sábado, 18 de dezembro de 2010

VENCEDORES DO PRÊMIO AÇORIANOS E TIBICUERA 2010

Daniel Colin e os Sarcáusticos.

E foram entregues ontem os Prêmios Açorianos de Teatro e Dança e o Prêmio Tibicuera de Teatro Infantil. Gostaria de parabenizar o pessoal do Teatro Sarcáustico, grande vencedor do Prêmio, comprovando a força do teatro de grupo na capital e a todos os premiados, em especial ao Marcelo Burgarelli, nosso amigo e colega de formação na Uergs de alguns integrantes do Válvula de Escape. Abaixo a lista de todos os vencedores.


TEATRO
EspetáculoWonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá
Direção
Daniel Colin (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá)
Ator
Marcelo Bulgarelli (Dia Desmanchado)
AtrizVanise Carneiro por (9 Mentiras sobre a Verdade)
Ator coadjuvante
Eduardo Mendonça (Milkshakespeare)
Atriz coadjuvanteRenata de Lélis (Milkshakespeare)
Figurino
Daniel Lion (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá)
Cenografia
Luiz Marasca (Hybris)
Iluminação
Bathista Freire (Sobre Saltos de Scarpin)
Trilha
Jackson Zambelli e Sérgio Olivé (Dia Desmanchado)
Dramaturgia
Patrícia Fagundes e grupo (Clube do Fracasso)
ProduçãoRodrigo Marquez, Fernanda Marques e Palco Aberto (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá)
Troféu RBS Cultura – Júri PopularClube do Fracasso
***
DANÇA
Espetáculo
Dar Carne à Memória II
Coreografia
Eva Schul (Dar Carne à Memória II)
Bailarino
Mariano Neto (Pessoas – As Memórias)
Bailarina
Didi Pedone (Pessoas – As Memórias)
Figurino
Ateliê Alfa (Pessoas – As Memórias)
Iuminação
Lucca Simas (Na Solidão)
Trilha sonora
Ivan Motta (Pessoas – As Memórias)
Produção
Jerri Dias (Dar Carne à Memória I e II)
Troféu RBS Cultura – Júri PopularPessoas – As Memórias
***
TEATRO INFANTIL
EspetáculoO Menino que Aprendeu Cedo Demais
Direção
Adriane Mottola (Ópera Monstra)
Ator
Pablo Capalonga (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)

Atriz

Fernanda Petit (Ópera Monstra)
Ator coadjuvante
Leonardo Barison (Criança Pensa)
Atriz coadjuvante
Janaina Pelizzon (Ópera Monstra)
Figurino
Cássio Brasil (Ópera Monstra)
Cenografia
Claudio Benevenga e Marcos Buffon (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
Iluminação
Nara Maia (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
Trilha
Arthur Barbosa (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
Dramaturgia
Roberto Oliveira (A Roupa Nova do Rei)
Produção
Airton de Oliveira e Maura Sobrosa (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
Troféu RBS Cultura – Júri Popular
Ópera Monstra

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

OLHAR (es) DA CENA por OSCAR BESSI FILHO

Um Espetáculo ao Pé da Letra
Assovio no Vento Escuro - Foto de Cássia Cruz

Eu saí boquiaberto do espetáculo Assovio no Vento Escuro, do Grupo Válvula de Escape. Pasmo. Confesso que foi tudo acima do esperado. O ambiente – os porões da Estação da Cultura, em Montenegro – o jogo de luzes e sons, o desempenho dos atores, a sinergia da peça. Pouco entendo de teatro, só sei o suficiente para ser um espectador atento e, numa ousadia maior, até crítico. Como todo brasileiro que é crítico de futebol. Falando por falar. Mas conheço a obra de Clarice Lispector, fundamentalmente o livro em que se baseia a peça, A Hora da Estrela. Uma obra complexa, difícil de ser adaptada fora da literatura, mas rica em conceitos e conteúdos. Pois a trupe de Diego Ferreira conseguiu tudo isto. E ir além. Não perdeu o foco, a essência, a mensagem, e talvez tenha dito até mais. Algo quase metafísico. O elenco arrasa, sem exceção. Ana Denise Ulrich cativa, faz rir e seduz. É ótima, impecável, convincente. Gabriela Tuane Tain Bessi – sou suspeito para falar, é minha filha, e eu chorei ao vê-la em cena - e Martina Nichel – que eu já sabia escrever muito bem desde novinha, nem desconfiava deste seu calibre como atriz – são a Macabéia do livro. Sem tirar nem por. Impressionante. Em gestos, falas e olhares, transmitem a inocência perdida de si mesma, o sonho ingênuo, o deslumbramento, a fantasia despudorada da personagem. Emocionam a cada cena. Enternecem e fazem rir. Leonardo Nunes é fantástico, o namorado ideal a ser visualizado na leitura. Seria melhor conhecê-lo e, só depois, ler o livro. Lucimaura Rodrigues dispensa comentários. É atriz maiúscula, é autora, personagem e Glória ao natural. Muitas Lucimauras em cena. A trilha sonora ao vivo de Elton Ambrozí dá o tom essencial ao que se mostra. Seu baixo é coração que bate, é tensão, é mistério e tempero. André Susin é a batuta filosófica e muito mais. Enfim, fico sem argumentos pelo medo de ser piegas, justamente, talvez, por ser mero espectador. Mas a direção de Diego Ferreira é genial no detalhe, na oficina que selecionou atores, no charme da divulgação, na genialidade das cenas, no roteiro que resume sem perder um ponto fundamental sequer, na sacada dos jogos de sons e luzes e dos lugares. A interatividade com o público, somada a essa coisa de que Clarice Lispector mostra, desnuda, nossos porões. Assovio no Vento Escuro é pura alma. É espetáculo de primeira grandeza, ao pé da letra. Como, ao pé da letra, é totalmente Clarice Lispector. Que os ventos nos tragam seus novos assovios, pois Válvula de Escape definitivamente é, sem dúvida, a melhor referência para uma parada e reflexão.

Oscar Bessi Filho é Escritor e Cap. da Brigada Militar. 

