segunda-feira, 28 de novembro de 2011

DOGMA DO MERDA

Dogma do Merda
Prezados atores e dramaturgos; prezados profissionais do teatro:

Não vamos mais pedir esmola. Este é um relato de como se encontra o teatro carioca em 2011 e não coloco a culpa no governo, na TV nem nos empresários. A culpa, desconfio e lamento, é do próprio “povo do teatro”. E não estou falando da culpa cristã, essa que promete um Salvador e o caminho dos céus, eu me refiro a sua responsabilidade como artista pelos rumos da sua profissão.
Era uma vez um povo que se acostumou a trabalhar de graça, a viver de favor, a ser submisso. Um povo que foi domesticado a receber sempre com muita gratidão e humildade aquele apoio, o prato de comida na noite de estreia, um desconto camarada durante a temporada. Infelizmente, esse povo que trabalha (e muito!), se acostumou a se nivelar por baixo.

Era uma vez um povo crítico, observador, treinado a perceber cores na realidade que escapam aos olhos da maioria de seus irmãos. Esse povo, com antenas conectadas naquilo que parece imperceptível, e capaz de produzir questionamentos sobre nosso jeito de ser e de se comportar, esse povo então batizado como “artista”, é muito preguiçoso.

Era uma vez um monte de gente jovem, com seus vinte e poucos anos, trinta e poucas primaveras de sonhos, utopias e necessidades de transformar o mundo. Essa é a história de um povo criativo, bastante egocêntrico mas muito criativo, que nasceu inspirado a interpretar nossa existência e mostrar para o restante do “povo comum” que nas entrelinhas da vida existe drama, existe fantasia e que o nosso combustível para viver é o conflito.

Gostaria de contar para vocês a história de um povo apaixonado pelo que faz. Que tem dificuldade em enxergar na própria profissão um trabalho, que sobe no palco pela primeira vez cheio de ideologias e discursos prontos, que se sente ofendido e muitas vezes surpreso quando é pago pelo que faz. Pelo que ele faz muito bem.

É a fábula de um povo muito bacana e gentil que não deixa de prestigiar os amigos. De um povo que lota todos os teatros e que mesmo sabendo das dificuldades em se levantar um espetáculo, criou o “convite amigo”. Para que ele próprio, o “povo do teatro”, não reconheça o valor de seu trabalho. Ou para que não enfrente o pior dos pesadelos: uma plateia vazia.

O povo do teatro quer trabalhar a todo custo. Alega que é movido pela paixão. Trabalha não por compulsão ou doença, mas por uma necessidade política muito fundamental do ser humano: a vontade incontrolável de falar. De compartilhar. De perguntar sem a obrigação de responder. Alguns consideram-se mais especiais que os outros e ao invés da generosidade, disseminam vaidade. Outros, por não se sentirem tão importantes assim, por falta de vaidade, desistem no meio do caminho.

Quantos de vocês não conhecem alguém que ficou para trás? Quantos de nós já não pensamos em desistir? Quantos talentos promissores não foram desperdiçados, quantas possibilidades não foram devastadas pela nossa falta de postura e união? Quantas almas criativas não foram enterradas diante da desesperadora e justa necessidade de chegarmos aos 30, 35 anos com um pouquinho de qualidade de vida?

O povo do teatro é um povo muito covarde. Covarde porque ele aceita qualquer coisa, porque ele se acostumou a produzir com o medo de não fechar as portas, de não perder os contatos, de não “se queimar”. No entanto, infelizmente, os maiores sacrificados são os próprios artistas. Mesmo quando alguns poucos são beneficiados com o sonho do patrocínio, descobre-se que aquela empresa que fez o favor de “dar o dinheiro para bancar o seu sonho” vai depositar a parcela tão batalhada… um mês depois da sua estreia!

Os atores, a ALMA de qualquer espetáculo, e que exceto o público são a única presença verdadeiramente indispensável para que o teatro aconteça, são os últimos a receber. Os dramaturgos, os primeiros a trabalhar sem a menor garantia que um dia verão o seu texto encenado. A culpa não é dos produtores. Inclusive, eles trabalharão horas a fio para inscrever seu projeto na lei, para captar alguma grana por fora, para convencer o empresário que aquilo é bom.

Só que estamos caminhando para o colapso. Quando qualquer classe de trabalhadores se sente agredida e desrespeitada, busca-se uma articulação, algum tipo de união e debate, alguma atitude. Os funcionários fazem greve. Assistimos, em poucas semanas, a greve de funcionários da cultura, a greve de professores, a greve de funcionários dos Correios e agora a greve de bancários
E os artistas, como se defendem? Como esse povo que é apaixonado pelo que faz entrará em greve com o amor? Vocês serão capazes de paralisar essa energia movida pela paixão, tão cafona, tão vítima e tão melodramática, para assumir o verdadeiro papel de heróis? Serão capazes de se transformar ao longo da jornada?
Queremos ser heróis trágicos, vítimas massacradas por escolhas infelizes e por uma batalha desigual com os deuses. Nossa maior desmedida não é o engano; nosso erro trágico é passar por cima e fingir que essas são as regras do jogo. Que é melhor jogar calado do que desistir. Já que para cada um que não trabalha de graça, uma centena trabalhará.
Vou apresentar a vocês o “povo da música”. Dizem que eles só entram no processo quando existe dinheiro. Assim como o “povo da técnica”, aquele responsável por operar o som que embala os atores ou a luz que não os deixará no escuro. O povo da música, quando trabalha de graça, exige no mínimo um instrumento para ser tocado. Os atores não. Eles aceitam ensaiar sem espaço adequado, aceitam ensaiar sem os objetos de cena, os atores aceitam não receber. Os atores aceitam. Aceitarão, no futuro, as indicações de alguns diretores despropositados que não sabem o que estão fazendo. Aceitarão o patrocínio que entra com meses de atraso. Aceitarão qualquer trabalho em qualquer constrangedor programa de TV para que possam pagar as suas contas no final do mês. E fazer o seu teatro, graça a Deus.

