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domingo, 14 de outubro de 2012

MOSTRA “NELSON RODRIGUES – 100 ANOS”


9 a 14 de outubro de 2012

Entrada Franca


Na semana em que comemora seu quarto ano de existência – a ser celebrado em 
14 de outubro –, o CineBancários oferece um presente aos seus frequentadores: 
uma mostra em homenagem ao centenário de nascimento do escritor Nelson 
Rodrigues. Considerado o maior dramaturgo do país, Nelson também foi cronista, 
contista e romancista, e suas tramas sempre atraíram a atenção dos cineastas 
brasileiros em diferentes épocas. Marcada por uma visão extremamente crítica em 
relação ao moralismo e à hipocrisia da classe média, a obra de Nelson Rodrigues 
conheceu enorme 
popularidade nos teatros e livrarias. Este sucesso se repetiu no cinema, onde suas 
histórias recheadas de adultérios, incestos e paixões arrebatadas deram origem a uma 
série  de filmes memoráveis, atraindo uma multidão de espectadores.

Esta mostra conta com o patrocínio do Banrisul, através da Lei Federal de 
Incentivo à Cultura, e com o apoio da Programadora Brasil.

PROGRAMAÇÃO

Bonitinha, Mas Ordinária, de J. P. de Carvalho (Brasil, 1963, 101 minutos)
Edgard é um rapaz simples, que vive um dilema. É apaixonado por sua vizinha, moça 
humilde como ele, mas recebe a proposta de ganhar um bom dinheiro para se casar com a 
filha de seu patrão, uma garota ousada que foi estuprada por cinco homens. Primeira das 
três adaptações ao cinema da genial peça de Nelson Rodrigues, esta é a mais fiel ao 
texto original e a que mais se concentra nos dilemas éticos do protagonista – um rapaz 
dividido entre a possibilidade de enriquecimento fácil por meio de um casamento 
de conveniência e a fidelidade aos seus sentimentos por uma mulher da mesma classe 
social. Dirigido por J. P. de Carvalho, o filme preserva o fraseado inigualável de Rodrigues 
e abre espaço para grandes interpretações de Jece Valadão, Odete Lara e Fregolente.

O Beijo no Asfalto, de Bruno Barreto (Brasil, 1981, 77 minutos)
Um desconhecido é morto ao ser atropelado por um ônibus e, agonizante, pede a um
bancário que lhe dê um beijo na boca. Este gesto é transformado em escândalo pela 
imprensa sensacionalista e o homem que cometeu o "crime" de beijar um agonizante
 passa a ser alvo de preconceito popular e também a ser investigado pela polícia, 
que começa a supor que o acidente tenha sido um assassinato. O filme além de 
ser cultuado pela crítica, conta com um grande elenco (Tarcísio Meira, Ney 
Latorraca, Christiane Torloni, Lídia Brondi).

Engraçadinha, de Haroldo Marinho Barbosa (Brasil, 1981, 97 minutos)
Engraçadinha (Lucélia Santos) é uma menina sensual que se diverte seduzindo 
diversos membros de sua família conservadora, a qual conduzirá a um final trágico. 
Inspirado no romance Asfalto Selvagem, um dos mais bem sucedidos exemplares da série 
de adaptações feitas da obra de Nelson Rodrigues pelo cinema brasileiro no início dos 
anos 80 e estreladas pela atriz Lucélia Santos.

Gêmeas, de Andrucha Waddington (Brasil, 1999, 75 minutos)
As irmãs gêmeas idênticas Iara e Marilena (Fernanda Torres) vivem pregando peças 
nos homens, fazendo-se passar uma pela outra, para desespero de seu pai, 
Dr. Jorge (Francisco Cuoco). Marilena é bióloga. Iara, como sua mãe 
(Fernanda Montenegro), é costureira. Um dia Marilena conhece Osmar 
(Evandro Mesquita), dono de uma auto-escola, por quem se apaixona à primeira vista. 
O mesmo, entretanto, acontece com 
Iara, que decide seduzir o namorado da irmã. Tem início uma intensa rivalidade entre as
irmãs, em busca do amor de Osmar. Primeiro longa metragem de Andrucha Waddington, 
que tem como principal destaque a atuação de Fernanda Torres, em papel duplo.