Oscar Bessi Filho - 
Cap QOEM - Cmt 1ªCia  - 27 BPM/CRPO-VC
BM de São Sebastião do Caí, Bom Princípio, São José do Hortênsio, Tupandi e Harmonia
(51) 9768-8807 / (51) 3635-1220 - Página oficial do escritor em - 
www.oscarbessi.com.br 
Quintas, JORNAL IBIÁ - Sábados, TV CULTURA - Domingos, CORREIO DO POVO

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ASSOVIO NO VENTO ESCURO segue em temporada

Amanhã, segue a temporada do nosso espetáculo "ASSOVIO NO VENTO ESCURO" as 20h na Estação da Cultura. Realizamos três apresentações, na sexta, sábado e domingo e a cada dia, percebemos que o público tem gostado muito do nosso trabalho, principalmente através das manifestações após espetáculo, no debate final. O espetáculo está tocando muito o público seja através da interpretação dos atores, do espaço e do maravilhoso texto de Lispector. Amanhã seguimos a temporada que segue nos dias 14,15,16 e 18 sempre as 20h na Estação. Os ingressos já estão esgotados para todas as sessões, mas estamos conseguindo disponibilizar sempre 5 ingressos extras por noite. Na apresentação de domingo aplaudo o elenco pela garra, que mesmo com chuva decidiram por realizar o espetáculo na área externa, para que o público pudesse assistir ao espetáculo na integra. Espero que nas próximas a chuva não atrapalhe o nosso trabalho. Mas domingo foi uma benção.
Não percam, "ASSOVIO NO VENTO ESCURO" em sua última semana.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SESC anuncia atrações teatrais de 2011


Em 2010, mais de 338 mil pessoas assistiram a espetáculos de teatro promovidos pelo Arte Sesc no Rio Grande do Sul. O público de música somou mais de 250 mil espectadores. Há ainda as atrações de literatura, cinema e artes visuais. Para 2011, a expectativa é que os números cresçam em 20%, conforme a diretoria. Mas o objetivo principal, segundo a vice-presidente do Sistema Fecomércio-RS, Maria Cecília Pozza, é democratizar e disseminar a produção artística com a proposta de formar plateias. "E com isso desenvolver senso crítico e sensibilidade. Assim desenvolvemos a cidadania", declara.
Para 2011 estão confirmadas diversas atrações de artistas e grupos conceituados, o que deixa o bom sabor cultural do Ano-Novo assegurado. Do teatro carioca circularão pelo estado "O Matador de Santas", com direção de Guilherme Leme; "O Dragão", da Cia Amok e "Descoberta das Américas", da Leões de Circo. As aclamadas produções gaúchas "Larvárias", da Cia do Giro, e "A Megera Domada" também retornam aos palcos ano que vem. Ainda estão confirmadas as peças "Jogos de Inventar, Cantar e Dançar", do Bando de Brincantes; "O Draguinho", do Grupo Etc&Tal e "Histórias de uma Mala Só", de Vinícius Petry. Integrarão o Circuito Palco Giratório, além de "O Dragão", "Concertos de Ispinho e Fulô", da paulista Cia do Tijolo; "Cabanagem", do Corpo de Dança do Amazonas e "O Evangelho Segundo São Mateus", do Grupo Delírio Cia de Teatro, originário do Paraná.
Para o 6º Festival Palco Giratório, que ocorrerá nos 30 dias de maio, são esperados "Não Sobre o Amor", da Cia Sutil, com direção de Felipe Hirsch; "História de Amor" (últimos capítulos) do Teatro da Vertigem, "O Terceiro Sinal", da Cia Br 116, de São Paulo; "O Mundo Tá Virado", do Imbuaça, do Rio Grande do Norte; "No Pirex", dos mineiros da Ammatrux e "Acorda Zé e Quiprocó", do Moitará.

Fonte: Correio do Povo

domingo, 12 de dezembro de 2010

ELZA SOARES - Ousadia e Potência Vocal no Planeta da fome.


O popular “quem canta seus males espanta” só é clichê porque realmente faz sentido. Em se tratando de Elza Soares, então, o dito resume milimetricamente a vida da artista.  Menina pobre criada em uma favela carioca, aos 12 anos deixou a ingenuidade pueril para trás ao casar-se pela primeira vez. Aos 13 anos já era mãe. E foi para salvar a vida do filho que a “pretinha desnutrida” - como ela mesma se via na época - encarou uma plateia que caiu em risos ao ver a garota magrinha enrolada em trapos fazendo as vezes das roupas e rebateu o músico e apresentador Ary Barroso, que indelicadamente questionou de que planeta Elza havia chegado: “Do mesmo planeta que o senhor, o planeta fome”, desconcertou a futura cantora.
A apresentação no show de calouros lhe rendeu muito mais que a nota máxima e dinheiro. A voz rouca que encantou o público mostrou a força da cantora - que, como se não bastasse, ainda teve que improvisar, pois a banda executou a canção em um tom acima do que havia sido ensaiado. Ela saiu do programa de rádio fadada a ser estrela.
Logo que começou a cantar na televisão, médicos e especialistas instigados com a voz que saía daquela garganta realizaram diversos estudos e sentenciaram: apenas mais três meses de potência vocal. Felizmente eles estavam errados. Focar a voz da cantora é o que faz o documentário Elza, que estreia nesta terça no Cine Bancários (General Câmara, 424) com sessões diárias de terça a domingo: às 15h, 17h e 19h.
Dirigido por Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan, o filme mostra a Elza artista, sem prender-se em questões pessoais que já foram tão debatidas na sociedade. “Achamos que era importante retratá-la musicalmente, ressaltar o talento. Em relação à vida privada abordamos alguma coisa para dar um contexto de quem ela é, mas não era ao nosso foco. Não fizemos o filme porque ela é a Elza da revista de fofoca. Fizemos porque ela é uma intérprete que achamos inigualável e que tem uma força muito grande dentro da música brasileira”, explica Izabel.
Produzido durante um ano, o documentário traz depoimentos de pessoas ligadas à carreira de Elza. Elton Medeiros, Hermano Vianna, João de Aquino, José Miguel Wisnik, Mart’nália, Professor Júlio (Xangô do Salgueiro), Roberto Silva e Vó Maria comentam toda a trajetória e relevância da artista. Somam-se a eles Caetano Veloso, Maria Bethânia, Paulinho da Viola e Jorge Ben Jor que, além de falar, apresentam canções com a própria cantora que foram fundamentais em seu caminho. “Foram uma maravilha esses encontros, a gente se ama muito. Além de amor existe um respeito muito grande de amizade entre nós. Foi muito bom”, conta Elza Soares sobre as gravações.
Acompanhando uma tendência do cinema nacional em resgatar artistas importantes do País e levar suas histórias para a tela, Elza se difere do ponto de vista da concepção. De acordo com a diretora, o conceito de trazer um cenário pensado onde ocorrem os depoimentos e os encontros com a cantora é a grande ousadia do filme, o que imprimiu uma ideia autoral à produção. “Achamos interessante fazer algo em que tivéssemos mais recursos para administrar, no sentido da direção de arte e fotografia. Esse conceito de criar um ambiente que você tem um controle da luz, da cenografia, permite embocar assuntos dentro daquela atmosfera. Isso acaba sendo mais autoral porque você está controlando e não apenas seguindo pelo fluxo normal da pessoa. Hoje é muito mais comum e aceito você fazer um documentário como se fosse um Big Brother no sentido de seguir o cotidiano”, revela a diretora.
Foi misturando jazz ao samba, negando rotulações, indo do pop ao tradicional sem medo, improvisando e (en)cantando que Elza Soares superou o destino e reinventou seu caminho. “Não pode fazer, não pode fazer...Aí mesmo que eu vou lá e faço e me dou bem”, conta a artista em um determinado momento do filme. Questionada sobre o que ela canta, não titubeia em responder: “O que vier a gente canta. Eu gosto de músicas ousadas”. Elza Soares gosta mesmo é da vida.
Fonte:  JCRS. 

