domingo, 5 de setembro de 2010

LAVOURA ARCAICA! Ausência de diálogos e presença de imagens brilhantes!

LAVOURA ARCAICA

Gostaria de compartilhar aqui a minha grande experiência em assistir o filme Lavoura Arcaica. Digo experiência, pois o filme te permite exatamente isso: experimentar através da lente da câmera, adentrar no espaço de uma família que honra as suas tradições, e quando estas entram em desarmonia, muitas coisas podem acontecer. Filme belíssimo, que eu adiei e muito em assisti-lo, mas que não me arrependo de nenhuma de suas longas duas horas e 40 minutos de pura beleza cênica, plástica, visual, auditiva, enfim, uma verdadeira ode visual.
Lavoura Arcaica é um filme brasileiro de 2001, dirigido por Luiz Fernando Carvalho. O roteiro é baseado no romance homônimo de Raduan Nassar, publicado em 1975.

Lavoura Arcaica narra em primeira pessoa a história de André, que se rebela contra as tradições agrárias e patriarcais impostas por seu pai e foge para a cidade, onde espera encontrar uma vida diferente da que vivia na fazenda de sua família. Quando é encontrado em uma pensão suja em um vilarejo por seu irmão Pedro, passa a contar-lhe, de forma amarga, as razões de sua fuga e do conflito contra os valores paternos.
Sem ordem cronológica, André faz uma jornada sensível a sua infância, contrapondo os carinhos maternos e os ensinamentos quase punitivos do pai. Este valoriza acima de tudo o tempo, a paciência, a família e a terra, fiado na doutrina cristã. Mas André não aceita esses valores. Ele tem pressa, quer ser o profeta de sua própria história e viver com intensidade incompatível com a lentidão do crescimento das plantas. Nesse trajeto, a paixão incestuosa por sua irmã Ana, e sua rejeição, exercem papel fundamental na decisão de fugir da casa da família. A mãe desesperada manda o primogênito Pedro buscá-lo para tentar reconstruir a paz familiar. Trazido de volta para a fazenda, André é recebido por seu pai em uma longa conversa e uma festa que, ao invés de resolverem o conflito, evidenciam a distância intransponível entre as gerações. Por essa razão, a história é muitas vezes descrita como uma versão invertida da parábola do filho pródigo.Realizado sem um roteiro prévio, Carvalho fez questão de utilizar o livro como fonte primária de todas as falas do filme.A trilha sonora foi realizada de maneira semelhante, com a presença do compositor Marco Antônio Guimarães, líder do grupo instrumental mineiro Uakti, durante as leituras. A música de Guimarães utiliza temas típicos da música árabe e faz uma citação d'A paixão segundo São Mateus de Bach. Muitas cenas não têm diálogos, apenas a música, que toca às vezes por vários minutos. A direção de fotografia é de Walter Carvalho, que utilizou muitos contrastes de luz e sombra e em alguns momentos deixa a imagem fora de foco, construindo uma estética quase abstrata. 
O filme foi sucesso de crítica no Brasil e no exterior, tendo recebido mais de 25 prêmios em diversas categorias de festivais e mostras nacionais e internacionais. As características mais elogiadas foram a fidelidade ao texto original, a fotografia, a direção, a música e as interpretações de Selton Mello, Raul Cortez e Juliana Carneiro da Cunha, atriz que faz carreira teatral bem sucedida na Europa mas que até esse filme era praticamente desconhecida no Brasil. O filme foi considerado por muitos como um trabalho brilhante e um dos melhores filmes brasileiros dos últimos anos.
O filme não se tornou um sucesso do grande público e esteve em exibição em poucas salas de cinema no ano de sua estréia. Muitos atribuem isso à longa duração, à lentidão ocasionada pelas muitas cenas com ausência de diálogos ( o que eu achei ótimo), à fotografia quase abstrata em alguns momentos (linda a fotografia do filmo todo!) e à interpretação teatral (interpretação brilhante). Luiz Fernando Carvalho utiliza o perfeccionismo com grande ferramenta, sua fidelidade ao texto original (que também foi definida como subserviência ao livro), pelo uso da narração, o que torna a obra dificil para o grande público, jamais ruim, pelo contrário, extraordinária!
Lavoura arcaica foi o primeiro filme de Luiz Fernando Carvalho, que também realizou diversos trabalhos para a televisão, como as telenovelas Renascer (1993), O Rei do Gado (1996) e Esperança (2002) e as minisséries Os Maias (2001), Hoje é dia de Maria (2005), A Pedra do Reino (2007) e Capitu (2008). O filme foi realizado inteiramente em uma locação, em uma fazenda do interior de Minas Gerais. Nela, os atores e a equipe técnica passaram nove semanas, durante as quais aprenderam a trabalhar a terra, ordenhar, fazer pão, bordar e dançar como uma família de origem libanesa. O próprio autor do texto original, Raduan Nassar, esteve presente durante esta etapa.A atriz Simone Spoladore não tem nenhuma fala no filme, mas teve uma preparação mais longa que a dos demais atores, pois teve que aprender a dançar para as duas festas que aparecem no filme. O personagem "André" é vivido por Selton Mello, mas a sua voz enquanto narra em off suas memórias é do diretor Luiz Fernando Carvalho. 