GRADE DE HORÁRIOS

9 de outubro (terça-feira)
17h – Bonitinha, Mas Ordinária
19h –  O Beijo no Asfalto

10 de outubro (quarta-feira)
17h –  Gêmeas
19h –  Engraçadinha

11 de outubro (quinta-feira)
17h – O Beijo no Asfalto
19h – Bonitinha, Mas Ordinária

12 de outubro (sexta-feira)
17h – Engraçadinha
19h – Gêmeas

13 de outubro (sábado)
17h – Bonitinha, Mas Ordinária
19h – O Beijo no Asfalto

14 de outubro (domingo)
17h – Gêmeas
19h – Engraçadinha

CineBancários
(51) 34331204 / 34331205
Rua General Câmara, 424, Centro - POA
blog: cinebancarios.blogspot.com
site: cinebancarios.sindbancarios.org.br
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Twitter: @cine_bancarios


sábado, 15 de setembro de 2012

MOSTRA DE CINEMA 50 ANOS L.C. BARRETO

Mostra reúne clássicos do cinema brasileiro em Montenegro. 


O Sesc Montenegro realiza no mês de setembro a mostra “50 Anos da Produtora LC Barreto”. Haverá a exibição de vários clássicos do cinema brasileiro. As sessões acontecerão de 17 a 22 de setembro sempre às 9h, 14h e 20h, com entrada gratuita. 

A mostra 50 anos da LC Barreto – que engloba 11 títulos fundamentais de nossa recente história cinematográfica. Em atividade desde os anos 1960, a produtora foi responsável pela produção de clássicos como Vidas Secas (1963), Garrincha, a alegria do povo (1965), Bye bye Brasil (1980), Lição de amor (1975) e o filme Dona Flor e seus dois maridos (1978), que por mais de 30 anos foi a maior bilheteria do cinema brasileiro, sendo batido somente por de Tropa de Elite 2 (2010).  Além desses títulos também podemos lembrar que a produtora LC Barreto representou duas vezes o Brasil na cerimônia do Oscar, com os filmes O quatrilho (1995) e O que é isso companheiro? (1996), ambos indicados ao prêmio de melhor filme estrangeiro. Nesses 50 anos a produtora LC Barreto investiu em filmes tanto do gênero documentário – Isto é Pelé (1975) e Garrincha, alegria de um povo (1965) – quanto da ficção. No ficcional criou filmes com características estéticas diversas, como Inocência (1985) Beijo no asfalto (1984) e Lição de amor (1975). Todos esses títulos estão na mostra que o Arte SESC – Cultura por toda parte programaram para o mês de setembro no Espaço Vida Unimed de Montenegro.

Maiores informações sobre datas e horários dos filmes contate: 
SESC Montenegro
R. Capitão Porfírio, 2205 - Fone: (51) 3649.3403




quarta-feira, 15 de agosto de 2012

SÉRGIO SILVA 1945 - 2012



A cultura gaúcha sofreu uma grande perda hoje, enquanto ocorre o Festival de Cinema de Gramado na Serra, em Porto Alegre um dos principais personagens deste mesmo festival veio a falecer.
Sergio Silva morreu na manhã desta quarta-feira (15), em Porto Alegre. Ator, diretor, professor, roteirista, produtor, cenógrafo, o profissional tinha 66 anos.
Entre curtas, médias e longas, Sérgio garantiu um lugar de destaque na história do cinema com o filme “Anahy de las Misiones" (1997), que conta a história de uma mulher (interpretada por Araci Esteves) que, durante a Guerra dos Farrapos, segue os soldados nos campos de batalha, pilhando os mortos em companhia de seus quatro filhos.
Ele foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do cinema no Rio Grande do Sul. A partir de 1975 foi ator e também produtor e cenógrafo em 21 espetáculos de teatro apresentados em Porto Alegre, com destaque para o período em que trabalhou com o Teatro Vivo da diretora Irene Brietzke, em uma série de montagens a partir de textos de Bertolt Brecht. Formado em Letras pela UFRGS em 1970, lecionou literatura no Colégio Israelita por doze anos, depois foi professor de dramaturgia no Departamento de Arte Dramática da UFRGS, até se aposentar em 2010.
Como diretor e roteirista, realizou 21 filmes, sendo a maior parte deles curtas-metragens e vários realizados nas bitolas 16 mm e super-8. "Sem Tradição, Sem Família e Sem Propriedade", de 1968, é considerado um dos primeiros filmes em super-8 com intenção artística realizados no Brasil. "Adiós, América do Sul", em 1984, conquistou medalha de prata no Festival Internacional da UNICA, em Saint-Nazaire, na França.
Nos anos 1980 realizou curtas em 35 mm. Ainda assim, seu primeiro longa-metragem, dirigido em parceria com o amigo e sócio Tuio Becker, foi em 16 mm: "Heimweh/Nostalgia" (1990), crônica ficcional da vida de um imigrante alemão no Rio Grande do Sul, totalmente falado em alemão.