"AUTO DA PAIXÃO E DA ALEGRIA" Grupo Timbre de Galo - Comentátio

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Demorei, mas consegui postar um comentário sobre o espetáculo "O Auto da Paixão e da Alegria" apresentado no dia 26 de novembro em Montenegro dentro do Projeto Arte Sesc Cultura por toda a parte. "O Auto da Paixão e da Alegria" é um auto popular, onde narra as aventuras de um grupo de atores saltimbancos, que se encarrega de contar os acontecimentos bíblicos da passagem de Cristo pelo mundo.  A palavra "Auto" me remete imediatamente as encenações liturgicas, geralmente apresentadas em festas cristãs, como "Auto de Natal" ou "Auto da Páscoa", e que de certo modo não me trazem boas lembranças. Mas segundo o autor Luis Alberto de Abreu; “Autos, de acordo com a definição clássica, são composições dramáticas breves, de caráter religioso ou profano, podendo comportar elementos cômicos e jocosos...  O que vemos neste "auto" é justamente uma sobreposição do termo clássico, de um lado temos uma narrativa que remete as estórias da paixão de Cristo, e do outro, temos a utilização de uma linguagem popular que valoriza o carnaval, as festas populares nordestinas entre outros. 
Confesso que foi uma grata surpresa assistir a este espetáculo do Grupo Timbre de Galo de Passo Fundo. Primeiro que é sempre bom poder assistir a bons trabalhos realizados pelos grupos do interior do estado, o que de certo modo legitima a arte produzida longe da capital, pois, as vezes parece que o teatro produzido no interior carrega um rótulo de inferior, amador, sem qualidade, pelo fato de não estar no foco da produção na capital, longe dos holofotes e dos incentivos. Não é o que acontece com estes "galos", que transbordam alegria, competência e técnica no trabalho apresentado. Segundo que eu apenas conhecia o grupo pela trajetória, mas principalmente pelo episódio da demisssão do antigo Grupo Viramundos que foram "apunhalados" pela UPF, ato de omissão com o Grupo e com toda comunidade cultural. Mas graças a vontade de todos o grupo se reergueu e continua os seus trabalhos, agora como Timbre de Galo, e posso afirmar que estão completamente recuperados deste golpe, digo isso, pela vitalidade demonstrada em "Auto da paixão e da alegria".
O que me chama a atenção logo no início é a estrutura que o grupo dispõe, um grande palco equipado com equipamentos de som e iluminação. A estrutura do palco remete a uma alegoria utilizada no carnaval e que funciona muito bem durante a encenação. E logo na entrada dos atores, percebi outros elos com o carnaval, maior manifestação popular do Brasil. O paralelo com o carnaval aparece no cenário, na porta bandeira, nos instrumentos e canções utilizadas durante a peça. Logo no início temos a presença de um anjo Gabriel "pop", um anjo de "all star" vermelho que faz um engraçado testemunho contra os diretores de teatro, pois o ator teria medo de altura e mesmo assim foi forçado pelo diretor a fazer tal cena. Este tipo de abertura, a relação entre ator x personagem x público, perspassa todo o espetáculo, quebrando a ilusão, a identificação com a persona construída, desvelando uma teatralidade que lembra muito as teorias de Brecht, onde o ator e o espectador se mantém distanciado da fábula apresentada, através de narradores-épicos. Num determinado momento a atriz Mara Cavalheiro anuncia: "gente é teatro viu", desmitificando o caráter ilusório. Mas neste caso, o grupo, nem tampouco o diretor, não se deixaram amarrar a teorias e conceituações rígidas, pelo contrário, exploram um terreno fértil que é o teatro popular, feito na rua, transitando entre o cômico, o farsesco e o melodramático para contar a história de Cristo. Segundo o relato da atriz Beliza Marroni, todas as contribuições que os atores levaram, tudo o que servia a criação foi utilizado, sem medo de misturar, de ousar, de festejar ou de profanar. Neste auto temos a figura de Deus, do diabo e outras figuras bíblicas, construídas de modo exagerado e 
Um destaque é para a trilha e efeitos sonoros realizados ao vivo pelos atores, demonstrando um belo preparo técnico  e com vozes deslumbrantes. Posso falar em nome do Grupo Válvula de Escape que este espetáculo marcou a todos os integrantes do grupo pelo profissionalismo e pela qualidade demonstrada, que a partir de agora este grupo de Passo Fundo passa a ser um referencial em Artes Cênicas para nós.
Parabéns a coesão do elenco e pelo belíssimo trabalho apresentado e espero que possamos nos cruzar muitas vezes ainda!

