sábado, 2 de outubro de 2010

DIEGO NO PAÍS DAS MARAVILHAS ou Diego no país de Bob Wilson!


Ontem dia 1º de Outubro fui visitar a Exposição de Bob Wilson, Robert Wilson - Vídeo Portraits, no Santander Cultural em Porto Alegre, que faz parte da programação do 17º Porto Alegre em Cena, mas que fica em cartaz até o dia 5 de Dezembro. 
Primeiro gostaria de dividir as minhas impressões sobre a exposição. Cabe registrar que fui a Porto Alegre fazer o meu registro profissional de ator e diretor (DRT), e no intervalo de almoço, resolvi fazer uma visita a mostra, que para surpresa estava vazia. Era somente eu e os guardas do Santander, eu e o imponente espaço, eu e as magníficas obras de Bob Wilson. E isso foi muito marcante para mim, pois enquanto o centro de Porto Alegre era um verdadeiro caos, do lado de dentro do Santander reinava a paz, e esta paz fez muito bem para mim, que pude desfrutar da mostra de modo tranqüilo e calmo, coisa rara hoje em dia, pois geralmente estamos sempre correndo contra o relógio. E justamente sobre isso que eu queria registrar, sobre o tempo nas obras de Wilson, pois na construção destas obras, vemos uma imagem que pode ser pensada como um retrato. E a priori é isso, um retrato, uma foto estática e estética. Mas se olharmos com cuidado, essa imagem é uma vida real, com movimentos sutis e respiração, e respiração é vida. De certa forma, se pensarmos sobre isso e olharmos com o tempo suficiente, as imagens estáticas dão lugar a imagens cinéticas, ou seja, temos a sensação ou a percepção do movimento, mesmo sutil e minimalista. Então, retorno ao Tempo. Sim, pois essa é uma mostra diferenciada da que estamos acostumados a apreciar, lembro do meu tempo de estudante da Uergs, em que eu entrava na galeria de arte para apreciar uma exposição e em menos de cinco ou no máximo dez minutos e pronto, estava encerrada a minha visitação. Mas aqui é diferente, pois frente a cada obra era necessário um tempo, para que você possa assimilar e se apropriar da experiência estética proposta pelo Wilson. Proposta ao mesmo tempo simples e complexa, abrangendo um rico universo híbrido, que alia literatura, música e iluminação cênica à poética que a tecnologia possibilita. Então a sensação que eu tive quando visualizei o primeiro quadro (se é que posso chamá-lo assim!), é que eu deveria esquecer do tempo e espaço e me entregar por inteiro para assim poder embarcar nessa viagem. Para percorrer as 17 obras que fazem parte da mostra, levei em média 1:30 hs, pois a cada parada, uma nova experiência e a descoberta de novas identidades frente a personalidades que ora criavam e ora destruíam esse referencial de personalidade em pose de registro, de fotografia. Depois deste passeio retorno as ruas de Porto Alegre, com a sensação de que algo diferente me acometeu do lado de dentro, durante a minha viagem solitária, (mas não solitário) no país das maravilhas de Bob Wilson. Confesso que não assisti ao seu espetáculo presente no Em Cena, o "Happy Days", mas conforme as críticas a que tive acesso, posso confessar que a vinda desta exposição purga todas as expectativas frustradas do espetáculo, e nos encanta com esta mostra, desta vez deixamos de lado o encenador inventivo e provocador e louvamos o artista plástico brilhante que sem sobra de dúvida é Bob Wilson.
A aclamada exposição Voom Portraits, do multiartista Robert Wilson, conhecido por suas técnicas de iluminação e cenários no teatro americano, é composta por vídeo-retratos em alta resolução de celebridades como Isabella Rosselini e Johnny Depp, que posaram quase imóveis para as câmeras da Voom HD Network. Trata-se de um encontro entre fotografia, filme, literatura e som, uma linguagem de movimentos mínimos, gestos coreografados e coordenação precisa.
Sucesso absoluto em Nova York e nas cidades por onde está passando nesta turnê internacional, Voom Portraits chega a Porto Alegre graças à iniciativa de Luciano Alabarse, curador do festival internacional de artes cênicas Porto Alegre em Cena.