segunda-feira, 19 de março de 2012

PINA

E já está em cartaz em Porto Alegre o tão aguardado filme "PINA". 
A obra convida o espectador a uma incrível viagem da descoberta de uma nova dimensão no palco da legendária companhia de dança. O documentário foi filmado com o todo o grupo Tanztheater Wuppertal para mostrar a arte singular da coreografa. Primeiro em cena, com as coreografias, depois nas ruas da cidade e seus arredores onde Pina Bausch viveu toda a sua força criativa.  
Diretor: Wim Wenders
Em Porto Alegre o filme está em exibição em duas salas: no cinema do Shopping Total e no Unibanco Artiflex

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O CARTEIRO no Festival de Gramado


A divulgação dos filmes que participarão da mostra competitiva do Festival de Gramado, previsto para acontecer entre 5 e 13 de agosto, trouxe pela menos uma boa notícia para mim que além de trabalhar com teatro sou carteiro: a inclusão de um filme dirigido por Reginaldo Faria. "O carteiro" é o primeiro filme de Reginaldo nos últimos 27 anos (seu último trabalho foi "Aguenta coração", de 1984), uma demora surpreendente para quem foi responsável por algumas das melhores bilheterias dos anos 60 e 70, como "Os paqueras", "Pra quem fica, tchau" e "Os machões". "O carteiro" é uma história de amor passada numa pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul na década de 80 do século passado. Na trama, um carteiro, interpretado por Candé Faria, filho de Reginaldo, viola a correspondênca pela qual é responsável para obter informações para conquistar a mulher por quem é apaixonado. Reginaldo tem uma boa relação com Gramado, onde já ganhou dois Kikitos de melhor ator ("Lúcio Flavio, passageiro da agonia", em 78, e "A menina do lado", em 87) e um troféu Oscarito em homenagem à sua carreira. Veja aí em cima o trailer de "O carteiro". 
Outra boa notícia que vem de Gramado é a homenagem a Selton Melo e a exibição de seu mais novo filme, o aguardado "O Palhaço", no 1º dia do festival, dia 5 de agosto. Já o filme "O Carteiro" será exibido no dia 11 de agosto as 21:15hs em Gramado. Imperdível!!! 


Fonte: O Globo

domingo, 26 de junho de 2011

CARROS 2


Depois de muito esperar eis que estreou no último dia 23 a nova produção da Disney: CARROS 2. Aqui em casa eu, meu filho Matheus e minha esposa estávamos anciosos para ver a continuação deste filme que marcou a infância do Matheus. Aproveitamos o feriadão e corremos para Porto Alegre para assistir e não nos decepcionamos de modo algum, pois apesar de gostar muito do 1º filme, o Carros 2 está repleto de aventuras e novos personagens, onde a amizade continua sendo a grande mensagem da história. Vale a pena conferir!!! Adoramos o programa!!!

PICKPOCKET - UMA DICA!

Semana passada, ocorreu em Montenegro a Mostra 1959 - O ano mágico do cinema francês, promovido pelo Sesc. Não pude comparecer, mas assisti hoje este filme e vale a pena conferir. Fica a dica.