OLHAR (es) DA CENA por ADRIANA BANDEIRA


Sobre a estréia de “O Assovio No Vento Escuro”-Grupo Válvula de Escape

                                                                                                               Adriana Bandeira

O Grupo Válvula de Escape estréia a peça “Assovio no Vento escuro” trazendo o texto de Clarice Lispector à expressão melhor da dramaturgia. O texto escolhido “À hora da estrela” é resistente a encenação pela riqueza de frases, de textura própria da autora. Porém, o grupo veste esta roupagem e faz disto o fio próprio de seu tecer. Parto desta constatação ao vislumbrar nos artistas, direção, figurino, técnica, trilha sonora, enfim nas cenas que nos fizeram transgredir em espaços subjetivos íntimos e próprios, a falta de objeto a ser dado como já construído. O texto, cenas e interpretação são um convite para que cada um construa suas palavras, deixando vir a tona a alma, como Clarice o fez. Quando algo corrompe a natureza da acomodação e sacode nossa falha razão, estamos diante da Arte.
É desta forma que apresento três aspectos desta vivência: a temporalidade, a palavra e a sexualidade. Prometo dizer-me de forma contextualizada; prometo dizer-me de forma rápida; prometo dizer-me...um dia, quando este assovio passar!Pois é...acredito que é esta a questão.O que hoje situo como temporalidade ,no contexto desta vivência, poderá ser refeito sempre,numa construção contínua de inscrição.Para além disto existem momentos interessantes que apresentam este tempo também como espaço.São os momentos do assovio silencioso e eles estão em cena sempre.
Clarice é interrompida pelo personagem que a toma. Ora!Ela mesma diz: não fui eu que a inventei... Ela veio a mim!Sim!São as palavras, no seu tempo, que invadem Clarice num ritmo incessante de respiração. Ela, na exterioridade do vento, das nuvens e das crianças acaba por ser encurralada num tempo diferente: o da escrita. É a primeira parte, ainda no pátio da Estação da Cultura, onde somos convidados a adentrar ao subterrâneo da construção, ao úmido beco da indignação, de onde não retornaremos iguais. Nesta visita, a temporalidade da arquitetura, na descoberta da frase pura que retrata o que sustenta a antiga espera dos trens. A estação, o tempo... é da palavra.
É com a menina que fala a menina dela mesma, com quem dialoga sobre o futuro. Em todos os momentos de ternura, curiosidade, vida, enfim, é a menina Maca que ali está.Este duplo do eu que transforma-se em outros tantos, nos mostra a verdade acerca destas questões que nos habitam.Ali,a menina de quem não consegue se desvencilhar,aquela que já sabia,pelo que lhe antecedeu na sua história, que haveria de vingar a vida crua, nos aponta a verdade sobre o tempo.E como se vinga a vida crua?
As cartas não mentem jamais. Hão de guardar em forma e cor o destino inscrito num rosto sem encanto algum. Uma falha de momentos trocados em que o cômico invade a cena no doce infortúnio da cartomante que recebe a todos, desde o início.O futuro recebe a todos, sempre.
É neste caminhar entre as cenas que se descobre ainda o convite incessante para que se vá mais fundo numa temporalidade que acaba, somente, quando a morte vem. Mas o assovio...continua.É o tempo da respiração, desde o início, a querer mais e mais...palavra.Talvez porque para Clarice respirar e escrever fosse a mesma coisa.
O texto é denso e leve, falado e lido naquilo que a leitura de fato oferece: a invenção. As palavras da escritora são transcritas, reinventadas no jogo de luz, sons, interpretação e tempo.
De fato, a angústia da criação deixa a mostra a nudez de todos que ali estão. Não há como não inventar palavras enquanto estamos na cena. E estamos todos na cena com Macabea,Clarice,Olimpico,escrita,Glória,músico,menina,morte,cartomante,futuro,solidão.Não saímos impunes.O grupo nos oferece esta condição.
A sexualidade e a morte, na mesma moeda: cara ou coroa. A menina da boneca, a mulher da feiúra, a sensualidade da outra, a solidão da prostituta.
Clarice escreve como se fosse um homem, no texto. Talvez porque para ela, somente um homem pudesse dosar sua textura fálica a ponto de limitar numa frase ou palavra, num dito ou expressão, todo o gozo de morte que há na não existência. Talvez porque somente o masculino possa apresentar o que é do feminino; talvez somente ele possa dizer quem é ela.
Na transcrição do grupo a sexualidade faz seguir “O tempo”, voz em assovio que pega pela mão a mulher Clarice e a conduz na sua nudez. É a cena que se veste de toda a feminilidade possível, guardada pelo masculino que faz casa no prazer da expressão da palavra. Ali é ela quem diz sobre um ele. O grupo libera Clarice para que fale, na voz da atriz.
Saímos estarrecidos desta estréia!As cenas apontam em cada um o gozo de por tantas vezes não estarmos em reconhecimento como sendo um ele ou ela; como não existir, não ocupar espaço, não ter peso e nem rosto. Estas formas em que nos escondemos, que por vezes fazem com que sejamos Macabéa, num dia a dia em que não enunciamos nada que diga respeito a nós mesmos.É quando, desde o início até o final,Clarice pergunta: porque morrer?
Duplo estarrecimento, para mim, já no início. É Clarice que aponta a diferença antes de descer a escada. Quer saber como escrever sem ser “lacrimejante”... Que por ser mulher, quem sabe, tudo o que diz seja desta ordem. Fala-nos, secretamente, deste choro universal a que todos somos submetidos, vez ou outra. Pois bem... é isto.É comum acolhermos um autor ou uma autora de forma diferente, num entendimento de que as mulheres que escrevem soam melosas e os homens que escrevem, dizem coisas importantes. A voz... somos. O masculino e o feminino encantados em todo o corpo e fala que deseja viver. Porque morrer? Pelo instante...pelo instante se quer morrer.
Parabenizo a todos da cena, principalmente os artistas que representaram esta expressão de um si mesmo. Parabenizo Rosani, coordenadora do espaço da Estação da Cultura, pelo acolhimento ao grupo, cedendo o “subterrâneo” que fez composição com a palavra, o tempo e o afeto. Enfim, parabenizo a mim mesma por ter estado na estréia, por ter estado no meio de tudo, numa emoção estranha de, pelo instante, imaginar dividir palavras com Clarice.
Aguardo mais desta vivência e prossigo no que ainda não sei responder: porque escrever?
Aguardo muito mais deste grupo que estréia para fazer valer.

Sobre a estréia do grupo ESCAPE: “Assovio no vento escuro”
Adriana Bandeira em 11-12-2010


ADRIANA BANDEIRA é Psicóloga, escritora e colunista do Jornal O Progresso.



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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ESTREIA HOJE "ASSOVIO NO VENTO ESCURO"








É hoje, 10/12 a estreia do nosso espetáculo, "Assovio no vento escuro" as 20 h na Estação da Cultura em Montenegro. Depois de tanto trabalho, vamos estreiar o nosso projeto que demorou 9 meses para ser gestado. É a estreia oficial do nosso grupo. A temporada inicia hoje e segue nos dias 10,11,12,14,15,16,18 de dezembro sempre as 20h, e todos os ingressos estão ESGOTADOS. 
Esperamos todos lá então. Acima o diretor do espetáculo Diego Ferreira e o elenco: Ana Denise Ulrich, Leonardo Nunes, André Susin, Lucimaura Rodrigues, Elton Ambrozí, Martina Nichel.
Abraços e merda!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