Prêmios
   Grande Prêmio BR de Cinema (2002)
"Melhor Atriz" (Juliana Carneiro da Cunha) e "Melhor Fotografia".
Festival de Montréal (2001)
§  Prêmio de "Melhor Contribuição Artística".
Festival de Brasília (2001)
§     "Melhor Filme", "Melhor Ator" (Selton Mello), "Melhor Atriz Coadjuvante" (Juliana Carneiro da Cunha) e "Melhor Ator Coadjuvante" (Leonardo Medeiros).
Mostra de Cinema de São Paulo (2001)
§  Prêmio do Público.
Festival de Cartagena
§  "Melhor Filme", "Melhor Diretor", "Melhor Fotografia" e "Melhor Trilha Sonora".
§  Festival de Havana (2001): "Prêmio Especial do Júri", "Melhor Ator" (Selton Mello), "Melhor Fotografia" e "Melhor Trilha Sonora".
ABC Trophy (2002)
§  "Melhor Fotografia de Longa Metragem".
Festival de Buenos Aires do Cinema Independente (2002):
§  Prêmio ADF de Fotografia, Prêmio do Público, Prêmio Kodak e Menção Especial para Luiz Fernando Carvalho.
Festival de Guadalajara (México - 2002)
§  "Melhor Filme", pelo juri internacional.

sábado, 28 de agosto de 2010

IMAGENS DO ENSAIO ABERTO

DENTROFORA em São Paulo



Depois de realizar várias temporadas de sucesso em Porto Alegre, chega a São Paulo mais esse sucesso gaúcho e que destacamos por aqui.
Em setembro, a Inconformada Companhia de Moda, Design e Teatro (In.Co.Mo.De-Te) apresenta a peça DentroFora. Inspirada em Hide and Seek, texto do escritor americano Paul Auster, e influenciada por obras como Esperando Godot, de Samuel Beckett, DentroFora é uma metáfora sobre o homem contemporâneo e sua imobilidade frente ao cotidiano. A peça será encenada do dia 2 ao 5 e de 9 a 12, na sede do Itaú Cultural, em São Paulo.
Dirigido por Carlos Ramiro Fensterseifer, o espetáculo traz duas personagens - chamados homem e mulher - que estão presos cada um em uma caixa. Interpretados por Nelson Diniz e Liane Venturella, eles discutem sua condição, suas memórias e o sentido de situações, palavras e vontades.
DentroFora estreou em 2009 e é a mais recente montagem do In.Co.Mo.De-Te. Foi indicada ao Prêmio Açorianos de Teatro 2009 em oito categorias (melhor espetáculo, direção, melhor ator, melhor atriz, iluminação, trilha sonora, figurino, cenário), e foi selecionada para o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto.
DentroFora quinta a domingo 5 setembro
quinta 
a domingo 12 setembro
sempre às 
20h
entrada franca - ingresso distribuído com meia hora de antecedência não recomendado para menores de 14 anos
Itaú Cultural | Avenida Paulista 149 - Paraíso - São Paulo SP [próximo à estação Brigadeiro do metrô] | informações 11 2168 1777 | www.itaucultural.org.br
imagem:Nelson Diniz | foto: Alex Ramirez/divulgação

terça-feira, 24 de agosto de 2010

NAUFRÁGOS, espetáculo do RJ em Montenegro!

 Na 5ª feira tem o espetáculo "NAUFRÁGOS" diretamente do Rj, com a presença de um velho conhecido do público gaúcho, o ator Marcelo Aquino, atualmente radicado no Rio, Marcelo Aquino faz parte de uma geração de atores gaúchos que participou de diversos grupos e espetáculos de muito sucesso em nossos palcos. Vou citar apenas alguns que eu pude assistir como: " A HISTÓRIA DO PRÍNCIPE QUE NASCEU AZUL", espetáculo infantil encantador e lindo, "O AUTO DA COMPADECIDA" e o "PAGADOR DE PROMESSAS", ambos pelo Depósito de Teatro no auge do Grupo. Enfim, apenas para citar alguns. Então vale a pena conferir mais uma promoção do SESC Montenegro. 

SERVIÇO
26/08- quinta-feira
as 20h
no Teatro Therezinha Petry Cardona
Ingressos:
 R$. 5,00 comerciários, estudantes, artistas e acima de 60 anos
                R$. 10,00 empresários
                R$. 15,00 público em geral

Cia. ESPAÇO EM BRANCO apresenta sua AGENDA para 2º Semestre!

Cartaz_ALICE_ilustração Talita Hoffmann.jpgAmigos, a agenda da Cia. Espaço em BRANCO está cheia nesse segundo semestre de 2010!

A Cia. vai estrear dois novos espetáculos: Anatomia da Boneca  e  A Fome ! 

Voltará a apresentar Em Trânsito com entrada franca, Homem que não vive da glória do passado no Porto Alegre em Cena. 

ALICE faz curta temporada na Galeria La Photo, se apresenta no Caxias em Cena e no Teat(r)o Oficina em São Paulo. Vejam a programação abaixo e no link


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Cia. Espaço em BRANCO

AGENDA 2º SEMESTRE 2010

Anatomia da Boneca
Caxias do Sul/RS:
ESTRÉIA: 1 de setembro (qua) às 20h
Caxias em Cena
Teatro do Sesc


ALICE
Porto Alegre/RS:
2, 3, 4 de setembro (qui, sex e sáb) às 20h
13 de setembro  (seg) às  19h30.
Galeria La Photo
(Travessa  da Paz, 44, Bairro Bom Fim. 51-32216730)
Caxias do Sul/RS:
18 de setembro (sáb) às 20h
Caxias em Cena
São Paulo/SP:
6, 13, 20, 27 de outubro (qua) às 21h
Teat(r)o Oficina
(Rua Jaceguay, 520, Bixiga. 11-31062818)


Em Trânsito
Porto Alegre/RS:
8, 15, 22, 29 de setembro (qua) às 12h30 e 19h30
ENTRADA FRANCA
Sala Alziro Azevedo
(Av. Salgado Filho, 340. 51-33084372/74)