Michel ocupa bolsos pegando como um hobby, e é preso quase imediatamente, dando-lhe a oportunidade de refletir sobre a moralidade do crime. Após a sua libertação, no entanto, sua mãe morre, e ele rejeita o apoio dos amigos e Jeanne Jacques em favor de voltar a pickpocketing (depois de tirar lições de um expert), porque ele percebe que ela é a única maneira que ele pode expressar-se ... Em Paris, o solitário e angustiado pickpocket Michel vive em um quarto sujo e passa seu tempo roubando carteiras e bolsas nos espaços públicos. Seus únicos amigos são Jacques, que tenta ajudá-lo a encontrar um emprego, e sua mãe o vizinho Jeanne. Após a morte de sua mãe, Michel equipes-up com dois ladrões de tempo pequeno, apesar da vigilância permanente do inspetor de polícia local. Mais tarde, ele viaja ao exterior para livrar-se da observação da polícia, mas dois anos depois ele retorna a Paris e encontra Jeanne sozinho, com seu filho, com Jacques depois de um caso de amor breve. Michel decide ajudá-la e encontrar um trabalho honesto, mas em uma corrida de cavalos, ele é tentado por seu vício com consequências trágicas. Escrito por Claudio Carvalho, Rio de Janeiro, Brasil

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

SENSIBILIDADE E HUMANIDADE em PEDRO ALMODÓVAR



Comecei 2011 lendo os livros que havia deixado para trás, e assistindo os filmes que deixei passar e os que ganhei de presente. Minha esposa me presenteou com um Box da Coleção do Pedro Almodóvar (Presentão!!!). E o 1º filme que eu assisti foi “Tudo sobre minha mãe”, que ainda não tinha assistido. E valeu muito a pena, é maravilhoso, humano e sensível. O diretor sempre coloca em seus filmes o retrato de uma classe artística, através de cenas de filmes e espetáculos que perpassam a narrativa. Em “Fale com Ela” ele coloca trechos do espetáculo de Pina Bausch, com a própria dançando, e ainda traz cenas ambientadas dentro de uma escola de dança. Aqui neste filme ele coloca uma trupe de atores encenando “Um Bonde Chamado Desejo” no teatro, realmente fantástico, e tudo isso jamais sem ser de forma gratuita, pelo contrário, você reconhece na trama, possíveis cruzamentos com a obra escolhida, seja ela teatro, dança, música, etc...  O filme é uma narrativa corajosa e, ao mesmo tempo, melancólica sobre todas as marcas que sustentam uma sensibilidade privilegiada, como a do próprio diretor. Como sempre, Almodóvar consegue ser forte e vibrante nas cores. Lindo e triste na emoção. Cruel e gracioso na história.
Pedro Almodóvar tem um dom raro. Ele consegue transformar histórias bizarras em obras de arte únicas de sensibilidade extrema. Tais histórias, em mãos erradas, poderiam se tornar meros melodramas fadados ao fracasso e ao escracho geral, tanto de público quanto de crítica. Em Tudo Sobre Minha Mãe, o diretor consegue o seu trabalho máximo, com características marcantes de toda sua filmografia, como por exemplo, o seu amor declarado pelas mulheres, o drama íntimo e pessoal de cada personagem trabalhado de maneira única e tudo recheado com as melhores referências cinematográficas possíveis, nunca beirando o plágio ou oportunismo.