OLHAR(es) DA CENA por André Susin


Dada a proximidade da estreia da peça “Assovio no Vento Escuro” – peça baseada na obra de Clarice Lispector “A Hora da Estrela” – montada pelo grupo Válvula de Escape, sob a criativa e dedicada direção de Diego Ferreira, talvez seja o momento adequado para se traçar algumas reflexões sobre a obra de Clarice Lispector em seu cruzamento com a encenação. Meu objetivo não é, certamente, fazer um comentário sobre a montagem, mas buscar evidenciar alguns aspectos relevantes da narrativa que podem ser percebidos em cena.
A proposta da dramaturgia, concebida pelo diretor do grupo, visa materializar a atmosfera da narrativa que mistura um tom nebuloso, em que a morte, o fracasso e a decepção dos projetos paira como uma constante sobre todos os episódios; aliado a essa tonalidade de um mundo composto por relações reificadas, mistura-se um ar cômico, muitas vezes beirando o melodramático, em que desponta a malandragem, a astúcia e a sensualidade cariocas. Contudo, não devemos nos deixar enganar por esse ambiente que muitas vezes resvala para o caricatural, pois o essencial deve ser apanhado do lado das relações reais, do processo dinâmico da ação, e não sobre o caráter estático dos personagens, sobre seus aspectos psicológicos abstratos. Nesse caso, o que desponta é o caráter miserável e alienado das relações, a qualidade degradante de encontros que parecem jamais ocorrer. Há uma incomunicabilidade persistente entre os personagens que incomoda o leitor-espectador, como se cada uma fosse um mundo fechado, uma ilha incontornável para o outro.
É nesse ponto que a obra de arte toca a verdade, deixa que ela fale a despeito de suas intenções. A verdadeira obra de arte, em que consiste a sua infinita grandeza, resume-se à enformação do que é escamoteado pela ideologia reinante. Ela torna visível, dá uma figura para as tensões e contradições que permeiam a sociedade. Nesse sentido é que ela fornece ao pensamento uma coisa que não pode ser completamente absorvida pelo conceito, em que toda síntese do pensamento abstrato fracassa, pois é incapaz de dar conta do caráter paradoxal da obra, o fato de ela reunir em um todo coerente a fissura que mantém aberto o campo da totalidade do simbólico e que inverte as posições estáveis e bem localizadas.
A personagem principal dessa trama é Macabéa, nordestina imigrante, adolescente feia e faminta que vem para uma cidade hostil, que não se conforma aos ideais fabricados pelo mundo do espetáculo capitalista e que vira do avesso sua inocência. Nesse mundo estranho, pode-se dizer que ela se torna uma estranha para si, uma pessoa deslocada em “uma cidade toda feita contra ela”. Macabéa é reduzida ao estatuto de Coisa situada entre a objetividade expressa na esfera coletiva e a subjetividade como ordem de um modo de ser particular.
Um dos aspectos que ressalta de sua personagem é a sua virgindade exacerbada, sua repressão constante dos afetos corporais. Essa virgindade exercida com extrema vigilância por ela mesma parece ser a introjeção das normas ascéticas veiculadas pela sua tia – aquela que a criou na ausência de seus pais – aquela que simboliza sua entrada na ordem das relações sociais, que funda as coordenadas de sua relação com o seu próprio corpo e com os outros. Por isso que na sua relação com os outros ela parece sempre ignorar o conteúdo perverso e obsceno presente na dominação sofrida e reproduzida. Esse conteúdo que constitui o aspecto de humilhação a que ela reduzida na sua relação com os outros no espaço social permanece fora dela; essa incapacidade de reconhecer como um objeto de humilhação, de identificar-se com a posição da vítima é visível no episódio em que ela recusa ser apanhada na identificação com uma classe social. O encontro com o livro “Humilhados e ofendidos” de Dostoiévski deixado sobre a mesa do seu chefe Seu Raimundo não gera a apreensão de sua condição social. Por mais que ela seja humilhada e ofendida – jamais recebeu presentes, telefonemas, não é ninguém para ninguém – ela não consegue se definir sob o título de humilhados e ofendidos, sua posição social não é assim identificada. Por um lado, isso impede toda possibilidade de luta social, de embate contra as forças que a aprisionam nessa condição. Mas, por outro, essa ausência de uma localização precisa gera o efeito estranho de uma falta que não se deixa incorporar, um fora-do-simbólico que a torna um objeto inquietante para os outros. Ela não se encaixa nas concepções compartilhadas sobre o comportamento das pessoas, escapa, de certa forma, à rede das normas e injunções simbólicas.
Talvez seja essa a verdade presente na história relatada pelo narrador(a), em que Macabéa força sua existência do interior do seu ventre, como um alien, um objeto estranho que fascina e que ao mesmo tempo não pode ser inteiramente descrito. Esse relato consiste na narrativa de um homem jovem que pretende atravessar um rio. Na margem desse rio ele se depara com um homem velho que tem medo de entra na água e passar para a margem oposta. O velho, então, aproveita para pedir ao jovem que o ajude a atravessar, talvez acentuando os traços cansados, moribundos e aterrorizados de sua pessoa. O jovem cede aos apelos do velho, concede a travessia sobre os seus ombros vigorosos caindo na armadilha preparada pelo homem idoso. O jovem coloca o velho sobre os seus ombros e o carrega até a margem oposta. No entanto, quando eles chegam ao outro lado, o velho responde de maneira cínica e obscena ao pedido do jovem para que ele desça de suas costas: “Ah, essa não! É tão bom estar aqui montado como estou que nunca mais vou sair de você!”. E aqui podemos imaginar a figura bizarra desse velho montado sobre as costas do jovem, ambos perambulando por aí, o jovem abalado em seu vigor por anos de subjugação. Devemos imaginar mesmo o velho morrendo sobre seus ombros depois de alguns anos, e o jovem, curvado sob o seu peso, continuando a carregá-lo na medida em que desconhece que ele está morto.
A resposta dada pelo velho ao jovem é a mesma que a lei socialmente veiculada nos transmite secretamente – essa entidade impessoal e cínica que nos coloniza sugando nossa energia vital, obrigando-nos a cumpri-la através do fluxo caótico e absurdo da vida. Ela exige que nos curvemos sob seu peso, constituindo-nos sob o seu império heterônomo, conformando-nos segundo a lógica que lhe é própria. O paradoxo da Lei simbólica é que ela é essa entidade morta, supra-sensível, que se inscreve em nosso corpo vivo e particular, inserindo-nos na vida social. Contudo, ela viva de nossa vida ao mesmo tempo que exige que cumpramos um imperativo sem conteúdo: “Não mate”, mas “quem” eu não devo matar? Ao ponto que essa pergunta se torne hiperbólica de modo que passamos a nos sentir culpados por um crime que não cometemos. Do mesmo modo que Freud explica que quanto mais nos esforçamos por cumprir as injunções superegóicas, mais nos sentimos pressionados e culpados. Contudo, o mal-estar da modernidade advém não do cumprimento de uma proibição, mas de um investimento sobre o sujeito: “Goza o máximo possível tua vida”.
Teríamos duas respostas alternativas e reações diferentes para essa situação. A primeira, seria a de negar o pedido, permanecer ali parado ao seu lado atém que ele em um ato desesperado se jogasse no rio tentando atravessá-lo sozinho; a segunda, talvez mais radical, seria a de aceitar o pedido e, quando estivessem a meio caminho da margem oposta, afogar-se junto com o velho. Macabéa, entretanto, é essa jovem que aceita deixar com que ela em seus ombros, um ato que é muito mais o gesto impotente diante do fascínio e alienação diante da demanda obscena do velho. Macabéa carrega asceticamente, de maneira resignada, o estado social que o indivíduo experimenta como hostil, alheio, frio e opressor.
Com certeza esse velho e seu pedido não condizem mais com a atual situação do capitalismo. Sua injunção é ainda mais obscena, cínica e explícita: goza a travessia o máximo possível, deixa-se perder no fluxo constante de prazeres que o mercado coloca a tua disposição.
Claro que essa interpretação se complica quando acrescentamos que esse velho determinado, pelo narrador(a), como sendo a própria Macabéa, enquanto o narrador se identifica com o jovem que leva sobre seus ombros o velho-Macabéa. Contudo, aqui a metáfora se desloca e diz respeito ao estatuto de Coisa inominável de Macabéa, o objeto que incomoda e obceca, ao mesmo tempo, o sujeito e que com relação a qual a narrativa sempre diz menos, nunca a atinge completamente.
*****
A presença física, a irrupção de seu corpo em cena é algo que incomoda profundamente Macabéa. O narrador(a) nos confessa que ela era moça que havia se visto nua diante do espelho, pois carregava consigo essa intensa vergonha de seu corpo. O corpo da personagem era constantemente ocultado, vestido, mortificado. Nesse ponto, o narrador(a) interroga: “Vergonha por pudor ou por ser feia?”. Talvez a escolha entre uma dessas opções não seja correta, pois o pudor por ser feia já é a conseqüência de sua vergonha. É possível que o segredo de sua vergonha esteja escondido em outro lugar. Ela advém muito mais da presença do que há de incontrolável em seu corpo, daquilo que o discurso moral repressor de sua tia não é capaz de assimilar, se deixar resgatar pelo sentido. Isso explica a relação traumática e pudica com relação ao funcionamento de seu corpo: quando encontra um moço muito bonito em um botequim, ela, ao imaginar o almoço em sua casa com ele, sente vergonha em comer na sua frente; o seu frequente enjoo para comer, o horror diante de palavrões, a sujeira de suas unhas, etc. Ao mesmo tempo que esse discurso faz ver, enquadra o excesso desarticulador e incômodo de seu corpo, ele funda-se precisamente nisso que ele exclui: o discurso constrói-se em torno de um corpo barrado, inacessível, perturbador e por isso ele perturba, permanece envolto pelo silêncio. No entanto, ao se manter do lado de fora do simbólico, ele é aquilo que não pode ser bem manejado, sua intrusão desarticuladora é sempre encarada como o Mal.