 Homem que não vive da glória do passado
Porto Alegre/RS:
                23 de setembro (qui) às 22h
                Porto Alegre em Cena
                Teatro de Câmara Túlio Piva
                (Rua da República, 575. 51- 32898093/94)


A Fome
Porto Alegre/RS:
                ESTRÉIA: 3, 10, 17, 24 de novembro (qua) às 22h
                Espaço OX
                (Rua João Telles esquina Av. Osvaldo Aranha. 51- 33121347)

  

OS ESPETÁCULOS

Anatomia da Boneca

O espetáculo/performance multimídia Anatomia da Boneca é um processo  investigativo em torno do universo feminino e da performance-arte como território de amplificação das fronteiras do teatro e dos artistas do corpo. O projeto utiliza o hibridismo de linguagens para a criação e execução do trabalho: intervenções performáticas em lugares inusitados, fotografia como performance e vídeos editados em tempo real na cena. Anatomia da Boneca é a construção do feminino via o inorgânico, ou seja, do ponto de vista da boneca. Nossa surpresa ao começar o processo de dissecação do corpo feminino foi não encontrarmos vísceras e sangue, mas outras mulheres, imagens e comportamentos. Aqui o feminino não é ser geneticamente mulher, com o sexo, mas é uma construção de comportamento, definida pelo cenário de cada cultura social e estética. O feminino se dá por ação, ou seja, uma construção, em última análise, performática. Anatomia da Boneca é a viagem através destes comportamentos-fantasmas que achamos em nossa cirurgia sensível, uma devolução pública da matéria pública que nos forma. Judith Butler, no livro Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity, estabelece interlocuções com diferentes autoras, entre as quais destaca-se Simone de Beauvoir. No debate com a escritora, Butler indica os limites dessas análises de gênero que, segundo ela, pressupõem e definem por antecipação as possibilidades das configurações imagináveis e realizáveis de gênero na cultura. Partindo da emblemática afirmação "A gente não nasce mulher, torna-se mulher", Butler aponta para o fato de que "não há nada em sua explicação [de Beauvoir] que garanta que o 'ser' que se torna mulher seja necessariamente fêmea".

Criação: Andressa Cantergiani e João de Ricardo
Performance e dramaturgia: Andressa Cantergiani
Direção, vídeo ao vivo e dramaturgia: João de Ricardo
Criação de videos: Fernanda FerrettiLívia MasseiAndressa Cantergiani e João de Ricardo
Criação de luz: Carina Sehn
Figurino: Andressa dos Anjos
Próteses corporais: Cisco Vasquez
Preparação e Orientação de Movimento: Evandro Pedroni
Espaço e adereços: Andressa Cantergiani e João de Ricardo
Trilha Sonora: Barracuda Project
Produção: Sheila Zago
Fotos: Carlo Vidor e Geraldine Moojen
Assessoria de comunicação: sujeito_coletivo

 anatomiadaboneca.jpg




ALICE

Espetáculo livremente inspirado nos livros de Lewis Carroll. Convidados de um banquete de Desaniversário, a Hora do Chá, o público é parte do jogo de cartas, do jogo da peça.  Aborda o universo nonsense das obras originais através da performance art, propondo o diálogo entre tecnologias, a autonomia do performer e a liquefação das barreiras entre arte e vida, bem como entre palco e platéia. ALICE é um convite a vivenciar o País das Coincidências, o encontro entre obra e público quer celebrar-se, depende de todos construir a jornada.

Direção e Atuação: Sissi Venturin
Orientação: Tatiana Cardoso


Iluminação: João de Ricardo
Operação de video e áudio: Leonardo Remor
Direção e Arte dos vídeos: Sissi Venturin e Leonardo Remor
Fotografia e Montagem dos vídeos: Tiago Coelho
Finalização de vídeo e áudio: Marcos Lopes

Ilustração e Design Gráfico: Talita Hoffmann
Colaboração criativa, afetiva e intuitiva:
Marina MendoLeonardo Machado e João de Ricardo
Apoio: Grupo Falus & Stercus



 Cartaz_ALICE_ilustração Talita Hoffmann.jpg




Em Trânsito

Peça escrita durante o processo de construção de Teresa e o Aquário pelo diretor João de Ricardo, com inspiração nos trabalhos de improvisação e relatos do ator Lisandro Bellotto. O Homem de Em Trânsito é solteiro, sem filhos, cultiva relações superficiais e passageiras com parceiros diversos sem nomes, muitas vezes sem rostos; sente-se perdido e está altamente violentado pela sociedade que o cerca. Há amargura em seu cotidiano, suas memórias de infância se tornam uma fuga prazerosa. Ele está dentro de seu carro, preso num congestionamento, lá fora cai uma chuva torrencial, é inverno. Seu celular toca insistentemente, o Homem sem atender a ligação, enfurecido, devaneia sobre sua vida, seus desejos e sua infância.



Direção e Produção:  Sissi Venturin
Atuação:  Lisandro Bellotto
Dramaturgia e videos:  João de Ricardo
Sonoplastia e Figurino:  Sissi Venturin
Foto:  Bruno Gularte Barreto


 Em Trânsito_foto Bruno Gularte Barreto_3.jpg



Homem que Não Vive da Glória do Passado

Performance coletiva que questiona a solidão e o bizarro desejo de sucesso que acompanham o homem contemporâneo. Irônica e surreal história de um cara comum, mais um desses ilhados no fundo de seus apartamentos, só tendo contato com a vida através das telas de computador e da televisão. Um João que se vê desafiado por uma situação limite: certo dia, sem nenhuma explicação, todas as mulheres do mundo morrem.  João terá que tomar decisões drásticas para continuar vivo. Decisões que o colocarão frente a frente com os limites da sua "civilização", mas poderão torná-lo um homem de sucesso.