Esteban (Eloy Azorín) é um precoce escritor de dezessete anos que, em seu aniversário, pede como presente a sua mãe, Manuela (Cecilia Roth), para ir a uma apresentação da peça "Um Bonde Chamado Desejo". Após o término, Esteban espera ansiosamente pela saída da estrela Huma Rojo (Marisa Paredes, maravilhosa!) dos camarins, a fim de pegar um autógrafo com ela. Em meio ao temporal, Esteban é atropelado, falecendo logo a seguir no hospital. Sozinha, sua mãe decide voltar para Barcelona, cidade de onde fugira há alguns anos atrás, para encontrar o pai do menino, que vive como travesti, e dar-lhe a difícil notícia.
No caminho de Manuela cruzam diversos outros personagens, como Agrado, sua grande amiga travesti interpretada divinamente por Antonia San Juan; Irmã Rosa, uma boníssima mulher que trabalha em uma instituição de ajuda às pessoas, interpretada pela bela Penélope Cruz; e a própria Huma Rojo, interpretada pela ótima Marisa Paredes. Há ainda alguns personagens secundários, como os pais da irmã Rosa e a própria Lola, pai de Esteban, que aparece na história quase no fim, mas com sua importância justificada ao extremo.
O bacana é que nada é gratuito, tudo está em seu mais perfeito lugar. Todos os personagens que rondam a vida de Manuela trazem algum significado novo, uma reflexão ou dão força para as suas ações. Almodóvar vai costurando todas as pontas dos dramas individuais com seu tradicional modo de nos prender à história, por mais bizarra que sua sinopse possa ser. Os acontecimentos estão lá, mas em nenhum momento soam artificiais ou gratuitos. Esse é seu grande mérito, nos fazer acreditar que todo o mundo que está construindo é verossímil, que podem existir pessoas com esses pensamentos e atitudes. Para construir esse seu grande e bizarro ambiente, Almodóvar usa e abusa das cores fortes nos cenários, nos figurinos e das mais belas canções latinas, características fortes de toda sua filmografia. Eu ainda vou criar um espetáculo baseado neste universo de Almodovár.
Apesar de soar meio absurdo para os menos acostumados aos seus trabalhos, o roteiro do Almodóvar é sempre coerente e com conteúdo. Ele não nos poupa das probabilidades que os rumos de suas histórias vão tomando, mas também não deixa que os acontecimentos soem em tons ofensivos. Quanto mais ele vai abrindo seu leque de situações com pequenas reviravoltas, mais vai construindo um caminho rico para seus personagens e humanizando seus dramas. Não existem heróis nem vilões, apenas pessoas que erram ou acertam em suas vidas. O roteiro reserva ainda espaço para discutir a força e admiração às mulheres que Almodóvar assumidamente tem, porque, tirando o falecido Esteban, todos os personagens principais são femininos, sejam homens ou mulheres.
Para rechear ainda mais o conteúdo de seu trabalho, o diretor faz duas belíssimas homenagens à obras já clássicas. A mais óbvia é a peça que ambientaliza a personagem Huma, “Um Bonde Chamado Desejo”. A cada vez que via um dos personagens exercitando o seu potencial em cena no filme, sentia um enorme prazer ao lembrar o belíssimo espetáculo montado pela diretora Cibele Forjas com Leona Cavali no papel de Blanche.
Uma obra tão rica e complexa não poderia passar despercebida pelas premiações ao redor do mundo. Tudo Sobre Minha Mãe faturou diversos prêmios, entre eles o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, a Palma de Ouro de Direção para Almodóvar em Cannes e sete prêmios Goya, incluindo filme e diretor. Almodóvar voltaria a ser premiado no Oscar dois anos depois, só que dessa vez em uma outra importante categoria, a de Roteiro Original, com seu esplêndido Fale com Ela. Neste mesmo ano, conseguiu também uma surpreendente (porém justíssima) indicação ao prêmio de Melhor Direção, que acabou ficando com Roman Polanski e sua obra-prima O Pianista.
Para quem gosta de cinema diferenciado, que priorize a história e que não deixe de lado uma boa técnica, sabe que os trabalhos do diretor espanhol são mais do que obrigatórios. Considero Tudo Sobre Minha Mãe ao lado de Fale com Ela, suas obras primas, mas fica o aviso dos temas pesados que Almodóvar aborda, que podem não agradar aos mais conservadores. Ele faz com que o incomum seja natural, que o escuro se torne claro, na mais bela poesia visual desse maestro sensível na arte de fazer cinema. 
E tratando-se de conservadorismo, Almodóvar em "Tudo sobre minha mãe", é um filme que mais uma vez faz uma elegia às margens. Ele mostra, como em quase toda sua filmografia, como as experiências de margem podem ser ao mesmo tempo reveladoras e transgressoras dos mecanismos de poder naturalizados nas ideologias e nos modos de vida dominantes nas sociedades urbanas ocidentais contemporâneas. No filme, desejo e sofrimento se cruzam e constroem uma trama que aos poucos vai dissolvendo alguns princípios estabelecidos sobre identidade(s).
             

terça-feira, 28 de setembro de 2010

“JOGO DE CENA” - CINEMA PARA OUVIR




Sempre pensei que documentário é aquele tipo de filme em que nos dispomos a acreditar, pois o que veriamos seria a mais pura realidade, porém editada. Confesso que esse estilo de filmes não me chamavam muito a atenção, pois era só eu ler a descrição “documentário” já torcia o nariz, por puro pré-conceito mesmo ou talvez pelo fato das experiências anteriores com este gênero não serem muito agradáveis, pois associava a documentário, uma gama de imagens sobre determinado assunto real com uma voz em “off” ou a presença de um narrador imparcial expondo sobre determinado assunto. Enfim, eis que acabo de assistir a “Jogo de Cena” de Eduardo Coutinho, o que muda radicalmente este meu pensamento, e que de certa forma me levará a procurar mais sobre documentários. JOGO DE CENA é um dos melhores filmes que já assisti na minha vida, é simplesmente simples e maravilhoso. Quem não viu vale a pena ver, para conhecer as diversas histórias da vida real dessas mulheres guerreiras e fantásticas. Para quem gosta do gênero, esse filme é de apaixonar. Eu me apaixonei!