Os cenógrafos serão obrigados a fazer um cenário que caiba numa mala, os figurinistas terão que operar milagres em algum brechó da cidade, os iluminadores terão que ser inventivos usando velas, lanternas e um abajour e todo aquele montante do patrocínio vai pagar o banner, a assessoria de imprensa e sua estreia se resumirá a uma estética que impera no teatro carioca: palco vazio e um banquinho de madeira. Como é que um espetáculo que recebe 200 mil estreia assim? O dinheiro é destinado a pagar os profissionais. E pagar mal. O orçamento fica apertado e sobra muito pouco para o projeto em si. Nosso teatro se resume a uma mala, com toda a ironia que a palavra carrega.

Quantos artistas anônimos transbordando de talento, mas cheios de falta de sorte ou sem os devidos contatos, não morrerão sem viver o calor de uma temporada cheia?

Povo do teatro! Não vamos aceitar quietos e sermos pagos três meses depois! Aceitar é um verbo antiteatral por princípio. É um verbo que acaba com o conflito. E o que percebemos, angustiados com o povo do teatro, é que temos aceitado tudo com medo, com receio de não trabalhar mais. Não vamos trocar nosso trabalho por um prato de comida nem por um pedaço de pano. Não vamos nos deixar levar pela promessa de pagar nossas contas de janeiro apenas em abril. Ou então, prezado povo do teatro, vamos assumir que somos apaixonados e medíocres.

Por falta de união e por pura preguiça, nos tornamos invejosos e recalcados com quem trabalha na TV. Nos tornamos uma classe desesperada que perdeu a classe, que perdeu a fineza de se colocar de igual pra igual com um patrocinador.

Quando se é jovem, quando não se é ninguém, é muito bom desfrutar da importância de ser “desimportante”. De não levar os discursos tão à sério e enxergar por trás de um manifesto apaixonado e radical, cheio de inconsequências e desmedidas, um suspiro de sinceridade. E carinho, muito carinho, com esse tal “povo do teatro”. Afinal, se nem todos são do teatro, todos nós somos o povo.

Assumir esse desconforto não é uma maneira de dizer que o teatro faliu. Não é um manifesto pessimista. Não é apologia ao “não vale a pena”. É só a história do único povo do mundo que passa fome para alimentar a alma dos outros. Nunca foi tão emblemático gritar “Merda” antes de cada apresentação, mas no pé que estamos, sugiro que o grito seja dado no final, sempre que a plateia estiver vazia.

O povo do teatro enfrenta seu maior desafio. Já que ele não é pago, ficou refém do elogio.
Reproduzo o texto acima que achei muito interessante para uma reflexão, é um texto sobre o teatro carioca, mas é a realidade de grande parte do teatro brasileiro. O crédito do texto é do Felipe Barenco publicado originalmente no blog http://donaheliodora.com.br/post/10859624980/dogma-do-merda
Dona Heliodora é um personagem de ficção criado por Felipe Barenco e este manisfesto não tem alguma relação verídica com qualquer opinião da célebre crítica Barbara Heliodora. Por favor, não reproduza este texto sem os devidos créditos e esclarecimentos.

domingo, 27 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 17

Hoje trago a 17ª parte deste memorial retrô. E hoje destaco três trabalhos que tem propostas similares, onde a ousadia e política permeiam suas dramaturgias. Confira!

ESPETÁCULO LOCAL
"A DECISÃO" Grupo Trilho de Teatro Popular
Este trabalho me tocou bastante. Não porque sou amigo do pessoal do Trilho, mas porque vi neste trabalho um passo a frente na pesquisa deste coletivo que tem se destacado em suas produções. Uma montagem recheada de teatralidade, calcada em uma poética brechtiana e o mais banaca é que reconhecemos vários signos propostos por Brecht, postos lá na cena, de frma orgânica e não de forma engessada ou teórica. O elenco é afinado e o grande responsável por criar este verdadeiro jogo teatral. Um trabalho digno e honesto que  soube utilizar muito bem a carpintaria teatral. Gostaria muito de vê-lo novamente nos palcos gaúchos e projetado nacionalmente. Porque não! Merece figurar nesta lista pela qualidade e compromisso de apresentar uma arte politica sem ser panfletária unida a uma  estética contemporânea. 
A decisão narra a história do retorno de quatro Agitadores a Moscou, vindos da missão bem sucedida de colaborar com a revolução comunista na China. Ao chegarem, comunicam ao Coro do Partido a perda de um Jovem Camarda, que foi morto por eles devido a suas atitudes impulsivas que haviam posto em risco o processo revolucionário. Os fatos são narrados e interpretados pelos Agitadores, que exigem do Coro do Partido uma sentença. O elenco contava com Ana Campo, Caroline Falero, Daniel Gustavo, Drica Lopes, Fábio Castilhos, Gil Do Santos, Giovanna Zottis e José Carlos Junior e Iluminação de Bruna Immich com trilha Sonora de José Carlos Junior.
Vale a pena conhecer o SITE do Grupo Trilho.