Direção e Dramaturgia:  Bruno Gularte Barreto e João de Ricardo


Performer:  João de Ricardo
Iluminação:  Carina Sehn
Sonoplastia:  Douglas Dickel
Vídeos:  Bruno Gularte Barreto e João de Ricardo
Câmera, Assistência geral e de multimídia:  Pedro Karam
Assistência e finalização de multimídia: Caroline Barrueco
Produção e Assistência de Direção:  Sissi Venturin
Foto:  Bruno Gularte Barreto


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A Fome

A Fome é o segundo monólogo da Trilogia da Morte, precedido da peça Parque de Diversões. Em cena, a atriz vive uma mulher em mais uma sessão de análise, os espectadores cumprem o papel de cúmplices, os ouvintes a quem a personagem irá contar o motivo de ser aquela uma sessão especial. Num diálogo pessoal, a relação traçada entre palco e platéia é mais que confidencial. A personagem atravessa como numa balsa os pontos de vista sobre uma trajetória, uma ponte na memória... Durante o desenrolar da situação, o relato, cheio de ironia, é um gole seco de veneno no ouvido. A cena beira o absurdo, seu drama foge ao realismo e entra num clima fantástico e delirante. O amor é, claro, guia desse percurso, embriagado, armado, machucado. Não se trata de uma abordagem superficial do tema, mas epidérmica com certeza.

Dramaturgia: Marcos Contreras e Sissi Venturin
Direção e atuação: Sissi Venturin
Iluminação: Carina Sehn

CONTATOS



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

CENA EM CONSTRUÇÃO - 1ª EDIÇÃO ENSAIO ABERTO

Válvula de Escape  apresenta o Projeto
CENA EM CONSTRUÇÃO – 1ª Edição.

O Projeto CENA EM CONSTRUÇÃO é um espaço dedicado a revelar o processo de criação do Grupo Válvula de Escape. O objetivo é possibilitar que o público possa acompanhar o processo de criação de um espetáculo ainda na fase de criação.  Na 1ª edição do Projeto que acontecerá no dia 25 de agosto as 19:30 hs no Subsolo da Estação da Cultura, o “Válvula de Escape” estará compartilhando algumas cenas do seu espetáculo “Macabéa: Una furtiva lacrima”, que pretende estreiar no dia 27 de novembro.  Esta ação possibilitará ao grupo experimentar junto ao público novas formas de se relacionar, repensando o espaço público e abrindo brechas para uma participação ativa do espectador no processo criativo do grupo, assistindo e comentando no debate que ocorerrá logo após o ensaio, tratando sobre temas que envolvem a criação teatral e a criação dentro de um coletivo. Ou seja, depois das sugestões do espectador, o grupo retorna a sala de trabalho e reformula algumas cenas já criadas, partindo das sugestões do público. A próxima edição do projeto acontecerá em outubro. O Válvula de Escape conta com a direção de Diego Ferreira e no elenco estão os seguintes atores: Adriana Kordnorfer, Ana Denise Ülrich, Gabriela Tain Bessi, Martina Nichel, Leonardo Nunes e Lucimaura Rodrigues, contando ainda com a participação do músico Elton Ambrozi.    

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

EDITAL PARA SELEÇÃO DE PROJETOS CULTURAIS DOS CORREIOS

Alô pessoal, nem todos sabem, mas além de ator e diretor de teatro, eu ainda sou funcionário público do governo, trabalho há 8 anos na ECT - Correios, e venho divulgar aqui a abertura do edital para seleção de projetos culturais, já que eu não posso participar na condição de funcionário, alerto aos demais colegas. Abaixo mais algumas informações, e todo o edital vocês encontram no site http://www.correios.com.br/ ou através deste  link:

Correios publica editais de inscrição de projetos culturais

Foram lançados ontem, 26/7, os Editais para Seleção de Projetos da Área Cultural a serem patrocinados pelos Correios entre janeiro de 2011 e setembro de 2012, nos seguintes segmentos: Artes Cênicas – Dança, Artes Cênicas – Teatro, Artes Visuais, Artes Integradas, Humanidades – obra literária, Humanidades - evento literário e programa de incentivo à leitura, Audiovisual e Música.

Na área cultural, os Correios priorizam projetos que sejam compatíveis com o foco definido para cada segmento, preservem a cultura regional, sejam genuinamente brasileiros, possibilitem o acesso de qualquer cidadão e estejam inscritos na Lei Federal de incentivo (Lei Rouanet).

As inscrições dos projetos poderão ser feitas até 31/8/2010 e as datas previstas para o resultado são 8/11/2010, para os editais dos Centros e Espaços Culturais, e 13/12/2010 para o Edital Cultural. Mais informações podem ser obtidas no site www.correios.com.br.


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

CIRCUITO DE HUMOR SESC - 1ª ESTAÇÃO NELSON FREITAS

Pessoal, essas são as próximas atrações do SESC Montenegro, no dia 7, sábado as 20 hs no Teatro Roberto Athayde Cardona, será a vez de Nelson Freitas, com seu stand-up dirigido pelo Chico Anisio.
Ingressos a venda do Sesc.

domingo, 1 de agosto de 2010

FUTEBOL (EXÓTICO) PIQUENIQUE – URBAN PERFORMANCE


A art performance ou performance artistística é uma modalidade de manifestação artística interdisciplinar que - assim como o happening - pode combinar teatro, música, poesia ou vídeo. É característica da segunda metade do século XX, mas suas origens estão ligadas aos movimentos de vanguarda (dadaísmo, futurismo, Bauhaus, etc.) do início do século passado.
Difere do happening por ser mais cuidadosamente elaborada e não envolver necessariamente a participação dos espectadores. Em geral, segue um "roteiro" previamente definido, podendo ser reproduzida em outros momentos ou locais. É realizada para uma platéia quase sempre restrita ou mesmo ausente e, assim, depende de registros - através de fotografias, vídeos e/ou memoriais descritivos - para se tornar conhecida do público.
A performance foi introduzida durante a decada de 1960, pelo grupo Fluxus e, muito especialmente, através das obras de Joseph Beuys. Numa de suas performances, Beuys passou horas sozinho na Galeria Schmela, em Düsseldorf, com o rosto coberto de mel e folhas de ouro, carregando nos braços uma lebre morta, a quem comentava detalhes sobre as obras expostas. Em alguns momentos, as performances de outros artistas tiveram ligação direta com as obras de body art, especialmente através dos Ativistas de Viena, no final da década de 1960.