A proposta é muito simples: Atendendo a um anúncio de jornal, oitenta e três mulheres contaram suas histórias de vida num estúdio. Em junho de 2006, vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano, atrizes interpretaram a seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas. Mas aí é que reside o trunfo deste projeto, pois estamos simplesmente assistindo mulheres contando suas histórias de vida, histórias tristes, dramáticas, poéticas, absurdas e alegres, histórias REAIS. O que teria demais nisso: nada! O maravilhoso é justamente quando Coutinho coloca atrizes para contar essas histórias, e ao mesmo tempo em que assistimos a versão da pessoa que narra e vivenciou a história, assistimos também atrizes contando a mesma história. É ousado, poético, simples e lindo. Mas Coutinho não para por aí não. Ele consegue enganar o espectador quando coloca atrizes desconhecidas do grande público para contar histórias de outras mulheres. Às vezes eu pensava que estava ouvindo a história de sua autora, digamos, mas não, era uma atriz! Que esfacelamento do olhar, que sacada triunfal. Poxa, isso é Brecht, puro distanciamento! O diretor acaba trabalhando justamente sobre detalhes, como o que as pessoas dizem e o que as pessoas são. Ele consegue nos mostrar uma nova construção do olhar, pois quando vejo a Andréia Beltrão (ma-ra-vi-lho-sa como sempre), quando vejo a Marília Pêra, a Fernanda Torres, sei que elas estão contando uma história, sei que são atrizes exercendo suas profissões, e, portanto sei que é ilusão, é cinema, é teatro, é Brecht, mesmo sem uma construção de ficção, elas criam ficção, é metalinguagem, constroem outros que não são elas. Mas por exemplo, a primeira cena é feita pela atriz Mary Sheyla, contando uma estória que ela mesma vivenciou, e ali eu não sei o que é? É ficção, é cinema, é teatro ou é real? Inclusive esta mesma atriz, representa um trecho da tragédia “Gota D’água” de Chico Buarque e me faz “babar”, sério, pois com o mínimo ela consegue o máximo, consegue tudo (temos que pensar sobre isso no teatro), é de chorar a cena e sua história de vida. Mas durante o desenrolar do filme fico pensando, será que ela estava realmente contando a sua história ou estava interpretando a história de outras? É justamente essa a lógica, ou melhor, essa não-lógica do filme, que eu admiro e aplaudo em pé (Soube que quando exibido no Festival de Gramado em 2007, o público realmente aplaudiu em pé, ovacionando o filme). Minha crença foi posta a prova até o limite, “crer ou não crer eis a questão”, se era real ou ficção, mas o que importa é romper com esse limite e embarcar no fluxo das histórias, rir, chorar, ter compaixão das artimanhas da vida, ou da representação, já nem sei mais se eu sou eu, ou se sou um personagem de mim mesmo.  
Nesse jogo, jogamos todos nós. Jogam as mulheres, atrizes ou não com um misto de teatro e cinema, (cinema-teatralizado!), que exige de cada uma a melhor performance. Joga Coutinho que também é um fingidor quando entrevista as atrizes, tentando encontrar o mesmo tom quando entrevistou as mulheres. E jogamos nós, espectadores com a dúvida, a surpresa e o jogo exposto á nossa percepção.
O documentarista Coutinho acaba criando um longa que trata de inúmeros assuntos que vão desde as atrizes comentando o método de memória emotiva de Stanislavski (o mais famoso teórico sobre direção de atores) até a exclusão social, preconceito, e gravidez na adolescência e, principalmente, discussões sobre relações familiares. Muitos depoimentos se confundem, até mesmo as atrizes famosas contam suas histórias e as menos famosas se perdem por entre as anônimas, de forma que nunca temos certeza de quem eram as atrizes e quem eram as entrevistadas. Estas acabam mexendo com as atrizes de maneira que elas nunca conseguem ser indiferentes ao texto.
 Quanto as atrizes, tem as mais conhecidas temos as veteranas Marília Pêra, Andréa Beltrão e Fernanda Torres, que, aliás, tem um dos melhores momentos do longa, insatisfeita com sua interpretação e inconformada em não conseguir alcançar o tom certo da "personagem". Beltrão (que eu admiro e muito, o filme “Verônica” é muito bom), também tem momentos ótimos durante seu depoimento/interpretação, quando começa a chorar no meio da entrevista e, ao final desta, revela que não tinha o choro programado. A busca em seus entrevistados por intimidades, rendem lições, derrotas, amores e vitórias. Ninguém penetra melhor na alma de um entrevistado de forma que a imagem sirva apenas como um elo entre o espectador e os depoentes. O diretor está interessado em seus discursos, que nos atingem com tamanha emoção, incomum ao gênero documentário. Eduardo Coutinho nos proporciona um prazer único: ouvir o cinema.
Jogo de Cena é o décimo longa-metragem de Eduardo Coutinho, um dos maiores documentaristas brasileiros em atividade. Depois de um início de carreira dividido entre a ficção e o documentário, Coutinho optou pelo segundo.  Mais recentemente, iniciou uma fase muito produtiva com a realização seguida de cinco filmes em seis anos: Santo Forte (1999), Babilônia 2000 (2000), Edifício Master (2002), Peões (2004) e O Fim e o Princípio (2005). A solidez do método de Coutinho e sua sensibilidade para ouvir pessoas comuns são fruto de laboriosa reflexão sobre o seu ofício ao longo de inúmeros documentários em vídeo realizados nas décadas de 80 e 90, entre os quais se destacam Santa Marta: Duas Semanas no Morro(1987) e Boca de Lixo (1992).