ESPETÁCULO NACIONAL
"STELLA DO PATROCÍNIO - Relatos de uma alma aprisionada"
Texto de Jirau e foto de José Diaz
Quando assisti a atriz Clarisse Baptista no monólogo Stella do Patrocínio, fiquei extasiado primeiro pela linda interpretação desta atriz acreana (nunca tinha assistido nada do Acre) e segundo pela linda história de Stella do Patrocínio que é emocionante. A peça é um testemunho de Stella, que por 30 anos estava trancada na Colonia Juliano Moreira, uma instituição psiquiátrica do Rio de Janeiro. Fiquei maravilhado, boquiaberto,  e surpreendido com a qualidade deste trabalho.

A história de Stella do Patrocínio, o texto, o visual do cenário baseado nos trabalhos de Arthur Bispo do Rosário, interno da Colônia Juliano Moreira onde também viveu a personagem, a iluminação, culminando com a fantástica entrega de Clarisse Baptista. Arrebatador!!!





ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"O AUTO DA CRIAÇÃO DO MUNDO" Portugal


“O Auto da Criação do Mundo”, é um espetáculo de títeres dos Bonecos de Santo Aleixo de Portugal, numa fusão produtiva entre a cultura popular e a escrita erudita. Um espetáculo divertido e cativante. Uma obra teatral popular que nos remete para uma tradição que se terá difundido de forma oral.
Os Bonecos de Santo Aleixo são títeres de varão manipulados por cima, à semelhança das grandes marionetas do sul de Itália e do norte da Europa, mas de pequeno tamanho, entre 20 e 40 centímetros. Neste espetáculo na vila medieval de Monsaraz vão ser manipulados pelos atores do grupo. As marionetas são feitas de madeira e cortiça, vestidas com um guarda-roupa que permite, como no teatro naturalista, identificar as personagens da fábula contada. O essencial dos meios utilizados é composto por um lugar de representação chamado "retábulo", construído em madeira e tecido florido, reproduzindo um palco tradicional em miniatura, com pano de boca, cenários pintados e iluminado com candeias de azeite. Possui uma rede dupla de cordéis, colocada verticalmente entre os bonecos e o público. Os manipuladores estão ocultos por panos de chita. A música, guitarra portuguesa e cantigas, é interpretada ao vivo e os textos, transmitidos oralmente, resultam de uma fusão entre a cultura popular e uma escrita erudita. O repertório consiste em peças de tradição secular, de teor basicamente religioso, para além de outras, cujos textos pertencem, em geral, à chamada literatura de cordel. A representação inicia-se sempre com o Baile dos Anjinhos ou Contradança. As figuras carismáticas são o Padre Chanca e o Mestre-Salas, que, por tradição, tem uma moça, com a qual castiga ou abraça o Padre, enquanto este prega.



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 16

Dando sequencia ao post especial sigo hoje com mais três destaques da cena, dos espetáculos que fizeram a minha memória.
ESPETÁCULO LOCAL
"ASSASSINO"
"Assassino" espetáculo performático de Alexandra Dias com direção do Irion Nolasco. Provocativo. Performático  Questionador. Ousado. O espetáculo colocava na cena um paciente num manicômio  que se autodenominava assassino. Foi um espetáculo marcante principalmente pela entrega e performance de Alexandra Dias no palco, sua figura era ao mesmo tempo assombrosa e de uma beleza incrível, com cabelos raspados e um figurino lindo. Lembro que havia projeções e algumas vozes em off que potencializavam este estado de delírio do personagem. Um mergulho teatral que muito a minha memória teatral. Ah, vale destacar a iluminação também, num tom azul que era muito marcante. 



ESPETÁCULO NACIONAL
"O PARAÍSO PERDIDO" - Teatro da Vertigem
"O paraíso perdido" foi a 1ª peça da Trilogia Bíblica do Teatro da Vetigem. Com dramaturgia de Sérgio Carvalho e direção de Antônio Araújo, “O Paraíso Perdido” é uma das peças mais líricas, poéticas e imagéticas que já assisti. O espetáculo pode ser dividido em três movimentos: a dor da queda, a revolta e a aceitação da perda do Paraíso após o pecado original. O espetáculo foi montado na Catedral Metropolitana de Porto Alegre que deu um charme a montagem. Lembro que chorei muito durante este espetáculo, que me impactou demais. 








ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"JUBILEO" - Uruguai
Alberto Riveiro - Diretor de JUBILEO
"Jubileo" é dirigida por Alberto Riveiro, mesmo diretor e autor do excelente "Canibales" que já citei aqui na coluna.  Jubileo é uma dura critica ao neonazismo e uma vigorosa denúncia ao holocasuto, realizada com uma leveza que era estranha devido ao tema. O truque reunia um grupo de mortos judeus em um cemitério as margens do rio e registrar seus medos derivados das visitas periódicas de vândalos neonazistas que violavam suas tumbas. Tabori explora o surrealismo de suas vidas cotidianas, retratando a insólita situação existencial que se encontram. E como estou resgatando memórias, uma imagem que me fica é do cenário desta peça, que era uma caixa repleta de tijolos quebrados, que dava a impressão de restos, sobras, obras em construção, fazendo uma analogia a realidade daqueles personagens. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"REFLEXOS DO BALCÃO"

Cenas do Balcão de Genet é resultado da disciplina de Atuação Teatral II, Orientado pelas professoras Tatiana Cardoso e Jezebe De Carli. O universo dos atores que interpretam determinadas figuras do poder como Bispo, chefe de policia, General e Juiz. A situação caótica instaurada ao redor da casa de ilusões mais honesta e mais sábio, o grande Balcão acaba gerando transformações nos acontecimentos da casa. A fantasia dá matéria a realidade e a realidade nutre a fantasia. O falso torna-se verdadeiro....Venha prestiar os artistas da cidade. Entrada Franca.Contamos com sua presença.
Serviço:
REFLEXOS DO BALCÃO
DIA 25 de novembro de 2011.
20:30hs
Entrada Franca
Teatro Terezinha Petry Cardona - Fundarte - Montenegro.