Utilizo esta pequena introdução sobre o conceito de Performance para discorrer sobre uma ação artística de deslocamento, na qual eu pude presenciar no inicio do mês de julho em Montenegro. Tomei a liberdade de dar um subtítulo para esta ação: EXÓTICO. Pois Exótico é o que vem de outras terras. Por extensão, é o estranho, o diferente, o que quebra parâmetros a que estamos acostumados.


                                                                                   Deslocar-se. Cartografar. Olhar e ser olhado.


Ação Artistica de deslocamento no Parque Centenário em Montenegro durante a 3ª Expomonte. Participantes da Ação: Ana Denise Ulrich, Fabrízio Rodrigues, Pamela Irion e Patrick Aozani Moraes Fotos Daniel Finger, Vídeo Daniel Barcellos Figurinos, maquiagem e cabelos Fabrízio Rodrigues, Pesquisa Poética Fabrízio Rodrigues.










No inicio de julho, dentro da programação da Expomonte, pude conferir de perto a ação artística de deslocamento do multi-artista Fabrízio Rodrigues e sua trupe formada por Ana Denise Ülrich (Atriz do Válvula de Escape), Pamela Irion (Aluna da Oficina do Válvula de Escape) e Patrick Aozoni. Eles propiciaram aos transeuntes uma proposta diferente das propostas comumente apresentadas nesta cidade, e das propostas apresentadas em uma feira como esta.
Na verdade, a proposta tratava-se de uma performance, na qual o público era instigado a acompanhar e através de um deslocamento pensar (captar!) imagens sobre a ação e talvez reagir sobre o fato ocorrido. Através de uma simples ação, o público acompanha aqueles corpos exóticos, figuras alegóricas, produzidas e deslocadas do ambiente comum, digo deslocadas pelo fato de estarem vestidas de modo diferente, maquiadas teatralmente, estilizadas, deslocadas do cotidiano, parecendo seres de outro mundo. Mas que mundo é este, pergunto? Qual a proposta e objetivo de uma ação como esta? Qual seria a INTENÇÃO da criação deste novo mundo ficcional, mas ao mesmo tempo real, real por se tratar de uma ação cotidiana, por exemplo, fazer um piquenique, mas posso classificar como ficcional partindo de questões como: quem são aquelas pessoas que estão participando do piquenique e porque estão participando? Porque se comportam daquele jeito, de maneira quase ritualística, onde cada gesto, cada movimento é calculado, parecendo que estão sempre querendo buscar o melhor ângulo para o registro de uma foto. Seria puro exibicionismo? Não sei, creio que não, sabendo a priori que ações como esta, são embasadas em teorias e referenciais, servindo como experimento para futuros trabalhos em andamento. A arte contemporânea é instigante justamente por não entregar ao público um resultado fácil, degustável, limpo, pelo contrário, cada obra ou ação vem acompanhada de um infinito numero de signos e cada um destes signos carregados de significados. Um exemplo disso está nas Bienais de arte, onde uma maçã podre pode e é uma obra de arte contemporânea, mas onde estaria a arte em uma maça? Creio que está na rede de significados criados pelo artista, a partir dos seus referenciais, de como ele olha aquele objeto e o transforma em um objeto artístico. Nesta ação de deslocamento poderíamos enxergar através desta ótica, onde um agrupamento de artistas-performers agem e reagem entre si, mas sem uma explicação lógica, de uma leitura, de uma história. Por isso que eu mesmo ouvi reações como: o que eles querem com isso? Quem são esses malucos? Nossa, eles estão muito bonitos! Será que posso sentar junto? Algumas expressões dos transeuntes, que foram pegos de surpresa e acharam no mínimo esquisito a ação, mas por que esquisito? Talvez pelo fato de a performance não contar uma história como a das novelas, não sei, enfim! Estamos acostumados a receber demasiadas informações, a todo o momento, de todos os lados e de todo tipo, mas dificilmente partilhamos esta informação com o emissor. E é essa presença que torna toda essa loucura em um grande ato louvável, o momento da comunicação.
O engraçado desta intervenção foi perceber como o simples ato de observar pessoas se deslocando e se preparando para o seu piquenique pudesse desassossegar tanto ao público. Reparo nisso, não apenas pelo fato de muitas pessoas não sentirem-se tocadas pelas propostas de arte contemporânea, ou de boa parte dos espectadores ainda deslocarem-se de seus espaços para acompanharem aquela ação buscando paralelos com uma apresentação teatral, televisiva ou coisa parecida. Mas foi possível perceber como uma simples ação pode promover tantas reações no público.

