filas de hospitais, que a educação pública é sucateada e que políticos roubam a vontade e ficam impunes, já era de se esperar que a cultura ficasse relegada ao décimo plano.  

13.  Como você enxerga a atual cena gaúcha? Quais grupos e cias têm desenvolvidos projetos bacanas e o que falta para o teatro gaúcho?

Bastante diversificada e em expansão. Grupos do interior ganhando força como o Teatro do Clã de Montenegro e o Ueba Produtos Notáveis de Caxias, só para citar dois. Já em Porto Alegre temos alguns grupos que vem desenvolvendo um trabalho continuado que merecem atenção, alguns antigos, outros mais novos, como o Oi Nóis, a Santa Estação, o Teatro Sarcaústico, a Cia Rústica, o Grupo Mototóti, entre outros.
O que falta é os trabalhos serem mais bem aprofundados. Até por uma questão de mercado, monta-se muito rápido um trabalho, a peça cumpre uma, duas temporadas no máximo, circula durante um ano (quando muito) e deu, acabou. Vem outro prêmio para montagem e o ciclo recomeça. Não há trabalho que consiga ter um aprofundamento maior. É um problema dos financiamentos, que geralmente são para montagem e pouco para circulação ou fomento de um grupo.

O Baú - Lembranças e Brincanças. Direção Fábio Castilhos. Grupo Trilho Foto: Bárbara Ferraz
14.  Ano passado o espetáculo “O Baú – Brincanças e Lembranças” teve grande aceitação do público e critica e indicado ao Prêmio Tibicuera e você foi premiado como Diretor e Dramaturgo. Como você recebeu estes prêmios e se prêmios como este ajudam em alguma coisa?

Eu fiquei muito feliz e surpreendido com os prêmios. O prêmio de dramaturgia até tinha uma esperança, mas diretor eu era o azarão. Quando a gente começa um trabalho não pensa em prêmios, se vai agradar, se está adequado para isso. Porém ganhar um prêmio é muito bom, dá um “selo de qualidade” para o trabalho, é um reconhecimento. O grupo ficou um pouco mais conhecido, a peça, e eu também. Sabe que depois dos prêmios muitas pessoas, amigos, conhecidos, já fizeram essa pergunta, e eu sempre respondo brincando: “Antes eu era um Zé-Ninguém... Agora eu sou um Zé-Ninguém premiado!”

15.  Quais os teus próximos projetos junto ao Trilho? Nova temporada e novos espetáculos?

O principal objetivo por enquanto é fazer o Baú circular. Temos uma nova temporada no Teatro Bruno Kiefer, na Casa de Cultura Mario Quintana (26/05 a 24/06, sábados e domingos, 16h) e algumas apresentações agendadas. Estamos tentando manter uma tradição que é no aniversário do Ferrinho fazermos uma programação de apresentações lá no espaço, que batizamos de “Estação Ferrinho”. Em 2010 foi muito bacana, foram 5 dias de apresentações, seminário, coquetel, show de música. 2011 estávamos em plena temporada e não conseguimos fazer um evento tão grande, mas não deixamos passar em branco. Este ano queremos retomar pelo menos os mesmos 5 dias de 2010.
E também estamos treinando algumas vezes, lendo coisas, com calma, talvez daí surja algo novo. Por enquanto novo espetáculo mesmo só no plano das idéias, não temos ainda uma previsão para um novo trabalho. 

16.  O que te faz ESCAPAR tratando-se de teatro?

Assistir a uma boa peça, estar num processo de criação e participar de uma boa oficina de teatro. Aí eu escapo, pra bem longe!

As Criadas. Direção Bruna Immich.
Foto: Kiran
 
17.  Alguma vez já pensou em desistir?

Já, muitas vezes. Mas daí me dou conta que não sei fazer outra coisa, então desisto de desistir.

18.  Futuro?

Estar com o Trilho, bem constituído, com o nosso espaço, o Ferrinho, a pleno vapor, dirigindo, atuando, escrevendo, ensinando, aprendendo. Tenho vontade também de experimentar outras linguagens, como cinema e dança e tudo mais que esse tal futuro possa me reservar.

19.  Gostaria de deixar algo especial para encerrar esta entrevista?

Gostaria de agradecer muito o teu convite, foi uma experiência muito legal. Quem quiser conhecer mais sobre o Trilho, acessa www.grupotrilho.com.br
E pra finalizar uma frase do mestre Bertolt: “De todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida”. 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

KALASHNIKOV: EU ACABEI DE FALECER E VOCÊ? (RS)

"Kalashnikov: Eu acabei de falecer e você?" é o espetáculo resultante do Curso de Formação de Atores 2011 do TEPA e retorna a cena na Usina do Gasômetro neste final de semana.  
Jezebel de Carli, Gina Tocchetto e Tatiana Vinhais assinam a concepção e o roteiro dessa montagem, uma adaptação de Cruzadas de Michel Azama. 
“Kalashnikov, eu acabei de falecer e você?”, tem como fonte de inspiração as guerras étnicas e religiosas. A peça apresenta vários personagens cujas histórias acontecem em algum lugar da Síria ou em Israel, se cruzam talvez na Palestina, em Beirute ou em Baalbek....Essas histórias estão todas relacionadas com guerras cuja origem não se sabe, perdeu-se no tempo.  O passado e o presente se encontram por meio dos personagens que, mesmo depois de mortos, continuam a existir. O espetáculo é permeado por um certo humor e um sentimento de ternura, atenuando, assim, o efeito que poderiam provocar as demonstrações de pura tragicidade da guerra.
Dias 5 e 6 de maio - 20hs
Sala 309 da Usina do Gasômetro 
Ingressos - R$ 15,00
Maiores informações no Blog do espetáculo.