Maiores informações clique AQUI

domingo, 20 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 15

Relembrando os espetáculos que fazem parte da minha memória, destaco hoje mais três trabalhos:
ESPETÁCULO LOCAL
"LARVÁRIAS"
Foto: Cláudio Etges

Um espetáculo memorável de Daniela Carmona e Adriano Basegio e sua Cia. do Giro. Lindo, tocante, imagético. Irretocável em sua técnica rigorosa e estética originadas de forte pesquisa das máscaras. Um dos espetáculos mais belos que já assisti.
Larvárias retrata os aspectos delicados e graciosos do cotidiano, seu humor e poesia. De um imenso mundo branco, surgem máscaras-larvas em diferentes estados e formas: figuras intermediárias que contêm o homem e o bicho, que não estão resolvidas em características humanas, mas que também não são animais. O espetáculo fala dos encontros e desencontros destes seres - seus atritos, confusões, equívocos e aproximações, ampliando o mundo fenomenal que envolve o contato entre eles. A ambientação da cena - através dos recursos da música, luz, cenário e figurino, aponta em direção aos eternos, sábios e perenes movimentos do universo, revelando que junto ao gesto diário está o movimento das marés, das estrelas, dos planetas: realidades paralelas e tangentes que, numa explosão de sensibilidade mútua, podem se inter-relacionar.
Conheça mais o trabalho da Cia. do Giro clicando AQUI.
ESPETÁCULO NACIONAL
"A POLTRONA ESCURA" 
"A poltrona escura" reúne três textos contos de Pirandello dirigidos por Roberto Bacci e interpretados magistralmente por Cacá Carvalho. 
Cacá Carvalho é capaz de uma identificação tão visceral com os personagens, que o leva além do naturalismo. Dotado de uma gestualidade em contínuo movimento que sublinha o transcorrer da voz, do tom baixo até o grito, que parece mesmo exprimir o barulhinho de uma vida diferente. Ele interpreta com os olhos, com a boca, com todo o corpo”. O ator executa o espetáculo de modo vigoroso e triunfal. Sentado em uma poltrona cria um infinito universo de imagens que nos transportam a outros mundos. Um dos melhores atores do Brasil, e porque não dizer do mundo, já que ele reside também na Itália. Merece com certeza figurar nesta lista.
ESPETÁCULO INTERNACIONAL 
"ROMAN PHOTO" Chile
Assisti este espetáculo do Grupo La Gran Reyneta do Chile lá na Redenção e gostei muito da proposta. Um set de filmagens que nos revelava todos os truques que estão por detrás das câmeras. Acrobacias, grandes ventiladores, folhas ao vento, números de risco, plataformas que se movimentavam, explosões, carros partidos ao meio, saltos, pirofagia, vidros que se quebravam enfim, grandes truques e efeitos revelados ao vivo para o público num ritmo alucinante. Uma grande brincadeira que esteve no Porto Alegre em Cena. Um espetáculo inventivo que se utilizava de variados efeitos para mostrar os efeitos dos filmes de efeitos. Uma grande festa teatral! Esse show é realmente filmar uma novela realizada em uma pequena praça pública, onde o script é ridículo e é cheio de histórias de amor meloso que terminam em um banho de sangue. Ainda assim, a turma leva seu trabalho muito a sério e rivais conseguiram obter os melhores efeitos especiais que pode ser concebida aos olhos do público, com material retirado em qualquer lugar. Nessas condições, depois de uma moldura de alumínio que representa o quadro de uma imagem instala os comediantes e tomar posições, como se ele será um clichê cuja composição é orquestrado pela voz do diretor. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA Parte 14

Hoje apresento mais três trabalhos desta postagem especial:
ESPETÁCULO LOCAL
"IN SURTO"
Foto: ousarte.blogspot.com
Aqui no estado, ou melhor, no Brasil, somente dois coletivos me provocam intensamente quando vou assistir as suas produções: Ói nóis aqui traveiz e o Falus & Stercus. E quando falo em provocação, me refiro ao que estes coletivos colocam em todas as suas montagens e não em trabalhos isolados, provocações estilísticas, politicas e estéticas que radicalizam a cena contemporânea rompendo barreiras do espaço e tempo. E foi assim com "In Surto", espetáculo que assisti duas vezes, a primeira lá no Hospital São Pedro e a outra com nova versão para o teatro. Minha reação frente a esta obra foi impactante. Esta era a 1ª vez que assistia a uma montagem no dentro do hospício e o tema abordado na peça tinha tudo a ver. Um espetáculo que trabalhava a verticalidade, a loucura, o uso de espaços alternativos e se utilizava de várias técnicas como o rappel, a instalação com uma cenografia de Félix Bressan que impactava pela utilização daquele espaço. Um daqueles trabalhos que é para ser louvado e digno de orgulho para nós que temos um grupo como o Falus & Stercus que tem uma proposta que foge dos padrões e de rótulos, um dos grupos mais instigantes do teatro contemporâneo. "In Surto" foi destaque na Revista Cult, considerado um dos melhores trabalhos da década, segundo o jornalista Fábio Priladnicki. 