Neste sentido, a experiência me levou a refletir sobre este gesto no mundo atual. Porém, a discussão aqui não é tão simplista, uma vez que, num mundo contemporâneo, cada vez mais individualista e virtual, as pessoas estão desacostumadas a partilhar de comunicação ao vivo e a cores. E é este tipo de comunicação que nos faz avançar e repensar várias coisas em nossas vidas, possibilitando uma impressão nova, passível de reflexão sobre acontecimentos do cotidiano. Portanto, finalizo este comentário ressaltando a necessidade de outras propostas artísticas nesta cidade que dialoguem com outras formas de expressão, reverberando na intertextualidade derivada da intersecção das mais diversas linguagens artísticas. Além disso, congratulo Fabrízio pela iniciativa por nos propiciar a experiência de refletir sobre o fato de que, ao comer e beber em um piquenique público, comemos e bebemos também os nossos padrões de conceitos e abrem-se as janelas para reflexões sobre a comunicação em uma sociedade contemporânea cheia de recursos tecnológicos, mas que se não utilizados com inteligência, não comunicam nada, comunicação esta no sentido de afetos e sentimentos.


Para conhecer o trabalho de Fabrízio Rodrigues acesse o Blog: http://fabriziorodriguesartes.blogspot.com/

sexta-feira, 30 de julho de 2010

LIA DE ITAMARACÁ em Montenegro

É neste domingo as 15:30 hs na Estação da Cultura, a CIRANDA DE RITMOS com Lia de Itamaracá, diretamente de Pernambuco. Lia é patrimônio vivo de seu estado devido a importância de sua arte, repleta de brasilidade e ritmos. Neste show ela vem acompanhada de seis percusionistas de maracatu e de mais duas cantoras. Depois de receber ontem o maravilhoso show de CHICO CÉSAR, agora já me preparo para acompanhar mais esta promoção do ARTE SESC que tem nos brindado com arte de qualidade.
Então até domingo!

sábado, 17 de julho de 2010

Hans Thies Lehmann em Porto Alegre


TEATRO CONTEMPORÂNEO: PARA ALÉM DO DRAMA

Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas - IA - UFRGS

Goethe Institut Porto Alegre
Coordenação de Artes Cênicas - SMC - Prefeitura de Porto Alegre

Pessoal fiquei sabendo e vou registrar por aqui também que Hans Thies Lehmann estará em Porto Alegre no próximo mês dentro da programação do TEATRO CONTEMPORÂNEO: PARA ALÉM DO DRAMA. Para quem não o conhece, ele é um dos estudiosos que se debruça sobre questões do TEATRO PÓS-DRAMÁTICO e suas implicações. Já li alguns de seus textos e realmente é uma excelente opção tê-lo por aqui. Aproveitem! Abaixo segue a programação:  
12/08

10h - Conferência de abertura "Para além do drama" com H-T.Lehmann
Local:Instituto Goethe de Porto Alegre

19h - Roda de debates - H-T. Lehmann e classe teatral
Local: Teatro Renascença - Centro Municipal de Cultura

13/08

18h - Palestra: Recepção contemporânea do teatro grego antigo - E. Varopoulou
19h30 - Palestra: "O político - e sua interrupção - no Teatro Pós-dramático " com H-T. Lehmann
Local: Instituto Goethe de Porto Alegre

A presença de Hans Thies Lehmann e Eleni Varopoulou na UFRGS integra a Hans Thies Lehmann

Brasil Tour 2010 idealizada e organizada por Wolfgang Pannek

sexta-feira, 16 de julho de 2010

CHICO CÉSAR em MONTENEGRO


É com grande alegria e ansiedade que anuncio o show de Chico César em Montenegro. Lógico que somente o Arte Sesc poderia proporcionar a vinda deste grande artista para a nossa cidade. Galera, corra para comprar os ingressos, pois este artista é sinônimo de inquietação, criatividade e inventividade dentro da música popular brasileira. Sua obra tem grandes perólas, e mesmo assim ele é desconhecido da grande parte do público brasileiro. A única referencia é o seu maior sucesso Mama África, mas existe um Chico César genial por trás deste sucesso. Então nos encontramos lá no dia  29 de Julho as 20 hs com o espetáculo "Francisco FOrro y Frevo". no Teatro Roberto Atayde Cardona.

Informação sobre ingressos no SESC MONTENEGRO: 51-36493403 ou Rua Capitão Porfírio, 2205.

domingo, 11 de julho de 2010

CORTE 1 - PROCESSO DO GRUPO VÁLVULA DE ESCAPE - Texto.