Thrilher do filme.

domingo, 5 de setembro de 2010

LAVOURA ARCAICA! Ausência de diálogos e presença de imagens brilhantes!

LAVOURA ARCAICA

Gostaria de compartilhar aqui a minha grande experiência em assistir o filme Lavoura Arcaica. Digo experiência, pois o filme te permite exatamente isso: experimentar através da lente da câmera, adentrar no espaço de uma família que honra as suas tradições, e quando estas entram em desarmonia, muitas coisas podem acontecer. Filme belíssimo, que eu adiei e muito em assisti-lo, mas que não me arrependo de nenhuma de suas longas duas horas e 40 minutos de pura beleza cênica, plástica, visual, auditiva, enfim, uma verdadeira ode visual.
Lavoura Arcaica é um filme brasileiro de 2001, dirigido por Luiz Fernando Carvalho. O roteiro é baseado no romance homônimo de Raduan Nassar, publicado em 1975.

Lavoura Arcaica narra em primeira pessoa a história de André, que se rebela contra as tradições agrárias e patriarcais impostas por seu pai e foge para a cidade, onde espera encontrar uma vida diferente da que vivia na fazenda de sua família. Quando é encontrado em uma pensão suja em um vilarejo por seu irmão Pedro, passa a contar-lhe, de forma amarga, as razões de sua fuga e do conflito contra os valores paternos.
Sem ordem cronológica, André faz uma jornada sensível a sua infância, contrapondo os carinhos maternos e os ensinamentos quase punitivos do pai. Este valoriza acima de tudo o tempo, a paciência, a família e a terra, fiado na doutrina cristã. Mas André não aceita esses valores. Ele tem pressa, quer ser o profeta de sua própria história e viver com intensidade incompatível com a lentidão do crescimento das plantas. Nesse trajeto, a paixão incestuosa por sua irmã Ana, e sua rejeição, exercem papel fundamental na decisão de fugir da casa da família. A mãe desesperada manda o primogênito Pedro buscá-lo para tentar reconstruir a paz familiar. Trazido de volta para a fazenda, André é recebido por seu pai em uma longa conversa e uma festa que, ao invés de resolverem o conflito, evidenciam a distância intransponível entre as gerações. Por essa razão, a história é muitas vezes descrita como uma versão invertida da parábola do filho pródigo.Realizado sem um roteiro prévio, Carvalho fez questão de utilizar o livro como fonte primária de todas as falas do filme.A trilha sonora foi realizada de maneira semelhante, com a presença do compositor Marco Antônio Guimarães, líder do grupo instrumental mineiro Uakti, durante as leituras. A música de Guimarães utiliza temas típicos da música árabe e faz uma citação d'A paixão segundo São Mateus de Bach. Muitas cenas não têm diálogos, apenas a música, que toca às vezes por vários minutos. A direção de fotografia é de Walter Carvalho, que utilizou muitos contrastes de luz e sombra e em alguns momentos deixa a imagem fora de foco, construindo uma estética quase abstrata. 