Dessa maneira, a vergonha de Macabéa tem sua origem na nudez de um corpo tornado estranho aos seus próprios olhos, impossível de ser tolerado do lugar do Outro que ela assume no seu olhar e que se regozija diante do tornar feio, da sujeira e repressão provocados nesse corpo. A imagem que ela vê do seu corpo despido diante do espelho é o lugar imaginário em que se encontra o Outro que instaura esse corpo no discurso moralista de repressão dos afetos corporais. Essa vergonha não diz respeito à vergonha do feio, do corpo magro e pauperizado exposto diante do espelho, mas o sinal visível do funcionamento da ideologia que opera por trás da conformação desse corpo raquítico ao ideal imaginário fundado no discurso religioso de sua tia.
Certamente isso é o inverso da ideologia dominante atual e que pode ser constatada por qualquer um que circule pelas academias de musculação. Quando o indivíduo musculoso olha para o seu corpo – corpo esse que exige horas de trabalho e investimento sobre ele – deleita-se com a imagem desse corpo coisificado, ele também assume a posição do Outro imaginário que sustenta essa fantasia de um corpo desejante, fonte inesgotável de prazer. Trata-se de um corpo-mercadoria que assume o espectro fantasmático e abstrato de uma coisa objetiva, algo exterior e que tem vida própria, podendo, assim, entrar na relação de troca com outros corpos. A relação entre essas pessoas transforma-se em uma relação entre coisas mediadas por um fantasma construído socialmente, instaurado pela injunção normativa de gozar o próprio corpo.
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Macabéa é o exemplo do sujeito desterrado, órfão e sem mundo que parece caracterizar a todos nós cada vez mais. Adolescente de 19 anos, moradora em um cortiço, dividindo o quarto com outras quatro mulheres trabalhadoras, ela é a imigrante forçada a deixar suas raízes, sua terra natal em Alagoas, jogada em um mundo hostil, alheio e violento que constitui os grandes centros financeiros como é o Rio de Janeiro. O narrador(a) se refere a ela da seguinte maneira: “Ela nascera com maus antecedentes e agora parecia a filha de não-sei-o-quê com ar de se desculpar por ocupar o espaço... Ninguém olhava para ela na rua, ela era café frio”. Macabéia é aquela que não pode ocupar nenhum lugar na estrutura social, o que explica seu caráter de invisibilidade diante dos outros, seu comportamento desajeitado e incomum. Ela é alguém isolada, estranha a si mesma, ocupando um espaço coisificado fora da consciência (“...só vagamente tomava conhecimento da espécie de ausência que tinha de si em si mesma. Se fosse criatura que se exprimisse diria: o mundo é fora de mim, eu sou fora de mim.”). O narrador(a) passa a ser esse suplemento de sua consciência, a instância que dá uma forma à sua substância exteriorizada, que diz o que permanece silenciado em sua vida cotidiana. O narrador(a) dá significado a sua vida, coleta os cacos e restos de sua história, pois falta a linguagem a Macabéa, a capacidade de se exprimir, de resgatar a sua subjetividade deslocada em uma narrativa q estabeleça as coordenadas de um espaço, os limites que conferem a determinação de um mundo onde ela possa se deslocar, estabelecer um envolvimento significativo. Ela está fora da ordem simbólica, pois é filha de ninguém, órfã que não é reconhecida nem pode se reconhecer no outro; ela parece ser a própria presença inquietante do nada. A substância que a define está situada do lado de fora, é exterior a si mesma, adquirindo uma frágil existência através da voz quase-morta desse narrador(a) que faz as vezes de sua consciência. Por ser desprovida de um mundo ela está, igualmente, privada do sentido, lançada no abandono e desamparo radicais. Por isso é tão difícil assinalar uma identidade, um lugar e um mandato simbólico a partir do qual se possa defini-la, captá-la em sua substância. Na verdade, sua essência está perdida, confunde-se com seus objetos de desejo: coca-cola, cachorro-quente, rádio, recortes publicitários – ela é uma coisa entre coisas. Por isso, o que temos diante de nós é a presença de um ego fragilizado, justamente por lhe faltar esse outro necessário que instaura os vínculos sociais. Ela escapa da loucura, o acesso direto ao real traumático, unicamente por que lhe resta o espaço da fantasia que investe sobre alguns objetos da vida cotidiana: a fantasia é o que lhe resta, espaço em que ela pode articular sua vida.
Se a fantasia é aquilo que o sujeito acredita sem saber nada disso, ela somente pode crer sem lacuna possível com algum tipo de desconhecimento: só pode assumir a postura passível de acreditar em tudo quanto os outros lhe dizem, usando as máscaras criadas pelos outros personagens com os quais interage. Nesse sentido, é sintomático o episódio em que ela diz ser feliz unicamente por ter ouvido que assim deveria ser – assumindo a felicidade como um significante vazio, desprovido de  qualquer conteúdo; ou simulando as mentiras que Glória, sua colega de repartição, conta para seu chefe de modo a escapar do trabalho e poder ficar em casa, aproveitando sua solidão. O caráter parasitário de Macabéa é patente, a sua impotência e passividade são sinais mais visíveis.
Por outro lado, essa ausência de si em si mesma a torna um objeto estranho e monstruoso. Suas colegas de quarto não sabem como fazer com que ela se dê conta do seu cheiro insuportável que as incomoda; seu chefe é surpreendido por sua extrema passividade diante de suas explosões de raiva em virtude de sua incompetência na datilografia; Glória é tomada de inquietação quando se depara com sua inércia, sua incapacidade de reagir, de demonstrar um comportamento adequado, de se enquadrar bem na fantasia dos homens; seu namorado, Olímpico, se exaspera diante do silêncio e da incomunicabilidade de Macabéa, sua incapacidade de estabelecer um diálogo dotado de sentido, de falar de si. O silêncio renitente de Macabéa, as coisas sem sentido aparente que ela diz, acuam Olímpico que não sabe como reagir, alcançar o que quer, sendo destituído de sua masculinidade, a virilidade que insiste em expor e reforçar diante dela. O próprio médico que a examina em consulta aconselhada por Glória não sabe como enquadrá-la nas normas da medicina padrão, explodindo em fúria diante de sua incompreensão. Mesmo a cartomante não sabe muito bem como lidar com ela, inquieta pelo brilho de sua ausência.
Aliás, um traço visível da personagem Macabéa é a sua posição silenciosa. Trata-se de um ser a quem falta a linguagem, alguém que não acedeu completamente ao domínio simbólico, ao mundo do sentido. Para o ser falante, aquele que sabe manejar a língua e dizer as coisas, a vida é dotada de sentido. Por isso a vida se coloca em perigo quando o sentido é despedaçado. Por outro lado, esse perigo torna visível a lacuna de onde o sentido se origina: a perda do sentido apenas mostra o vazio constitutivo do sujeito que ele fracassa em dizer, fracasso que é, justamente, sua condição de possibilidade. É porque dizer sempre guarda um resto de não-dito, porque dizer é dizer não-tudo, que o sentido pode ser comunicado.
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A peça montada pelo grupo Válvula de Escape procura dar forma e vida ao texto de Clarice Lispector, tornar presente ao público essa personagem singular que ecoa o nada, em que brilha a mais pura ausência. Por isso o título da peça é bastante sugestivo: um sopro vindo de lugar nenhum, ressoando a voz não-morta da própria escuridão que constitui o sujeito.
Em todas as cenas Macabéa parece estar ausente a despeito do fato dela ser protagonista da história. Ela parece ser o núcleo inominável, a substância volátil que escapa da teia narrativa armada para dizê-la: há algo nela que surpreende as palavras que recuam diante de sua espectralidade. Ela é a própria figura da ausência, pois somente ela não pode ser situada narrativamente, apanhada em uma identidade. Isso é visível no seu apego ao significante vazio, esvaziado de significado, que é a palavra efeméride, que ela apaixonadamente copia, datilografando letra por letra em sua máquina de escrever. Ela sequer desconfia de seu significado que se confunde com a sua própria vida: algo de efêmero, frágil e invisível.
A partir de sexta-feira deixaremos que a peça permita que o espectador entre nessa história e possa também se descentrar de seu lugar seguro, percorrer junto com Macabéa os espaços sombrios e escuros de seu interior esvaziado.
André Susin - Ator, Músico e Assessoria Filosófica do Grupo Válvula de Escape - Mestre em Filosofia pelo PPGF/UFRGS e Graduação em Filosofia na UNISINOS. 