Gostaria de compartilhar neste post um pouco do nosso processo de criação do espetáculo "MACABÉA - Una Furtiva Lacrima", baseado na obra de clarice Lispector. Nossa caminhada iniciou no final de fevereiro, quando iniciou os nossos encontros. Nosso grupo é formado por artistas com formações diferenciadas e é isso que faz do Válvula uma equipe que tem demostrado um gás e uma vontade de aprender com esta expêriencia. Eu, Diego Ferreira, Ana Denise e Lucimaura Rodrigues temos em comum a formação em Teatro na Graduação da UERGS, Martina e Adriana tem suas formações no Curso de Teatro da Fundarte, onde puderam estudar com professores como Carlos Mödinger, Tatiana Cardoso e Jezebel de Carli, e Leonardo e Gabriela que experimentaram o Teatro nas oficinas do colégio Sinodal com professores como Marcelo Bulgareli e Janaina Kraemer. Enfim, com formações diferentes estes artistas estão experimentando, criando e aprendendo muito neste processo, que tem sido bastante revelador para nós, pois como estamos partindo de um texto não-teatral, "A hora da estrela", temos que lidar de maneira coerente quanto a isso. Iniciamos o trabalho com a leitura integral do livro e de muitos artigos que se relacionavam com a obra referida. Nossas conversas eram baseadas na obra de Clarice e de como fariamos para levar a cena uma obra tão complexa como esta. Eu fiquei responsável pela adaptação inicial, tentando transformar o texto literário em texto dramático, criando diálogos e cenas baseados nos escritos de Lispector. Este trabalho levou em torno de dois meses, até que chegou em nossas mãos o 1º esboço do roteiro, esboço que até agora tem sofrido muitas alterações, cortes, inserções de outros trechos de outras obras de Clarice, assim como de outros autores como um fragmento de "Bonequinha de Pano" de Ziraldo e textos biográficos de Clarice. A medida que os ensaios avançam, novos cortes e alterações tem sido realizadas. Não montaríamos mais uma versão fiel de A HORA DA ESTRELA de Clarice Lispector, mas a nossa própria obra baseada em Clarice, utilizando os seus escritos como base, importanto agora dizer de nós e de nosso mundo para o público contemporâneo, celebrar a vida através de um ser vazio que ambicionava somente viver, sem perspectiva nenhuma. Mais do que montar um texto clássico da literatura, queriamos descobrir a poesia em nós e o que temos para falar, hoje. Sem isso, não vejo muita razão para fazer teatro ou qualquer outra coisa. E a busca dessa poesia, mais do que de poemas e textos requeridos pelo espetáculo, foi a razão maior do trabalho empreendido. 
Nesta primeira etapa do trabalho, o que foi mais árduo, foi realizar os cortes, de modo a reduzir a peça em mais de metade do original, mantendo a tensão dramática e cosntruir a vertigem que eu pretendia enquanto cena. No primeiro esboço estava praticamente toda a obra lá, mas com o inicio do trabalho prático fui percebendo que não poderia colocar tudo em cena, que deveria privilegiar as situações dramáticas que pudessem contar a história de Macabéa. Outra alteração importante é a transformação do narrador Rodrigo S.M na própria Clarice Lispector, ou seja, nossa história é narrada pela própria Clarice, que nos guia e nos coloca nas situações vivenciadas pelos nossos personagens.

A partir disso, comecei a cortar cenas inteiras, preservando, sobretudo, os momentos principais, em que se produzem os conflitos e a evolução da trama. "A hora da Estrela" permitiu tais cortes, pois muitas vezes algumas cenas/trechos do romance conformam uma unidade fechada e esgotam-se em si mesmas. Valem mais por sua profunda dimensão lírica ou cômica, mas não são essenciais para a evolução do enredo. Mas mesmo tendo isso em mente, todo cuidado é pouco para efetuar tais cortes.Se o critério acima tinha em vista o todo do espetáculo e a evolução pretendida por mim, outros critérios deveriam ser eleitos para definir os cortes a serem feitos em cada cena e em cada fala do original de Clarice. A maior dor surgia nesses momentos. Cada frase, cada verso, cada metáfora de Clarice é uma pérola da literatura que teimamos em querer guardar. A leitura de referenciais foram fundamentais para estabeler os critérios para tais cortes. Procurei aqui explanar um pouco sobre o processo de cosntrução do nosso trabalho, aqui neste primeiro momento sobre a construção de dramaturgia para o nosso espetáculo. 

REFERENCIAIS BIBLIOGRÁFICOS
MELO, Amanda de Souza. A Teatralidade em “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector. UFMG.
LIMA, Mariana; DIAZ, Henrique; ARAPI, Fauzi. Parceiros Apaixonados. Sala Preta. USP.
CAROLINA PISMEL, Carolina; IZE, Nara e VERÍSSIMO, Rafael. Pisando em Ovos: O Jogo narrativo do Ator. UniverCidade. RJ.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

OFICINA DE CRIAÇÃO TEATRAL com MARCO FRONCHETTI

E
TEATRO NO CLUBE DE CULTURA

Objetivo

Reativar a formação e criação teatral no Clube de Cultura de Porto Alegre, através de:

1. Oficina de Criação Teatral

– a ser oferecida em dois módulos no período de agosto de 2010 a junho de 2011, com o objetivo de preparar profissionais para a montagem de um espetáculo específico para o espaço do Clube de Cultura.

Ministrante: Marco Fronchetti

Ministrantes convidados: Sérgio Lulkin e Valéria Lima

Horário: terças e quintas-feiras, das 19 às 22 horas

Período: Módulo I – agosto a novembro de 2010

Módulo II – março a junho de 2011

Conteúdo: Treinamento físico do ator

Preparação para o jogo e improvisação

Criação sobre temas pré-determinados

Público-alvo: atores e interessados em participar de um processo de criação teatral (máximo: 25 participantes – mínimo: 10)

Investimento: R$ 80,00 (oitenta reais) por mês de oficina.

Ao final de cada um dos módulos, serão feitas apresentações abertas de cenas resultantes do processo de criação desenvolvido na oficina.

2. Montagem de Espetáculo

Previsão de estréia do espetáculo: setembro de 2011.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Teatro em espaço não convencional