ESPETÁCULO NACIONAL
"AMORES SURDOS"
"Amores Surdos" é uma daquelas obras primas do teatro brasileiro. Um espetáculo de renovação, realizado pelo Grupo Espanca! de Minas Gerais. A princípio temos uma história simples de uma família simples, mas que logo no começo esta mesma família começa a demostrar que não é tão simples assim. Espetáculo que tem um fabuloso jogo de atores, e que atores, uma direção incrível e o texto da Grace Passô é fantástico, onde ela aborda o humano que não sabe se comunicar. A lama que escorre no palco é decorrente das relações familiares e tudo está tão imbricado, tão bem executado, uma revelação de grupo que deixa todos boquiabertos diante deste maravilhoso trabalho. Inesquecível mesmo! Muitas cenas deste trabalho povoam minha memória como a do ator que fazia o menino, o número de sapateado que unia a família e a revelação que o menino cuidava de um animal no quarto da casa e toda aquela lama adentrando no espaço, são belos momentos do nosso teatro. Viva a renovação! Viva Grace Passô, viva o Grupo Espanca!

ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"ÍCARO" 
Espetáculo encantador do Teatro Sunil da Suíça com direção e atuação de Daniele Finzi Pasca. O espetáculo foi magnifico e eu lembro muito de uma cena em que o ator chama um espectador e na noite em que eu fui, a escolhida foi a minha amiga Giovana Zottis.  Situado em um quarto em um asilo suíço mental, ele fala sobre seu sonho de voar como Ícaro para contornar esta realidade dolorosa. Finzi Pasca é um palhaço nato e seus sapatos e roupas deixavam o espetáculo visualmente atraente. A música era vibrante, enquanto a atmosfera criada através de sua narração emotiva era mágica. Um espetáculo que prova que, libertando a imaginação de alguém que lhes permitem desafiar a tragédia e dor você mesmo se liberta. Você teria que ser morto por dentro para não ser tocado por esta magnífica obra e só posso colocá-lo entre minhas melhores experiencias teatrais. 

MEMÓRIA DA CENA - Parte 13

Seguimos hoje com mais três destaques da cena, nesta retrospectiva dos espetáculos que marcaram minha memória, em comemoração aos meus 30 anos comemorados neste mês.

ESPETÁCULO LOCAL
"CARA QUEIMADA"

“Cara Queimada” foi o 1º espetáculo adulto feito exclusivamente para sala do Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais. Foi um espetáculo impactante! Com direção de Arlete Cunha e com um elenco muito bom encabeçado pelo jovem Ricardo Vivian que na minha opinião surpreendeu e muito no papel de um incendiário. Também estavam no elenco Nádia Mancuso, Vera Parenza, Giancarlo Carlomagno e Hamilton Leite. Lembro da maravilhoso trilha feita pelo Ultramen que dava um clima bacana para a peça, feita no Teatro de Arena. "Cara Queimada" é um texto inédito em português do dramaturgo alemão contemporâneo Marius von Mayenburg. A trama aborda o universo familiar onde a violência se apresenta sob uma constante humana.
Duas gerações em conflito, os pais continuam juntos por puro comodismo e apesar de terem uma boa intenção estão longe de conseguir algum tipo de comunicação sadia.

A patética mentira de suas vidas só faz aumentar a distancia entre eles e a realidade obscura da vida de seus filhos. 
Os filhos, um casal - Kurt e Olga - que em plena adolescência se fecham cada vez mais na sua relação doentia e incestuosa, fazem um mundo somente deles e com suas próprias regras, onde a vida e a morte perdem o valor e o sentido. Kurt tem uma obsessão pelo fogo e passa a incendiar tudo o que consegue, quando sua irmã descobre é tomada pelo mesmo sentimento. Os pais, vivendo no seu outro mundo de mentiras se dão conta tarde demais e ameaçando entregar Kurt à polícia, são assassinados, pelos próprios filhos. Olga acaba se arrependendo, coloca a culpa de tudo no irmão, e foge com ex-namorado Paul. Kurt sem mais alternativas coloca gasolina em toda casa e risca o fósforo.
A temática é abordada sob a sua pior faceta onde a única saída realmente seja fugir ou queimar. Realmente um espetáculo digno de boas lembranças, assim como todo o repertório do Oilgalê no qual conheço todas as peças! 

ESPETÁCULO NACIONAL
"BENGUELÊ" Grupo Corpo
Minha paixão pela dança começa de cara com o Grupo Corpo, quando assisti ao espetáculo "Benguelê". Rigor, belo e extremamente empolgante. Um grupo que coloca em foco a dança brasileira, sem ser bairrista. Uma ode a brasilidade. Com coreografias de Rodrigo Pedeineras e música de João Bosco (que eu adoro) o espetáculo foi uma das coisas mais sublimes que eu já assisti. Benguelê é uma exaltação ao passado africano e profundas raízes da cultura brasileira. Ritmos africanos, dança clássica desconstruída e resignificada dão a tônica deste maravilhoso trabalho do Grupo Corpo. 

ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"SOLO" Itália
"Solo" foi um espetáculo de marionetes inesquecível! Da Cia. Walter Broggini da Itália me marcou pela inteligencia e humor. Solo é um espetáculo de humor negro dirigido ao público adulto. Vários quadros que refletiam sobre a morte. A manipulação dos bonecos eram todas feitas por Broggini e em pequenas esquetes narravam as aventuras de personagens que enfrentavam o inevitável destino humano. Macabro e irônico, o espetáculo é apresentado sem a comunicação verbal, apenas através do gestual dos bonecos que tinham uma estética linda, brancos e articulados. Um espetáculo memorável!!!! Abaixo o vídeo do espetáculo!







quarta-feira, 16 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 12

Hoje seguimos com este post especial com mais três destaques teatrais:
ESPETÁCULO LOCAL
"GORDOS ou SOMEWHERE BEYOND THE SEA"
A primeira vez que assisti a este trabalho foi dentro da mostra do Dad, quando alguns do seus integrantes estavam finalizando suas graduações em teatro. E ali este espetáculo já me provocou muito, pela estética e ruptura que provocava na platéia. Sempre acompanhava a mostra dos trabalhos e este me chamou muito a atenção, e ali estava sendo plantada uma semente que se transformou hoje no badalado Grupo Teatro Sarcáustico do Daniel Colin e cia., ou seja, lá no inicio o grupo já demostrava a que viera e veio para ficar! A história da peça era sobre um desastre aéreo em que os personagens estão perdidos há muito tempo. As imagens que ficam era do espaço branco, alguns objetos todos da mesma cor (verde!) e projeções em vídeo. Situações bizarras e dramaticamente interessantes recheadas de humor negro faziam parte do contexto. Um trabalho impactante que merece ser relembrado!!! 
ESPETÁCULO NACIONAL 
"REBÚ"
Este foi o trabalho no qual conheci a tão badalada dramaturgia de Jô Bilac. As vezes o público vai ao teatro por causa do grupo, ator, diretor e tão raramente por causa do dramaturgo. E o que me levou a este espetáculo foi Jô Bilac, que bom que pude conhecer o seu trabalho, mas que bom que o Jô me levou a conhecer o trabalho da Cia. Teatro Independente que tem todos os méritos da produção. O espetáculo foi um acontecimento! Imagina uma montagem em que os atores eram ótimos, com um texto e trama excelente, um diretor atento? O resultado foi era delicia que é "Rebú". O Bode interpretado pelo gaúcho Diego Becker e a não utilização de nenhum objeto em cena foi um dos destaques. Escrevi um comentário aqui no blog tempos atrás sobre este trabalho, quem puder confira clicando AQUI!





ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"EMBAIXO DA CAMA" Rússia
Um espetáculo difícil, em russo com legendas, mas não intransponível. Vi uma rigidez, mas ao mesmo tempo uma beleza ímpar! Repetições, efeitos, humor faziam parte deste espetáculo. Uma adaptação do texto de Dostoievisky adaptado para o teatro por Mijail Levitin, a peça abordava o comportamento de um homem apaixonado. Situações inusitadas, beirando o clownesco beiravam a cena, uma das marcas registradas do Grupo Teatro Ermitage. Uma recriação carnavalesca da obra de Dostoievsky, que ao final fica acessível a todos!


MEMÓRIA DA CENA - Parte 11

Hoje, dia 15 de novembro é o dia do meu aniversário, estou completando 30 anos e por esse motivo é que estou publicando aqui os 30 melhores espetáculos locais/nacional/internacional que assisti durante estes meus 30 anos de vida.  Dando sequencia a este post especial sobre os espetáculos que fizeram a minha memória trago hoje a 11ª parte, onde destaco mais três espetáculos:


ESPETÁCULO LOCAL
"TRANSEGUN"
Este espetáculo foi muito importante para mim, pelo fato de eu poder me ver representado ali no palco. Um espetáculo lindo, que trazia a negritude para o centro do palco e lançava esse resgate da obra dramaturgia de autores afro-descendentes. Jessé Oliveira e seu grupo a partir deste trabalho se tornaram referencia no teatro a partir deste trabalho, mas não somente pelo fato de reunir um bando de atores negros no palco, mas sim pela qualidade estética e politica que este bando de atores negros tinham e estavam ali com o propósito de compartilhar conosco os seus anseios. Transegun era belo, poético, forte e libertador. Assisti duas vezes este trabalho surpreendente. O ator Anderson Silva estava radiante em seu trabalho, assim como os demais. tinha uma cena que eu achava linda, aquela em que os atores sopravam garrafas na ponta da coxia, era de um efeito encantador, sem contar da forma como o espetáculo foi construído. Merece figurar aqui nesta retrô pela qualidade da peça e do projeto do Caixa-Preta que merece retornar com belos trabalhos. 

ESPETÁCULO NACIONAL
"A BOLSA AMARELA"
A Bolsa Amarela (Zero Cia de Bonecos – MG) 
A Zero Cia de Bonecos produziu A Bolsa Amarela é uma livre adaptação para teatros de bonecos da obra homônima da escritora Lygia Bojunga. A Bolsa Amarela conta a história de Raquel, uma garota de nove anos que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades que ela esconde numa bolsa amarela: a vontade de crescer, a de ser garoto e a de tornar-se escritora. O espetáculo era lindo, encantador, vibrante e super criativo. Como esquecer a este lindo espetáculo que me marcou muito, assim como outro trabalho deste grupo que foi emocionante que foi "Sevé", lindo, lindo, lindo!!!!!











ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"LOLA LA LOCA" Suíça
Um sonho real!!!Assisti a este espetáculo no 10º Porto Alegre em Cena. Foi a abertura do festival e na minha opinião foi em grande estilo. Um espetáculo sonhador, parecia um set de filmagens, mágico, um mundo assustador, cheio de imagens memoráveis. Dança, cinema, teatro, performance e projeções faziam deste espetáculo algo hipnotizante. Dirigido pelo criativo Cisco Aznar este espetáculo era esteticamente memorável!!! Como o próprio título diz: Louco! Um álbum de imagens memoráveis! 




terça-feira, 15 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Parte 10

Hoje, dia 15 de novembro é o dia do meu aniversário, estou completando 30 anos e por esse motivo é que estou publicando aqui os 30 melhores espetáculos locais/nacional/internacional que assisti durante estes meus 30 anos de vida.  Dando sequencia a este post especial sobre os espetáculos que fizeram a minha memória trago hoje a 10ª parte, onde destaco mais três espetáculos:

ESPETÁCULO LOCAL
"BORBOLETAS DE SOL DE ASAS MAGOADAS"
Esta é uma das minhas unanimidades tratando-se de teatro gaúcho, e olha que eu fui assistir a este espetáculo pelo menos umas cinco vezes, sempre dando a desculpa de que ia levar um amigo. Mas ia mesmo para visitar a casa da Bety, personagem da excelente Evelyn Licocki e dirigido pela Celina Alcantara. A primeira vez que assisti foi lá no Dad ainda como trabalho de conclusão e depois assisti durante a temporada profissional. A performance da atriz era tão verdadeira que você embarcava na peça de uma forma, existia uma entrega da atriz e da platéia. Lembro que o público ia a extremos, do riso a melancolia desta personagem. O espetáculo era simplesmente maravilhoso, o que rendeu a atriz o troféu Açorianos de Revelação em 2002.

ESPETÁCULO NACIONAL
"AQUELES DOIS"
Assisti neste ano este grande espetáculo da Cia Luna Lunera de Minas Gerais. É uma adaptação de um conto do gaúcho Caio Fernando Abreu e que me fisgou pela proposta teatralizada e hipnótica que os mineiros nos mostraram. Escrevi um comentário no blog, clique AQUI e leia na íntegra. Abaixo alguns trechos do que escrevi: 
 Esvaziando as gavetas do preconceito
Minas Gerais tem se destacado em suas produções na área das artes cênicas. Prova disso é o Festival do Teatro Brasileiro - Cena Mineira que encerra suas apresentações neste final de semana. Da terra mineira já assisti a trabalhos do Grupo Galpão, referencia nacional de criatividade, ao Grupo Espanca!, e sua dramaturga Grace Passô, o qual pude assistir o maravilhoso “Amores Surdos”, as Cias de dança, Grupo Corpo, Quasar Cia de dança, e 1º ato, destacando também o Grupo Giramundo.
Desta vez tive o enorme prazer de conhecer o trabalho da Cia Luna Lunera, com seu espetáculo “Aqueles Dois” baseado no conto homônimo do gaúcho Caio Fernando Abreu. O espetáculo esteve em Porto Alegre no ano passado, mas não consegui assistir. A repercussão foi ótima e eis que agora através do SESC-rs o referido espetáculo foi apresentado em Montenegro.

ESPETÁCULO INTERNACIONAL

"HAPPY DAYS" de Peter Brook
Peter Brook + Becket o que podería resultar? A priori eu não sabia, mas tinha a curiosidade de saber. Então mesmo sem ter ingressos, fui para a frente do Theatro São Pedro, eu + minha esposa grávida para assistir ao celebre Peter Brook. Chegando lá ganhamos os ingressos do meu querido amigo Marco Fronchetti e lá fomos nós. Gostei bastante da montagem, da atriz, mas principalmente da dramaturgia do Beckett, um texto muito dificil de ser encenado, um monólogo que na verdade não é um monólogo, pois tem a presença de Willie. Um belo espetáculo que não chegou ame arrebatar, mas com certeza merece ser relembrado aqui. 

domingo, 13 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Especial 30 ANOS Parte 9

Dando sequencia a este post especial sobre os espetáculos que fizeram a minha memória trago hoje a 9ª parte, onde destaco mais três espetáculos:


ESPETÁCULO LOCAL
"A CANÇÃO DE ASSIS"
Este é um daqueles espetáculos que merecem um lugar muito especial em nossos corações, pela beleza e encantamento que proporciona a sua platéia. Uma história de amizade entre um menino e um burrinho que em meio a muitas confusões de dois vilões conseguem se reencontrar. Como esquecer a interpretação de Simone de Dordi como Pitoco que merecidamente levou o Prêmio Tibicuera por este trabalho. Sem falar também da inteligente direção de Gilberto Fonseca que também já tinha dirigido outro belo espetáculo infantil que foi "A Roupa nova do rei", a 1ª versão que também era maravilhosa. As músicas deste espetáculo também eram maravilhosas executadas ao vivo e que tinham a direção de Fernanda Beppler e Lucas Krug. A confeccção e manipulação do Burrinho também era um destaque.  A história trazia uma troupe de atores mambembe que invadiam o espaço cênico para contar de forma musical uma história de amizade entre um menino e um burrinho na Itália do século XVIII. 
ESPETÁCULO NACIONAL
"OTELO"
"Otelo" um dos meus textos preferidos de Shakespeare aqui encenado pelo criativo  e competente grupo paulista "Folias d'arte". Este espetáculo me surpreendeu de tal forma que saí do teatro tomado de emoção. A platéia participava ativamente de todo espetáculo através de suas arquibancadas móveis, que conforme o andamento da peça ia se modificando. A platéia assistia de forma frontal, de forma passarela, no formato de arena que conferiu um diferencial na cena final, na morte de Desdemona onde tinha um jogo incrível de espelhos sendo no final, a própria plateia fica cara a cara com os atores, numa cena de espelhos que desdobra pelo infinito as imagens dos protagonistas e desloca de novo o ponto de vista do espectador, desta vez da plateia para o palco. A densidade de símbolos que acompanham as falas, os vários níveis de leitura, a linguagem corrente que aproxima a ação, o coro teatral que a comenta, tudo isso fez de Otelo um acontecimento mais do que contemporâneo. O elenco do Folias era outro destaque, principalmente o ator que faz o Iago. 
ESPETÁCULO INTERNACIONAL
"QUE-CIR-QUE" França
Este espetáculo francês foi o 1º espetáculo que assisti no Porto Alegre em Cena, no ano de 1998 e de lá pra cá não deixei mais de acompanhar ao festival que cresce a cada ano. Era a 5ª edição do Em Cena e eu que tinha apenas 16 anos fiquei bastante impactado com a qualidade desta montagem. O espetáculo era realizado numa arena circular que foi montada no Parque Marinha do Brasil. 