INDICAÇÕES PRÊMIO AÇORIANOS TEATRO E DANÇA E TIBICUERA DE TEATRO INFANTIL

Dia Desmanchado - Marco A.F
Foram divulgados, hoje à noite, os indicados ao Prêmio Açorianos 2010 de teatro e dança e ao Troféu Tibicuera de teatro infantil. No dia 17 de dezembro será a cerimônia de entrega dos prêmios.
Confira a lista completa dos indicados:


PRÊMIO AÇORIANOS DE TEATRO 2010

Espetáculo
Bodas de Sangue
Clube do Fracasso
Dia Desmanchado
Milkshakespeare
Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá


Direção
Camilo de Lélis (Milkshakespeare)
Daniel Colin (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá)
Luciano Alabarse e Luiz Paulo Vasconcellos (Bodas de Sangue)
Patrícia Fagundes (Clube do Fracasso)
Tainah Dadda (Sobre Saltos de Scarpin)


Ator
Felipe de Paula (Milkshakespeare)
Leonardo Barison (Fora do Ar)
Luiz Paulo Vasconcellos (O Animal Agonizante)
Marcelo Adams (A Lição)
Marcelo Bulgarelli (Dia Desmanchado)


Atriz
Áurea Batista (Stand Up Drama)
Gisele Habeyche (Cinco Tempos para a Morte)
Patrícia Soso (Fora do Ar)
Sandra Alencar (Adoração)
Vanise Carneiro (Nove Mentiras sobre a Verdade)


Ator coadjuvante
Daniel Colin (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá)
Eduardo Mendonça (Milkshakespeare)
Fredericco Restori (Hybris)
Mauro Soares (Bodas de Sangue)
Willian Martins (Sobre Saltos de Scarpin)


Atriz coadjuvante
Luísa Herter (A Lição)
Patrícia Soso (Parasitas)
Renata de Lélis (Milkshakespeare)
Sandra Dani (Bodas de Sangue)
Vika Schabbach (Bodas de Sangue)


Figurino
Antônio Rabadan (A Caravana da Ilusão)
Daniel Lion (Sobre Saltos de Scarpin)
Daniel Lion (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá)
Juliana Kussler e Renata de Lélis (Milkshakespeare)
Rô Cortinhas (Bodas de Sangue)


Cenografia
Elcio Rossini (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá)
Jessé Oliveira e Grupo (O Osso de Mor Lam)
Luiz Marasca (Hybris)
Sylvia Moreira (Bodas de Sangue)
Zao Figueiredo (Sobre Saltos de Scarpin)

Iluminação
Bathista Freire (Sobre Saltos de Scarpin)
Carol Zimermman (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá)
João Carlos Dadico (Dia Desmanchado)
Maurício Moura e Cláudia de Bem (Bodas de Sangue)
Maurício Moura (Milkshakespeare)


Trilha
4 Nazzo e Cláudio Bonder (Hybris)
Arthur de Faria e Adolfo Almeida Jr. (Solos Trágicos)
Arthur de Faria (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por lá)
Bebeto Alves (Milkshakespeare)
Jackson Zambelli e Sérgio Olivé (Dia Desmanchado)


Dramaturgia
Daniel Colin e Felipe Vieira de Galisteo (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá)
Diones Camargo (Nove Mentiras sobre a Verdade)
Felipe Mônaco e grupo (Fora do Ar)
Júlio Zanotta Vieira (Milkshaspeare)
Patrícia Fagundes e grupo (Clube do Fracasso)

Produção
Cecília Daudt e Airton de Oliveira (Sobre Saltos de Scarpin)
Elenice Zaltron e Falos & Stercus (Hybris)
Fernando Zugno e Miguel Arcanjo Coronel (Bodas de Sangue)
Morgana Kretzmann e Patrícia Fagundes (Clube do Fracasso)
Rodrigo Márquez (Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá)

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PRÊMIO AÇORIANOS DE DANÇA 2010


Espetáculo
Dar Carne à Memória II
Pessoas – As Memórias
Na Solidão

Coreografia
Eva Schul (Dar Carne à Memória II)
Giuli Lacorte (Na Solidão)
Ivan Motta (Pessoas – As Memórias)