A obra poderosa de Wilson conta com fotografias exóticas de Steve Buscemi, Brad Pitt, Jeane Moureau, Robert Downey Jr, Dita Von Teese, Willem Dafoe, Isabella Rossellini, Johnny Depp, Salma Hayek, Winona Ryder (numa adaptação muito elogiada do famoso "Dias Felizes”, de Samuel Beckett), entre outros. Os retratos foram encomendados e produzidos em um trabalho de colaboração entre Robert Wilson - um artista de vanguarda no teatro e nas artes visuais - e a empresa de televisão VOOM HD Networks, onde Wilson tem sido artista residente desde 2004.




A natureza morta é vida real – por Robert Wilson

Os vídeo-retratos podem ser vistos nas três formas tradicionais em que artistas constroem o espaço. Se eu colocar minha mão na frente de meu rosto, posso dizer que é um retrato. Se vejo minha mão a distancia, posso dizer que é parte da natureza morta e se a vejo do outro lado da rua, posso dizer que é parte do cenário. Na construção destes espaços, vemos uma imagem que pode ser pensada como um retrato. Se olharmos com cuidado, esta natureza morta é uma vida real. De certa forma, se pensarmos sobre isso e olharmos por tempo suficiente, os espaços mentais se transformam em cenários mentais.
Estes retratos se originam de um trabalho que eu fiz nos anos 70, chamado “VIDEO 50”. Fiz vários retratos, incluindo o escritor surrealista Louis Aragon, a socialite Helene Rochas, um pato, um padre que eu conheci num bar, o diretor de museu Pontus Hulten, o CEO da Sony, Akito Morita, e o Ministro da Cultura da França Michel Guy. Estes retratos podem ser vistos na TV, em galerias, museus, estações de metrô, hotéis, aeroportos ou mesmo no quadrante de um relógio de pulso. Eu imagino os VOOM PORTR AITS sendo vistos em espaços públicos, bem como nos lares. Em casa, eles são como uma janela na sala ou o fogo na lareira.
Freqüentemente as pessoas me perguntam “Quais são as idéias por trás das imagens?”. Eu não interpreto meu trabalho. A interpretação é para os outros. Fixar um significado a um trabalho como este limita sua poesia e a possibilidade de outras idéias. Eles são pessoais, expressões poéticas de personalidades diferentes. Um homem da rua, um animal, uma criança, super stars, deuses de nosso tempo.



Obras de Robert Wilson

As obras de Wilson integram uma ampla variedade de mídias artísticas, combinando o movimento, a dança, a iluminação, o design de móveis, a escultura, a música e o texto em um todo unificado. As imagens do artista são esteticamente cativantes e carregadas de emoção e suas produções foram aclamadas pelo público e pela crítica no mundo inteiro. Junto com o compositor Philip Glass, Wilson criou a monumental obra Einstein on the Beach, que mudou as noções convencionais da forma operística tradicional. Entre seus inúmeros colaboradores estão vários escritores e músicos como Susan Sontag, Lou Reed, Heiner Müeller, Jessye Norman, David Byrne, e Tom Waits. Prolífico no repertório operístico tradicional, Wilson imprimiu sua marca em obras de mestre como La flûte enchantée (A flauta mágica), Pelléas et Mélisande, Der Ring des Nibelungen e Madame Butterfly.

A prática de Wilson está firmemente enraizada nas artes plásticas e gráficas e extensas retrospectivas de seu trabalho foram apresentadas no Centre Georges Pompidou, em Paris, e no Boston Museum of Fine Arts. Montou instalações no Stedelijk Museum em Amsterdã, no Villa Stuck em Munique, no Clink Street Vaults de Londres e no Guggenheim Museums em Nova York e Bilbao.







VOOM PORTRAITS ROBERT WILSON




Concepção e curadoria Adelina Von Fürstenberg




Produção VOOM HD




Produtores Matthew Shattuck e Noah Khoshbin




Organização e coordenação Michela Negrini







A mostra é uma realização do Porto Alegre em Cena




Secretaria Municipal da Cultura/Prefeitura de Porto Alegre


Patrocínio: Santander

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