Eram três artistas que nos encantavam com suas técnicas e números circenses que aliavam técnica, beleza e risco. Lembro de um número em que um deles colocava uma torneira num mastro que tinha ao centro e como mágica, abria-se a torneira e dali saia muita cerveja, para o delírio da platéia. 
Eram três figuras: Emmanuelle Jacqueline, bonita, forte e fez-se como uma egípcia, Hyacinthe Reisch, a figura de Cristo, e Jean-Paul Lefeuvre, com a cabeça raspada para Rufus, todos os três são da Escola Nacional de Artes Circus, em Châlons- en-Champagne e participou na aventura do Cirque O até o final de 1993. No palco, um palco requintado, sensual e surpreendente, um balé de corpos e objetos desviados - roda vassoura poste, caixa de cera de vela, sapatilhas de balé - formam imagens incomuns e poético, e Melis- melodramas em quadrinhos. Teatro ou dança acrobática do circo? Seja qual for!Um deles tem o prazer dos sentidos.

E aguardem a 10ª postagem deste especial MEMÓRIA DA CENA.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

MEMÓRIA DA CENA - Especial 30 ANOS Parte 8

Dando sequencia a este post especial sobre os espetáculos que fizeram a minha memória trago hoje a 8ª parte, onde destaco mais três espetáculos:


ESPETÁCULO LOCAL
"SALOMÉ DECAPITADA - Trabalho em andamento"
A interpretação de Renata de Lélis em "Salomé Decapitada" foi magnetizante. Dirigido pela Luciane Panisson e pertencente a Cia Teatro Íntimo, que produziu excelentes trabalhos nos trouxe a saga da filha de Herodíade, que decapitou um dos profetas precursores da era cristã, João Batista. Na peça, o profeta a vê como uma criatura do demônio e rejeita o amor da virgem. O espetáculo mostra o mito de Salomé revivendo todos os passos do romance que a levou à morte. Por este trabalho Renata de Lélis recebeu o Prêmio Açorianos como melhor ator, aliás prêmio merecido, pois a experiencia em assistir era ótima. Gosto muito do trabalho da Renata e pude conferir sua entrega em vários outros trabalhos. A peça tinha uma trilha linda e uma cabeça de João Batista perfeita. Imagens para ficarem na memória.

ESPETÁCULO NACIONAL

"TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA" Armazém Cia. de Teatro
Adoro o trabalho de Armazém Cia de Teatro. O 1º trabalho que assisti foi "Pessoas invisíveis" e me apaixonei. Depois assisti "Toda Nudez será castigada" e depois "Inveja dos Anjos". Todos excelentes. Fora o box de Dvd que pude assistir as demais montagens como "Alice através do espelho", "Da arte de subir em telhados". O que eu mais gosto neste coletivo é o poder de reinvenção que eles tem. Cada montagem é diferente da outra. Outo ponto essencial é a dramaturgia própria que eles constroem, o que não foi o caso de "Toda Nudez" que é do genial Nelson Rodrigues. O espetáculo é arrebatador, o elenco é fantástico, e a Geni da Patrícia Senlock é divina! Assisti duas vezes a este trabalho de tão bom que é, a 1ª foi no Poa em Cena a anos atrás e no ano passado eles retornaram no Palco Giratório e fui novamente admirar a este estupendo espetáculo. Outro dado importante quando lembro da Armazém é a construção dos cenários que são sempre bem bolados e impactantes. 

ESPETÁCULO INTERNACIONAL

"A VIDA NA PRAÇA ROOSEVELT (Das Leben auf der Praca Roosevelt) ALEMANHA
Assistir a este montagem de Dea Loher foi descobrir um Brasil sob o ponto de vista estrangeiro, um Brasil  que transborda laranjas no palco ao invés de bananas. O espetáculo era eloquente, vibrante, magnetizante, e apesar da língua, transbordava uma mistura de luxuria e mentira, comédia e morte. A peça alemã pega a mega São Paulo e filtra perfis de pessoas entrelaçando suas histórias. Lembro do cenário branco, onde os atores atiravam muitas laranjas, das classes de escolas e da maquiagem dos atores que pareciam zumbis.  Um bom momento do Porto Alegre em Cena.