Bailarino
Eduardo Severino (Dar Carne à Memória II)
Giuli Lacorte (Na Solidão)
Mariano Neto (Pessoas _ As Memórias)
Tom Nunes (A Primeira Entrega)


Bailarina
Cibele Sastre (Dar Carne à Memória II)
Didi Pedone (Pessoas – As Memórias)
Letícia Paranhos (Na Solidão)
Luciana Paludo (Dar Carne à Memória II)
Luiza Moraes (Dar Carne à Memória I)


Cenografia
[Não há indicações]


Figurino
Eva Schul e Luciane Soares (Dar Carne à Memória I)
Ateliê Alfa (Pessoas – As Memórias)


Iluminação
Arco Íris (Pessoas – As Memórias)
Lucca Simas (Na Solidão)
Fernando Ochôa (A Primeira Entrega)
Fabrício Simões (O Resto É Perfume)


Trilha Sonora
Arthur de Faria (A Primeira Entrega)
Carlinhos Hartlieb, Toneco Costa e Celau Moreira (Dar Carne à Memória I)
Ivan Motta (Pessoas – As Memórias)


Produção
Grupo Hybris e Luka Ibarra (Na Solidão)
Jerri Dias (Dar Carne à Memória I e II)
Luka Ibarra (Pessoas – As Memórias)

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TROFÉU TIBICUERA DE TEATRO INFANTIL 2010

Espetáculo
A Roupa Nova do Rei
Chapeuzinho Vermelho de Ronald Radde
O Menino que Aprendeu Cedo Demais
Ópera Monstra

Direção
Adriane Mottola (Ópera Monstra)
Airton de Oliveira (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
Gilberto Fonseca e João Pedro Madureira (A Roupa Nova do Rei)


Ator
Marcos Chaves (A Roupa Nova do Rei)
Pablo Capalonga (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
Rodrigo Mello (Ópera Monstra)


Atriz
Aline Marques (A Almofada, o Castelo e o Dragão)
Daiane Oliveira (Chapeuzinho Vermelho de Ronald Radde)
Fernanda Petit (Ópera Monstra)
Letícia Paranhos (Chapeuzinho Vermelho de Ronald Radde)
Simone de Dordi (A Almofada, o Castelo e o Dragão)


Ator coadjuvante
Lauro Ramalho (Ópera Monstra)
Leonardo Barison (Criança Pensa)
Plínio Marcos Rodrigues (A Roupa Nova do Rei)
Vinícius Meneguzzi (A Roupa Nova do Rei)


Atriz coadjuvante
Ariane Guerra (A Roupa Nova do Rei)
Janaína Pelizzon (Ópera Monstra)
Lúcia Bendati (A Roupa Nova do Rei)


Figurino
Cássio Brasil (Ópera Monstra)
Claudio Benevenga (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
Daniel Lion (A Roupa Nova do Rei)


Cenografia
Claudio Benevenga e Marcos Buffon (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
Júlio Freitas (Chapeuzinho Vermelho de Ronald Radde)
Zoé Degani (Ópera Monstra)


Iluminação
João Acir (Chapeuzinho Vermelho de Ronald Radde)
João Acir (Criança Pensa)
João Acir (Ópera Monstra)
Nara Maia (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)


Trilha
Álvaro RosaCosta (Chapeuzinho Vermelho de Ronald Radde)
André Trento (Criança Pensa)
Arthur Barbosa (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
Ricardo Severo (Ópera Monstra)


Dramaturgia
Miriam Benigna e Pablo Capalonga (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
Roberto Oliveira (A Roupa Nova do Rei)


Produção
Airton de Oliveira e Maura Sobrosa (O Menino que Aprendeu Cedo Demais)
André Oliveira e Grupo Farsa (A Roupa Nova do Rei)
Ellen D’avila (Chapeuzinho Vermelho de Ronald Radde)
Makki Produções (Pum – Histórias Mal Cheirosas)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Die Theatergruppe Válvula de Escape präsentiert “Pfeifen im dunklen Wind”…

Theatergruppe Válvula de Escape

Amigos do Válvula, transcrevo a seguir divulgação do nosso espetáculo ASSOVIO NO VENTO ESCURO, que estreia na próxima sexta feira, divulgação enviada para a Alemanha, já que em nosso grupo temos uma atriz que é professora de língua alemã, e mantém intercâmbio com grupos artísticos germânicos. Então daqui a pouco o Válvula estará alçando vôos levando a nossa arte para o mundo.
Die Theatergruppe Válvula de Escape präsentiert “Pfeifen im dunklen Wind”…



Unsere Theatergruppe Vávula de Escape wird das Stück “Pfeifen im dunklen Wind” präsentieren. Diese Arbeit wurde auf dem Roman “Die Sternstunde” begründet. Der Roman ist ein Text von der ukrainischen Autorin Clarice Lispector, die in Brasilien gelebt hat. Die Hauptperson ist Macabéa, ein 19jähriges Mädchen, das in Nordbrasilien aufgewachsen und nach Rio de Janeiro ausgewandert ist. Die Rolle von Macabéa, Madame Carlota, Olímpico, Glória, Raimundo und der Erzählerin zeigen verschiedene Seiten von einer Personalität und wie ein Mensch im Leben sich entwickeln kann, um seine Träume in Realität zu verwandeln. Die Menschen haben nicht nur die Böse oder die Gute Seite, d. h., ein Mensch kann gar nichts oder einfach alles sein und haben, ohne es zu merken und darauf zu achten. Das klingt gleichzeitig lustig und traurig, aber wenn man bewusst bei den Bedingungen des Menschen ist, kann man einfach verrükt werden und gar nichts mehr füllen. Beziehungsweise entdeckt man, dass die Sternstunde eine Maske der Tod ist.
Válvula de Escape ist eine Theatergruppe, die seit circa 1 Jahr gegründet wurde. Wir treffen uns regelmäßig zweimal 
pro Woche, um das Theater in der Theorie und der Praxiz zu diskutieren. Unsere Ziele sind das Theater zu forschen und präsentieren, damit die Menschen diese Kunst genießen können, d. h. , je mehr Theater, desto mehr Menschen werden die Möglichkeit Theater anschauen zu haben.
Das Theaterstück wird am 10. 11. 12. 14. 16. und 18. Dezember, um 20 Uhr in der Osvaldo Aranha Straße, 2215, im Keller von dem Bahnhof, in Montenegro Stadt, die in Südbrasilien liegt.
Wenn ihr uns unsere Arbeit zu verbreiten helfen könnten , wäre ganz nett von euch!!!
Mehrere Informationen in unserem Blog: www.escapeteatro.blogspot.com .
Phillipp Harpain-Grips-Theater <t-paed@grips-theater.de>

Ana Denise Ulrich - Atriz do Grupo Válvula de Escape - Lic. Teatro - UERGS/FUNDARTE e Lic. Letras - Língua Alemã - UNISINOS.