O filme foi sucesso de crítica no Brasil e no exterior, tendo recebido mais de 25 prêmios em diversas categorias de festivais e mostras nacionais e internacionais. As características mais elogiadas foram a fidelidade ao texto original, a fotografia, a direção, a música e as interpretações de Selton Mello, Raul Cortez e Juliana Carneiro da Cunha, atriz que faz carreira teatral bem sucedida na Europa mas que até esse filme era praticamente desconhecida no Brasil. O filme foi considerado por muitos como um trabalho brilhante e um dos melhores filmes brasileiros dos últimos anos.
O filme não se tornou um sucesso do grande público e esteve em exibição em poucas salas de cinema no ano de sua estréia. Muitos atribuem isso à longa duração, à lentidão ocasionada pelas muitas cenas com ausência de diálogos ( o que eu achei ótimo), à fotografia quase abstrata em alguns momentos (linda a fotografia do filmo todo!) e à interpretação teatral (interpretação brilhante). Luiz Fernando Carvalho utiliza o perfeccionismo com grande ferramenta, sua fidelidade ao texto original (que também foi definida como subserviência ao livro), pelo uso da narração, o que torna a obra dificil para o grande público, jamais ruim, pelo contrário, extraordinária!
Lavoura arcaica foi o primeiro filme de Luiz Fernando Carvalho, que também realizou diversos trabalhos para a televisão, como as telenovelas Renascer (1993), O Rei do Gado (1996) e Esperança (2002) e as minisséries Os Maias (2001), Hoje é dia de Maria (2005), A Pedra do Reino (2007) e Capitu (2008). O filme foi realizado inteiramente em uma locação, em uma fazenda do interior de Minas Gerais. Nela, os atores e a equipe técnica passaram nove semanas, durante as quais aprenderam a trabalhar a terra, ordenhar, fazer pão, bordar e dançar como uma família de origem libanesa. O próprio autor do texto original, Raduan Nassar, esteve presente durante esta etapa.A atriz Simone Spoladore não tem nenhuma fala no filme, mas teve uma preparação mais longa que a dos demais atores, pois teve que aprender a dançar para as duas festas que aparecem no filme. O personagem "André" é vivido por Selton Mello, mas a sua voz enquanto narra em off suas memórias é do diretor Luiz Fernando Carvalho. 

Prêmios
   Grande Prêmio BR de Cinema (2002)
"Melhor Atriz" (Juliana Carneiro da Cunha) e "Melhor Fotografia".
Festival de Montréal (2001)
§  Prêmio de "Melhor Contribuição Artística".
Festival de Brasília (2001)
§     "Melhor Filme", "Melhor Ator" (Selton Mello), "Melhor Atriz Coadjuvante" (Juliana Carneiro da Cunha) e "Melhor Ator Coadjuvante" (Leonardo Medeiros).
Mostra de Cinema de São Paulo (2001)
§  Prêmio do Público.
Festival de Cartagena
§  "Melhor Filme", "Melhor Diretor", "Melhor Fotografia" e "Melhor Trilha Sonora".
§  Festival de Havana (2001): "Prêmio Especial do Júri", "Melhor Ator" (Selton Mello), "Melhor Fotografia" e "Melhor Trilha Sonora".
ABC Trophy (2002)
§  "Melhor Fotografia de Longa Metragem".
Festival de Buenos Aires do Cinema Independente (2002):
§  Prêmio ADF de Fotografia, Prêmio do Público, Prêmio Kodak e Menção Especial para Luiz Fernando Carvalho.
Festival de Guadalajara (México - 2002)
§  "Melhor Filme", pelo juri internacional.