Espaço Cênico?
Theater Titanic

Todo espaço é um espaço cênico. Em alguns, isto é notório, como nos estádios, igrejas, parlamentos, praças e, claro, nos teatros. Os lugares são pensados para abrigarem um tipo de ação, de evento, de acontecimentos pré-determinados.
Cabe ao artista manipular o ambiente físico, buscando a interação entre o observador e a imagem ambiental. Ambientes diferentes dificultam ou facilitam o processo de criação.
“Todo ambiente arquitetural é suscetível de expor, limitada estilisticamente pelo querer do arquiteto, uma cota ponderável dos acontecimentos possíveis entre os humanos; e neste aspecto se tem uma teatralidade real, o vão que a perfilhou, a equiparar-se com a rampa dos divertimentos, os espaços de toda a arquitetura a competirem com o tablado das encenações, isto é, com um setor da própria arquitetura.” (COUTINHO, 1998, p.179)
Quando advém o antagonismo na função a qual se destina o local, pode acontecer a recusa ao novo acontecimento. O desarranjo pode acarretar em uma experiência incômoda. E esse pode ser o intuito do espetáculo, ou seja, o lugar já pode impor o caráter da trama a ser apresentada, com intensidade maior ou menor segundo o gênero de espaço e o tipo de espetáculo proposto, ou a revelia de ambos.
O espaço escolhido pode oferecer significados, experiências e imagens diversificadas e até contraditórias, e pode levar o espectador em uma tarefa de se desdobrar por impressões recebidas ou já pré-estabelecidas. “Cada cidadão tem vastas associações com alguma parte de sua cidade, e a imagem de cada um está impregnada de lembranças e significados.” (LYNCH, 1997, p.01)
“O vazio do lugar está no olho de quem vê e nas pernas ou rodas de quem anda. Vazios são os lugares em que não se entra e onde se sentiria perdido e vulnerável, surpreendido e um tanto atemorizado pela presença de humanos”. (BAUMAN, 2001, p. 122)
No mundo contemporâneo, o papel do teatro ainda está em transição, já que outras formas de espetáculo se apresentam. Num mundo fluido, onde tudo caminha para a dissolução o lugar do teatro parece indefinido. Também parece confuso atuar para este público contemporâneo: pessoas cheias de vaidades, “atores sem papel”, que precisam de circunstâncias momentâneas de encenação para que não corram o risco de uma possível união afetiva. Não criam nada mais que a excitação de um desempenho momentâneo ou aquele que se prolonguem mais do que a finitude do cheiro de coisas novas, dos produtos consumidos, relacionando-se de forma inconsistente com a própria vida. Mas não podemos deixar de lembrar que a história do teatro, como toda história, está em contínua elaboração e mudança de tradição, em que cada obra se refere ao passado e indica o futuro. E que o teatro faz parte um fluxo natural de tradições dentro do processo de criação cultural que vincula a arte de nossos dias a da antiguidade.
O que não se pode perder é a autenticidade cênica que independe de lugar. “No trabalho de apropriação do espaço – e levando em consideração a sua arquitetura, a sua atmosfera e as pessoas que o circundam – conseguimos projetar novas possibilidades para as personagens. Interferências do campo tátil, olfativo e da própria geografia do espaço colaboram para a ampliação do discurso.” (REBOUÇAS, 2009, p.58).

sábado, 3 de julho de 2010

Cara Estranho

Mais uma letra de música que está dialogando com a nossa proposta de construção cênica.

Cara Estranho


Composição: Marcelo Camello

Olha só, que cara estranho que chegou
Parece não achar lugar
No corpo em que Deus lhe encarnou
Tropeça a cada quarteirão
Não mede a força que já tem
Exibe à frente o coração
Que não divide com ninguém

Tem tudo sempre às suas mãos
Mas leva a cruz um pouco além
Talhando feito um artesão
A imagem de um rapaz de bem

Olha ali, quem tá pedindo aprovação
Não sabe nem pra onde ir
Se alguém não aponta a direção
Periga nunca se encontrar
Será que ele vai perceber?
Que foge sempre do lugar
Deixando o ódio se esconder

Talvez se nunca mais tentar
Viver o cara da TV
Que vence a briga sem suar
E ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo
Dizer ao mundo todo
Que só conhece o seu quinhão ruim
É simples desse jeito
Quando se encolhe o peito
E finge não haver competição
É a solução de quem não quer
Perder aquilo que já tem
E fecha a mão pro que há de vir.

De onde vem a calma!

Abaixo a letra da canção de Marcelo Camelo que tem nos inspirado em nosso processo. Esta música é o retrato fiel da nossa personagem, pois além de ser poética ao extremo, ela parece descrever exatamente a Macabéa de Clarice Lispector. Linda música, linda letra, pura poesia.

De Onde Vem A Calma

Composição: Marcelo Camelo

De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não saber ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil

De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão



Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Meyerhold 70 anos: Herança para o ator de hoje


PROGRAMAÇÃO:

Dias 4 e 5 de agosto: PALESTRAS



dia 4: a teatralidade e o grotesco na encenação de Meyerhold Com Cláudio Mássimo Paternò (Itália)- Ator e coordenador do Centro Internacional de Estudos em Biomecânica Teatral de Meyerhold às 19h no Centro Cultural Cia de Arte – Rua dos Andradas, 1780, Porto Alegre – RS – Brasil



dia 5: A biomecânica teatral de Meyerhold Com Cláudio Mássimo Paternò (Itália)- Ator e coordenador do Centro Internacional de Estudos em Biomecânica Teatral de Meyerhold às 19h no Centro Cultural Cia de Arte – Rua dos Andradas, 1780, Porto Alegre – RS – Brasil



Dia 6 de agosto: AULA- ESPETÁCULO Danças dramáticas brasileiras: fundamentos para a criação de um corpo cênico Com Alício Amaral e Juliana Pardo (SP) Cia Mundu Rodá – SP – Brasil Às 20 horas, na Sala Alziro Azevedo, Rua Salgado Filho, 340 – Centro Porto Alegre – RS – Brasil



De 2 a 6 de agosto de 2010 – das 9h às 13h OFICINA: A AÇÃO TEATRAL – os princípios básicos da biomecânica teatral para a construção da ação Local: DAD (General Vitorino, 255 – Centro) 20 vagas 5 ouvintes Ministrante: Claudio Massimo Paternò (Italia) e Marcelo Bulgarelli (Porto Alegre) Público Alvo: Para atores, bailarinos, diretores e estudantes de teatro. 20 vagas.



ENTRADA FRANCA Para a oficina, inscrições gratuitas – enviar currículo e carta de intenção para o email teatrotorto@gmail.com, até o dia 20 de julho de 2010. Informações: 51 96761843